Jovens Adultos (Young Adult. 2011)


Cômico e brilhantemente honesto, o novo filme de Jason Reitman, me fez rir bastante para então depois me deixar com um sentimento desconfortável na minha ‘avaliação’ sobre o julgamento alheio e refletir sobre o meu próprio alto julgamento.

O filme conta a estória de Mavis Gary (Charlize Theron). Batizada com um nome terrível, mas belíssima e com uma auto-estima que chega causar a inveja alheia, Mavis é uma mulher difícil de lidar. Muito popular durante o ensino médio, a moça abandona Mercury, uma cidadizinha no meio do nada, em Minnesota, e se muda para Minneapolis – cidade grande!, onde se casa, e se torna uma “Ghost Writer” de uma série de romances direcionada a jovens adultos. Mavis  já separada, vive de mentiras – mente para todos, e inclusive para si própria- em relação a sua vida pessoal e profissional. Incrivelmente antipática – reflexo da sua insegurança -, se torna quase impossivel de amá-la.

Mavis está geralmente sozinha, e vive numa eterna ressaca- entre bebidas e promiscuidade – o que me fez lembrar do papel que Theron fez em  “Vidas que se Cruzam” (The Burning Plain, 2009), mas em “Young Adult”, a sua personagem é bem mais perdida. Mavis vive uma vida que parece ter perdido todo o sentido (mas ela não admite isso). Quando recebe um email do seu ex-namorado dos tempos de escola, Buddy (Patrick Wilson), que se tornou pai, ela é tomada por uma sentimento difícil de descrever, mas a mesma entra em ação – volta para sua cidade natal, e tenta reconquitar Buddy. Para Mavis, ele terá que abandonar a esposa e o seu bebe, e recomeçar uma nova vida com ela, em Minneapolis.

Não vou falar mais sobre o enredo do filme, porque no final, acho que nem todo mundo vai apreciar. Eu particularmente não esperava um olhar tão honesto no meio de tanta asneira – em muitas cenas, eu ri tanto, que pensei que o filme teria um final bobinho, mas Mavis é uma criatura tão humana – assim como nós somos, simplesmente criaturas tolas que quase nunca aprendemos com os nossos erros, e mesmo que venhamos a corrigi-los, as vezes, não os tiramos de nossa mente.

Atores:

Gostei muito do elenco, com destaque para Patton Oswalt, que faz o amigo de Mavis. Ele tem um papel interessante, de um homem que fora vitima da homofobia, pois pensavam que ele era gay. Mas o filme é todo de Charlize Theron- sua interpretação é fantástica!!. Ela minimiza tudo, conseguindo fazer a expressão mais sutil falar por si mesma. Será que Mavis tem problemas psicológicos?. Ou ela talvez seja apenas uma mulher infeliz, maníaca depressiva, confusa ou apenas infantil. Essas nuances são traçadas de forma tão natural por Theron, que acabei me apaixonado por sua personagem.

Não consegui acreditar que Theron não foi indicada ao Oscar este ano. Tudo bem, Meryl Streep é uma grande atriz, mas em “The Iron Lady”, ela apenas tem os aspectos tecnicos a seu favor (maquiagem, voz, e maneirismos), pois o filme é tão ruim, que sua Margaret Thatcher se perde, ou não sabe para onde ir; o mesmo ocorre com a talentosa Glenn Close em “Albert Nobbs.” Albert é uma personagem triste, vazia e limitada. Nem  consegui entender até este momento, o que a academia viu no filme ou mesmo na atuação de Close. Enquanto Theron, Tilda Swinton e Kristen Dunst ficaram de fora!.

Este ano, a academia também preferiu o roteiro ‘original’ de “Bridesmaids” (2011), uma daquelas comedias loucas que surgem em Hollywood, com tanta frequencia, em vez de ter agraciado Diablo Cody com uma indicação por seu interessante roteiro em “Young Adult.” Talvez a razão tenha sido porque a própria Cody ganhou um Oscar pelo azedo –  para não dizer sem graça -, “Juno” (2007), e também porque “Young Adult”, diferente de “Juno”, não se tornou um sucesso de publico, embora a critica tenha gostado.

Reitman e Cody traçaram uma linha delicada, centrando a sua estória em uma protagonista que é, mais ou menos impossível de  gostar. Mas não importa como você ver Mavis, ela é uma personagem que vale a pena conhecer e eu nem consigo esperar para reve-lo quando o filme for lançado em DVD. Sim, ela ainda tem muito para aprender, mas sem duvida, suas  experiências tem muito para nos ensinar.

Nota 9,0

P.S.: Duas cenas que amei no filme: a do confronto entre Mavis, e a esposa de Buddy, e a honesta conversa entre Mavis e Sandra:

Mavis: …it’s very difficult for me to be happy. And other people– it’s so simple for them. They just grow up. They’re so …fulfilled.

Sandra: I don’t feel fulfilled.

[…]

Mavis: I need to change.

Sandra: No, you don’t.

Mavis: What?

Sandra: You’re the only person in Mercury who could write a book or wear a dress like that.

Mavis: I’m sure there’s  plenty of people.

Sandra: Everyone here is fat and dumb.[…]

Sandra: Everyone wishes they could be like you. […] famous, living in a big city, beautiful and all that.

Mavis: But everyone here seems so happy with a lot less. They don’t even seem to care what happens to them.

Sandra: That’s because it doesn’t matter what happens to them. […] they’re nothing.

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10 comentários em “Jovens Adultos (Young Adult. 2011)

  1. Rogerio, tem sido um deleite e ao mesmo tempo inquientante!

    Explicando 🙂

    Deleite por me fazer querer ver todos esses filmes que tem postado! O drama é encontrar tempo e dinheiro para vê-los 😀

    Com isso, mais um para a lista de: quero muito ver!

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  2. Compreendo o que vc quer dizer LELLA! As vezes se tem que fazer um sacrificio para ver os filmes no cinema!

    Esse eh o melhor periodo para ver bons filmes…..pois depois, aparece um – as nenhum- em um mes de lancamento! LOL

    Bem, eu AMEI YOUNG ADULT, e adoraria re-ve-lo no cinema, mas ainda se tem tantos filmes que quero ver….ainda nao vi o Artista…..e tenho que ir com clama…LOL

    Bem, veja……vc vai gostar de YOUNG ADULT…..eh um filme muito, muito bom!

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  4. Pra quem gosta do texto ácido da Diablo Cody, vale a pena. Caso não, é bom fugir! Sem contar que a Charlize Theron está melhor do que nunca: linda e diabólica!

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  5. O papel da Charlize Theron é de uma pessoa com algum tipo de transtorno de personalidade (apostaria em histrionismo). Por incrível que pareça, o filme é um bom “case” para psicólogos.

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