“De Amor também se Morre” (“The Constant Nymph” 1943)

Em fevereiro, a grade do canal TCM – Turner Classic Movies-, é totalmente dedicado a “31 dias de Oscar.” Um dos filmes que assisti e que me apaixonei até aqui foi “De Amor também se Morre”.  Sempre quis ver este filme porque sabia que o mesmo nunca fora lançado em DVD ou VHS, e TCM tinha, e tem seus direitos.  Não sabia quase nada sobre o enredo do filme – apenas que era sobre uma menina que se apaixona por um amigo da família, o qual, conseqüentemente, se casa com sua prima.

As cenas de abertura do filme, ilustram a vida do clã Sanger, que vive longe das convenções da sociedade. As meninas da famila se deliciam com a vida rural. O patriaca, que é músico, morre, deixando-as aos cuidados dos tios. O amigo da família, Lewis (Charles Boyer), que também é músico, está de visita, e se rende ao charme de Florence (Alexis Smith), e logo se casa, sem saber que a prima da esposa, Tessa (Joan Fontaine ) morre de amores por ele. Tessa e a irmã são enviadas para Englaterra, onde passam a estudar, mas não se sentem felizes com a vida academica, e pedem “abrigo” na casa de Lewis. Ele vive numa crise criativa para compor, e logo, Tessa se torna a sua fonte de inspiração — ela é única pessoa capaz de compreendê-lo.

Hitchcock foi a primeira opção para dirigir o filme – sua esposa Alma Reville foi quem escreveu o roteiro para a primeira versão do livro de Margaret Kennedy, em 1928–, mas o diretor de “Of Human Bondage” (1946), ficou com a missão de transpor o livro de Kennedy para a tela na segunda versão falada. Como o titulo do livro sugere, Kennedy usa mitologia grega como fonte– ao contrário dos deuses, ninfas são mortais, e, geralmente, espíritos felizes, considerados divinos. Fontaine dá vida essa ninfa (Tessa), uma menina de 14 anos, que “morre” de amores por um homem mais velho, o qual vem a sentir o mesmo por ela. Fontaine me surpreendeu — uma atriz que apesar de bela, nunca fui fã–, em cenas onde ela alegremente corre ao redor da casa ou no quintal, ou em outras cenas, em que, parece inocentemente perdida diante do amado. Não que Fontaine pareça ter 14 anos porque ela sempre foi uma mulher de traços marcantes, mas o maneirismo travesso de menina, e a sua delicadeza enriquecem a sua interpretação. Ela é tão convincente como Tessa, que eu nem percebi que ela já tinha 26 anos quando fez o filme. Creio que não seria fácil encontrar uma atriz de 14 anos para fazer um papel de uma “ninfa”, em 1943—mais tarde o termo ninfa fora ” mordenizado” – com conteúdo erótico por Vladimir Nabokov-, que passou a usar ninfeta,  em seu livro Lolitta (1954).

Honestamente, fiquei encantado com o filme da primeira a última cena – os cenários e figurinos são perfeitos, a bela trilha sonora de Eric Wolfgang Korngold, se enquadra ao tema delicado do filme, de uma forma sublime. O atores são incríveis, em especial Alexis Smith, que também brilha como Florence — a cena que ela tem um confronto dramático com Tessa,  é incrivelmente comovente. O extraordinário Charles Coburn, que interpreta o pai de Florence,  rouba as cenas que parece – que ator mavilhoso!. Boyer que sempre brilha, faz um homem triste, e “cego”, pois demora a perceber o amor de Tessa por ele. O ciúme de Florence, o aproxima da menina – e através de seus olhos, é possivel notar o seu amor por Tessa!.

Achei o filme muito bem coreografado – se assim posso dizer-, e muitas vezes, é possível ver um ator de pé com as costas para a câmera, quase como expectador!. Embora um pouco longo – quase duas horas de duração!-, Edmund Goulding fez um filme bastante crível e interessante.

Nota: 9,0

Indicação ao Oscar de Melhor Atriz: Joan Fontaine.

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2 comentários em ““De Amor também se Morre” (“The Constant Nymph” 1943)

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