Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tattoo. 2011)

Li o livro de Stieg Larsson em 2008; assisti o filme sueco no final de 2009, e achei a idéia de uma nova “tradução” bem precipitada, pois a obra sueca já era um grande filme,  e que foi muito bem avaliado por LELLA, aqui: “Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2009).

Sinceramente, evitei ao máximo em ir ao cinema, e assistir ao filme de David Fincher, porque não acreditava o quão bem sucedida essa versão seria – tinha minhas dúvidas. Vamos vir e convir, assisti  a primeira “tradução” há dois anos, e como me interessaria em ver exatamente a mesma história contada de novo?.  Bem, fui literalmente levado ao cinema por um amigo, e olha que se arrependimento matasse, eu teria morrido sem ver  “Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres” (2011). Sim, poucas mudanças foram feitas no roteiro escrito por Steven Zaillian — ele acrescenta um humor inteligente que diminue a alta tensão–, e eu tenho que admitir que saber de todo o mistério não me atrapalhou em nada – o fator suspense está lá intacto!

Para assistir o filme de Fincher– preciso dizer que é muito bom!–,não é preciso ignorar o filme sueco- cada filme tem seus próprios méritos!.  Evito aqui falar sobre o enredo do filme- será que eu preciso contar algo?  — bem, qualquer coisa (re) leiam o texto da LELLA!. E,gostei muito das atuações: Daniel Craig está excelente como Mikael, um homem com uma mente inquisitiva, mas humano – mais substancial do que na adaptação sueca!. Quando o versão hollywoodiana foi anunciado, achei super estranho a escolha de Rooney Mara, pois Noomi Rapace fez uma Lisbeth Salander, de cair o queixo, e torci para que os produtores americanos tivessem escolhido própria Noomi para reviver a Lisbeth, já que a mesma é fluente em inglês, mas admito que Mara não é nada mais do que formidável no papel ( embora não entendi o sotaque estranho que ela adcionou na sua caracterização). Ela domina com seu retrato poderoso. Faz uma Lisbeth mal-humorada, mas ainda assim vulnerável. Inteligente, mas sem ser irritante ou arrogante. Christopher Plummer se não viesse a ser indicacado ao Oscar por seu papel em “Beginners” (2011), merecia ser indicado por sua magistral atuação como Henrik Vanger- não tinha nunca sentido no livro, ou mesmo na versão sueca, a perspicácia desse personagem!.

O tom do filme — o desenho de produção—, é escuro, contribuindo para as cenas externas filmadas na Suécia. Os locais são impressionantes, com seus céus de inverno—uma beleza européia distinta!—,caprichada pelas lentes do cinematógrafo Jeff Cronenweth. Os zumbidos da percussão da trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross, pode até contribuir a atonalidade do filme como um todo, mas que me deixou extremamente tenso!. Escutando a trilha sem ter as imagens, eu não consegui gostar de nunhuma faixa, mas no filme tudo casa perfeitamente!.

Ganância, corrupção, crime, crise familiar, segredos de guerra, justiça, sexo e amor —  não a forma tradicional de amar–, são os temas abordados no filme. Sexo não é a única coisa que é pouco convencional neste filme –- ele tem várias funções e significados, e esses aspectos do sexo que mais gostei na obra de Larsson.

Satisfatoriamente complexo e cativante, o filme de Fincher prende a nossa atenção por todos os  158 minutos  de duração. Não é o melhor filme do ano, mas é bem superior a filmes que foram indicados ao Oscar este ano – este filme é de cima para baixo, quase perfeito!. E, é apenas a minha opinião, mas um filme não precisa copiar o livro para ser bom – filmes e livros são dois formatos diferentes de uma história, e eles precisam ser tratados de forma diferentes. E, Fincher tem o dom de tomar uma única imagem e torná-la poeticamente ressonante. Este é um filme que realmente mergulha o espectador.

Nota 9,0

Indicado ao Oscar:
Melhor Fotografia- Jeff Cronenweth
Melhor Edição – Angus Wall, Kirk Baxter
Melhor Edição de Som – Ren Klyce Pendente
Melhor Mixagem de Som – David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce, Bo Persson Pendente
Melhor Atriz  – Rooney Mara

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19 comentários em “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tattoo. 2011)

  1. Achei a escolha de Daniel Craig perfeita, desde que vi o filme sueco imaginei que caso houvesse uma refilmagem ele seria o ator ideal para interpretar Mikael. Entretanto não gostei da atuação de Rooney Mara, achei sua intepretação sem sal bem como em A Hora do Pesadelo. Em ambos ela dá vida a jovens traumatizadas por algo causado por homens, mas particularmente a considero exageradamente inexpressiva em várias cenas dos dois filmes. Noomi Rapace surpreendeu com sua Lisbeth corajosa, violenta e inteligente. Rooney passa muita insegurança e com certeza ela seria a última opção que eu imaginaria no papel da hacker.

    Não li o livro, já li vários comentários afirmando que sua interpretação é bem fiel à obra, porém esperava que a atriz fosse surpreender principalmente aqueles que não leram Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Não esperava uma atriz tão boa quanto Noomi, mas pelo menos alguém que fosse menos parado.

    Quanto ao restante, a direção de Fincher me surpreendeu mais do que em outros filmes, ele realmente é bastante talentoso. E, como disse a crítica, nós sabermos o final não atrapalhou em nada por conta da boa condução da trama.

    Por sinal, a abertura é linda.
    Bom texto, Rogerio.

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  2. Alex,

    Assino em baixo para tudo que vc disse!. Craig eh um bom ator, e foi uma escolha PERFEITA para o papel!

    Rapace foi de cair o queixo como a Lisbeth- extraodinaria interpretacao!
    Rooney estah muito bem no papel, e sim, quem leu o livro, pode sentir que a mesma esta “quase” fiel ao personagem no livro!. Achei merecida a indicacao ao Oscar para ela- pelo esforco!!!!….Nao sei que ela eh um boa atriz, apenas a vi antes no filme “THe Social Network” _ uma pequena participacao!, mas sei que a Lisbeth eh um grande personagem, e Rooney teve a sorte de ser bem dirigida, e fez bem o deve de casa!.
    Um grande filme! Gostei muito!!!
    Valeu!

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  3. Filme excelente!

    Eu não vi a versão sueca que muitos dizem ser melhor. Mas achei essa versão irretocável. Desde as atuações, fotografia… Enfim, a construção do filme como um todo.

    Eu também fui ao cinema meio descrente do filme, mas fui surpreendida.

    Recomendadíssimo.

    Nota 10!

    E um em especial para Rooney Mara, que fez da personagem uma grande heroína.

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  4. Oi Lella! Obrigado pelos elogio e pelo convite. Não sei se posso me comprometer c/ postagens regulares pois também atendo encomendas e frequentemente estas ocupam um bom tempo de produção, mas certamente qd houver qualquer filme ou assunto relevante relacionado à 7a Arte e eu puder produzir algo, pode contar comigo.

    Abraços!

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    • Caramba, seu trabalho tem uma qualidade excelente, você podia fazer aquelas charges políticas.
      Admito que ainda não havia percebido que Lisbeth tinha sobrancelhas pintadas no filme, isso contribuiu para minha sensação de estranheza no longa de Fincher, mas ainda prefiro a personagem com as sobrancelhas normais, rsrs (apesar de não saber direito como ela era na versão literária).

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    • Marcelo, eu costumo brincar que o dia em que me ver forçada a escrever, eu pulo fora 🙂

      Brincadeiras a parte! Não há aqui nesse blog o de ter que postar. Todos nós o fazemos por puro prazer.

      Tivemos o Tiago que chegou a atender alguns pedidos. Embora eu tenha repassado o email que ele autorizou aos membros do blog, apenas eu e a Karenina que fizemos uns pedidos. Na aba Acervo tem a listagem. Depois ele foi embora.

      Eu, de cá, que adoraria um tipo de parceria dessas, com um desenhista, fico sempre na espera de um 🙂 Uma pidona mesmo. Como não posso pagar, a torcida é para que alguém o faça sem cobrar.

      Agora, mesmo com uma certa tristeza – numa possibilidade de tê-lo desenhado para textos nossos -, fico super feliz em mudar o convite. Para que venha ser um de nós, como autor também de textos. Onde você ilustraria seus próprios textos.

      Vou te enviar o convite. Aceitando, já pode colocar o que postou mais abaixo, e no topo o seu desenho. Também te passarei o meu email.

      A torcida agora é para que aceite ser autor.

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  5. Alexandre, obrigado a vc tb pelos elogios. E de fato foi a estranheza enigmática da Lisbeth da Rooney Mara que me fisgou qd comecei a ver os trailers.

    E acho q após apresentar meu cartoon em homenagem ao filme, chegou a hora de agregar minhas impressões a respeito. Afinal é esse o objetivo principal e certamente é o q o autor Rogério Silvestre espera de nós.

    Minha única referência é o filme do David Fincher, por quem tenho imensa admiração enquanto realizador de cinema. As soluções visuais q ele emprega p/ hiper-detalhar a estória e em especial o transcorrer da investigação remetem à maneira como ele conduziu “A Rede Social” de forma tanto didática p/ quem sequer tem facebook e pouco entende de coisas “tipo internet” quanto verossímil pra quem já é iniciado. Qualquer um é capaz de entender perfeitamente o pq do fenômeno facebook e suas consequências na vida contemporânea.

    Mas voltando a Millenium… embora eu não conheça nem o 1o. livro e tampouco a versão original sueca, sua complexidade de detalhes é o terreno ideal p/ um diretor como Fincher trabalhar e pelo q eu soube o filme é uma gloriosa exceção à regra de arruinar boas estórias originais c/ refilmagens como costuma fazer o cinema americano. Então eu presumo q à parte de gostos pessoais entre “as Lisbeths” de cada filme, a versão de Fincher sirva plenamente como base de análise.

    Lisbeth é muito foda em sua complexidade e carências e recursos. Tão foda q é capaz de, entre outras coisas, se transformar numa princesa de acordo c/ a conveniência p/ em seguida se desfazer do “encanto” simplesmente p/ voltar a ser ela mesma… me lembrou a música da Pity:

    “O importante é ser você, mesmo que seja BIZARRO”

    Mas é aí q acontece o verdadeiro encanto aos nossos olhos, pq nessa altura já deixamos de vê-la como alguém bizarro… ela subverte tanta coisa q consideramos “normal” q até mesmo seu final “meio triste” deixa de pesar tanto.

    Os fracos teriam ficado entristecidos, simplesmente… mas eu aposto q depois da moto ter virado a esquina, ela bem pode ter ido de volta à balada p/ se consolar c/ a morena, quem sabe?

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