O Bullying nos Cinemas

Por: Lidiana Batista.

Dentre as várias manifestações artísticas que possuímos, o cinema é a que mais consegue atingir um número maior de pessoas independente do nível social, religião, raça ou sexo. Por ser o mais popular, em termos de acessibilidade, o cinema pode ser visto como entretenimento, fonte de reflexão ou ambos.
Sabe-se que fatos da vida real inspiram roteiristas a criarem suas películas e no caso do Bullying não é diferente, pois foram analisados dois filmes com esta temática: Tiros em Columbine de Michael Moore, 2002 e Bang, Bang! Você morreu! de Guy Ferland 2002, pelo fato de que, no primeiro trata-se de um documentário sobre o massacre ocorrido na Columbine High School, na cidade de Littleton, Colorado, e o segundo por ser baseado em uma peça homônima que mostra de forma explícita o Bullying nas escolas americanas.
O documentário do cineasta Michael Moore, lançado em 2002, investiga o que motivou dois jovens do ensino médio, Erick Harris com 18 anos e Dylan Klebold de 17 anos, a entrarem armados no colégio e assassinarem 12 estudantes, 01 professor, deixarem mais de 20 pessoas feridas e suicidarem-se em seguida. Moore investigou tão a fundo o caso que o documentário mostra de forma explícita como é fácil conseguir uma arma nos Estados Unidos e como funciona a cultura bélica americana.
No decorrer da película ele também entrevista alunos que estudavam e que presenciaram o massacre, inclusive o roqueiro Marlyn Manson, que foi considerado bode expiatório já que os dois jovens em questão ouviam suas músicas.  Manson ficou dois anos sem poder ir ao estado do Colorado. Em entrevista presente no documentário, Michael Moore pergunta a Manson o que ele falaria para os estudantes de Columbine. O músico categoricamente responde: “Eu não diria nada. Eu apenas os ouviria. Coisa que certamente ninguém nunca fez.”
Moore também entrevista o criador do desenho South Park, Matt Stone que estudou na mesma escola onde ocorreu o massacre. Stone aborda os maus tratos que ele sofreu no colégio e os que os dois jovens também sofreram, pois segundo as investigações, Erick e Dylan eram constantemente humilhados e excluídos pelos colegas. Stone diz:
“Você acredita na escola e nos alunos, mas os professores, conselheiros e diretores não cooperam. Eles nos obrigam a ir bem na escola dizendo: ‘se fracassar agora, será um fracassado para sempre’. Todos chamavam Erick e Dylan de bichas. Eles pensavam: ‘ se sou bicha agora, serei para sempre’.
Quem dera alguém tivesse dito a eles: ‘Cara o colegial não é o fim. Falta um ano, um ano e meio. Você ainda vai morar sozinho’. Já na sexta série eles começam a martelar na sua cabeça: ‘Não erre, pois se errar, morrerá pobre e sozinho’. E você pensa: ‘ o que serei agora, serei para sempre’. É totalmente o contrário, muitos maus alunos se dão bem depois. Se tivessem falado com eles, isso não teria acontecido.”
É fato que Michael Moore é sensacionalista, pelo menos para mim. No entanto, o documentário é bastante pertinente para se trabalhar em sala de aula sobretudo com alunos do ensino médio.
Já em Bang, Bang! Você Morreu!, dirigido por Guy Ferland de 2002, é baseado na peça homônima do escritor americano William Mastrosimone lançada em 1999, e que coincidentemente ou não, foi encenada pela primeira vez em Oregon, onze dias antes do massacre de Columbine.
O filme conta a história de Trevor Adams, um jovem estudante do ensino médio, considerado bom aluno, e que após ter sido arremessado em uma lixeira, por alguns integrantes do time de futebol americano da escola, muda seu comportamento e decide fabricar uma bomba ameaçando explodir um dos prédios da escola. Apesar da bobam ser de mentira, isso causou pânico generalizado na cidade.
Trevor passa então a ser descriminado por colegas, professores, vizinhança e até mesmo pelos pais. A única pessoa que o apoiava era o professor de cinema e tetro Sr. Duncan, que propõe aos alunos encenarem a peça “Bang, Bang! Você morreu!”. No entanto, a peça não é bem vista pela comunidade, simplesmente pelo fato de o título remeter a um ato de violência e também porque o professor queria que Trevor fosse o protagonista, ou seja, o assassino.
O que a maioria dos professores não entendia, é que o objetivo do professor era fazer com que Trevor se encontrasse no personagem e descobrisse os reais motivos que o levaram a cometer a ameaça, mas principalmente, descobrisse os reais motivos que não o permitiram com que ele fosse adiante. A comunidade em geral acreditava que Trevor ao encenar a peça, poderia efetivamente se tornar um assassino, tal qual o personagem Josh da peça.
Em uma das cenas, é mostrado aos gestores da escola um vídeo feito por Trevor em que ele diz: “um empurrãozinho diante dos outros garotos, é algo muito relevante…especialmente quando você sabe que vai acontecer todos os dias. Você fica quase aliviado quando acontece…”

Vale ressaltar que em termos técnicos, ambos os filmes não apresentam mega produções e no caso de Bang, Bang! Você morreu! Nenhuma atuação é relevante. Mas fica a dica para professores interessados em discutir o tema com os alunos, pois tanto o documentário quanto o filme, trazem reflexões que podem ser debatidas em sala de aula.
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