Fatal (Elegy. 2008)

Por: Lidiana Batista.

“Fatal”, baseado na obra do escritor Philip Roth e dirigido pela cineasta espanhola Isabel Coixet, diretora de outras películas como: “Minha vida sem mim“, “A vida secreta das palavras“, conta a história de David Kepesh, brilhantemente interpretado pelo ator Ben Kingsley.

David é um renomado professor universitário, crítico de arte e que sente seu ego inflado por saber que é objeto de desejo de suas alunas (necessidade de autoafirmação). Toda essa confiança cai por terra no dia em que ele conhece Consuela Castillo (Penélope Cruz, que quando bem dirigida consegue convencer), uma jovem segura de si, inteligente e bonita.

Eis que o professor de meia idade se vê envolvido com a jovem quase 30 anos mais jovem. David se torna inseguro não só pela idade, mas porque ele sabia que aquele relacionamento chegaria ao fim, já que ele não conseguia manter uma relação estável com nenhuma mulher.

David vive essa paixão. Sua vida encontra-se em total desiquilíbrio, ele teme um futuro com Consuela, sente que esta envelhecendo, e segundo ele mesmo diz: “Consuela tem toda a vida pela frente.” E ele não?

Apesar do filme mostrar toda a insegurança de David, o que para o expectador é bastante compreensível, compreendemos também o lado de Consuela. Jovem, linda e quer viver essa paixão, a diferença de idade nunca foi um obstáculo para ela, pelo contrário, ao lado de David, ela se sente segura, se sente amada.

Então, o que impediria esse romance? Bem, David tem um caso puramente sexual com uma mulher há mais de 20 anos. Ela é seu alicerce, é ela quem oferece o equilíbrio que David necessita, ela traz a segurança para o homem que precisa se autoafirmar o tempo todo.

Em outro momento do filme, este equilíbrio também é demonstrado quando George (Denis Hopper), melhor amigo de David, e que foi infiel a vida inteira, adoece e se vê sob os cuidados da esposa traída. Será isso então que os homens precisam? Alguém que não coloque em xeque seus sentimentos, desempenho sexual, suas vidas perfeitamente planejadas? E a mulher? Do que ela precisa?

A relação com o filho é algo delicado. O filho, um homem já feito, casado, médico, culpa o pai por ter abandonado o lar. Essa relação foi pouco explorada porque não fica claro se David tentou realmente uma aproximação com o filho. A grande questão, é que quando o rapaz questiona esse abandono, David é categórico: “fui honesto”. E de fato o foi, foi honesto com sua ex-mulher e consigo mesmo. Mas fica a pergunta: estaria ele sendo honesto com Consuela e com seus sentimentos? Se escondendo atrás da insegurança e do medo de envelhecer?

Um outro ponto que pode ser discutido é sobre a beleza da mulher. “As mulheres bonitas são invisíveis”. E são mesmo! Vistas como objetos sexuais, alguém para se passar uma noite e depois se gabar com os amigos, ninguém sabe como são solitárias, que choram à noite, e que são também apreciadoras da arte (no caso de Consuela).

Esses são apenas alguns pontos que podem ser discutidos, vale ressaltar que cinema é algo subjetivo e talvez essas questões levantadas podem ter passado despercebidas para quem já assistiu. No entanto, fica a dica para quem gosta de refletir sobre o medo de amar, a fraqueza do ser humano e sua insegurança.

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