“Shame” (2011)

Shame” não foi o filme que “visualizei” quando li o roteiro de Abi Morgan (que sozinha, escreveu o medíocre “The Iron Lady”, 2011) e Steve McQueen. E, nem poderia imaginar que o filme receberia uma classificação NC-17. Não que pensei que o conteúdo do roteiro fosse assim tão fácil. Bem, achei o filme bem melhor do que a sua “fonte original”: uma crônica sobre vida de um jovem homem, que vive sozinho em uma cidade grande (New York), e, é viciado em sexo. Isolado, Brandon Sullivan (Michael Fassbender), vive em crise: parece não ter criatividade, ou relações primárias, e sofre muito com a visita inesperada de sua irmã Sissy (Carey Mulligan) .

Na verdade, a vida sexual de Brandon, é intensa. É intensa porque parece ser uma vida sem sentido: passa o seu tempo, assistindo videos pornos, em seu computador; ou apreciando sexo virtual; ou, se masturbando em casa ou no trabalho; paquerando, ou tendo relações sexuais com estranhos. Ninguém ao redor de Brandon, o conhece melhor do que a sua irmã, que deixa uma mensagem no telefone do rapaz: “Não somos pessoas ruins… apenas viemos de um lugar ruim…” É inquestionável que seria embaraçoso se fôssemos capazes de saber da vida sexual do outro, certo? E, como Brandon não diferente.

Quando Sissy se instala no apartamento do rapaz, por um tempo indeterminado,  será possivel notar que relação entre eles, é tão ambígua quanto complicada de entender. A presença de Sissy faz Brandon se sentir mais deprimido, e irritável. É fácil ver que ele é incapaz de descobrir a fonte de sua angústia, o que torna o desempenho Fassbender extremamente complexo e delicado. Há um monte de cenas que vemos Brandon culpando Sissy, mas nunca ele próprio por a sua ansiedade crescente. Ele parece ser incapaz de tomar decisões saudáveis e nunca parece reconhecer as conseqüências de suas ações.

Parece ser mais fácil de entender vícios em substâncias ilegais, alimentos ou bebidas alcoólicas, do que um vício de comportamento como o sexo. Dependência de substâncias envolve colocar algo estranho em seu corpo — bebida, ou cocaína. Sexo faz parte da natureza humana, e por tal, é mais privado!. Por exemplo: a vida de Brandon não é focada apenas em ter um orgasmo —  em várias cenas, Brandon passa longos períodos apenas pesquisando, sem nunca ter um orgasmo ou mesmo uma ereção. Quando ele tem um orgasmo, fica o vazio– o alívio da tensão emocional através do sexo anônimo. No rosto de Brandon fica a expressão de culpa e vergonha.

Steve McQueen é um grande artista. Um cineasta incrível, cujo primeiro filme “Hunger” (2008), é uma pequena obra de arte. O filme trata da vida de Bobby Sands, o líder da greve de fome do IRA em 1981. É um filme bem superior a “Shame”, porque este último não tem uma estória em si. “Shame” é apenas uma “cronica” de um ser humano viciado em sexo.  Não sabemos muito do passado de Brandon, e nem mesmo que tipo de relação ele teve e tem com Sissy. E não existe uma conclusão para o fim do seu vicio, até porque McQueen fez o seu filme sem qualquer senso de julgamento em relação a Brandon.

Achei o desempenho de Fassbender, nada mais, nada menos do que perfeito. Foi injusto, que o seu esforço não lhe valeu uma indicação ao Oscar, principalmente porque ele tinha nas mãos, o personagem mais complexo de se construir. Fassbender me chamou a atenção pela primeira vez, em “Fish Tank” (2009), filme britânico muito elogiado. Este filme faz um excelente olhar na vida de uma adolescente que cresce no bairro pobre. Ela se sente mal- amada e presa no meio familiar sem estrutura. A mãe é promíscua e alcoólatra, que traz para casa, o seu belo e misterioso namorado interpretado por Fassbender, que roubou o filme para si. Fassbender é melhor do que filme. Ele, mais uma vez me surpreendeu em “Hunger” (2008). E o seu Edward Rochester, em “Jane Eyre” (2011), é perfeito.

Porém, a maior surpresa em “Shame” é Mulligan, que esteve adoravel em “An Education” (2009), mas aqui, ela me surpreendeu, não porque ela aparece totalmente nua, mas porque a sua Sissy me apresentou uma atriz madura. A vulnerabilidade e veracidade que Mulligan deu a Sissy, me fez amá-la como atriz. A cena que ela canta “New York, New York”, é bastante triste, mas tem outra cena, quando Sissy e Brandon estão discutindo, sentados no sofá, é de querer rever. No fundo, a Tv está ligada, mostrando um desenho animado em preto-e-branco. Os quadros feitos por McQueen, mantem Mulligan à direita e Fassbender à esquerda. Quando a cena intensifica, lágrimas começam a cair do rosto de Mulligan, mas mais importante é que elas caem do seu olho direito. As lágrimas não são imediatamente visíveis, até que elas estão penduradas suavemente no seu queixo e rolam no seu pescoço. A intensidade do diálogo, é uma coisa, mas a sutilidade emocional do que eles falam, fortemente me emociou.

Eu não posso esperar para rever “Shame” quando chegar em DVD. É apenas o segundo filme de McQueen, mas isso apenas prova que ele é um cineasta maravilhoso!.

Nota: 9,0

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6 comentários em ““Shame” (2011)

  1. Cara! Eu já estava estranhando de você não ter comentado antes esse fillme? Até pelo Fassbender. Ele teve estréia universal?

    Estava lendo seu texto… vou fingir que não o “medíocre” no primeiro parágrafo. Mas tentada a linkar meu texto no “The Iron Lady” :p

    Continuando… O nome do Diretor me fez pensar foi nesse ator http://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_McQueen 🙂
    Não vi “Hunger”, que é dele o Roteiro. Mas esse aqui, não passa dessa semana. Vi o trailer, e Fassbender está bem diferente. Refiro-me ao seu papel em “Um Método Perigoso”. Claro que tem toda uma carecterização para compor o Jung. Mas nem parece o mesmo ator.

    Eu também não vi “An Education”, mas a Carey Mulligan também não fez feio em “Drive”. Mas que deixou uma dúvida: “Se ela estaria fadada a personagens de carinha triste. De personagens iguais.” Até pela grandeza nas cenas com isso em comum.

    Vou conferir esse filme. Depois eu volto 🙂

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  2. Lella,

    Escrevi esse texto em Janeiro, creio….mas como escrevo tudo em Ingles… e como tantas coisas para fazer…..o tempo foi passando e passando e apenas agora que publiquei…..e tem uma lista grande de filmes que escrevei……soh me falta, publicar! 😦

    Achei o THE IRON LADY HORRIVEL….super mediocre …..Streep foi a unica coisa boa….e a maquiagem que para mim seria a unica coisa digna de levar o OScar!
    Tudo mundo, confunde o director de SHAME com o Astro de Hollywood! Tbem confundi !AHHAHHAHA

    Vou assistir amanha ” UM METODO PERIGOSO” por causa de Vc, e do Fassbender…..ahahahhah

    Veja “AN EDUCATION”, mas mais do qeu isso ASSISTA “HUNGER”, que eh um filme incrivel!!!

    Sim , Mulligan esteve bem em “DRIVE” mas particularmente ela nao fez nada de tao especial naquele papel,…em “SHAME”, ela realmente me surpreendeu!

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  3. Isso! Quando li o roteiro, honestamente, nao me importei tanto pelos personagens e nem mesmo pelo passado deles, mas McQueen fez um roteiro mais ou menos, num filme muito bom!!!!

    Nao conheci esse filme italiano, mas vou buscar aqui! Valeu pela dica!

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  4. Wait a minute! Eu assisti sim esse film italiano ….faz tempo mas eu vi sim, depois que vi a sua leitura sobre La Bestia nel cuore, recordei que o filme se chama “Don’t Tell” em ingles! Eh um bom, mas apenas bom! Terei que rever, pois acho que vi esse filme em 2006/2007! Valeu!

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