Teatro: ERA UMA VEZ… GRIMM

Sob a batuta musical de Tim Rescala e direção de José Mauro Brant e Sueli Guerra, foram pinçados apenas três contos da fantástica e vasta obra dos irmãos Grimm para homenageá-los. Esta solução econômica é certamente uma das razões para o êxito do espetáculo. Ao invés de um musical maçante, a feliz seleção proporciona um panorama agradável do trabalho desses famosos alemães coletores de contos, lendas e fábulas com um gostinho de quero mais no final de cerca de oitenta minutos.

Para quem imaginar que é apenas uma peça infantil, vale lembrar que a produção dividiu as apresentações em duas versões. Se você já está grandinho e pode suportar histórias cruéis que envolvam assassinato, sangue, decapitação e alma penada, prefira a versão adulta em cartaz à noite. Um dos personagens chega a contestar se “O Junípero” deveria mesmo estar incluído na publicação de “Contos da Criança e do Lar” com sua narrativa lúgubre e violenta sobre um menino rejeitado que é esquartejado e servido no almoço para em seguida ressurgir em forma de pássaro vingativo. Mas eram assim originalmente escritos no século dezenove antes de serem amenizados pelo tempo. Apesar de pouco conhecido, “O Junípero” engloba referências de contos mais famosos como Branca de Neve e por isso foi escolhido. Lá estão a criança maltratada, a maçã e claro, a madrasta má antes da “pasteurização” de Disney. Os outros contos são “Chapeuzinho Vermelho” brilhantemente pincelado na abertura e o ponto alto da peça: “Cinderela” que rouba a maior parte da cena com direito a humor, luxo, festa, boa música e um pouquinho de sangue.

O cenário é simples mas funcional e criativo com direito a objetos de cena caprichados (Como as casinhas de “O Junípero”) e projeções primorosas dos irmãos Vilarouca que incluem ilustrações do exímio desenhista Rui de Oliveira. As animações criam ilusões fantásticas como árvores que crescem no palco, sombras ameaçadoras, vilãs sendo esmagadas por pedras gigantes e a transformação do vestido da gata borralheira. Tudo valorizado por um figurino discreto e impecável e uma marcação precisa e dinâmica de encher os olhos.

Tudo seria em vão se não fosse o talentoso quarteto de atores cantores que inclui o próprio diretor José Mauro Brant, Wladimir Pinheiro, Janaína Azevedo e Ester Elias revezando-se habilmente em vários personagens e cantando belas canções, o que é fundamental num musical.

Enxuto e imperdível. Baratinho no teatro Ginástico no centro.

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