Poder Sem Limites (Chronicle, 2012)

Após várias adaptações de revistas em quadrinhos, já é um hábito comum Hollywood trazer para as telas histórias de pessoas com poderes usando fantasias. Christopher Nolan apresentou uma versão mais realista de Batman em sua trilogia e não fez feio, porém é interessante analisar até que ponto Poder Sem Limites consegue se tornar interessante com elementos fantasiosos, mas sem ofender a realidade. Mesmo sendo um filme de super-heróis, consegue explorar de maneira eficiente cada um dos personagens sem precisar abrir mão de uma premissa simples: três amigos adquirem poderes após entrarem em contato com alguma estrutura, aparentemente, alienígena implantada abaixo do solo, a partir daí descobrem a facilidade para a perda de controle. Parece mais uma dessas histórias teens bobas para arrecadar lucros quando, na realidade, é bem convincente e cativa rápido os telespectadores, tudo isso sem usar capas ou fantasias.

Sinopse:Poder sem Limites é um filme de super-herói, criado e contado sob a perspectiva de um garoto de 17 anos, por meio de sua câmera. Todos sonham em ter superpoderes, mas o que acontece quando não se está preparado para lidar com eles? Neste filme, três adolescentes comuns, repentinamente, são capazes de fazer coisas que nunca imaginaram ser possível. No início, eles se divertem, mas quando as pegadinhas tornam-se perigosas e os problemas pessoais acabam atingindo grau elevado, surge o caos.

Você só conhece uma pessoa ao dar poder a ela

Andrew (Dane Dehaan) é praticamente o protagonista e nos surpreende ao fazer referência involuntária a outros personagens do cinema, por exemplo a Dra. Jean Grey/Fênix, Carrie: A Estranha e  Homem-Aranha+Venom. Apesar de pegar emprestado um pouco desses personagens, isso não estraga o andamento da história. É interessante notar o quanto esse estereótipo chama atenção do público, a perda de controle sempre conquista a platéia. Provavelmente isso possui uma explicação mais bem elaborada no ramo da Psicologia (fazendo referência ao id), mas quem melhor do que os heróis para demonstrarem isso? Andrew é o mais poderoso do trio e, justamente, o mais perigoso por infringir as normas, logo rouba a cena e deixa os outros dois protagonistas apenas observarem sua trajetória até o desfecho.

Quando soube que o filme fora gravado no estilo documental, rapidamente perdi o interesse. Pensara ser apelação, porém aqui não é utilizado de maneira ruim, afinal não é agradável perder uma cena importante por conta de um retardado fugindo com a câmera (a exemplo de Atividade Paranormal, Bruxa de Blair, O Caçador de Trolls, etc). Na maioria das vezes, algum personagem corre com a filmadora porque precisa manter o clima de tensão ou para esconder os efeitos especiais de baixo orçamento, de qualquer maneira é para tornar o longa mais realista. Poder Sem Limites é um excelente exemplo ao lidar bem com a câmera sem se ausentar nas cenas importantes, tornou a filmagem mais interessante e não tem a imagem ruim dos filmes recentes de mesmo estilo, tudo é bastante nítido. É compreensível o fato de trabalhar no estilo documental a fim de tornar a trama mais realista, Andrew filma para si e não por precisar documentar pensando na fama após os acontecimentos e, acredite, isso faz bastante diferença quando compreendemos a solidão do mesmo.

Outra coisa que ajuda a tornar o filme melhor é o humor natural dos personagens. Já estava farto de assistir àquelas cenas onde os heróis saem se divertindo ao descobrir seus poderes, talvez os diretores pensem ser importante mantê-las no longa por conta da história, todavia não há graça nelas (geralmente, as sensações de euforia do heróis não são compartilhadas pela platéia). Em Poder Sem Limites finalmente os personagens conseguem alcançar a simpatia do público ao “pregar peças” nas pessoas através de seus poderes e, quando percebemos, já estamos rindo com eles. Os efeitos especiais são bons e um dos poderes compatíveis entre eles é voar (algo quase sempre evitado para evitar o surrealismo, aqui está muito bem empregado).

Os anseios da adolescência são bem colocados, mas sem irritar por conta da variedade de exemplares já existentes voltados para esse público, logo as cenas são curtas e diretas, apesar de essenciais para o clímax. Ao que tudo indica já estão trabalhando numa continuação e só resta torcer para ser tão boa quanto o original (mesmo crendo ser difícil levando em conta a ótima abordagem já trabalhada nesse primeiro), mais fácil é aguardar para outros longas de super-heróis também inovarem. Poder Sem Limites provou que não é necessário ser uma adaptação dos quadrinhos para agradar, as ferramentas para um bom roteiro estão no cotidiano, basta originalidade para saber montá-las, mesmo já sendo usadas em outras histórias, e a maneira de torná-la realista depende do quanto estamos envolvidos com a trama sem atentar para deslizes ficcionais comuns, fazendo surgir um excelente entretenimento. Com certeza, foi uma ótima maneira do diretor Josh Trank iniciar sua carreira.

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2 comentários em “Poder Sem Limites (Chronicle, 2012)

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