Apocalipse Now (1979)

apocalipse-nowSão duas versões: uma de 1979 e outra, chamada “Redux”, que significa revisitado. Recomendo que vejam ambas, necessariamente nesta ordem. Filmado nas Filipinas, por um elenco estelar, encabeçado por Martin Sheen, Robert Duval e Marlon Brando, com uma “pontinha” de Harrison Ford e a mais jovem aparição de Laurence Fishburn (aos 14 anos) no cinema. O roteiro é simples, o capitão Willard (Martin) deve subir o Rio Nung –que desconheço – e eliminar o Coronel Kurtz, que aparentemente ficou louco.

Mas enquanto o cenário adentra nas entranhas da floresta do Vietnam até o Camboja, os personagens mergulham em si mesmos numa trip sem volta. De reflexão, questionamentos e experiências e vivências pra lá de surreais. Não é um filme sobre a Guerra Americana (assim que ela é chamada lá) e sim é a Guerra do Vietnam.

apocalypse-now_01Barulho de helicóptero, os famosos Huei, misturado com ventilador. Aquele suor preguento e constante de Saigon, agora chamada de Ho Chi Min, e o som do “The Doors” ao fundo. Somente esta cena, já vale o filme. Diz a lenda que Martin Sheen machucou de verdade, pois estava mesmo alcoolizado.

Você surfa? Coronel Bill Kilgore ataca uma vila somente para isso e nem consulta as marés… Sua frase totalmente incorreta politicamente: “- Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã.” O vento causado pela convecção do bombardeio inverte o sentido das ondas. Não há sentido algum no que ele faz.  Impressionante o laranja estourado da fotografia com os helicópteros em silhueta e com a música de Wagner (poderia ser outro?). Vale ressaltar que agente laranja é um desfolhante e napalm é um veículo incendiário composto por ácidos naftémico e palmítico, daí o nome, juntado com gasolina gelificada.

Martin-Sheen_Apocalypse-NowO barco sobe o rio, composto por um condutor bem militar, dois garotos (o negro e o surfista), um chefe de cozinha e o capitão. A cada crise, um surto. A presença do tigre é só uma metáfora. Assim como o inocente barco cheio de comida e a mocinha sentada em cima do barril, escondendo o seu filhotinho de cão. O odor acre da morte contamina à todos e se espalha, a loucura; é epidêmica.

Há tempo para cada personagem se desenvolver e deixar-nos. Enquanto isso se choca cada vez mais o espectador ao ver que o capitão admira o coronel, pelo menos na teoria. Vamos ver na prática. O diálogo com os franceses é tenso, e verdadeiro. Estudiosos da guerra, sabem disso. Um muito sobre nada em lugar nenhum.

Marlon-Brando_Apocalypse-NowFinalmente o encontro com o mítico coronel, interpretado pelo não menos espetacular Marlon Brando. Está nas sombras, careca e barrigudo. Mas não tem jeito, é magnético, esse ator. O desenrolar beira o sublime, o poético. Sair d’água daquele modo é antológico. Filme vai terminar, você já sabe. Os homens fazem as guerras e as mulheres e as crianças é que sofrem.

O que há de bom: elenco antológico, roteiro denso e profundo, lições complexas

O que há de ruim: necessário rever repetidas vezes

O que prestar atenção: as cenas das playmates revelam que antes de tudo, elas são tão ou mais solitárias do que os soldados

A cena do filme: helicópteros, sejam voando, em formação, parados, transmitindo e servindo de abrigo e motel.

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Giovanni COBRA

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