O Som ao Redor (2012)

o-som-ao-redor_2012Por Carlos Henry.
Em meio a enxurrada de filmes medíocres e grosseiros que infesta o cenário do cinema nacional em busca de bilheteria certa nos últimos tempos, “O Som ao Redor” surpreende especialmente por ter um diretor novato: O talentoso Kleber Mendonça Filho.

o-som-ao-redor_cenaÉ uma obra incomum, aclamada internacionalmente, repleta de insinuações e um suspense quase insuportável de algo terrível que nunca acontece. A trama é simples: Gira em torno de um poderoso “Senhor de Engenho” que expande seus negócios no ramo imobiliário em uma área urbana elitizada de Recife, marcando sua influência despótica naquela região onde se concentra a ação do filme. Os personagens, encarnados por atores desconhecidos, começam a desfilar suas características cercados por condomínios gigantes e uma superpopulação incômoda que inclui uma porção mais carente. Uns convivem pacificamente com seus supostos opressores, a classe mais rica; outros agem com mais agressividade. Este jogo sutil de camadas sociais conflituosas permeia todo o roteiro e norteia a trama a um confronto hierárquico representado por um violento acerto de contas num desfecho dúbio, impactante e original.

De um lado a força do dinheiro, acima de tudo, ignorando ameaças como o aviso de tubarões à beira-mar; do outro, um povo oprimido que não titubeia em reprimir por pequenos delitos mas teme um menino delinquente por conta de sua posição social. A tensão constante gerada pelas diferenças e pela densidade demográfica recheia a obra com latidos de um cão vizinho que incomoda, crianças que ajudam a mãe a relaxar, mulheres que se engalfinham sem razão específica, empregadas que se rebelam, encontros furtivos de casais na casa alheia (com direito a um susto hitchcockiano) e num cinema abandonado (Uma sequência antológica de rara beleza). Tudo realizado com uma sensibilidade cinematográfica impressionante.

Seria uma injustiça não mencionar a trilha sonora especialíssima e o som direto que dá o tom e nomeia o filme, enchendo a sala com barulhos de carro, animais, crianças, máquinas e ruídos da cidade superpovoada insinuando um perigo iminente e sem hora marcada.

É talento indiscutível, com sotaque nordestino.
Carlos Henry.

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