O Voo (2012). Anjo ou Demônio no Comando Daquele Avião?

o-voo_2012O Diretor Robert Zemeckis sem dúvida nenhuma merece o crédito maior em “O Voo“. Muitos aplausos por me deixar quase em suspense ao longo do filme. Eu digo “quase” porque não poderia ficar indiferente ao drama maior dessa história: o alcoolismo e o vício por drogas como a cocaína. Primeiro que quando se conhece pessoas que sofrem dessa doença, arrastando para esse vendaval familiares e amigos, fica difícil não oralizar algumas interjeições. Depois, por levar sem pressa esse “day after” na vida desse que apesar de todos os pesares conseguiu salvar dezenas de vidas inocentes. Também porque não deu para segurar as lágrimas no finalzinho.

Agora, a turma de elenco vem logo atrás nesse merecimento: performances excelentes. A destacar: Denzel Washington, Don Cheadle, Kelly Reilly, John Goodman e Bruce Greenwood. Tirando a personagem feminina, os demais orbitando no problema do personagem do Denzel. Sendo que, enquanto dois deles iriam tentar atenuar, ou até tentar inocentar, o terceiro era o que alimentava o problema do protagonista. Mas também estava em jogo o emprego de muita gente. Pois é! Não tinha apenas álcool e cocaína como vilões dessa história. Tinha também uma companhia com aviões que já deveriam ter virado sucata e um dono querendo se livrar desse elefante branco. Colocando mais lenha nessa fogueira.

O comandante Whip Whitaker (Denzel Washington) mesmo ciente que ainda teria um voo para fazer passa a noite bebendo e cheirando. Que para piorar usa a droga para acordar de vez. Ciente que é muito bom no que faz, faz uma loucura para tirar a aeronave do meio de uma tempestade, com isso forçando ainda mais a máquina. Num voo longo, bate a sede por uma bebida, o cansaço e o sono. Daí não pesou também a falta de experiência do co-piloto. Existem fatalidades. Assim como há também propabilidades de algo que começou errado, terminará errado. Mas existe também aqueles que funcionam bem sob forte pressão. E foi o que Whip fez tornando-se um herói, a princípio.

Mas um acidente dessa monta atrai investigações de todos os lados. Entrando em cena o responsável pelo sindicato Charlie (Bruce Greenwood), amigo de longa data de Whip. Ciente de que uma condenação para Whip atrairia uma avalanche de pedido por indenizações, contrata um grande advogado, Hugh (Don Cheadle). Esse, mesmo sendo bom no que faz sabe que terá um outro desafio: o de conseguir levar um Whip limpo perante a personagem de Melissa Leo, um osso duro de roer. Numa de “os fins justificando os meios”, Charlie e Hugh farão algo inimaginável até então.

Ainda no hospital Whip conhece Nicole (Kelly Reilly), que também por um “milagre” não perde a vida, mas em uma overdose. Nasce uma empatia entre os dois. Ele a convida para morarem juntos. A princípio, ela recebe como uma dádiva: ter onde morar. Mas para alguém que quer sair do vício, termina sendo um inferno. Ela não tem forças para nem para resistir, nem para ajudá-lo a sair dessa. Até porque Whip tem fornecedor “à domicílio”, o Harling, personagem do sempre ótimo John Goodman. Que abstraindo o que Harling representa, sua performance me levou a rir.

A pessoa mais fascinante que eu jamais conheci.”

Não sei se pode-se definir como regra geral que os que mais fazem loucuras exercem um fascínio maior aos demais. Se o carisma em parte vem pela ousadia. Mas que diante de uma tragédia onde o vício esteve como coadjuvante o que dizer, por exempplo, pelo “tapinha” que aspirou para deixá-lo ligadão? Claro que assustou vendo-o fazer isso e ciente do que estaria para acontecer. Mas se é algo não raro fora da ficção, fica a pergunta do porque fazem isso. Duas pessoas podem vivenciar as mesmas pressões, mas uma não procura amparo no vício.

Outro ponto alto de “O Voo” é que embora a história mostre que muitos acreditarão que fora um milagre, ou até que mesmo por linhas tortas foi obra de Deus colocar aquele competente piloto salvando a vida de muitas pessoas, Zemeckis mantém-se imparcial ao mostrar os fatos. Com isso crédulos e céticos terão as respostas que queriam. Como por exemplo o co-piloto e a comissária de bordo que ajudaram Whip a pousar aquele avião e evitando uma tragédia muito maior. Onde ambos terão que passar por mais um desafio: no que dirão em seus depoimentos. Se irão contra seus próprios princípios, morais, éticos, ou se apoiarão na fé, e com isso vendo-o como um enviado de Deus naquele momento? Mas para os que não veem Whip como um Anjo da Guarda, verão que nele talento para pilotar fazia dele o número um.

E quanto a Whip? A quão tanto mais ele iria descer na tentativa de salvar a carreira? Qual seria a provação que o levaria a sair da vida do vício? Até porque precisaria de fato de um milagre para voltar a pilotar um avião comercial. De herói a vilão estava bem próximo. Mas ele mesmo que foi o vilão do seu talento. É muito triste quando o vício arruina a vida de uma pessoa. Whip tinha um preço à pagar! Um preço alto.

Para finalizar, além do Roteiro, Fotografia, a Trilha Sonora também fazem de “O Voo” um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

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3 comentários em “O Voo (2012). Anjo ou Demônio no Comando Daquele Avião?

  1. Vi esse filme quando foi lancado por aqui….e alguns pontos que me chamou a atencao :

    O roteiro cheio de CLICHES….e de situacoes moralistas ….e superficiais…….
    Mas bem, a vida de um viciado em drogas eh ‘feita” de cliches ….se nao parah de drogar…vai morrer de uma overdose….mas a “ceninha” forcada do frigobar cheio de uns “drinks” foi de gritar: ….”tao abusando de minha inteligencia”!

    Denzel sempre uma presenca marcante na tela…mas bom ator….nunca achei….e nao entendo esse adoracao dos criticos sobre ele…..e neste filme… faz o que sempre fez…

    Goodman sempre excelente, mas aqui me pareceu que ele reviveu o seu personagem do filme ” THE BIG LEBOWSKI” —-soh faltou ele chamar o personagem do DENZEL de “DUDE” — super batido!

    Esse filme eh a cara do superCINE —agrada, e agrada…pois nao eh um filme ruim…mas eh acucurado demais para o meu gosto…

    Todo respeito sobre o seu ponto de vista!

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    • Eu deixei para vir comentar mais tarde, mas ontem não deu para voltar. Vindo agora. Acordei há pouco 🙂

      Para mim o filme se mostrou realista demais. Então não coloquei peso em “clichês”. Ele focou num viciado cuja profissão poria em riscos vidas no céu e na terra. Eu conheci pilotos que nas horas de folga davam uma “cheirada”. Esse foi um ponto em comum com a realidade.

      A tal cena do frigobar, eu não vi absurdo. Num paralelo com a realidade, por mais que familiares se cerquem de cuidados para não dar acesso ao viciado, sempre terá um “espírito de porco” que o levará de volta ao vício.
      Voltando ao filme. Tinha muito em jogo ali com o resultado do depoimento dele. Ele “apagou” num momento do vôo, mas o defeito que o co-piloto não estava conseguindo contornar foi porque o avião já deveria estar há muito tempo nem numa revisão, mas numa sucata mesmo. Então! Tinha o dono da companhia se lixando para ela, mas não queria investigações em sua outra empresa. Tinha funcionários/sindicatos com empregos em jogo. Tinha familiares que receberiam indenizações… Na hora, o que eu pensei quem teria aberto a porta. Mas o filme deixou no ar essa dúvida.

      Verei esse outro filme do Goodman. Quem sabe ele mesmo pediu por essa semelhança como uma homenagem. Embora eu vi que a escolha mostrou um ideal meio hippie, da droga para atingir um nivarna. Ou até para diferenciar o fornecedor para quem tem grana. Como também tem quem saia incólume do vício. Mais a grande maioria não.

      O filme também me fez pensar nos últimos acidentes aéreos. Em ver os bastidores do day after.

      Como pode ver, eu gostei 🙂 Como também gosto quando temos pontos de vistas diferentes!

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