Amor (Amour. 2012)

Amor_2012Na cerimônia religiosa há o: “E até que a morte os separe!“. Para quem assistir o filme “Amor“, e estando dentro de uma união sólida, por certo irá se fazer algumas reflexões ao longo dessa história. Uma delas seria, ou melhor, no íntimo desejaria que sua união durasse tanto assim. E também plena de amor. É algo de se admirar um casal de idosos ainda enamorados!

Mas o Diretor Michael Haneke em “Amor” não traz apenas uma radiografia da velhice batendo na porta do casal Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva). Pois aqui já adentra uma longevidade não apenas com as limitações impostas pela idade, mas também as complicações geradas por alguma doença. Levando a história a abordar temas ligados a isso. É a Medicina também sendo questionada por avaliações, ou mesmo erros médicos agravando as lesões em vez de melhorar. Ou mesmo esperando dela a cura de todos os males. Mais do que “Agora Inêz é morta!“, é o que fazer com isso?

Amor-2012_Isabelle-HuppertHaneke também põe o dedo na ferida no que concerne aos membros mais íntimos da família: os filhos. Em “Amor” teríamos o peso caindo numa filha única, caso ela mesmo se importasse em ajudar o pai em cuidar da própria mãe. Quem faz a filha, a Eva, é a sempre ótima Isabelle Huppert. Quando o marido de Eva lança um olhar para ela após Georges contar o que fará dali em diante, ela mostra que filha ela é. Mais! Na cena final também onde mostrou que foi bom deixado o pai sozinho.

Não há pressa em contar essa história. Até por mostrar toda a dificuldade diante as limitações impostas pela doença de um, e a velhice do outro. Onde um parece ainda entender o quanto está sendo pesado ao outro. E se parece querer espantar os próprios pensamentos pois nele estaria um “Até quando?”. Nessas horas, é música clássica– paixão antiga de ambos -, que o embala.

Agora, há também um outro tema que Haneke traz à mesa de discussão. Só que ao contrar será um grande spoiler. Confesso que fiquei na dúvida se seguiria ou não, mas por ser um assunto que volta e meia aparece nas manchetes jornalísticas, eu resolvi trazê-lo também. Sendo assim, se ainda não viu o filme pare a leitura, pois daqui para frente haverá spoiler.

Então, em “Amor” nos leva também a pelo menos refletir sobre a eutanásia. Não como a julgar o personagem que meio que clamou por ela, mas mais se também pediria, numa igual situação. E talvez se faria o que o outro fez. São os fins justificando os meios? Há realmente a hora que todos os obstáculos tornam-se o gatilho do tiro de misericórdia? O cansaço foi vencido? E outras reflexões mais. Mas uma certeza nos fica, a de que apesar de todos os pesares, o amor entre Georges e Anne não morreu.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”
(Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes)

Amor” é um filme belíssimo! Embora longo, nos mantém atentos a todo o drama do casal. É triste! Até pelo nó na garganta que fica após o fime por entender e aceitar o que foi feito. Talvez seja o nosso lado racional em respeito ao desse casal. Rever? Não sei. Mas com toda a certeza vale muito a pena ver! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor (Amour. 2012). Áustria. Direção e Roteiro: Michael Haneke. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert. Gênero: Drama, Romance. Duração: 127 minutos.

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6 comentários em “Amor (Amour. 2012)

  1. Legal….legal…..vc terminou o texto!
    Deste por curiosidade, mas nao entendi o que vc quis dizer aqui: “É a Medicina também sendo questionada por avaliações, ou mesmo erros médicos agravando as lesões em vez de melhorar. Ou mesmo esperando dela a cura de todos os males. Mais do que “Agora Inêz é morta!“, é o que fazer com isso?”

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    • É que o problema dela agravou muitíssimo com a operação. Enquanto ela e o marido desejaram por uma melhora. Creditaram esses anseios em mãos de médicos que no fundo querem mais é operar ou para uma “aula prática”, ou mesmo usando o paciente como estudos futuros.

      A filha insistia para continuar deixando a mãe como cobaia desses médicos. Até para se livrar mais rápido do seu papel de filha, ajudar o pai.

      O pai meio que se perguntava em até quando aguentaria cuidar dela. Por amor a ela ele não a deixaria sozinha.

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  2. sorry…
    achei o filme chato, chato, chato, chato, chato, chato, chato, chato, chato…
    parei aqui para não ficar um chato igual!!
    é leeeento demais, acabou c minha paciência, depois do meio já não aguentava mais a esticação – só tem três pontos altos e só.
    detestei…

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    • Cinema é isso, ou nos toca, ou não 🙂

      O filme trouxe à mesa de discussão a eutanásia. Esse é um dos pontos altos dele. Deixando que cada um pense, ou que deixe para pensar quando o momento chegar. O que é o que eu prefiro: não pensar nisso tão cedo.

      E Hess, grata por também por essa visita!

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  3. nos tocar é uma coisa, mas torrar a pele fina das áreas impudendas… ai ai!!!!

    concordo q facilita ‘aceitar’ a eutanásia, pois quem estiver indeciso, se chegar até o final, vai pedir pelamordedeuch q o cara ‘eutanasie’ a velhinha!!!
    ufa!!!!

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