Panorama do Festival do Rio 2013 – Parte I

festival-do-rio-2013_os-documentarios– OS DOCUMENTÁRIOS:

BLACKFISH – FÚRIA ANIMAL (BLACKFISH.) é um documentário esclarecedor e reflexivo de Gabriela Cowpertwaite contando a chocante estória das baleias orcas criadas no famoso parque temático Seaworld em Orlando. A velada crueldade do cativeiro explode em terríveis ataques a seres humanos culminando na noticiada morte de uma treinadora do show.

INVADINDO BERGMAN (Trespassing Bergman) de Jane Magusson e Hyne Pallas. Para os fãs do cultuado e atormentado diretor Ingmar Bergman, somente. Trata-se de uma visita de cineastas famosos a sua protegida residência na inóspita Ilha Faró no mar Báltico. Recheado de cenas de seus filmes e depoimentos curiosos, infelizmente o documentário pouco revela de seus mistérios e segredos.

EU SOU DIVINE (I am Divine) de Jeffrey Schwarz desvenda a estrela preferida de John Waters como nunca vista antes. O gordinho Harris Glenn Mistead de Baltimore sempre se sentiu diferente, mas nunca poderia imaginar alcançar uma carreira meteórica transformada numa drag abusada e muito famosa. O documentário é perfeito simplesmente porque não é superficial. Supre a curiosidade dos fãs revelando detalhes muito além da conhecida, escatológica e antológica cena das fezes caninas de “Pink Flamingos”. Divine fazia shows, cantava e começou a ser reconhecida por trabalhos mais sérios como “Hairspray” quando teve sua breve vida interrompida. Talento genuíno.

CORREDOR DA MORTE – 2 Retratos (On Death Row – 2 Portraits) conta com a direção e a voz gutural do renomado cineasta Werner (Nosferatu) Herzog para apropriadamente contar estórias macabras de dois condenados à morte nos Estados Unidos. Os dois casos impressionam e muito. O primeiro episódio fala sobre Blaine Milan acusado de matar a marteladas a filha de 13 meses num suposto ritual de exorcismo. A ignorância dos entrevistados revela o grau de estupidez que culminou na tragédia. Uma das mulheres afirma que tudo que viu no filme “O Exorcista” aconteceu de verdade. Já Robert Fratta, um fisiculturista atinge o ápice do narcisismo quando decide matar a esposa revelando uma frieza assustadora. Seu discurso baseia-se em dogmas nazistas e teorias de racismo incontestável segundo sua concepção doentia. Apesar de sua arrogância, é possível notar o medo infinito que o envolve com a proximidade da execução. Absolutamente aterrador.

A BATALHA DE AMFAR (The Battle of Amfar) é um documentário conciso, mas esclarecedor e muito bem realizado sobre os últimos avanços nas pesquisas para vencer o vírus HIV.  A fundação AMFAR foi criada em 1985 no auge da epidemia, tendo à frente a cientista Dra. Mathilde Krim e o ícone do cinema Elizabeth Taylor que muito contribuiu para a luta contra a doença. Após a morte da estrela, outros artistas abraçaram a causa como Goldie Hawn que deu o ar de sua graça no Espaço Rio em Botafogo. Muito apressada, Goldie mal respondeu a uma pergunta no pequeno debate, não falou com os fãs nem com os repórteres e ficou um bom tempo no banheiro. Será que teve um mal súbito?

FOGO NAS VEIAS (Fire in the Blood) também trata do tema da Aids concentrando-se na má distribuição dos milagrosos remédios ao redor do mundo. Dylan Mohan Gray preferiu um tom didático ao seu documentário o que o tornou um pouco modorrento, embora importante.

OS FILHOS DE HITLER (Hitler’s Children) de Chanoc Ze’evi mostra como vivem os descendentes dos poderosos nazistas ligados à figura do líder. A convivência com a sociedade é difícil por conta do estigma que carregam com seus nomes. Uma cena emocionante é quando um deles submete-se às perguntas de filhos de suas vítimas em plena Auschwitz, o célebre campo de concentração onde morreram muitos judeus na guerra. Sentimentos de perdão e condenação se misturam ao evento.

CIDADE DE DEUS – 10 ANOS DEPOIS de Cavi Borges mostra o destino dos participantes do premiado filme de Fernando Meirelles desenhando um autêntico panorama do país cheio de desigualdades e mazelas. A conclusão é que, apesar do filme ter sido reconhecido mundialmente, poucos dos que debutaram na fama conseguiram manter o ritmo do sucesso meteórico da época do lançamento do filme como Seu Jorge, Alice Braga e Thiago Martins. A maioria sucumbe ao triste esquecimento na sombra de uma obra premiadíssima que rende muito dinheiro até hoje.cidade-de-deus-10-anos-depois

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