Teatro: ELIS, A Musical (2013)

elis-a-musical_cartazA direção é de Dennis Carvalho e o texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade.  O trabalho evoca a curta trajetória de um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, a célebre cantora Elis Regina que encanta a todos até hoje com um monte de canções que jamais serão esquecidas. Na avalanche de musicais que acontece no Brasil, Elis não poderia ficar de fora.

elis-regina_laila-garinNo entanto, percebe-se nitidamente uma pressa na produção de um espetáculo que poderia facilmente entrar para o rol de melhores peças já feitas.  O ritmo não é bom, com algumas cenas longas demais, como a da entrevista final; o cenário e elementos de palco (O que dizer daquele manequim medonho que destruiu o número de “Dois para lá, dois para cá” e ousou voltar resoluto numa outra cena?) carecem de criatividade e pouco surpreendem a plateia talvez num ou outro momento como na projeção de “Belle de Jour” num suposto cinema de arte; a iluminação é pobre e estava especialmente sem sincronia e com luzes piscando e acendendo ou apagando em instantes e locais equivocados na apresentação do dia 23/11/2013; a coreografia é anárquica e visualmente desagradável, funcionando melhor quando os elementos estão parados.

elis-a-musical_01O elenco é desigual com destaque para Felipe Camargo e a acertada escolha da excelente atriz e cantora Laila Garin como protagonista, perfeita na composição do ícone popular até no figurino, ao contrário de outros personagens nem tão bem sucedidos nesta encenação como Jair Rodrigues, Lennie Dale (embora os atores sejam bons, estão inadequados), Henfil e até uma caricatura tosca e forçada de Marília Gabriela.

Na verdade, o espetáculo se sustenta mesmo é no desfile das canções brilhantemente interpretadas por Laila, lamentando a ausência de “Fascinação” (inteira) e “Romaria” e destacando “Madalena”, “Águas de Março”, “Como nossos Pais” e “O Bêbado e a Equilibrista”. A música bem executada é o que felizmente fica na mente do espectador quando deixa a casa imaginando que o show talvez ficasse melhor somente com Laila simplesmente cantando Elis em sequência.

Contudo, não dá para deixar passar o erro mais grave da produção que brindou as primeiras filas da plateia VIP com os ingressos mais caros de todo o Teatro Casa Grande e a visão pior possível de todo o estabelecimento por conta de um palco monstruosamente alto, ação concentrada no fundo do tablado com direito a toda a movimentação das coxias nas laterais. Tudo poderia ser amenizado com um respeitoso aviso de visão prejudicada no momento da compra com o devido desconto no preço.

Carlos Henry.

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Um comentário em “Teatro: ELIS, A Musical (2013)

  1. Elis, de quem assisti dois dos últimos shows, era uma perfeccionista quanto a ritmo de cenas, figurinos, vocais, qualidade de músicas e músicos, consigo mesma, com as luzes e até com a platéia. Que pena que não foi assim com essa peça.

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