O Profeta (Un Prophète. 2009)

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Por Roberto Vonnegut.
O Profeta conta uma estória simples de forma magistral.

Malik el Djebena (excelente atuação de Tahar Rahim) tem um dia quase rotineiro: ele acaba de ser mandado mais uma vez para trás das grades. O detalhe é o “quase” – como ele agora é maior de idade, desta vez ele é mandado para a penitenciária central em algum lugar no sul da França. E com convite para ficar alguns anos por lá.

Nenhuma cena que se passe antes da prisão nos conta do passado de Malik, mas os detalhes como roupas e marcas no corpo nos contam tudo o que precisamos saber. A prisão que “acolhe” Malik se situa em uma França em transformação, e nos seis anos de sua pena ele vê a penitenciária mudando.

o-profeta_filmeComo o personagem Jamal de Slumdog Millionaire, Malik tem uma qualidade: ele é maleável, sujeita-se sem reclamar às pancadas que recebe da vida. Mas ao contrário do inocente indiano que aceitava a miséria como parte da vida e cujo final feliz era simplesmente destino “it is written” (ou não), Malik aprende rapidamente e assume a responsabilidade pelo seu futuro. Ele rapidamente descobre que sobreviver na prisão envolve troca de favores – e cabe a ele matar um prisioneiro para ser protegido pela facção inimiga. O Profeta mostra, assim, como um personagem pode agarrar uma oportunidade desde que esteja realmente interessado em se aproveitar dela, custe o que custar. Um dos méritos do diretor Jacques Audiard é mostrar claramente o quanto custa.

Gostei muito do filme. A narrativa praticamente linear é enriquecida pelo mais manjado truque de Shakespeare: nada melhor do que um fantasma (ou um bobo da corte) na hora certa. O fantasma de O Profeta aparece pouco, mas é decisivo para a trama – mesmo sendo totalmente desnecessário. Poucos roteiros conseguem trazer um fantasma tão conciso e relevante.

O filme tem cenas memoráveis. Flashes que mostram os pequenos trambiques e a vida na carceragem, os sapatos na sala de visita por exemplo. A sequência que mais me marcou foi a primeira viagem de avião de Malik – sensacional, especialmente na cena em que ele passa pela inspeção do aeroporto. É um detalhe que vale por mil palavras.

E olha que nem falei da trilha sonora, que para muitos vai soar inesperada em um filme francês.

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