Deixe Ela Entrar (2008). A gênese de uma mente psicopata.

Por: Renato Santos.
Aviso: O texto a seguir contém Spoilers importantes.

Estou surpreso com a quantidade de pessoas (principalmente adolescentes) que estão achando que este é um filme romantico, um filme que versa sobre uma estória de amor adolescente!

Acordem, este brilhante filme não é um romance que tem vampiros no roteiro! É uma estória fantástica que aborda de forma simbólica, e não por isto menos precisa e verdadeira, a gênese de uma mente psicopata.

O velho assassino representa o futuro do Oskar. Reparem como os dois manipulam a mesma faquinha, com os mesmos gestos. O velho é Oskar e Oskar é o velho. A “menina vampira” representa o mal absoluto. O mal que seduz e conquista o frágil e massacrado Oskar. O mal que o redime, objeto de culto e paixão.

A “menina” que aliás não é uma menina. Ela diz isto repetidas vezes, mas ele não que ouvir. Na cena em que “ela” troca de roupa isto fica claro, pois ela não possui vagina, e sim uma cicatriz no lugar do antigo pênis – sim, a “vampira” é um menino castrado, feminilizado (isto está colocado de forma explícita no livro, mas no filme a cena é muito rápida e fica difícil de entender). Ou seja, “ela” é o “alter-ego” dele.

A cena em que ele “a” aceita é fantástica. A cena em que comete o primeiro assassinato (ao entregar o vizinho no banheiro). A cena final em que ele conversa com “ela” no trem, em morse, é uma obra-prima. A conjunção de absolutos que caracteriza a mente dos psicopatas: amor x maldade.

Se você quer entender como funciona a mente de um psicopata veja este filme.

Um último comentário: o título em português mais uma vez decepciona: “Deixa ela entrar“. O título original, que em português seria algo como “Deixa o que está certo entrar”, é uma provocação, mas traz o significado do filme (na ótica do psicopata).

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3 comentários em “Deixe Ela Entrar (2008). A gênese de uma mente psicopata.

  1. Finalmente alguém que também percebeu isso. Acho um pouco difícil imaginar esse filme como um romance, o remake é que pode ser visto dessa forma por ter suprimido algumas partes sutis extremamente importantes.

    Exemplos:
    O sorriso de Oskar em puro êxtase após atingir a orelha do menino.
    Eli/Elias dizendo que mata por necessidade, mas que Oskar mataria se pudesse.

    Tá legal que eles se completam, mas o amor entre eles tem um elo muito forte com a morte. A atração de Oskar pela morte já estava declarada em suas colagens de assassinatos e o fascínio inconsciente das pessoas pelos vampiros já é pelo fato deles satisfazerem sua necessidade de sobrevivência através do prazer, afinal o sangue dá prazer para o vampiro. Eli pode não gostar de matar outras pessoas, mas tem que fazer para satisfazer suas necessidades. Entendam: apesar de tudo o que ela faz, ainda é considerada inocente por estar apenas lutando para sobreviver. Oskar admira isso, pois ele gostaria de poder matar quem o importuna sem sofrer qualquer julgamento (podendo esse ser até mesmo psicológico, ele poderia se culpar, por isso Eli diz que se ele pudesse faria).

    Repito a mesma coisa para os que não notaram essa tendência do menino no filme: ACORDEM.

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