Caramelo (Sukkar Banat. 2007)

nadine-labakiPor Roberto Vonnegut.
Mesmo tendo visto o trailer, eu fui ver o filme libanês Caramelo (سكر بنات) crente que seria um filme sobre delícias da cozinha. Foi só com as primeiras cenas que percebi que o caramelo tinha outro contexto, talvez feminino demais para que me tivesse passado pela cabeça.

A diretora Nadine Labaki conta a estória de cinco mulheres de Beirute e alguns de seus amores. Mulheres de raças, credos e amores diferentes, em estórias que mal se entrelaçam: Nisrine, muçulmana light, tem um noivo de família ortodoxa; Jamale, recém-divorciada, tenta ser jovem e amar quem vê no espelho; Layale, cristã, tem um amor complicado; Tante Rose descobre que o amor pode ter calças curtas. Mas o ponto alto do filme é Rima, personagem que a diretora disfarça de coadjuvante para contar, de forma velada mas sem rodeios, uma linda história de amor possível.

Sem os plot turns das produções modernosas, Caramelo oscila entre as cinco estórias num ritmo desigual, mas que é amplamente compensado pela sensibilidade da diretora.

O filme tem ainda um detalhe sedutor. O Líbano, sabemos todos, era a pérola francesa do Oriente Médio. Há muitos anos. O filme mostra uma Beirute sem o menor caráter bleublancrouge, mas a herança francesa fica clara no falar das pessoas: expressões francesas fazem parte da comunicação e se misturam à língua local, dando um colorido interessante ao filme.

De resto, impressiona a capacidade de Nadine de captar a beleza de forma sutil em um ambiente bruto. Desde sua própria beleza (ela é a Layale que domina algumas cenas com seus olhares e decotes) e a das companheiras, até a irresistível e quase irreal beleza de Fatmeh Safa, que faz o papel de uma das clientes do salão de beleza de Layale.

Vá ver. É daqueles filmes que te deixam bem no final.

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3 comentários em “Caramelo (Sukkar Banat. 2007)

  1. Olha Valéria quando você começa falando sobre o seu pensar que seria algo digamos comestível, não deu para segurar e ri muito pois pensei também no “caramelo”. No finalzinho fala de uma personagem com o nome de Fatmeh Safa (Fátima) que me trouxe a lembrança de uma dançarina que chamava-se Faradibah, um encanto que me custou uns beliscões da patroa, rssss.
    Eu na época noivo com 27 anos e ela, o encanto 10 anos mais jovem e vigiada por seus irmãos e mãe no Kalifa de Bagdá. Depois dela só fui assistir a apresentação de Jade El-Jabel que recebeu como presente de meus parentes o sobrenome artístico.
    Vou procurar e assistir seguindo sua dica, valeu. 😉

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