O Cinema Colocando em Xeque Religiões e Seguidores – parte I

o-cinema_religioes-e-seguidores_por-tiago-silvaNuma época onde um Papa renuncia e sucessor parece estar até mais mais aberto às mudanças trazidas pelo presente… Onde cada vez mais líderes religiosos adentram na Política com a finalidade retroceder com a sociedade… Onde radicais religiosos sequestram jovens e até fazendo delas escravas sexuais… Várias reflexões deveriam ser feitas por todos nós até para ver o que há de real por trás de episódios como esses. Em que estão mais de olho nos próprios interesses e com um rebanho obediente a lhes servir… Enfim, se o tema já intriga no mundo real, se torna ainda mais fascinante pelo mundo do Cinema. Vem comigo!

guerra-de-canudos_1997_filmeIgnorância e superstição configuram a base de domínio das consciências humanas.

A venda das indulgências não segue o maior preceito de Cristo que é o perdão. As religiões se prevalecem até do sentimento de culpa para um domínio sobre seguidores. Até porque mantidos na ignorância os fiéis não terão como visualizar uma forma simples de aproximarem de Deus: num encontro com seu “eu” pelos caminhos da vida e sem a necessidade de estarem em um templo. Mas isso não levaria ninguém à engordar os cofres das igrejas… Em “Lutero“, de Eric Till, temos como pano de fundo uma luta de consciência por conta do sentimento de culpa. Mesmo assim, enfrentou com coragem as pressões políticas e da Igreja principalmente contra a salvação mediante a venda de indulgências. Em “Guerra de Canudos“, do Diretor Sérgio Rezende, se tem em plano geral Antônio Conselheiro. Alguém que contrariou muito mais a Igreja do que o Estado e por ter pisado nos calos dessa ao afastar os fiéis e seus dízimos. Com isso ela pressionou o Estado para acabar de vez com a insurreição desse líder.

stoning-soraya-1A Cultura Machista sob a Égide das Religiões

Em pleno século XV temos a história de uma personagem feminina que sofreu pela fúria dos homens. Embora não tivesse sido por apetites vorazes, eles sentiram a própria virilidade ameaçada por uma única mulher. As vitórias dela num território de machos fizeram despertar a inveja deles, e por conseguinte ter ido parar na fogueira da Inquisição. Ela é “Joana D’Arc“, em um filme do Diretor Luc Besson. Mas histórias como essa atravessa o tempo e no mundo real… Em um episódio muito mais recente temos também a cultura machista em terras islâmicas… Mostrando uma cruel realidade para as mulheres e sob a égide de uma lei estúpida que atravessa fronteiras e engloba até outras religiões: o adultério a mascarar a cultura machista… Temos em o “O Apedrejamento de Soraya M.”, do Diretor Cyrus Nowrasteh. Nele, um homem querendo casar com outra mulher muito mais jovem, arma com o conluio de um líder religioso um adultério para então esposa. O faz até para esconder que regulamente a espancava e a estuprava. Com isso ela seria condenada à morte pelo revoltante “crime de honra” e ele estaria livre até para cometer mais barbaridades com outras mulheres. Igreja e Estado abonando o machismo.

Ciência e Religião não poderiam caminharem juntas sem radicalismo?

Um filme que fica em cima desse binômio – ciência e religião -, é o filme “Contato“, do Diretor Robert Zemeckis, cujo roteiro é do astrônomo Carl Sagan. A trama do filme põe em xeque os valores éticos e morais da ciência e da religião, mas numa tentativa de encontrar um equilíbrio entre elas.

rezando-por-bobby_01O Absurdo de ainda condenarem alguém pela sexualidade

Em “Rezando por Bobby”, do Diretor Russell Mulcahy, temos uma mãe que ao seguir à risca as doutrinas da Igreja nem aceitou a homossexualidade do filho como impingiu a ele terapias e ritos religiosos com o intuito de “curá-lo”. Não suportando a pressão ele se atira de uma ponte… Depois, ela ler o diário desse seu filho passa a entender de fato todo o drama em que vivia e até por não querer ferir ninguém, querendo mesmo ser feliz. Ela ainda buscando por respostas na religião que o condenou, passa a interpretar de outra forma os textos bíblicos… E torna-se uma ativista dos direitos dos homossexuais. Já no belíssimo filme do Diretor Abbas Kiarostami, “Gosto de Cereja“, temos um homem que com o passar dos anos sente o peso da solidão por essa condenação até culturalmente, daí escondendo sua homossexualidade. Por conta disso decide se suicidar e sai à procura de quem o enterre, já que esse ato também é condenado pelas Religiões.

vida_de_brian_04O Fanatismo Atemporal dos Seguidores

Onde em vez de se aterem as suas próprias convicções… Até partem para agressões físicas numa de catequizar, exorcizar… Em “Alexandria“, de Alejandro Amenábar, a vida de uma filosofa Hipátia que foi morta por não se converter ao cristianismo. Que disse para essa catequese imposta que: “Quem acredita sem questionar, não acredita. Eu preciso questionar.“. Como pano de fundo fanatismo religioso: a busca ou pelo o conhecimento ou pela a estupidez. Já com com o clássico “A Vida de Brian“, do Diretor Terry Jones e ou mesmo com “O Primeiro Mentiroso”, dos Diretores Ricky Gervais e Matthew Robinson, temos e com humor o quanto se deveria questionar os dogmas religiosos. É! É velha retórica em apregoar a fé para não apenas manter o rebanho mansinho como também para atrair mais. Onde até se valem de falsos profetas para mantê-los sob rédeas curtas. E o pior que o ciclo se mantém pelos próprios seguidores em querer um santo, um líder religioso para idolatrar e ou expiarem as próprias culpas.

saving-godUm poder a serviço de quem ou do que?

Dentro da Igreja Católica para “para um rei morto, um rei posto“… Dois filmes que mostram os bastidores desse Conclave, como as responsabilidades, os dogmas a serem seguidos… O “As Sandálias do Pescador“, de Michael Anderson, baseado no livro de Morris West. Um Papa vindo de um país comunista… Abordando também temas pertinentes a geopolítica da época – guerra fria, bomba atômica… Um Drama com pitada de Thriller. Já o outro é o “Habemus Papam“, do diretor Nanni Moretti, uma Comédia Dramática trazendo o Papa eleito com uma dúvida crucial: “Ser ou não ser Papa?“. Agora, onde o Estado, a Família e a Sociedade ficam impotentes, é onde a Religião pode e deve atuar: numa “salvação” dos jovens aliciados pelo tráfico. Ou mesmo por estarem drogados demais para mudarem de vida. Em “Salvando Deus”, do Diretor Duane Crichton, temos essa remissão por um recém saído da prisão, pegando para si o papel de Reverendo daquele local até então desassistido…

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré / A esperança não vem do mar / Nem das antenas de TV / A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê

Assim, aos que adotaram uma Religião que sigam com ela, mas sem condenar os que preferem continuar lidando com seus próprios espinhos fora das religiões. Até porque transferir os próprios problemas para as “mãos do impossível” é uma das maneiras de não encará-los de frente. Com certeza voltarei a esse tema. É por demais interessante!
See You!

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2 comentários em “O Cinema Colocando em Xeque Religiões e Seguidores – parte I

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