Julieta (2016). Uma alma desnuda por ele, Almodóvar

julieta_2016_cartazPor Cris Campos.
Assisti ao último filme de Almodóvar, Julieta. Sou apaixonada pela densidade e cuidado nos filmes dele. Pela profundidade na forma com que ele abraça o universo feminino. Para além das críticas, positivas e negativas, que li sobre, em mim ficou, mais uma vez, uma alma desnuda por ele.

Este é um filme de mulheres imperfeitas, mas defensáveis, como são vocês, como somos todos” (Almodóvar)

O drama foi inspirado em contos presentes no livro “Fugitiva”, da ganhadora de Nobel de Literatura Alice Munro, cujos direitos Almodóvar adquiriu em 2009. A protagonista do filme é interpretada por duas atrizes diferentes, Adriana Ugarte que vive a Julieta jovem e Emma Suarez vive a personagem já madura.

julieta_2016_01O filme galga com propriedade o silêncio, a solidão, o abandono, a perda, a melancolia e a dor emocional. A construção dele se dá amalgamada aos cenários, em minha opinião, perfeitamente concebidos. A evolução e involução das cores e dos ângulos na fotografia fala por si só. É a poesia delicadamente personificada, em especial nos vermelhos, claro, sempre pontuais e lapidados brilhantemente. A mim, fascinam.

O filme alcança o que remanesce dentro da gente, para disso gerar um turbilhão de arcos sobre a caixa das vivências que cada um leva. Ele interrompe a evitabilidade que engendramos nas coisas que dependem unicamente de nós para serem vistas, encaradas e resolvidas.

Julieta: denso, convulsivo, inversivo, primoroso e sobretudo existencial.

Julieta (2016)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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5 comentários em “Julieta (2016). Uma alma desnuda por ele, Almodóvar

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  2. Pingback: Julieta (2016). Uma alma desnuda por ele, Almodóvar — Cinema é a minha praia! | Eu Vivo a Melhor Idade

  3. Boa tarde.
    Cris Campos, mais uma vez, acutíssima, afiada, cirúrgica. Ademais, faço parte da legião de fãs de Almodóvar. Vejo-o como aquele que sabe amalgamar todos os ângulos da história e conhece a linguagem do cinema a ponto de saber fazer a trama destes dois aspectos, as linguagens imagética e tessitura.
    Estão de parabéns a Cris Campos e o blogue.

    Curtido por 2 pessoas

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