A Excêntrica Família de Antonia (1995). Renegados ou os que Celebram a Vida?

a-excentrica-familia-de-antonia_1995Por: Lucas S. Cavalcanti.
Conheci este filme através de estudos ideológicos na faculdade, um professor de filosofia apresentou como projeto aos alunos e adorei.

a-excentrica-familia-de-antonia_1995_01Lançado em 1995, A Excêntrica Família de Antonia, é uma comédia dramática dirigida pela holandesa Marleen Gorris. Conta a história da protagonista 40 anos após a Segunda Guerra Mundial, quando ela retorna pra vila onde morou mais jovem, junto com sua filha Danielle e sem marido. Com a morte de sua mãe, Antonia fica com a casa e a partir disto temos o desenrolar da história. Você pode até pensar “Nossa, que bosta!” mas conforme a trama vai passando, fica mais interessante.

Como diz o próprio título, a matriarca acolhe no decorrer várias pessoas renegadas da vila, com características excêntricas, peculiares. Um exemplo é o caso do padre que estava cansado da vida religiosa e decide largar o cargo, e assim é recolhido para morar em sua casa. Outros personagens são incluídos no desenrolar, e Danielle tem sua filha Thérèse de modo não muito convencional até por ser homossexual, e assim vai crescendo a família.

Acredito que o mais interessante do filme seja mostrar um grupo familiar não necessariamente formado por laços sanguíneos, mas sim por compaixão, caridade, amor e talvez por identificação. Uma crítica aos dias atuais, onde muitos acreditam na formula perfeita de família sendo: PAI+MÃE+FILHO. Errado! Sou gay, e futuramente pretendo criar a minha juntamente com meu namorado e adotar uma criança. #AceitaPorQueDóiMenos.

a-excentrica-familia-de-antonia_1995_02Outra característica presente é o fato das mulheres não necessitarem de homem para praticamente nada, eles estão ali somente para sexo, reprodução e são retratados como figuras feias, fúteis e caricatos. Talvez promova um discurso contra aos homens, fazendo com que feminismo seja sinônimo de ódio à figura masculina, não que seja.

Mas se você ver o filme verá que não trata somente disso, possui uma ótima história com altas criticas e tabus, com seus toques de humor que te fazem pensar, coisa rara no atual mundo cinematográfico. Caso queira ver, está disponível no YouTube legendado, a imagem não é muito boa mas é curtinho então dá pra ver sem sofrer.

A Excêntrica Família de Antonia (1995).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Curta: Living with a Black Dog (2008). Ele não precisa ser um inimigo…

vivendo-com-um-cao-negro_depressao_capaPor Josie Conti.
Atualmente, a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro. Projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que em pouco tempo, entre todas as doenças, a depressão será a mais comum. Existem tratamentos efetivos, mas menos da metade dos afetados pela doença recebem qualquer tipo de tratamento. Os números da Previdência Social também não param de crescer e a depressão tem sido fonte de afastamentos longos e incapacidade para o trabalho.

Como existe uma grande chance da depressão tornar-se uma doenças crônica em que a pessoa pode ter diversos episódios de adoecimento ao longo da vida, o tratamento é fundamental.

O vídeo “Living with a Black Dog“, de Matthew e Ainsley Johnstone, leva a uma reflexão sobre a depressão numa descrição realista, mas com uma abordagem clara e descontraída. Uma presença que esgota e que muita das vezes termina por vencer as resistências que ainda possa possuir. Mesmo tendo consciência da sua presença a angústia mina as forças até se ver alimentando-o. Às vezes ele pode dar um respiro, mas não significa que tenha desaparecido.

vivendo-com-um-cao-negro_depressaoQuem popularizou a expressão cão negro como sinônimo depressão foi Winston Churchill ao descrever seu sofrimento com o transtorno. Mas o apelido de fato foi cunhado pelo escritor inglês Samuel Johnson ainda no século 18. E que era tido como Melancolia.

Se você ou alguém próximo a você sofre de depressão, procure ajuda profissional. Esse pode ser o primeiro grande passo em direção a uma grande mudança. Esse “cachorro preto” não precisa ser um inimigo.

Curta: Daisy Chain (2015). Dando um “troco” ao Bullying

daisy-chain_curta-de-animacao_bullyingPor Josie Conti.
Daisy Chain” nasceu como uma história de embalar e em três anos tornou-se um dos livros interativos de maior sucesso na Austrália. E também um curta metragem com a narração da atriz Kate Winslet.

O australiano Galvin Scott Davis começou a notar algo diferente no seu filho, Benjamin. Sempre que chegava da escola, o menino ficava mais calado e não tinha a mesma motivação que antes. “Ele estava mais reservado e descobri que tinha sofrido bullying na escola. Não foi um caso muito grave, mas foi suficiente para que perdesse a confiança”, contou ao jornal The Guardian.

daisy-chain_curta-de-animacaoPara reconfortar o filho, Davis decidiu contar-lhe uma história de embalar de alguns dos livros infantis da vasta coleção que tinha em casa, mas não encontrou nenhuma história apropriada para aquele momento. Então, decidiu inventar uma. Assim nasceu a ideia para “Daisy Chain”, um conto sobre uma menina chamada Bree Buttercup, que é perseguida por outras crianças quando tiram uma fotografia dela e a colocam em todas as árvores do parque. É o próprio Benjamin quem ajuda Bree a combatê-los usando uma corrente de margaridas, a sua flor favorita.

Num período de 3 anos, a história deixou o quarto de Benjamin para tornar-se um dos livros interativos com o maior número de downloads na Austrália. Depois, foi feito um curta metragem com a narração da atriz Kate Winslet, que está a ser utilizado por grupos anti-bullying na Austrália, Estados Unidos e Reino Unido para a conscientização das crianças nas escolas.

Julieta (2016). Uma alma desnuda por ele, Almodóvar

julieta_2016_cartazPor Cris Campos.
Assisti ao último filme de Almodóvar, Julieta. Sou apaixonada pela densidade e cuidado nos filmes dele. Pela profundidade na forma com que ele abraça o universo feminino. Para além das críticas, positivas e negativas, que li sobre, em mim ficou, mais uma vez, uma alma desnuda por ele.

Este é um filme de mulheres imperfeitas, mas defensáveis, como são vocês, como somos todos” (Almodóvar)

O drama foi inspirado em contos presentes no livro “Fugitiva”, da ganhadora de Nobel de Literatura Alice Munro, cujos direitos Almodóvar adquiriu em 2009. A protagonista do filme é interpretada por duas atrizes diferentes, Adriana Ugarte que vive a Julieta jovem e Emma Suarez vive a personagem já madura.

julieta_2016_01O filme galga com propriedade o silêncio, a solidão, o abandono, a perda, a melancolia e a dor emocional. A construção dele se dá amalgamada aos cenários, em minha opinião, perfeitamente concebidos. A evolução e involução das cores e dos ângulos na fotografia fala por si só. É a poesia delicadamente personificada, em especial nos vermelhos, claro, sempre pontuais e lapidados brilhantemente. A mim, fascinam.

O filme alcança o que remanesce dentro da gente, para disso gerar um turbilhão de arcos sobre a caixa das vivências que cada um leva. Ele interrompe a evitabilidade que engendramos nas coisas que dependem unicamente de nós para serem vistas, encaradas e resolvidas.

Julieta: denso, convulsivo, inversivo, primoroso e sobretudo existencial.

Julieta (2016)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Curta: A Inovação da Solidão (2013). As Redes Sociais e o Medo da Solidão

curta_a-inovacao-da-solidaoPor Josie Conti
A sociedade atual valoriza o individualismo e a competitividade.

Os funcionários das empresas, hoje chamados erroneamente de colaboradores, recebem mensagens de que trabalhar em equipe é um valor da empresa. Entretanto, qualquer pessoa com um pouco de bom senso e olhar crítico verá que o que acontece o tempo todo é um total aniquilamento da individualidade e da fidelidade entre eles. Quem não se destaca é demitido. As terceirizações não param de crescer. Logo, o colega de trabalho é tido como rival.

A pessoa passa muito mais horas trabalhando em um ambiente que é hostil e onde não pode confiar verdadeiramente nas pessoas, portanto, sem vínculos verdadeiros. Resultado: menos tempo com família e amigos, pois precisa manter o emprego.

Quando chega em casa, muitas vezes sozinha, a pessoa ainda tem que vender uma imagem de felicidade e boas relações (isso faz parte de seu papel social). E é aí que chegamos no ponto, pois é esse o questionamento relativos às redes sociais, por exemplo, onde as pessoas fabricam e postam imagens de viagens, fotos felizes, reuniões de amigos. É só entrar e veremos a infinidade de pessoas felizes (na maioria aparentemente mais felizes do que nós) falando de seus eventos sociais e outras realizações.

as-redes-sociaisSendo assim, é possível perceber que as redes sociais tornaram-se mais uma vitrine da imagem que as pessoas gostariam de passar do que propriamente um espaço para relações.

Outra coisa que as redes sociais parecem ilusoriamente sanar é a sensação de que estamos cada vez mais isolados e sem vínculos reais, ou seja, os amigos e os contatos virtuais preenchem de alguma forma o medo e a solidão.

Eu compartilho. Portanto eu existo”. Esse é o tema da animação intitulada “The Innovation of Loneliness” (A Inovação da Solidão, em tradução livre), inspirado no livro da psicóloga Sherry Turkle: Alone Together, onde ela analisa como os nossos dispositivos e personalidades online estão redefinindo a conexão humana.

O Show de Truman (1998). Viver é um risco necessário, mas…

O-Show-de-Truman_Jim-CarreyPor Mariel Fernandes.
Bom, um dia me convidaram pra ver uma comédia. A pessoa já tinha visto, fazia questão de me levar, riríamos do inicio ao fim. Ok, era uma boa proposta, gosto de rir. Pipoca ok, tiket ok, tudo ok.

escolhasComeça o filme e um spot cai, era um sinal de que a realidade seria talvez um cenário que aos poucos, dependendo do grau de opressão que causa, acaba ruindo? Ninguém conclui isso aos 10 minutos do filme. De qualquer forma, a cena nunca mais saiu da minha cabeça e serve como um tipo de guia em momentos importantes. Sou eu mesmo quem está tomando a decisão ou montei uma cena?

O último take de “O Show de Truman” é uma explosão, a descoberta que sempre há uma saída, que encontra-la não será um passeio, que viver é um risco necessário, mas que o verdadeiro perigo é alguém ligar a TV e perguntar “quem está passando agora?”. Tento viver de forma que a resposta não seja o meu nome.

O Show de Truman (The Truman Show. 1998)
Ficha Técnica: na página do IMDb.