Intocáveis (2011). Toque-me!

Por Josiane Mayr Bibas.

Um filme imperdível. Fala de superação, da relação de pessoas totalmente diferentes, da raça à cultura, do nível social às expectativas. Mas fala principalmente do preconceito. Ou da falta dele, o que é muito melhor.

Ser deficiente é algo tão específico, que recusa generalizações. Quem é deficiente, em geral, é deficiente em uma habilidade, mas tão ou mais eficiente em tantas outras. E todas essas outras habilidades querem ser tratadas com normalidade, não sei se me entende.

O personagem principal do filme é tetraplégico, mas não quer ser subestimado, não quer ser tratado como coitado, não quer se esconder da vida e tudo isso acontece pela convivência com uma pessoa sem ideias preconcebidas que se relaciona com seu patrão-amigo como se ele pudesse fazer tudo. E isso é o que toda pessoa com necessidades especiais quer: que se lembre do que ela pode, e não apenas do que ela não consegue.

Deficiência acontece. Pense nisso. Hoje estou super bem, penso direitinho, me expresso com clareza, vou e volto por minha conta, levo um garfo à boca sem deixar cair um grão de arroz, enxergo do longe à letra miúda, escuto do passarinho ao sussurro, discrimino sabores, odores e texturas. Tudo em mim funciona, mas até quando? Idade, acidente, doença, peças pifadas podem diminuir meu grau de eficiência de uma hora para outra.

Portanto, lute contra os preconceitos. Eles nem sempre são mal-intencionados, na maioria são apenas burros. Generalizações não funcionam bem nunca. E presumir que pessoas não podem, não sabem ou não conseguem por que são isso ou aquilo, é uma bobagem sem fim.

Por Josiane Mayr Bibas, Blog Arte Amiga.