Série: Caras e Caretas (1982-1989). O que transmitir ou não as novas gerações?

caras-e-caretas_serie_1982-1989Por: Morvan Bliasby.
Nestes tempos aziagos de “Escola Sem Partido“¹, golpes institucionais e outras ideias ‘jeniais‘, além de uma mesmice estarrecedora das SitComs, das Soap Operas, etc., numa revisita quase mandatória à década de 80 do Século XX, a sua explosão de comédias de situação e o começo da distensão “lenta e gradual”, como preconizavam os donos do mundo, entre as potências que alimentavam a fogueira da Guerra Fria. Deste caldeirão ultra efervescente se sobressai a SitFamily Ties“², nominada, no Brasil e em Portugal, respectivamente “Caras & Caretas” e “Quem Vem Aos Seus“, neste segundo estranho título temos, claramente, uma ironia, pois parece degenerar, e muito.

O Enredo

Steven (Michael Gross) e Elyse Keaton (Meredith Baxter) são dois hippies classe média típicos, economicamente falando, ultra liberais nos costumes e que se casaram havia duas décadas.

Um tanto quanto nonsense, no tocante à educação dos filhos, eles creem piamente que os filhos os seguiriam em seus valores, teriam uma vida “zen” e seriam filosoficamente parecidos com estes.

O tempo lhes mostrou o quão errados estavam, mormente no tocante ao filho mais velho, Alex (Michael J. Fox). Este, um executivo, na cabeça e nos valores (um admirador incorrigível de Ronald Reagan!). Isso mesmo. Reagan. Importante para nos ambientarmos. Reagan, Tatcher e a ideia do Estado mínimo, do tamanho de uma bacia, nas palavras dos próprios. Este é o ambiente da série. Alex utilizava chavões dos republicanos e portava até mesmo um cartão de sócio do clube dos conservadores. Inteligente, ganancioso, reacionário. uma cópia (carbono) exata de seus pais. Alex se encaixa perfeitamente no estereótipo do “self-made man”, tão usual, à época e hoje.

Já a moça, Mallory (Justine Bateman), ao contrário, relaxada, preguiçosa, fútil e cujo círculo de interesse consistia em compras, rapazes e… compras e rapazes.

Vem, a seguir, Jennifer (Tina Yothers), a caçula. Todo o seu sonho era ser uma pessoa normal. Dependendo da situação, razoável, não?

Family_Ties_castA série, malgrado de forma às vezes sutil, até demais, teve a virtude de discutir preconceitos, censura, gravidez adolescente, vício (drogas), relacionamento familiar e círculos criados em torno de interesses similares. Todos os personagens da série, inclusive os papeis satélite, contribuem para uma discussão sutil e ao mesmo tempo rica sobre os valores de então.

O sucesso estrondoso da Sit tem a ver com isso. quem sabe, além do fato de ter sido a propulsora e impulsionadora de celebridades precoces, como o Micheal J. Fox.

Mas a discussão subjacente da comédia de sucesso parece ser a questão educacional (não somente educativa, educacional, de finalidade da formação). Até que ponto a formação dos nossos filhos, de uma geração, por exemplo, pode ser vilipendiada, a ponto de achar que as coisas se repetirão por osmose. Que não precisaremos assumir uma posição mais protagonista, com relação ao tipo de pessoa humana que queremos formar, subvertendo, se necessário, os valores vigentes e até a educação formal, via escola. A ‘Escola Sem Partido‘, esta aberração imposta pelos nossos nefandos “amigos” ideólogos, daqui e d´alhures, por exemplo, é uma mostra de protagonismo às avessas, ou seja, não seja inocente de pensar que existe neutralidade em qualquer aspecto da vida. Tal movimento aposta na interdição do debate natural na escola, na vida, para a nova geração de zangões…

Séries como Family Ties e “Todo Mundo Odeia o Chris” são muito eficazes em, sob o pretexto de discutir amenidades, ir bem fundo nos costumes e preconceitos e acabam, neste roldão, se tornando fotografia de uma época. Family Ties parece bem atual, traçando um paralelo com o momento em que assistimos ao desmonte de vários Estados nacionais. Esta já é uma boa razão para assisti-la, como análise comparativa. Além dos canais da tevê paga, que vez por outra a reprisa, geralmente com o título original, além de poder vê-la nos sítios dos Estúdios originais ou nos canais de “stream“.

Série: Caras e Caretas (1982-1989)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

¹ Uma ideia tão imbecil para se acreditar ter saído da cabeça de educadores. Felizmente, não!.
² No Brasil, curiosamente, uma novela, tempos após, recebeu o nome literal da comédia de situação: Laços de Família.

Série: “Mossad 101” (2015 – ). No fundo, especialistas em manipulação…

Mossad-101_serie-de-tvPor: Valéria Miguez (LELLA).
Em um universo maior de Filmes e Séries sobre serviços secretosFBI, CIA, Interpol, KGB… creio que com o de Israel figura mesmo dentro deles… Inclusive um dos episódios da 3ª Temporada de “The Blacklist” mostrou uma célula dele e de dentro dos Estados Unidos que com todo o aparato por lá no mínimo me fez pensar nas que teria em outras em outros países… O que aguçou ainda mais minha curiosidade em conhecer com mais detalhes sobre o famoso serviço secreto de Israel em “Mossad 101“. Nos moldes de “Quântico“… Essa Série também traz como ponto central um Curso de Formação de novos agentes, mas que também terá guerrinhas internas… Se pelas mãos dos instrutores eles tornarão-se especialistas em manipulação… Sobrará aulas para todos mais…

Nós operamos fora da lei… O que significa que temos que ser nossos próprios defensores, advogados de acusação e juízes…

Já de início temos alta cúpula do Mossad indo conhecer as novas instalações, tendo alguns da Diretoria se questionando pelos altos custos até com o novo prédio do treinamento… Onde serão apresentados aos três principais instrutores… A frente deles, o nada ortodoxo Yonna (Yehuda Levi), que lhes dá uma mostra do quanto irá valer a pena cada milhão gastos… Que por quem ele escolhe como “parceiro”, o agente aposentado Simon (Yehoram Gaon), é um conselheiro que leva alguns desses diretores a sentir penas dos recrutas… Além de Yonna e SimonAbigail (Liron Weismann), psicóloga, perfiladora… e como ex-mulher de Yonna adicionará questões extras na relação de ambos… Além do que ela foi colocada nesse grupo para tentar colocar freios nos métodos usados por Yonna… Enfim, recordando-os de alguns fracassos do Mossad… Lhes dão o aval de vez cientes que receberão os melhores agentes no final do curso…

Cada um deles estará pronto para mentir, enganar, trair e matar…

Mossad-101_primeira-temporadaQuanto aos aspirantes… Após uma grande festa de apresentação eles já se veem frente ao primeiro desafio: escapar a um cerco policial – já que foram dados como terroristas – e conseguirem chegar no portão da Central de Treinamento num horário marcado. Uma noite bem movimentada… Se protegendo ou em grupo ou individualmente… Até chegarem antes do portão se fechar… Onde então ficamos conhecendo um pouco de cada um deles…

Há biotipos variados: inclusive com alguns esteriótipos que reforçariam uma origem… Biofísicos também variados… Onde de um lado descartaria a ideia de ter que ser um agente a “la 007”: galã e corpo atlético. Muito embora a arte de sedução também faça parte do curso. Pois afinal irão aprender também a arte da manipulação… Onde também já nesse primeiro grande teste descartariam a de ter um corpo atlético não seria a única hipótese viável… Há variedades quanto a classes sociais: de ricos aos “assalariados”… Há faixas etárias diferentes… O que até reforçaria em já se trazer uma certa bagagem também contaria pontos… Ou não! Já que improvisação também faz parte desse jogo…

Entre os novos aspirantes a Agentes do Mossad, não há apenas israelenses, também há: – uma brasileira – que Yonna faz uma “piadinha” dela ser uma sobrevivente por ter sido criada numa favela do Rio; – um inglês onde é a vez de Abigail provocar Yonna colocando ambos com um “perfil” parecido; – dois americanos que por um Trailer levam junto a “própria” trilha sonora; além de uma russa; iraniano; francês…

A Série “Mossad 101” só está começando, mas já nos dois primeiros episódios deu para ver que tem muito a mostrar! Muita Ação, Suspense, Drama e Comédia no tom certo! Traçando uma radiografia também do lado humano e moral não apenas dos recrutas como dos que estão no comando deles. Abrindo um leque de interrogações também para quem assiste… Até onde iria esse serviço de “inteligência”?… Então é isso! E poderão acompanhar “Mossad 101” pelo canal TNT Séries, às terça-feira, no horário das 21h; com reprises nos finais de semana. Fica então a dica!

Série: Mossad 101 (HaMidrasha. 2015 / )
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Série: The Family (2016 – ). Estilhaçaram novamente aquelas vidraças… E agora?

the-family_serie_00Por: Valéria Miguez (LELLA).

Estariam todos eles em busca de uma identidade própria?

A Série “The Family ao nos levar para dentro de um drama familiar o faz com pitadas de um thriler! Até porque mais do que revelar os acontecimentos, somos conduzidos a refletir quem são cada um deles individualmente! Tanto no núcleo da família protagonista, como também com alguns de fora, mas diretamente envolvidos na trama, voluntariamente ou não, personagens do passado dessa família como também aderidos as circunstâncias atuais. É que o foco principal se dá com a volta de um dos filhos do casal dado como morto há dez anos atrás. Onde até houve uma pessoa que foi condenada por tal crime.

Assim, temos segredos entre si e para além daquelas vidraças novamente estilhaçada!

Do núcleo familiar temos: conflitos entre o casal central; um dos filhos sentido o peso de ser o ‘loser‘; carreiras profissionais que os afastam até afetivamente do lar, inclusive num jogo perverso quando a ambição fala mais alto… Por ai segue! A saber, temos: a matriarca é Claire Warren, personagem de Joan Allen (de “A Outra Face da Raiva“). Que se com a comoção com a perda ela foi eleita para Prefeitura local, agora com o retorno do filho aproveita para voos mais longe, ser a Governadora. Ajuda não apenas pela atenção midíatica, mas também pela própria filha do casal, a jovem Willa Warren, personagem de Alison Pill (de “Scott Pilgrim Contra o Mundo“). Dela, Claire recebe “ajudas” que nem faz ideia. Com a volta do filho, o pai que se encontrava em viagens, volta então para casa. Ele é John Warren, personagem de Rupert Graves (de “V de Vingança”). John sem querer ficar à sombra da esposa tornara-se um notório escritor e palestrante sobre com o tema “Luto em Família”. Embora feliz com a volta do filho caçula, perde um pouco seu chão profissional, além de ter também a volta de um antigo affair. Ele também fica dividido se o jovem é ou não o seu filho, mas não tanto como o outro filho, Danny, personagem de Zach Gilford. Outrora um adolescente alegre e desportista, encontra-se perdido no álcool. O que pode lhe deixar desacreditado se o irmão é ou não um impostor. Até porque o então Adam (Liam James, de “2012“) deixa dúvidas em quem assiste, se ele é o não o verdadeiro Adam.

the-family_serie_01Com a volta de Adam…

Temos Hank Asher, personagem de Andrew McCarthy (de “O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas“). Vizinho dos Warren e já tendo sobre si um caso de pedofilia, fora coagido a confessar o assassinato de Adão: o que lhe rendeu dez anos atrás das grades. Inocentado, e até recebendo uma alta quantia pelos danos morais, tenta voltar com a vida. Só que agora parece que terá uma mais isolada: todos na localidade o reconhecem e se distanciam. Além de ter que conviver com o ódio dos Warren. Que em vez de um pedido de desculpas, recebe a fúria de John por culpá-lo das privações que o filho passara nesses dez anos. É que com a confissão, o caso fora encerrado pela Justiça, não havendo mais buscas.

Também volta à cena a então Sargento de Polícia Nina Meyer (Margot Bingham). Nina fora a detetive encarregada de resolver o caso do sumiço do pequeno Adam. No afã até de se promover, baseando-se mais em disse-me-disse do que provas, ela então forçara Hank a se confessar culpado. Agora, não lhe resta outra alternativa em ir em busca do verdadeiro culpado e com o que colheu agora do Adam. Além de se ver novamente envolvida amorosamente com John.

Além de também entrar em cena dessa vez uma repórter local, Bridey Cruz (Floriana Lima). Talvez em busca de voos mais longe, Bridey que até então tem uma coluna/blog sobre o estilo de vida de uma homossexual, agarra a notícia da volta de Adam como o seu passaporte. Para isso até fará um jogo de sedução com Danny, que até estava junto com ele no dia em que ele desaparecera.

E com eles e mais outros personagens a trama segue pulando entre o passado e presente, mas com cortes precisos onde vai mostrando a história além de manter o suspense do que ainda está por vir. E todos estão bem ambientados com o contexto. O que é muito bom! As performances estão de fato ótima! Assim como o desenvolvimento da trama!

Ponto para a criadora, Jenna Bans, que em “The Family” dá o seu voo solo, após ser co-roteirista em “Scandal” e “Grey’s Anatomy“, entre outras séries. O que lhe dá bastante base para emplacar nessa sua primeira obra. Tomara que agrade também os fãs em solo americano já que é audiência nos Estados Unidos que conta ponto para ir ganhando mais temporadas. Estando ainda com poucos episódios nessa sua primeira temporada exibida pela canal Sony. Eu estou gostando!the-family_serie_2016

Série: The Newsroom (2012/2014). Por Um Jornalismo Mais Ético!

the-newsroom_serie-de-tvthe-newsroom_01Por: Valéria Miguez (LELLA).
Ele é um âncora que acredita que mesmo um programa sem ter um cunho jornalístico possa se manter íntegro e ter audiência sem ter que apelar para o sensacionalismo ou mesmo inverdades. Avesso a fama advinda de polêmicas… Ele se vê saindo de uma hibernação ao ser contratado justamente para trazer a audiência de volta a um telejornal no horário nobre de um canal a cabo. Ele é Will McAvoy, personagem muito bem interpretado por Jeff Daniels! Afastado das mídias também por problemas pessoais… Mas mais por uma participação num programa onde McAvoy juntamente com outros convidados foram entrevistados por jovens estudantes. Esses, cientes até deu seu posicionamento político – o tinham como alguém em cima do muro… focam nele as perguntas… Bem, McAvoy até tentou se segurar… Mas num certo ponto, ele “explodiu”… Mas como um professor tentando colocar ordem na classe! Não para se calarem, mas sim para que raciocinassem até com o que estavam falando. Assim, e se valendo de uma das perguntas – “Por que a América é o melhor país do mundo?” – McAvoy então deixa a sua marca! Antológica, por sinal! Que até me fez lembrar de uma cena do filme “Obrigado por Fumar“, de 2006. Se nesse outro a lição fora para o filho… Neste, McAvoy sem querer acabou dando até para o mundo…

Como McAvoy passou a dominar a tudo e a todos no tal programa, de certa forma mostrou o paradoxo em sua personalidade. O saber falar em público, pensamentos próprios ou não, há de se ter que ponderar até por princípios éticos. Se carisma e até eloquência pode levar alguém a uma certa notoriedade, também pode levá-la a um domínio manipulador. Algo que McAvoy abominava! Algo que também não gostava, de até irritasse, era em não ver outra pessoa fazendo uso da própria inteligência. Que dirá então diante de uma platéia de jovens mais afeitos às celebridades! Um prato feito para ele! Como numa onde devolve uma pergunta com outra já emplacando um questionamento: “Privatizar? Eu não gostaria de que o Corpo de Bombeiros só fosse apagar as chamas na minha casa se eu estivesse com as mensalidades em dia!” E por ai segue… Mesmo mantendo a atenção para si, ele queria levá-los a se questionarem sempre, que não se mantivessem fechados a uma só “ideologia”, menos ainda a do “individualismo”, que se mantivessem abertos ao “socialismo”… O que acaba lhe uma nova legião de fãs. Pois mesmo que a princípio ele tenha ferido a exagerada xenofobia dos americanos: eles “se acham”… Agradando a muitos ou não… Mesmo não gostando, ele polemizou sim no tal programa. Até por já se mostrar contrário a tal pergunta no início desse texto. Aproveitando de tudo que fora falado até então, ele dá uma verdadeira aula para aqueles jovens! Englobando Geo-Política, Humanismo, História, Economia… McAvoy os conduziu ao seus próprios cérebros… Que estudassem mais antes de fecharem uma questão… Que questionassem sem aceitar de imediato uma informação dada vinda de quem vier… Porque o mundo não é só bem e mau, feio e bonito… Enfim, atônitos e êxtases… McAvoy deu uma grande aula para aqueles jovens!

the-newsroom_02Aula essa que também ficou memorável para uma outra pessoa. Que mesmo contrariando a CEO de próprio canal (ACN), a Leona Lansing (Jane Fonda), fora mais do que por estar atrás de audiência, fora por um olhar romântico dos bastidores de uma redação, que o presidente da divisão de notícias desse mesmo canal, Charlie Skinner (Sam Waterston, numa ótima atuação) que levara McAvoy para estar ser o âncora e o editor-chefe dando uma cara nova ao “News Night“. E para comandar toda a estrutura a dar base para ele, é contratada a produtora Mackenzie MacHale (Emily Mortimer, numa ótima atuação e que deu química com Daniels). Ambos também traziam na bagagem uma história pessoal e mal resolvida… Que acaba dando um tempero a mais na então nova relação profissional de ambos. Do qual Skinner não abria mão em tê-los no “News Night“. MacHale ciente do desafio, aceita! Ciente também da batalha diária, sabe que precisará de uma equipe bem compromissada também.

Assim, ao contabilizar quem estará junto com ela, MacHale se vê com algumas baixas levadas mais por conflitos com o McAvoy. Ele também não facilita nada nessa “seleção”. Entre os aceitos temos: Neal Sampat (Dev Patel) – escritor do blog de McAvoy e que vasculha a internet procurando por notícias; Jim Harper (John Gallagher Jr.) – o produtor sênior do “News Night” e que se verá entre dois chefes para lá de exigentes; Maggie Jordan (Alison Pill) – uma estagiária em busca de se tornar também uma produtora; Sloan Sabbith (Olivia Munn) – a analista financeira do “News Night“. Também no elenco fixo, entre outros tem: Don Keefer (Thomas Sadoski) – o antigo produtor executivo do tal telejornal saindo então para trabalhar em um outro programa na emissora.

Com a velocidade das informações dadas atualmente por conta da internet, a Série “The Newsroom” também vem como um remember com fatos ocorridos e há bem pouco tempo. Já que ela também levava no contexto da trama, acontecimentos reais. À contar de quando começou a produção, em 2011, até o cancelamento dela, em 2014. Mesmo eu que amo o Gênero Comédia, me levo a questionar do porque um Série com conteúdo sério é cancelada! Custo a crer que não dê audiência por lá, nos Estados Unidos. Tem tantas e sem relevância que duram tanto tempo… Enfim, mesmo ciente que esta teve vida curta… Para quem não tem os canais da HBO, mas tem o sinal aberto do Cinemax, aproveitem! A série está sendo exibida por ele, nas noites de sexta-feiras. Ainda no início da 1ª Temporada.

E mesmo dando para notar meu entusiasmo em mostrar o perfil do protagonista, o McAvoy… Vale ressaltar o quanto estou gostando de “The Newsroom“! Com acontecimentos reais como pano de fundo para os bastidores de um telejornal, intercalados com a história dos personagens. Com pinceladas de um humor bem inteligente! Uma pena mesmo que não teve vida longa! Enfim… Fica a sugestão dessa Série Nota 10!

The Newsroom (2012 – 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Curiosidades:
– O cenário de “The Newsroom” estava localizado no Sunset Gower Studios, em Hollywood. Mas o fictício prédio da Atlantis World Media, na realidade, foi a torre do Bank of America no cruzamento da 6ª Avenida com a Rua 42 em Manhattan, com efeitos visuais utilizados para alterar o nome do prédio acima da entrada.

– Âncora – O termo âncora (anchorma) surgiu em 1948 nos Estados Unidos para definir o profissional que centralizava todas as informações de uma cobertura jornalística. Tudo isso aconteceu em uma Convenção realizada na cidade de Philadelphia nos Estados Unidos, transmitida pela CBS.
A partir dessa definição de âncora, o termo foi se difundindo e se consolidando como o principal mediador dos telejornais, através dos quais as notícias seriam difundidas. Existem muitos mitos sobre a profissão, entre eles está o mito de que o âncora só trabalha na hora em que está gravando na bancada, que é muito diferente da realidade destes profissionais da televisão, que são antes de qualquer coisa jornalistas que fazem de tudo para transmitir a informação para os telespectadores.

– E um vídeo com a tal aula que McAvoy dá:

Minissérie: The Casual Vacancy (2015). As Elites em Lados Opostos!

the-casual-vacancy_minisserie_hboPor: Valeria Miguez (LELLA).
the-casual-vacancy_livro_jk-rowlingEm três episódios a minissérie “The Casual Vacancy” é baseada no livro homônimo da escritora JK Rowling. Onde ela deixa o mundo da fantasia da “Saga Harry Potter” para adentrar na realidade dos moradores de um pequeno vilarejo no Reino Unido – Pagford -, mas que também se ambientaria bem em um em qualquer país pelas temáticas abordadas. Como pano de fundo o destino de uma Clínica de Reabilitação para viciados em drogas que parte da elite local quer vender onde então seria construído um SPA de luxo. A decisão fica a cargo do Conselho Distrital que até o início estaria empatada na dependência de um voto e justamente do conselheiro que morre de repente no início da história: e ele era um dos que queriam a permanência da tal clínica. Pois é! Nem se trata de um spoiler pois como o nome da história nos mostra toda a trama se desenvolve com essa vaga que surge. Abrindo então uma acirrada disputa para quem ocuparia essa vaga que daria o voto decisivo. Num vale tudo onde muita coisa virá à tona.

the-casual-vacancy_enterro-de-barryA vaga surge com a morte de Barry Fairbrother (Rory Kinnear) que deixara a reunião sem finalizar seu voto. Advogado. Escritor. Professor de Educação Física. Barry mantinha um bom relacionamento com os adolescentes. Pelo bom humor. Pela generosidade. Barry tentava ajudar principalmente os que seguiam pelos caminhos das drogas. Mas também aqueles que ainda não tinham metas para um futuro próximo mesmo tendo algum talentos: era o verdadeiro Mestre indicando caminhos. Entre os que ele estava ajudando tinha a jovem Krystal Weedon (Abigail Lawrie). Sendo ela uma das personagens importante na história voltarei a ela mais adiante.

the-casual-vacancy_01Continuando com Barry que não era muito querido pelo meio irmão Simon Price (Richard Glover). Mas esse até pelo temperamento violento nem era estimado pelos próprios filhos. Barry tinha também deixado uma “porta aberta” para um dos sobrinhos, o Andrew “Arf” Price (Joe Hurst). E esse talvez em reconhecimento ao tio, ou mesmo numa desforra ao pai que entre os maus tratos por conta da acne de Andrew o chamava de “Cara de Pizza“, ele então invade a website de Pagford e difama Simon às vésperas da eleição para a vaga advinda da morte de Barry. Mas além disso ele pensa no futuro e até longe dali, para tanto vai trabalhar numa Cafeteria.

the-casual-vacancy_02Na busca por um Conselheiro e que siga com a permanência da Clínica a médica Parminder Jawanda (Lolita Chakrabarti) tenta convencer o Vice Diretor da escola local, Colin “Cubby” Wall (Simon McBurney). Pelo temperamento “sem ter papas na línguaParminder acaba cutucando com vara muito curta o principal casal opositor: Howard (Michael Gambon) e Shirley Mollison (Julia McKenzie). Como também deixa a princípio um clima tenso entre o casal Cubby e sua esposa Tessa Wall (Monica Dolan), Orientadora Educacional e grande amiga de Parminder. Para Cubby além da timidez essa eleição o deixa apreensivo por descobrirem algo do seu próprio passado.

the-casual-vacancy_03Tessa e Cubby têm um outro grande problema: o rebelde filho Stuart “Fats” Wall (Brian Vernel). Fats tem como melhor amigo Arf, mas a amizade entre os dois terá altos e baixos ao longo da história. Talvez por ter sido adotado Fats busca por uma superioridade, mas mais por intimidação praticando bullying contra os próprios colégios da escola. Fats também se envolve com Krystel mesmo contrariando a mãe que embora gostando da jovem tem consciência que o filho não tem estrutura para um relacionamento mais sério com a jovem que além de ser mãe solteira tem uma mãe que vive drogada e em más companhias. Fats fica mesmo num baseado de vez em quando e sem nenhuma vontade de trabalhar.

the-casual-vacancy_04Entre os que se veem nas mãos de Fats por conta de ser disléxica se encontra Sukhvinder Jawanda (Ria Choony): filha de Parminder com um famoso cirurgião plástico, Vikram Jawanda (Silas Carson). Com a campanha para que Cubby vença Parminder acaba negligenciando Sukhvinder que se ressente ainda mais. Se retrai no mundo da música. Como também resolve colocar “fogo” na eleição invadindo também a website de Pagford, mas como o “Fantasma de Barry Fairbrother“. Que além de desagradar alguns, causa curiosidade entre os principais interessados no “voto decisivo” em saber qual babado forte virá a seguir.

the-casual-vacancy_05Os Mollisons veem com o casal que quer construir o tal SPA a entrada para uma elite bem acima deles. Como comerciantes bem sucedidos de Pagford se veem a si mesmo como a fina flor da sociedade local. Mais até! Odiando a base da pirâmide social. E então para conseguirem o tão sonhado “voto decisivo” tentam convencer o próprio filho, Miles Mollison (Rufus Jones), a entrar na disputa. Mesmo que para isso baguncem o já fragilizado casamento de Miles com Samantha Mollison (Keeley Hawes). Por certo Miles gostaria mesmo de tentar conciliar a vontade dos pais com o relacionamento com a esposa. Além de continuar exercendo tranquilo sua advocacia, ainda mais que com a morte do sócio, o Barry, terá a firma só para si. Mas Samantha não deixará barato a indiferença conjugal como a falta de postura do marido perante os pais. Para tanto organiza um jantar com os principais opositores dos sogros. Um jantar bem apimentado!

Há outras tramas paralelas como também atreladas a disputa pela tal vaga. Com interessados ou com os que nem estão ligando eleição, e até por aqueles que teriam na tal Clínica uma saída do mundo das drogas. A mobilização de fato recai entre parte da elite do pequeno vilarejo: onde de um lado há os que querem ver pobres e drogados bem longe dali e do outro lado os que possuem um pensamento socialista por quererem menos desigualdade no condado.

A Minissérie “The Casual Vacancy” foi apresentada em 2015 pelo canal HBO. Mas como tem sido reprisada vale conferir. Até para rever! Que foi o que eu fiz até por conta dos temas abordados. Que nos leva a reflexões. Ficando o querer rever todo esse longo filme. Como também me deixou com vontade de ler o livro no qual o filme foi baseado. Livro esse que aqui no Brasil recebeu o errôneo título de “Morte Súbita“. É que desfigura o contexto principal da trama: a guerra pela vaga aberta. Enfim, confiram essa excelente história!

The Casual Vacancy (2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Série: The Brink (2015/ ). O Mundo já Estaria numa Grande Guerra?

the-brink_2015_serie-de-tvPor: Valéria Miguez (LELLA).
hogans-heroes_serie-tvPara mim uma fã da antiga Série “Hogan’s Heroes” (1965/1971), no Brasil “Guerra, Sombra e Água Fresca“, sinto sempre a falta de novas séries onde entre outras coisas ridicularizam principalmente os fomentares das guerras. É! Só exagerando nos esteriótipos para mostrar a estupidez de uma guerra. Onde até mantém um clima de medo para venderem mais armas: ora vendendo para grupos rebeldes, ora para os governantes… Onde mortes de inocentes parecem mais contar como potencial do armamento a ser vendido. Muito embora atualmente o avanço da tecnologia dos armamentos deve ser o que conta mais na venda. Cuja destruição alcançaria uma área geográfica muito maior e correndo sério risco de uma devastação permanente por conta das irradiações lançadas nas explosões.

Mesmo em se tratando de temas tão graves, tão cruéis… Levando com humor ajuda também a disfarçar e assim chegar até nós algumas “realidades” passadas nas “salas de conferências de assuntos de guerras“: seja entre os membros dos próprios países, seja entre as nações aliadas, ou nem tão amigas, ou entre com aquela que corre o risco de ser invadida… De qualquer forma mesmo que os roteiristas não nos contem tudo, o pouco que soltam já no mínimo nos rendem alguma perplexidade. Fora as boas risadas com o grotesco da situação. E a nova série “The Brink” tem muito de tudo isso! Como também parece ter terminado o lance do politicamente correto nas produções cinematográficas no pós 11 de Setembro. Great!

Entretanto, embora se trate de uma obra de ficção “The Brink” mostra a todos nós que o mundo já se encontra numa 3ª Guerra Mundial! É a realidade superando a ficção da pior maneira possível: com o botão vermelho das ogivas nucleares sem grandes controles.

the-brink_2015_serie_personagensEm destaque em “The Brink” temos:
– Walter Larson, personagem de Tim Robbins, é um Secretário de Estado (EUA) ambicioso e sem muita paciência até para ficar parado em Washington. O que o fará sair em campo para tentar reverter o “lapso” causado por um piloto ao explodir um drone do Paquistão. Kendra (Maribeth Monroe) é a assistente de Walter que tenta conciliar a vida privada um tanto promíscua da vida profissional desse secretário sem papa na língua. Tim Robbins está impagável!
– Alex Talbot, personagem de Jack Black, é um humilde funcionário do serviço diplomático americano no Paquistão que sonha ser transferido para Paris o que para ele o tiraria do centro dessa crise geopolítica. Alex tem como amigo Rafiq (Aasif Mandvi) um paquistanês contratado pela Embaixada dos Estados Unidos como tradutor.
– Zeke Tilson, personagem de Pablo Schreiber, é um piloto de caça da Marinha que também vende “medicamentos” aos colegas do navio. Zeke é o tal piloto que estando chapado derruba o drone paquistanês. Glenn (Eric Ladin) além de co-piloto no caça, ajuda Zeque a traficar os medicamentos.

A Série “The Brink” tinha tudo para decolar pois é muito boa! Mas parece que o mundo anda com muito mau humor… É que mesmo após a HBO ter anunciado que haveria uma nova Temporada em 2016, voltou atrás e cancelou a série. O que é uma pena! Assim, resta esperar que pelo menos deem um desfecho razoável a atual temporada que é transmitida pelo canal HBO Signature. E ficar na torcida para que venham novas temporadas!

Eu gostei muito dessa série! Nota 08!