Curta: Living with a Black Dog (2008). Ele não precisa ser um inimigo…

vivendo-com-um-cao-negro_depressao_capaPor Josie Conti.
Atualmente, a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro. Projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que em pouco tempo, entre todas as doenças, a depressão será a mais comum. Existem tratamentos efetivos, mas menos da metade dos afetados pela doença recebem qualquer tipo de tratamento. Os números da Previdência Social também não param de crescer e a depressão tem sido fonte de afastamentos longos e incapacidade para o trabalho.

Como existe uma grande chance da depressão tornar-se uma doenças crônica em que a pessoa pode ter diversos episódios de adoecimento ao longo da vida, o tratamento é fundamental.

O vídeo “Living with a Black Dog“, de Matthew e Ainsley Johnstone, leva a uma reflexão sobre a depressão numa descrição realista, mas com uma abordagem clara e descontraída. Uma presença que esgota e que muita das vezes termina por vencer as resistências que ainda possa possuir. Mesmo tendo consciência da sua presença a angústia mina as forças até se ver alimentando-o. Às vezes ele pode dar um respiro, mas não significa que tenha desaparecido.

vivendo-com-um-cao-negro_depressaoQuem popularizou a expressão cão negro como sinônimo depressão foi Winston Churchill ao descrever seu sofrimento com o transtorno. Mas o apelido de fato foi cunhado pelo escritor inglês Samuel Johnson ainda no século 18. E que era tido como Melancolia.

Se você ou alguém próximo a você sofre de depressão, procure ajuda profissional. Esse pode ser o primeiro grande passo em direção a uma grande mudança. Esse “cachorro preto” não precisa ser um inimigo.

Curta: Daisy Chain (2015). Dando um “troco” ao Bullying

daisy-chain_curta-de-animacao_bullyingPor Josie Conti.
Daisy Chain” nasceu como uma história de embalar e em três anos tornou-se um dos livros interativos de maior sucesso na Austrália. E também um curta metragem com a narração da atriz Kate Winslet.

O australiano Galvin Scott Davis começou a notar algo diferente no seu filho, Benjamin. Sempre que chegava da escola, o menino ficava mais calado e não tinha a mesma motivação que antes. “Ele estava mais reservado e descobri que tinha sofrido bullying na escola. Não foi um caso muito grave, mas foi suficiente para que perdesse a confiança”, contou ao jornal The Guardian.

daisy-chain_curta-de-animacaoPara reconfortar o filho, Davis decidiu contar-lhe uma história de embalar de alguns dos livros infantis da vasta coleção que tinha em casa, mas não encontrou nenhuma história apropriada para aquele momento. Então, decidiu inventar uma. Assim nasceu a ideia para “Daisy Chain”, um conto sobre uma menina chamada Bree Buttercup, que é perseguida por outras crianças quando tiram uma fotografia dela e a colocam em todas as árvores do parque. É o próprio Benjamin quem ajuda Bree a combatê-los usando uma corrente de margaridas, a sua flor favorita.

Num período de 3 anos, a história deixou o quarto de Benjamin para tornar-se um dos livros interativos com o maior número de downloads na Austrália. Depois, foi feito um curta metragem com a narração da atriz Kate Winslet, que está a ser utilizado por grupos anti-bullying na Austrália, Estados Unidos e Reino Unido para a conscientização das crianças nas escolas.

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015)

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_cartazmad-max_tina-turner_e_mel-gibsonDa Saga Mad Max iniciada 1979 (Um outro em 1981 e mais um em 1985) as lembranças se foram quase por completo. Ficando mais de dois personagens, ou melhor, da caracterização deles: de um Mel Gibson com uma jaqueta de couro preta e uma Tina Turner com um visual meio que de uma amazonas futurista… O forte mesmo na lembrança vem de um dos temas musicais de um dos filmes com a poderosa voz de Tina Turner cantando “We don’t Need Another Hero“. Aliás a simples menção do nome “Mad Max” é essa música que de imediato vem da memória. Sendo assim era pegar a pipoca para assistir “Mad Max: Estrada da Fúria” com sabor de uma primeira vez. E o que o tempo dirá do que ficará dessa nova versão também com a assinatura de George Miller.

vietnam-napalm_criancas_foto-de-nick-utMas antes um pouco da história real da década de 70 já que foi quase no final dela que a história do filme foi escrita. Uma década recém saída de Woodstock: o mundo não era nada “paz e amor“. Da corrida armamentista. Da revolução iraniana. Da União Soviética ganhando status de potência mundial. Das Ditaduras Militares na América Latina. Do genocídio em Timor Leste. Dos Estados Unidos perdendo na Guerra do Vietnã. Onde a imagem de uma menina correndo fica como símbolo dos inocentes das guerras estúpidas. Onde se manterem no poder institucionalizam a censura, a tortura, a repressão e um clima de terror do tipo “alerta laranja” em nome de uma segurança nacional. Década da grande crise do petróleo com os países árabes dando às cartas. Com isso afetando a Economia de vários países… Com jovens saídos da era de aquário e mulheres tentando se integrar no mercado de trabalho, mas sem muita formação especializada. Com as migrações até em busca de uma vida melhor, mas deixando-os marginalizados nas novas pátrias… Agora, para não dizer que não falei das flores… A preocupação pela devastação dos recursos naturais do planeta assumiu um caráter mais coletivo, saindo do campo visionário e colocando o timbre em documentos: os primeiros passos na proteção do meio ambiente! Pelo menos algo positivo numa década que no mínimo bem explosiva e com um futuro pouco animador: meio apocalíptico. E esse era o mundo que inspirou George Miller: um mundo onde a realidade supera a ficção…

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_Tom-HardyAgora sim entrando na história do filme o qual tentarei não trazer spoiler. Mesmo não sendo um Thriller, deixar um pouco de suspense é sempre bom num filme de muita Ação.

Nessa nova versão, além dos avanços tecnológicos, a história coloca o herói já na estrada tentando fugir dos seus próprios fantasmas ao mesmo tempo que tentando sobreviver num mundo pós apocalíptico: Max Rockatansky já se tornara um selvagem solitário e ele é o mestre de cerimônia em “Mad Max: Estrada da Fúria“. Uma pausa para falar do ator Tom Hardy que nas primeiras cenas me fizeram lembrar de Russell Crowe do que de Mel Gibson. Sinal de que para mim o filme continuava com ares de primeira vez, mas em pensar em outro ator para o personagem daria a Tom Hardy um peso maior na performance até o final… E posso dizer que ele conseguiu! Conquistou de vez papel: atuou muito bem!

Max é logo capturado por um grupo e feito prisioneiro para algo um tanto quanto estranho. Mais ainda quando o levam em uma missão com “garotos da guerra“: jovens preparados para morrer com a promessa do paraíso. Algo familiar ao mundo real, não? Como também pelo contexto da trama me fez lembrar da do livro “Os Meninos do Brasil“, de Ira Levin.

Não só esses jovens, mas um grande exército, aliás são três porque mais dois se juntam a esse primeiro numa perseguição a algo maior que fora roubado desse primeiro. E quem o levara fora alguém dessa elite. Logo a Imperatriz que se rebela e foge com esse pequeno grande tesouro; e à ela irão se juntar Max e mais um dos tais jovens, (Nicholas Hoult). Bem nem se trata de um spoiler pois faz parte do contexto de um herói: os mosqueteiros ajudando a mocinha do filme. Muito embora, e com o nome de Furiosa, ela é uma destemida guerreira. Parte dessa trama com ela entre essas perseguições e outras coisas mais, me fizeram lembrar do filme “Tank Girl“, de 1995. Que em nada descaraterizou a heroína desse aqui: a uma lembrança me levou a sorrir. Sei lá, mas talvez o Diretor George Miller tenha deixado um lado também para o humor, ou mesmo mais leve para essa personagem. Até porque ela ainda tem história para contar num próximo filme. Agora, em uma da cena onde ela se prostra ao chão… ficaria muito melhor tendo ao fundo a música “We don’t Need Another Hero“, muito embora eu também pensei nesse trecho de uma das nossas: “Um homem pra chamar de seu, mesmo que ele seja eu“… Contudo mesmo com todo o elenco estando ótimos… a performance de Charlize Theron em “Mad Max: Estrada da Fúria” foi magistral.

mad-max-estrada-da-furia-2015_01Em “Mad Max: Estrada da Fúria” parece que o mundo fora dividido entre três governos tiranos. Com cada um controlando algo muito importante: um é a água, o outro combustível e o terceiro os alimentos. O do combustível parece que queria mais ser um astro de rock (Richard Carter)… Mas é o que detém o controle da água, o tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) o grande vilão dessa história. E é a sua Cidadela que iremos conhecer um pouco mais de perto. Digo isso porque até como o título do filme mostra ele se passa quase todo por estradas num deserto com direito a corridas também em desfiladeiros. Possesso, Immortan Joe, vai pessoalmente, e com todos os outros, atrás dos fugitivos numa perseguição alucinante.

Então é isso! A nova roupagem para a “Saga Mad Max” está aprovada! Já ansiosa para a continuação! Peguem bastante pipoca para não perder nenhum segundo em quase duas horas de filmes! Parabéns a George Miller pelo conjunto da obra! Um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015).
Ficha Técnica: na página do IMDb.

Isolados (Long Weekend. 2008)

Diz um ditado que o mundo é pequeno e cheio de coincidências. De fato, e sou testemunha de duas ótimas do mundo cinematográfico tão irresistível que não comentar aqui seria maldade.

Cultivo um carinho especial pelo ator Jim Caviezel, e admiro os trabalhos do diretor Terrence Malick, duas figuras da sétima arte que recentemente me surpreenderam. Malick está nas telonas com seu maravilhoso “Árvore da Vida”, e Caviezel foi manchete dos jornais nesta semana, numa crítica relevantemente maldosa sob o título “Da Paixão à ressurreição pela via da TV”, diz que “Crucificado como o Jesus ensanguentado de Mel Gibson em “A Paixão de Cristo” o ator James Caviezel encara estréia do seriado “Person of interest”, novo projeto da grife J.J. Abrams (“LOST”), que tem escolhido mal seus projetos, que sua carreia está sucateada, e o ator que assinava Jim Caviezel desde a sua estréia , nos anos 1990, desistiu até de seu apelido, passando agora a usar profissionalmente seu nome de batismo James Caviezel.

“– A grande responsabilidade de um artista em relação à televisão é que, a cada novo episódio de uma série, você consegue se relacionar não apenas com o seu público de cinema, mas com os milhões de espectadores que não frequentam as salas exibidoras” disse Caviezel.

O primeiro filme com o ator Jim Caviezel que eu assisti foi o de guerra “Além da Linha Vermelha” dirigido pelo ótimo Terrence Frederick Malick, (que bela coincidência novamente!) (do mais novo e badalado trabalho que falei acima, “Árvore da Vida”) – no qual Caviezel interpretava um soldado americano enviado para substituir um pelotão já muito cansado, e lá ele conheceu um terror que nem imaginava, tendo uma atuação impecável deixando uma ótima impressão, e foi a partir daí que passei a admirá-lo pelo seu talento e brilhantismo, super metódico e completamente à vontade, buscando através da expressividade bastante convincente do seu olhar encontrar o do espectador… Como acontece… Às vezes se olha e não se vê, ou se vê e não se enxerga. Quando assisti a “A Paixão de Cristo” dirigido por Mel Gibson com Jim Caviezel interpretando o Filho de Deus, a minha certeza do excelente ator definitivamente se confirmou. Naquele instante pensei comigo que esse ator poderia até se aposentar, que não precisaria de nenhum outro trabalho para provar o quão bom profissional ele é. Mas Caviezel é jovem tem muita história pela frente para interpretar e dar esse prazer aos seus fãs por longa data ainda, nos divertindo e nos fazendo ir ao filme por sua causa, não acha? A vida segue e… de repente me deparei com ele que, para mim, andava sumido, em DVD em uma prateleira de locadora trazendo o próprio como protagonista de um filme, digamos, não tão grandioso como o que o consagrou, mas que vale a pena conferir.

Isolados (Long Weekend) é o título contando a história de um jovem casal que decide acampar em uma praia paradisíaca – a terra que o mundo esqueceu – a fim de tentar salvar seu casamento e aproveitar um feriado prolongado e também para surfar. O cachorro que não deveria ir, acaba sendo descoberto escondido no bagageiro para a alegria de Peter e indignação de Karla.

Vão de carro e combinaram com um casal de amigos para se encontrarem lá. Acontece que acabam se perdendo, e param em um posto à beira de estrada e pedem informações, em vão, não conseguem ajuda, e mesmo assim encontram um ótimo lugar para acampar e percebem que não estão sós: uma família teve a mesma idéia.

Nota-se que desde o início há algo de estranho no ar; coisas incomuns começam a acontecer. O casal é do tipo que não está nem aí aos bons hábitos e atitudes; bons costumes junto à sociedade, principalmente nesses tempos em que se ouve muito falar na questão ambiental, em cuidar, preservar, plantar parece não fazer parte do vocabulário dele. Essa preocupação inexiste.

O que era para dar certo, acabar sendo uma tragédia anunciada. Já ouviu gente gorando que a natureza é vingativa? O que o homem faz de errado a ela recebe de volta? Mas essa bizarrice é pura fantasia desmitificando que nem sempre Vox populi, vox Dei, simplesmente porque a natureza não faz mais que seguir o seu curso… o rio correndo em direção ao mar, os pássaros procuram os céus, os animais a mata, e as sementes a terra. No decorrer dos dias, coisas misteriosas começam a acontecer com Peter e Karla.

Na estrada, Peter, da janela do seu carro, lança seu toco de cigarro que acaba provocando um incêndio na floresta; ao chegar ao paraíso perdido, sem motivo algum, sem necessidade, ele começa a derrubar uma árvore; Karla encontra um ovo de águia e o quebra propositalmente. E a partir daí coisas muito bizarras começam a perturbá-los e os aterrorizar.

A impressão que fica ao espectador é que a natureza entende que está sendo destratada e dá o troco. Há outro ditado que diz que aqui se faz aqui se paga…

O filme é basicamente a desconstrução psicológica de ambos. Como sair dali? Procuram pela válvula de escape em vão… e a natureza ou a mão de algum ambientalista tentando reverter a situação não deixando que destruam ainda mais o maravilhoso cenário que a bela fotografia nos brinda: mar, montanha, mata, animais, céu… parece que só o homem está sobrando ali e ele não é bem-vindo.

O filme não é nenhuma obra de arte, mas vale a pena conferir pela instigante história e como forma de conscientização na tentativa de ouvir o que a natureza tem para nos dizer levantando sua bandeira branca como forma de alerta aos de boa vontade e desavisados como que gritando sem agonizar para se defender “- E aí, esqueceu a educação em casa?” São alguns pequenos detalhes que deixamos escapar entre os dedos…

Para quem é fã de Jim Caviezel, vale conferir!

Karenina Rostov

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Sinopse: Um jovem casal decide acampar em uma praia isolada durante um feriado prolongado como uma última tentativa para tentar salvar seu casamento. Peter (James Caviezel) e Karla (Claudia Karvan) pensando apenas neles mesmos não se preocupam em preservar o local, fogueira, churrascos, serra elétrica e até uma espingarda fazem parte da diversão. Vale tudo nesse feriado. Agora, esse casal vai enfrentar a fúria da natureza e conhecer o seu lado mais sombrio.

ISOLADOS
Título original: Long Weekend
Duração: 88 minutos (1 hora e 28 minutos)
Gênero: Drama / Terror
Direção: Jamie Blanks
Ano: 2008
País de origem: AUSTRÁLIA

Reino Animal (Animal Kingdom. 2010)

Começo com um convite em especial. Para todos aqueles que torcem o nariz para filmes brasileiros. Com a desculpa que mostram: pobreza, violência urbana, favelas, corrupção… Enfim, na visão deles porque mostram as mazelas de um mundo atual, eles excluem os filmes brasileiros da lista. Assim, fica um convite para assistirem “Reino Animal” (Animal Kingdom), porque esse filme australiano tem todos esses itens, e em dose cavalar! Um outro convite, ficaria para os da área psico. Pois terão numa avó, um interessante perfil para estudos.

Melbourne está chamas!

Sigo, convidando aos que não ficam intimidados com cenas de um mundo cão. Onde a Lei é ditada por um jogo de interesses, numa teia tão invísivel que não se vê quem de fato é que manda. Talvez melhor seria em dizer, em o que, em vez de quem domina o sistema. E é em seguir essa trilha que temos o forte desse Roteiro. De se seguir atentos, quase sem respirar. Mais! Sendo baseado em fatos reais, a mim, deixou uma vontade de saber o que houve depois. Porque o final é impactante. Volto a ele mais adiante.

Não temos aqui um Capitão Nascimento tentando encontrar alguém que fique com o seu cargo, por querer sair do Sistema… Em “Reino Animal” temos sim um Detetive, Leckie (Guy Pearce) que antes de sair do Sistema, resolve tirar um jovem, recém chegado a cidade. Alguém que caiu meio de para-quedas dentro de um esquema com o qual os policiais se veriam livres de toda a sujeira de anos. Era um jogo de cartas marcadas: com sentenças de morte. A queima-de-arquivos era com os criminosos de rua; e não com os do departamento. O Sistema lá já estava tão deteriorado, que acharam melhor transferir o máximo de membros que pudessem. Deixando para os novos que chegassem começassem do zero.

A Família na linha do tiro!

O jovem “J”Cody (James Frecheville) se vê sozinho no mundo, de repente. Sua mãe morrera de overdose. Como ainda não tem a maioridade, decide ligar para a avó materna, Janine “Smurf” Cody (Jacki Weaver). Ela o leva para a sua casa. Ou melhor dizendo, para o seu covil. Lá ele conhece os seus tios: Pope Cody (Ben Mendelsohn), Craig (Sullivan Stapleto) e Darren (Luke Ford). Quando “J” chega, Pope já está jurado de morte. É quando ele se dá conta do antro onde veio parar, e que piora a cada dia. “J” então entende o porque de sua mãe o tê-lo afastado de sua própria família. Mesmo assim, ela falhou em se deixar levar pelo vício. Da avó, “J” viu que não ganharia afeto. Não se não entrasse para a carreira dos tios. E com uma avó como essa, teria sido melhor vagar pelas ruas.

Quem protegia quem, ou o que!

Leckie se compadece de “J”. O quer ver livre dali. Mas como o cerco se fecha oferece uma proteção – que não poderá dar de fato -, se “J” contar o que sabe no pouco tempo de convivência com os Cody. Se não fosse por algo que seu tio fizera, ele até conseguiria ir levando a vida até completar 18 anos de idade. Com 17 completos, restaria pouco tempo. Mas aquilo que fizeram não era fácil de aceitar.

O ser mais fraco buscando uma saída!

Se a proteção policial se mostrou ineficaz, se para a sua própria famíliia virara carta fora do baralho, só restava a “J” uma saída: também fazer uso do Sistema para sair vivo daquilo tudo. E teria sido preciso mesmo chegar até a fazer aquilo? Sendo baseado em fatos reais, fiquei curiosa em saber o desdobramento do seu ato.

O filme é excelente! E por um todo: sem pontos negativos. Até por ter saído logo em Dvd no Brasil, pois assim muito mais terão como assistir, do que quando fica restrito a algumas Salas de Cinema.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Reino Animal (Animal Kingdom. 2010). Austrália. Direção e Roteiro: David Michôd. +Elenco. Gênero: Crime, Drama, Thriller. Duração: 113 minutos. Baseado em Fatos Reais.

Dizem Por Aí… (Rumor Has It… 2005)

Com um tempinho chuvoso, ligo a tv e no Guia um título chamou a minha atenção. Curiosa, fui olhar mais informações sobre o filme. Ali mesmo, era só teclar mais um botão no controle remoto. Numa de curtir um momento preguiçoso, em vez de cair no sono, o filme me cativou. Dai trouxe-o para vocês, mas terá alguns spoilers. Foi inevitável. Mas nada que vá tirar o prazer em ver o filme. Em ver ‘Dizem por aí…

Foi o nome do Diretor me fez de imediato querer ver o filme. Ele é o Rob Reiner. Reiner tem um jeito todo especial de falar sobre relacionamentos entre pessoas que de certa forma passam por algum momento junto. Seus filmes podem não atrair milhões de espectadores, mas seu público meio que segue seus filmes com carinho. Sendo que alguns ficam em nossa memória cinéfila, nem que o mote maior tenha sido mais por uma cena em especial. Como exemplo: é dele a cena onde Meg Ryan simula um orgasmo em pleno restaurante, no filme ‘Hally & Sally‘. Mesmo com um certo glamour, mostrando pessoas de uma classe média dos Estados Unidos, suas estórias mostram situações comuns em todas as classes sociais, e em outros lugares. É em ‘Hally & Sally’ que temos uma das frases mais românticas que alguém pode ouvir daquele que muito ama, uma verdadeira declaração de amor:

Eu vim aqui hoje porque quando você se toca que quer passar o resto de sua vida com alguém, você quer que o resto de sua vida comece o quanto antes.”

Claro que os nomes no elenco também eram um belo convite: Shirley MacLaine, Richard Jekins, Kevin Costner, Jennifer Aniston, Mark Ruffalo e a sempre maravilhosa mesmo em uma participação pequena Kathy Bates.

O filme faz uma brincadeira muito gostosa. Que acredito fazer parte do imaginário de muitos Diretores: contar o que aconteceria a mais num dos Clássicos. E Rob Reiner escolheu ‘The Graduate‘. Ficamos sabendo disso logo no início do filme. Quem nos conta é Sarah, a personagem da Jennifer Aniston. Ela vem a ser a neta daquela que inspirou e se tornou a Sra. Robinson, do Livro e depois do Filme. Quem faz a sua avó é Shirley MacLaine.

Sarah está indo com o recente noivo (Mark Ruffalo) assistir o casamento da irmã caçula. Ela não entende a calma da irmã às vésperas do matrimônio. Como também a sua própria reação no momento do pedido. Ficara muito aquém do que idealizara.

Será que só quem ouve os sinos tocando são as personagens dos filmes? Como saber se é mesmo com aquela pessoa que você quer para uma vida a dois? O que de fato fará o casamento não morrer com a rotina diária? Porque com o passar dos anos o convívio pode tirar a paixão ardente dos primeiros anos.

Não tendo a mãe enquanto crescia, Sarah se achava não pertencendo a sua própria família. Não se identificava com seu pai e com sua irmã. Achando que caíra de pára-quedas no seio daquela família. Dai, lhe veio a dúvida de ter um outro pai. Ainda como a somar nesses seus anseios, sua vida profissional não decolara. Jornalista em um grande jornal, mas escrevendo Obituários. Assim, tentando se achar, Sarah resolve investigar um mistério que ronda o passado de sua mãe. Tendo ela morrido quando Sarah era uma criança é com a sua avó que colhe as primeiras informações. Cruciais ou não, naquele momento era uma desculpa perfeita para se afastar também do noivo. Então ela parte…

Mulher pode tudo sim! Até em experimentar outros prazeres antes de tomar uma decisão tão séria: o “até que a morte os separe“. Mas desde que se desligue da relação atual. E isso vale para homens e mulheres.

Jennifer Aniston, a impagável Rachel em ‘Friends‘, tem feito muitas Comédias Românticas ultimamente. Com altos e baixos nesses filmes. Em ‘Dizem Por Aí…‘ a performance dela me surpreendeu. Creio que o mérito é o Diretor que tirou o melhor dela.

Os demais personagens estão bem, tanto em atuação como no contexto da estória. Assim, destacarei um deles, Richard Jenkins, que faz o pai de Sarah. Aquele que ela diz que não tem nada a ver com ela. Esse pai que criou as duas filhas praticamente sozinho. O filme também pode ser visto por esse ângulo: uma paternidade abraçada por amor e devoção as filhas. Uma única fala dele já traduziria tudo isso. Num dos questionamentos dela, ele responde:

“_Porque você estava dentro dele.”

A cena por si só, já emociona. Mas também faz uma bela homenagem a pais como ele.

Não é um filme que ficará memorável como ‘Harry & Sally‘, mas deixo a sugestão. Mas mais precisamente para um público que dá valor a um relacionamento duradouro; as relações que queremos que se perpetuem. Um bom filme. Que vale a pena ver e rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Dizem Por Aí… (Rumor Has It…). 2005. Austrália / EUA. Direção: Rob Reiner. Roteiro: Ted Griffin. +Elenco. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 96 minutos.