Teatro: Os Saltimbancos Trapalhões (2014)

saltibancos-trapalhoes_o-musical_2014Por: Melissandra Soares.
Ontem fui assistir ao musical Os Saltimbancos Trapalhões, com Didi e Dedé. E saí de lá super emocionada com o que presenciei!! Fechei os olhos e me senti criança de novo, relembrando a história e as canções que fizeram muito sucesso. Além da belíssima produção, lindos cenários, figurinos de arrasar e uma brilhante atuação dos atores. Um mix de Musical, Teatro, Circo e Dança. Um grande espetáculo que me deixou em êxtase total.

E se já não bastasse toda a emoção que eu estava sentindo, comemorei com todos ali presentes os 80 anos do Renato Aragão. Uma surpresa para ele e para a platéia que o aplaudiu de pé. Não sou muito fã do Renato, mas o admiro como grande comediante.

Enfim… um musical memorável que indico a todos assistirem!!! Bravo, bravíssimo!!! E viva a Cultura Nacional!!

Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical (2014).
Sinopse: No palco, o foco é na história de Didi (Renato Aragão) e Dedé (Dedé Santana), dois funcionários humildes que se tornam a grande atração de um circo por conta da incrível capacidade de fazer o público rir. O sucesso desperta a ira do Barão (Roberto Guilherme), dono do circo, e do mágico Assis Satã (Nicola Lama), que passam a persegui-los. Personagens como a vilã Tigrana (Adriana Garambone) e a mocinha Karina (Gisele Prattes) ajudam a criar ainda mais confusões.

Curiosidade: Assinado por Charles Möeller, o texto da montagem foi inspirado no conto ‘Os Músicos de Bremen’, que também deu origem à peça ‘Os Saltimbancos’, dos italianos Sergio Bardotti e Luis Enríquez, e ao filme ‘Os Saltimbancos Trapalhões’ (1981). Chico Buarque foi o responsável por todas as letras das canções e criou clássicos como ‘Piruetas’, ‘História de Uma Gata’ e ‘Hollywood’, que naturalmente fazem parte desta versão para o teatro.

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Curta: Ilha das Flores (1989)

ilha-das-flores_curtaPor: Joma Bastos.
Este filme, Ilha das Flores, embora seja de 1989, continua atual e simboliza as mais variadas situações de profunda Desigualdade Social existentes na nossa Sociedade.

Os políticos só vão ter credibilidade quando sobrepuserem os valores da População aos dos seus partidos, e procurarem as melhores soluções para atender à Sociedade, sem olharem a diferenças econômicas, sociais e sem fazerem distinção entre as Pessoas.

São cerca de 60 milhões de brasileiros muito pobres, que vivem na miséria ou perto dela, quase que excluídos da sociedade, e acontece que pouco fazemos para os inserir econômica e socialmente entre todos nós.

Esperemos que haja um desenlace, um término para o grave problema da miséria e da pobreza no Brasil, e não podemos dar oportunidade para a existência de políticos picaretas, que têm como finalidade o enriquecimento ilícito e a destruição do potencial econômico e social desta Nação.

Por um Brasil com maior Igualdade Econômica e Social!

Ilha das Flores (1989). Brasil. Direção e Roteiro: Jorge Furtado. Elenco: Paulo José (Narração), Ciça Reckziegel (Dona Anete), Douglas Trainini (o marido), Júlia Barth (a filha), Igor Costa (o filho), Irene Schmidt (a compradora), Gozei Kitajima (Sr. Suzuki 1), Takehiro Suzuki (Sr. Suzuki 2), Luciane Azevedo (Ana Luiza Nunes), Antônio da Silva (o dono do porco), Marcos Crespo (o empregado). Gênero: Curta. Duração: 13 minutos.

Sinopse: Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. ILHA DAS FLORES segue-o até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

Teatro: O Homem Elefante (2014)

peca_o-homem-elefante_2014A história de John Merrick, um jovem com terrível deformação que viveu no século XIX, foi mundialmente conhecida quando foi levada às telas do cinema pelo magnífico trabalho de David Lynch. O menino foi apresentado em freak shows, após ter sido abandonado pela mãe que supostamente foi atacada por um elefante quando estava grávida. Esta versão teatral de “O Homem Elefante” tem texto de Bernard Pomerance impregnado do tom solene típico dos tablados e boa direção de Cibele Forjaz e Wagner Antonio. A encenação no teatro Oi Futuro do Flamengo é curiosa e fluente, mas peca pela ousadia. Há muita movimentação de palco, o que obriga a maioria dos telespectadores mal acomodados em almofadas no chão a se contorcerem para tentar acompanhar os personagens. Neste caso, a peça deveria sofrer alguns cortes, pois o resultado final após duas horas pode ser tão doloroso quanto o sofrimento de Merrick.

Tecnicamente, o trabalho tem muitos méritos como a iluminação precisa e criativa, bem como um cenário bem planejado cheio de elementos cênicos caprichados e um belo figurino. Apesar do já citado desconforto, o roteiro prende a atenção especialmente por conta do bom time de atores. Regina França se desdobra em vários papéis até encarnar a Sra. Kendal, uma atriz que consegue nortear o miserável destino do homem elefante com sua ternura e amizade. Davi de Carvalho está correto como o jovem médico Dr. Traves e Daniel Carvalho Faria exagera, mas brilha em alguns momentos desempenhando o showman Ross, que acumula a função de vilão e mestre de cerimônias.

Vandré Silveira ganhou o difícil encargo de protagonizar o espetáculo e o fez com dignidade e talento. Sua apresentação é vigorosa, alternando notável expressão corporal e vocal com coreografias difíceis e corajosas que exigem força física, nudez total, desprendimento e exatidão de movimentos. Mas sinceramente, acho que os atores deveriam moderar nas tatuagens, ainda que na maior parte do tempo, dá quase para esquecer que é um jovem malhado e tatuado na pele de um ser que tanto sofreu pelas deformidades. É a magia do teatro.

Carlos Henry

TRINTA (2012). E o Brasil Conheceu um Gênio!

trinta-2012_cartazPor: Carlos Henry.
trinta_cena-do-filmeO filme de Paulo Machline sobre a trajetória do carnavalesco Joãosinho Trinta poderia ganhar tons de um documentário chato, não fosse a feliz opção do diretor em pinçar o importante episódio da tumultuada estreia solo do artista no Salgueiro quando já havia deixado o corpo de baile do Teatro Municipal para se dedicar ao carnaval. O foco do roteiro é a preparação do inesquecível e premiado enredo “O Rei da França na Ilha da Assombração (In credo em Cruz)” no ano de 1974. Enfrentando todo tipo de percalços e preconceitos, Joãosinho revolucionou o espetáculo das Escolas de Samba, consagrando-se como o mais importante artista da área.

Concentrando-se neste episódio decisivo, o diretor conseguiu satisfazer a curiosidade do espectador, sem se perder em muitas histórias, personagens ou detalhes irrelevantes, dando ênfase ao frenético ritmo dos bastidores da festa, com direito à magia e mistério na participação de Léa Garcia como Nha Zita, humor no ambiente tumultuado do barracão representado pelo personagem Calça Larga (Fabricio Boliveira) e suspense na dose certa na pele do antagonista Tião interpretado pelo sempre visceral Milhem Cortaz.

Matheus-Joaosinho_filmeApesar de não contar a história completa do artista, nem ousar mostrar muito da festa propriamente dita, o que certamente encareceria horrores a produção, Machline traça com competência um perfil abrangente de Trinta, destacando a força criativa que enxergava o desfile como uma verdadeira ópera numa analogia genial que mudou o conceito das Escolas de Samba. Infelizmente, de lá para cá, exageraram a dose na avenida, transformando tudo num exagerado show de efeitos especiais com pouco samba de verdade, sensualidade e brasilidade.

Matheus Nachtergaele compôs o papel principal com maestria assombrosa, sobretudo na difícil cena em que tem uma inesperada e providencial explosão nervosa em torno de um punhado de ajudantes atabalhoados neste filme tão belo e empolgante quanto um desfile de carnaval à moda antiga.

A História da Eternidade (2014)

A-Historia-da-Eternidade_cartazPor: Eduardo Carvalho.
Algumas vezes, nos primeiros minutos de projeção de um filme, você sente que está presenciando o início de uma obra-prima. Pode ser apenas sua percepção. Pode ser que seja uma obra-prima.

A-Historia-da-Eternidade_2014Um ponto de partida banal: três estórias de amor que acontecem em um vilarejo do sertão. Porém, o desejo que transborda dali terá consequências profundas sobre os seus habitantes. “A História da Eternidade” tem nessa simplicidade do enredo um de seus grandes trunfos. A partir disso, o diretor e roteirista Camilo Cavalcante desenvolve um roteiro com uma poética sem igual, cuja narrativa flui como as ondas do mar que Alfonsina (Débora Ingrid) tanto quer conhecer. A jovem, prestes a completar 15 anos, é uma das três mulheres, protagonistas de suas estórias, sendo as demais Querência (Marcélia Cartaxo), na faixa de seus 40 anos de idade, e Das Dores (Zezita Matos), uma avó viúva e sozinha. Há ainda o pai controlador de Alfonsina, Nataniel (Claudio Jaborandy), seu irmão artista Joãozinho (Irandhir Santos), o sanfoneiro cego Aderaldo (Leonardo França), e o neto de Das Dores, Geraldo (Maxwell Nascimento).

Três estórias de amor intenso, que, no entanto, podem fracassar. Pois, como um pêndulo, cada vida que se pauta pelo desejo encontra sua contrapartida no outro extremo. Morte, vida, morte. Não é nada menos do que isso que se vê na tela, desde a bela e dolorosa sequência de abertura. Ainda que longe da forma grega clássica, o desenrolar de cada relação dá sinais do que poderá acontecer. A semente de cada paixão traz em si sua própria força trágica.

A-Historia-da-Eternidade_2014_01A serviço da poética com que as estórias são narradas, a fotografia de Beto Martins é fundamental. Seu trabalho explora tanto o brilho seco do árido nordestino quanto o chiaroscuro no interior de cada casa. Nas tomadas exteriores, como o plano-sequência que abre o filme, os personagens são vistos como parte integrante da paisagem, reféns de um destino contra o qual não conseguem lutar; ali ficarão. E no trabalho de luz e sombra nos interiores, são revelados todos os prazeres e todas as dores, em cada rosto, em cada detalhe dos corpos. A união da câmera, estática por minutos, junto à fotografia, causa a sensação de vermos telas renascentistas ambientadas no sertão.

Mesmo que a poesia aqui presente seja extraída de outras fontes, a beleza de “A História da Eternidade” pode ser comparada a outra obra com a mesma beleza: “Lavoura Arcaica”. Embora a adaptação do texto de Raduan Nassar seja, em si, a essência da tragédia desde o inicio anunciada, no mais está tudo aqui: a intensidade contida de uma estória de amor fadada à tristeza, em razão do tabu; a fotografia atuando em uníssono com a narrativa, emprestando-lhe parte do lirismo; um conjunto de atuações onde todo o elenco está extraordinário. Falar de Irandhir Santos já se tornou lugar comum. O ator reforça a cada papel seu posto como um dos grandes de sua geração. Aos trinta e seis anos de idade, presente em cinco produções em 2014, é um assombro em cena. Durante as sessões do filme na 38ª Mostra Internacional de Cinema, um dos comentários acerca de sua atuação era da obrigatoriedade de que ele passe a ter, de agora em diante, um número musical em cada filme em que atue. Mas não só ele. A Querência de Marcélia Cartaxo tem expressões que não necessitam de palavras, deixando o luto pela insistência de uma sanfona. Claudio Jaborandy é um pai sertanejo apegado à dureza da sua terra, que não admite os sonhos da filha, pois ele mesmo deixou de sonhar. Zezita Matos sintetiza em Das Dores – assim como Querência, um nome não escolhido ao acaso – os conflitos de todos os sentimentos estampados na tela. E a menina Débora Ingrid, com sua Alfonsina, levou merecidamente o prêmio de atriz no Festival de Paulínia de 2014. Dividido, curiosamente, com Marcélia e Zezita. A produção levou ainda os prêmios de filme do ano e ator, para Irandhir.

camilo-cavalcanti_diretorAo perder, ainda que sem ser incoerente, parte dessa poética na terceira parte, especialmente com relação ao destino de um dos personagens – segundo Camilo Cavalcante, o roteiro original previa outro desfecho para Geraldo e Das Dores –, as últimas cenas, focando as três protagonistas como vértices de um só triângulo, e fechando em Alfonsina com seus olhos fechados, são de uma beleza sem igual.

Se, nos primeiros minutos de projeção, você sentia estar presenciando o início de uma obra-prima, poderia ser apenas sua percepção. Ao final, poderá considerar que “A História da Eternidade” seja uma obra-prima.

Panorama do Festival do Rio 2014 – parte II – Filme: Sangue Azul (2014)

sangue-azul-2014_cartazSangue Azul” de Lírio Ferreira é uma coleção de imagens deslumbrantes e tipos bizarros emoldurados pelo cenário inigualável da ilha de Fernando de Noronha. Neste lugar paradisíaco, chega um circo e com ele, a reaproximação perigosa de um casal de irmãos apaixonados (Daniel de Oliveira e Caroline Abras) que estavam separados desde a infância.

O reencontro movimentará o marasmo do vilarejo. Há sexo em excesso no filme, o que não tira o seu valor com um roteiro recheado de personagens e sequências muito interessantes, mas aparentemente descentralizados do foco principal da obra que seria o tal relacionamento incestuoso.

Milhem Cortaz mais uma vez surpreende num papel corajoso como o homem forte do circo que por acaso é gay. Ele protagoniza uma cena de beijo com o veterano Paulo Cesar Pereio e outra de sexo ousado. No entanto, outras figuras como o atirador de facas, vivido pelo excelente Matheus Nachtergale, colorem sem acrescentar muito à trama.

Ainda que com o mesmo propósito de florear a estória, são mais eficientes as participações de Costinha (Em imagens num filme antigo) e Lia de Itamaracá numa canção emocionante na praia. A personagem de Caroline Abras é uma mergulhadora, o que rende cenas submarinas de tirar o fôlego completando um bom espetáculo cinematográfico.

Por: Carlos Henry.

Curiosidade: O filme “Sangue azul”, do pernambucano Lírio Ferreira, venceu o troféu Redentor de melhor filme de ficção na mostra Première Brasil do 16º Festival do Rio 2014.