Poesia (Shi/Poetry. 2010). Um Ode a um Basta a Violência Contra a Mulher.

Poesia_2010Qual o papel de fato da mulher na atualidade? Independente da cultura onde vive, ou mesmo da classe social. Ainda cabe a ela se deixar subjugar aos machos alfas? Se sim. Como quebrar esse ciclo? E sem uma perda de identidade feminina!

A poesia é um jeito de olhar para um fato com emotividade. Tirando de si mesma todas as armaduras que muita das vezes a própria sociedade impôs. Mesmo que se utilize de palavras para expressar, houve antes um olhar puro, desnudo, sentido entre o observador e o objeto. Mesmo que leve um tempo nisso, mais do que uma transcrição será uma tradução do sentimento naquele momento: alegria, dor, vazio, paz, descontentamento, impotência, segurança, amor, ternura…

O filme “Poesia” mostra a quebra de um ciclo. Dando um “Basta!” a algo que choca em todos os sentidos. Mais! Até porque ainda é aceito por muitas culturas, ou mesmo por parte da sociedade em muitos países. A violência contra a mulher.

A protagonista dessa história (Jeong-hee Yoon) antes que a doença de Alzheimer lhe tirasse todo o discernimento da vida, mergulha fundo em si. Sem mesmo saber se sairia de alma lavada. Mesmo tendo que abdicar de valores que até então lhe eram muito caro. Seria como um último sopro de consciência. Como se fosse a última vez que se sentiria dona do seu próprio destino. As aulas de poesia foram a folha em branco e o lápis para aquele réquiem… Seria um ato de coragem.

Falar mais é tirar até o crescimento das reflexões sentidas durante o filme. Sim! A tradução correta são pensamentos advindos das emoções sentidas em “Poesia“. Onde como as águas de um rio: cada momento é único.

Belíssimo! Tristemente inspirador observar a natureza humana em toda a sua essência.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Poesia (Shi/Poetry. 2010). Coréia do Sul. Direção e Roteiro: Lee Chang-dong. Elenco: Jeong-hee Yoon, Hira Kim, Da-wit Lee. Gênero: Drama. Duração: 139 minutos. Curiosidade: Melhor Roteiro no Festival de Cannes 2010.

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Mother – A Busca pela Verdade (2009)

Hye-ja é viúva e dedica a vida a seu único filho Do-joon que, apesar de ter 28 anos, é totalmente dependente dela. Quando o corpo de uma menina é encontrado num prédio abandonado próximo à sua residência, o tímido Do-joon passa a ser considerado o principal suspeito. Mesmo sem evidências incriminatórias, a vontade da polícia em fechar o caso, e a incompetência do advogado de defesa, fazem a condenação parecer inevitável. Sem escolha, e determinada a provar a inocência do filho, Hye-ja decide encontrar o assassino sozinha.

O crítico do jornal “O Globo” Ruy Gardnier acertadamente citou Alfred Hitchcock quando criticou o novo filme do coreano Bong Joon-ho, o estranho e envolvente “Madeo” no original. Realmente é impossível não lembrar o mestre do suspense nesta pequena obra-prima, embora o estilo deste filme seja completamente diferente, original e único conservando apenas a tensão e o mistério que impregnam toda a estória.

A trama é quase confusa mas tem um ponto central que amarra com habilidade os muitos acontecimentos: O amor incondicional de uma mãe de sentimentos ambíguos (Kim) para proteger o filho doente Do-Joon, suspeito de um terrível assassinato.

O último filme de Bong, “O Hospedeiro” um terror bizarro de muito sucesso, também surpreendia por inovar completamente o conceito de filme de monstro acrescentando qualidade e peculiaridade a um gênero desgastado. Desta vez, o diretor molda com genialidade o suspense inserindo humor absurdo e elementos novos, criando uma arte inédita nas telas.

Em Mother – A Busca pela Verdade a abertura e o desfecho fecham um ciclo perfeito explodindo numa catarse bela e idílica, ainda que utópica. Afinal só é possível fugir de uma situação insuportável com um simples ponto de acupuntura nas mãos de um exímio cineasta.

Por: Carlos Henry.

Mother – A Busca pela Verdade (Madeo). 2009. Coréia do Sul. Direção: Joon-ho Bong. Roteiro: Eun-kyo Park, Joon-ho Bong, Wun-kyo Park. Elenco: Bin Won (Yoon Do-joon), Hye-ja Kim (A mãe). Gênero: Crime, Drama, Suspense, Thriller. Duração: 128 minutos.

Lady Vingança – mais um filme sobre “adivinha o que”?

lady-vinganca-poster

E então eu comecei a assistir a trilogia da vingança, do diretor  Park Chan-Wook. Comecei pelo “Oldboy” que acabou sendo a minha primeira crítica cinematografica neste blog. Enfim, agora só falta assistir o “Mr Vingança”.

Se não assistiu o filme, não leia. Contém Spoilers.

O filme, ao contrário de Oldboy, traz uma narrativa lenta e dolorosa. Com muitos “flashbacks” e “fastforwards”, é palpável a dor da protagonista e a sua procura constante. Não pela vingança, que é mera questão de tempo (e que nos deixa angustiados o filme todo sobre como e quando ocorrerá). A sua busca é por remissão, é por perdão.  O perdão dos outros, pelo qual chega a se mutilar, e o perdão próprio por algo que não fez e se penitencia (que a levou a fazer sexo com alguém que representava o assassinado de tantos anos atrás).

A palavra que resume o filme talvez seja realmente essa, no fim das contas, angústia.  Cada momento de filme traz a quem assiste um pouco da angústia da protagonista, e o fim, a final vingança traz muito mais angústia. Talvez, aqueles minutos que o assassino passa amarrado sejam muito piores do que os anos em que a protagonista passou presa. Ou não.

Mas faltou um desfecho assustador como em Oldboy. Enfim… obras primas costumam ser únicas, mas Lady Vingança continua sendo um filme muito bom.

Cast (Credited cast)

Yeong-ae Lee … Geum-ja Lee
Min-sik Choi … Mr. Baek

Director:
Chan-wook Park
Writers:
Seo-Gyeong Jeong (writer)
Chan-wook Park (writer)
Release Date:
29 July 2005 (South Korea)

Primavera Verão Outono Inverno… e Primavera (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom. 2003)

primavera-verao-outono-inverno-e-primavera_posterPrimavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera
(Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom). Coréia do Sul/Alemanha. 2003

Direção e roteiro: Ki-duk Kim.

Ahn… Elenco…

Yeong-su Oh

Ki-duk Kim

Young-min Kim

Jae-kyeong Seo

primavera-verao-outono-inverno-primavera_02O título diz tudo. O ciclo da vida. No caso, de um menino que é abandonado num templo onde mora um velho monge solitário e que o doutrinará. Suas primeiras lições na vida, sua primavera… Aí chega uma garota doente – a mãe acredita que o monge saberá a cura… Na verdade, é o agora adolescente que vai curá-la. Alto verão! Aí a vida “comum” se estabelece, mas logo o sombrio outono e o frio inverno chegam. Ao retornar, o não mais tão jovem monge recomeça seu caminho monástico… Nova primavera.

Este filme, não só por ser asiático, lembra demais o Samsara. O elevado e o mundano fazendo pessoas se perderem ou se acharem.

primavera-verao-outono-inverno-primavera_01Lindas paisagens.

Lento, gente, coreano, gente. Não vão me dizer que não avisei!
No Samsara, pelo menos, tem aquela Angelina Jolie asiática deslumbrante e a paisagem é mais diversificada.
Mas eu adoro este tb.

Por: Elaine Truiz.

Fôlego (Soom / Breath)

Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer, com os toques suaves na alma“. (Cora Coralina)

Um tempinho atrás, eu quis ver ‘Paradise Now‘ para então tentar entender o que se passa na mente de um homem-bomba… Algo outro, que também já há algum tempo eu queria entender, era o porque certas mulheres se interessam por criminosos. Não me refiro a um encontrar por acaso e dai vir se apaixonar. É mais do que isso. É se interessar por esse lado bandido nele, e que é mostrado na mídia, ou não. Claro que cada caso é um caso; que em cada um houve um fator inicial. Mas sempre fica a pergunta de que estranho objeto de desejo é esse que as deixam tão fascinadas. Por conta disso, por uma lida numa sinopse, foi o motivo para que eu assistisse esse filme. E o filme é isso, mas muito mais que isso. De tirar o fôlego até por conta das cenas finais.

Fôlego‘ vem confirmar algo que já comentei, o de que não se faz necessário alongar um filme para nos trazer uma ótima história. E mais, esse nem muitas falas tem. Nossa! Tão diferente do ‘2 Dias em Paris‘, onde contou literalmente tintim por tintim toda a história. Ponto para Ki-duk Kim! Agora, ouso dizer que é um filme para… digamos para um olhar maduro.

O que temos em ‘Fôlego’? Nossa! Que vontade de já sair contando tudo. Tentarei apenas motivá-los. Deixando a troca de impressões para os comentários. Caso haja outros fãs do Cinema Asiático.

Por onde começar… Seria com a frase do marido (Jung-Woo) de Yeon (Park Ji-a), onde disse que deixasse as esculturas e fosse conhecer outras pessoas? Até que seria uma boa sugestão da parte dele caso estivesse mesmo querendo vê-la feliz. Pois Yeon é muito retraída, quase não fala em casa. O que mesmo morando num apartamento com bastante luz externa, em seu lar pesa um que de sombrio. Há uma cena linda onde ao chegar em casa flagra a filha numa postura antes não vista. Isso já poderia lhe dar um “Acorda!”. Mas o lado mãe não era o ‘objeto de estudo’, mas sim o lado de mulher que descobre que está sendo traída. É, nessas horas o que fazer? Dar o troco na mesma moeda? Bem, no caso dela, quem ela escolheu, tem um motivo anterior ao seu casamento.

Também há duas outras frases do marido, que mostra qual é de fato o interesse dele por ela. Uma delas, ao vê-la tão interessada nos telejornais, mais precisamente no destaque dado a um criminoso que se encontra no ‘corredor da morte’. Onde diz para ver novelas em vez daquilo, reforça mais que a vê muito mais como uma dona de casa e que faz esculturas apenas como hobby. Onde nem respeita, nem valoriza seu lado artístico; um talento que lhe é nato.

Mas ela segue em frente. O que nos deixa uma curiosidade no porque com esse cara. Em o que ele a fascina tanto. Ele é Jin (Chen Chang), e o lance da mídia estar dando mais destaque é por causa da sua segunda tentativa de suicídio. Algo do tipo: se já está condenado à morte pelo seu crime, porque estaria adiantando o tempo.

Yeon começa a visitá-lo. Talvez pelo seu também entediante dia, o Diretor da Penitenciária abre uma exceção para ela. As visitas de Yeon quebram a rotina daquele lugar. Ela vai aos poucos fazendo com que Jin, até então taciturno, converse com ela. Ela provoca uma mudança no interior dele. Algo pressentido por um companheiro de cela que é apaixonado por Jin. Esse não gosta nada. Com esse, talvez eu volte a dizer algo mais mais adiante. Ou não, porque é sobre o final o filme.

As visitas a Jin, ficamos conhecendo todo o mistério que levou Yeon a procurá-lo. Ainda durante essas visitas, também nos deixa algo parecido com a outra frase do marido. Frase essa que já pontua o fato dele querer saber das saídas dela. Pelo fato também dela estar cuidando mais da sua própria aparência, mas que ainda está caladona. Agora, ele sentiu na carne que ela não está mais submissa… Ele diz a ela que quando a traía, ao menos ele era feliz.

Mas para ela, o mergulho ainda não chegara o fim. Ela ainda tinha fôlego o bastante para ir mais fundo nessa história. E foi, e levou Jin a conhecer o quanto ele poderia ganhar com isso.

O final, eu diria que é emocionante para esse triângulo, pois saem renascidos. O peso maior, ficaria para o companheiro de cela, mas ai já seria uma outra história. Bem, após o filme… eu digo: “Bravo, Yeon! Foste de muita coragem e ousadia, mulher!” Filmaço!

Por: Valéria Miguez (Lella).

Fôlego (Soom / Breath). 2007. Coréia do Sul. Direção e Roteiro: Ki-duk Kim. Elenco: Chen Chang, Jung-woo, Ji-a Park. Gênero: Drama, Romance. Duração: 84 minutos.