Jogo de Poder (Fair Game. 2010)

Sinceramente, não sou muito ligado a filmes de espionagem, mas fui assistir “Fair Game” (2010) pelo fato que ainda recordava um pouco do escândalo: “Valerie Plame”. O caso “Valerie Plame” já tinha servido de base para outro filme- o suculento e emocionante  “Nothing but the Truth” (2008) dirigido por  Rod Lurie. No filme de Lurie, uma jornalista protege a fonte de um vazamento da CIA, destacando o valor da ética e as realidades de lutar por essa ética.

“Fair Game” parte da revelação de Bush sobre “armas de destruição em massa”,  que assustou a nação americana, e que custou centenas de milhares de vidas, no Iraque (assunto também explorado no intenso filme “Green Zone” (2009) de Paul Greengrass); e, a carreira de quem desafiou a mentira oficial. Nos Estados Unidos, Joe Wilson ousou desafiar publicamente a Casa Branca, ao escrever um artigo no “The New York Times”, dizendo basicamente que o presidente estava enrolando. A Casa Branca amarrada pelo vazamento à imprensa, divulga a identidade da agente da CIA: Valerie Plame, esposa de Joe Wilson. Wow, que enredo intrigante !

Pontos Fortes:

Sempre quis ler o livro de memórias de Plame que serviu de base para esse filme- um documento devastador da história moderna-, principalmente pelo fato como tudo terminou em Pizza e nada aconteceu contra Bush ou mesmo contra Libby. O ultimo foi condenado a 30 meses numa prisão federal, a pagar uma multa de 250 mil dólares, e dois anos de liberdade supervisionada, incluindo 400 horas de serviço comunitário, mas Bush comutou a pena de prisão de Libby por causa dos seus anos de serviço público e trabalho profissional na comunidade jurídica. O ponto real aqui é  que Bush foi muito ruim (novidade?!)

Sean Penn, que é um excellente ator, faz um Joe Wilson bastante arrogante, mas nas cenas que mostra o seu poder de discurso, a crença que Sean imprime em Wilson, são como uma obra de arte; e Naomi Watts, que brilha como Plame, equilibrando ferocidade e compaixão. E, quem pensa que Watts é muito glamorosa para o papel precisa re-ver a verdadeira Valerie Plame (aqui:

Pontos Fracos:

O filme expõe claramente as batalhas entre a CIA, o Departamento do Estado, a Casa Branca, e como Bush não aceitou os relatórios da CIA questionando o pressuposto de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. No filme, Bush, Dick Cheney e Condoleezza Rice aparecem em cenas da época, em vez de serem interpretados por atores, mas Scooter Libby, responsável pelo vazamento identidade de Plame, assim como ter destruído a carreira dela, é interpretado por David Andrews, que imprime caras de vilão covarde como se estivesse fazendo um filme de James Bond.

Gostei muito do ritmo e da tensão, embora, acho que Liman deveria ter evitado o uso de held-camera, em cenas que achei desnecessárias para a narrativa. Também, existe uma sub-trama, onde há um momento tenso para um pai iraquiano e seu filho, mas o diretor resolveu deixar de lado, assim como fiquei sem saber que táticas Plame (a espião) usou para iludir suas vitimas, ficando em aberto que eles trabalharam para ela apenas pelo medo de suas ameaças, ou pela promessa de serem trazidos para os Estados Unidos.

Não sei se “Fair Game” renderia mais impacto se tivesse sido feito poucos anos depois do escândalo, mas mesmo assim, nos permite saber a verdade, e cabe a nós manter a nossa indignação ou não.

 

Lançamento no Brasil em 28/01/2011.


Jogo de Poder (Fair Game). 2010. EUA. Direção: Doug Liman. +Elenco. Gênero: Ação, Drama. Duração: 108 minutos.
Estréia no Brasil: 28/01/2011.