O Guarda (The Guard. 2011)

Além de gostar muito de Comédias, o título desse me fez ficar com saudades de uma série de filmes onde o ator Louis de Funès interpretava um gendarme. É no mínimo curioso em ver os holofotes focando um cara da lei. Mas também tem Don Cheadle no elenco. Um ator que arrasa em Drama. Dai, quis vê-lo num papel cômico. E por último, o país de origem desse filme: Irlanda.

Começo então pelo Cinema desse povo insular europeu, que possuem um tipo de humor admirável. Se o tema é contravenção acobertada até pela sociedade local, eu lembro de “O Barato de Grace“. Eu não sei se o Diretor, que também assina o Roteiro, John Michael McDonagh, foi, ou é um também fã dos Monty Python. É que há um quê deles aqui. Até em mostrar personagens cultos, mesmo escrachando o modus operandi deles próprios. “O Guarda” transita entre a paródia e uma homenagem a filmes de mocinho versus bandido. Se posicionando contra o FBI, para logo em seguida mostrarem-se fãs da série CSI. Hilário essas cenas.

Embora os caras-da-lei também ajam como foras-da-lei, há um trio de bandidos bem inusitados. Na realidade eram quatro, um deles aparece morto logo no início do filme. Quanto ao trio, temos: o que se acha o poderoso chefão, o Francis (Liam Cunningham); o insatisfeito com a passividade da polícia local dando a eles plena liberdade de agirem, o Clive (Mark Strong); e o que faz questão de dizer que não é um psicopata, mas sim um sociopata, o Liam (David Wilmot). Esses trio, enquanto aguardam um grande carregamento de drogas, que chegará pelo mar, entre matar e corromper tiras, discutem Filosofia e Literatura. Ou melhor, que filólogo ou escritor cada um prefere. Se Schopenhauer, Nietzsche, Bertrand Russell… Ah! O Liam também é fã trompetista Chet Baker.

O personagem principal é o policial nada ortodoxo Sargento Gerry Boyle (Brendan Gleeson). Com ele também teremos o aprofundamento em como chegaram a essa cumplicidade quase explícita com um sistema já tão corrompido. Pode não ser a causa, mas pelo menos explica o fato. Gerry tenta lidar bem com o fato da mãe estar com pouco tempo de vida. Pois não entende como, se ela ainda se mostra cheia de vida. A atriz Fionnula Flanagan é quem faz a mãe de Gerry. Ao visitá-la, entre outros assuntos, gostam de conversar sobre escritores russos.

Em se tratando da Irlanda, não haveria de faltar o IRA. Ou, de quem facilita a chegada de armas até eles. Mas esse não é o motivo que levará um agente do FBI até lá, mas sim o tal carregamento de drogas. Wendell Everett (Don Cheadle) ficará que nem cego em tiroteio para conseguir o seu intento. Além de não perceber o quanto de liberdade tem os bandidos por ali, se sentirá perdido porque os habitantes não falam inglês. Numa de: ‘Se você quer ouvir alguém falar inglês, vá para Londres‘. É um escracho total com o FBI.

Gerry e Everett serão uma dupla para lá de dinâmica. E nesse ponto, é melhor deixar o modo politicamente correto desligado para se divertir com com o que Gerry diz, e a cara de Everett ao ouvir. Gerry não tem papas na língua. A grande questão é que certas falas podem sim magoar as pessoas, por conta do racismo. Mas o exagero aqui fica por conta dos esteriótipos até enfatizados pelo Cinema. Como também pelo filme debochar de muito mais coisas.

Assim, com um Roteiro enxuto e afiado, uma Direção que mostrou que veio pegar o seu lugar ao sol, com ótimas atuações, uma Trilha Sonora também perfeita, temos em “O Guarda” um ótimo filme. De querer rever. Nota 9,0.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Guarda (The Guard. 2011). Irlanda. Direção e Roteiro: John Michael McDonagh. Gênero: Comédia, Crime, Policial, Thriller. Duração: 96 minutos.

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The Commitments – Loucos pela Fama

The Commitments – Loucos pela Fama
(The Commitments, Irlanda/Reino Unido/EUA, 1991)

Direção: Alan Parker

Elenco: Robert Arkins, Michael Aherne, Angeline Ball, Maria Doyle Kennedy, Dave Finnegan, Brohagh Gallagher, Andrew Strong

Baseado no romance de Roddy Doyle

“Se você tem ‘soul’ (alma), a banda mais trabalhadora do mundo está esperando o seu contato.” Este anúncio abre um filme delicioso, tanto no que se refere à história, quanto à trilha sonora: Mustang Sally, Try a Little Tenderness, Take me to the River, The Midnight Hour…

Jimmy Rabbitte quer montar uma banda de irlandeses negros… Hm, na verdade, isso é um pouco difícil, mas ele consegue convencer alguns sardentos de que eles são negros e tem orgulho. Eles passam horas vendo James Brown, repetindo o mantra…

O pai de Jimmy, grande fã de Elvis, não bota muita fé na idéia, mas…

Ele seleciona algumas pessoas, todos inexperientes, mas acha o cantor perfeito: egocêntrico e irrascível. Bem, o baterista também não se controla, as meninas estão se encontrando na vida, ou seja, caos. Até que o poderoso Joey, digo, o veterano Joey passa a ensinar o verdadeiro soul com seu trompete… Inclusive, as meninas tem muito a aprender com o experiente Joey.

A banda se destaca e o genioso Andrew Strong rouba a cena, cantando muito! Existe uma banda até hoje, que já se apresentou no Brasil.

Adoro e espero que mais gente tenha assistido.

Trilha Sonora de The Commitments:
1 Mustang Sally (Andrew Strong)
2 Take Me to the River ( Andrew Strong)
3 Chain of Fools (Angeline Ball, Maria Doyle)
4 The Dark End of the Street (Andrew Strong)
5 Destination: Anywhere (Niamh Kavanagh)
6 I Can’t Stand the Rain (Angeline Ball)
7 Try a Little Tenderness ( Andrew Strong)
8 Treat Her Right (Robert Arkins)
9 Do Right Woman, Do Right Man (Niamh Kavanagh)
10 Mr. Pitiful (Andrew Strong)
11 I Never Loved a Man (The Way I Love You) (Maria Doyle)
12 In the Midnight Hour (Andrew Strong)
13 Bye Bye Baby (Maria Doyle)
14 Slip Away (Robert Arkins)

Apenas Uma Vez (Once. 2006)

 

 
Farei o que você pedir
Se me deixar ser livre.

Um musical magistral! E para mim, inovador. Há algo mais de atualidade. Como também por estarem as músicas como coadjuvantes. Belíssimas por sinal. As músicas vão aparecendo naturalmente. Este é um filme que com certeza indicaria aos que torçam o nariz para esse gênero: musicais. Irão também se apaixonar. Eu adoro!

Um pouquinho da história para não tirar-lhes o prazer em acompanhar esse filme até o final. E que final!

Um não tão jovem rapaz canta nas ruas de Dublin para conseguir uns trocados. Uma vendedora de flores fica encantada por uma das músicas. Com seu jeito simples de ser, inicia um diálogo com ele. Querendo saber quem o inspirara. E é o início de uma linda história. Ambos vão se conhecendo.

Ele veio morar com o pai. A princípio, acreditando que para fazer companhia ao pai que se enviuvara. Com o desenrolar da história, ficamos ciente que seria por uma fuga…

Ela é tcheca. Mora há pouco tempo na Irlanda, com a mãe e uma filhinha pequena. Tal como ele, também trouxe uma bagagem interior… Também deixara algo pendente… É pianista, mas por ter que sustentar sua pequena família, ter um piano em casa é algo muito fora do seu orçamento. E para continuar exercitando, treina numa loja de instrumentos musicais. Ambos, têm composições próprias. Nascendo uma bela parceria…

Outro ponto positivo é a história fluir como sendo verossímel. E bem atual, onde sonhos são em muitas das vezes deixados para trás por conta das contas a serem pagas. Ambos atuam com muita naturalidade. Amei! Nota máxima em tudo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Apenas Uma Vez (Once). 2006. Irlanda. Direção e Roteiro: John Carney. Elenco: Glen Hansard, Markéta Irglová. Gênero: Drama, Musical, Romance. Duração: 85 minutos.

Café da Manhã em Plutão (Breakfast on Pluto. 2005)

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A vida pode não parecer um conto de fadas. De começar como num conto infantil: “Era uma vez…” Mas que mal há em fantasiar trechos que ficaram perdidos? Ou desconhecidos. Em dar um colorido as páginas em branco?

É meio por aí que Kitten nos leva juntos: ao contar do seu jeito como tudo começou. Um bebê deixado num cestinho à porta do Padre local junto com o leite para o café da manhã… e por uma jovem.

Ele então é criado por uma família. Que com o passar dos anos, não gosta do que ele é de fato – um homossexual. Mas mesmo diante dessa opressão não revida com a vida.

Num intuito maior em descobrir quem é a verdadeira mãe, em saber o porque de tê-lo abandonado, descobre algo maior – e toma um café da manhã com ele.

E paralelo a isso vai levando a vida com o seu jeito meigo de ser.

Assisti o filme encantada! E no balanço das músicas, ficou um gosto de querer rever outras vezes. Ah! Outro ponto positivo desse filme é a participação, excelente por sinal, de um jovem com Síndrome de Down.

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Café da Manhã em Plutão (Breakfast on Pluto). 2005. Irlanda. Direção e Roteiro: Neil Jordan (The Crying Game). Com: Cillian Murphy, Liam Neeson e Stephen Rea. Gênero: Drama, Comédia. Duração: 135 minutos.