Camelos Também Choram (Die Geschichte Vom Weinenden Kamel)

Assistindo a esse filme, me fez pensar num que eu vi em criança, o qual pelo choque cultural me causou indignação. Creio que fiquei até revoltada. Mal sabia eu que aquilo seria até pequeno diante das barbáries que iria saber dali por diante, nos bancos escolares. Com a desculpa de que certas atitudes dos humanos fazem parte da sociedade em que vivem, as atrocidades para uns deixam até de ter relevância.

No filme da infância, a minha indignação fora com que os habitantes daquela ilha faziam. Eles jogavam aos tubarões as crianças que nasciam ‘diferentes’. O filme era ‘Hawaii‘. Se a memória não falhou de toda… Ficou retido a cena de um homem salvando um bebê, no mar, porque ele nascera com uma mancha no rosto, me parece que era o personagem do Gene Hackman.

Mas podem estar se perguntando no porque o ‘Camelos também choram‘ me fez pensar no outro. Explico. Nesse, uma família humilde, mesmo morando longe da civilização, nos dá uma lição de humanidade. Mostrando que são muito mais civilizados que muitos que vivem em grandes metrópoles. Ambos os filmes retratam épocas diferentes. São quase dois séculos de diferença. Mas a família desse filme, no lugar onde vivem, e como vivem, a nós, passaria a idéia de que também vivem em época passada.

Eles vivem isolados num ponto do Deserto de Gobi, Mongólia. Um casal ainda jovem, com seus pais e três filhos, compõe o núcleo principal. Mas tem mais alguns moradores. Moram em tendas. Criam cabras e camelos. Um dos avós adora contar histórias da criação do mundo… Um dos netinhos, Ugna, já demonstra que está com um pé na modernidade. Mas isso não depõe contra ele.

Para quem torça o nariz para Documentários, fique certo que com esse ele se dissolve num belíssimo filme! Ele nos traz a vida dessas pessoas com toda a sua rotina diária. Enfrentando tempestades de areia e temperaturas baixas. E parecendo que no verão é a época dos nascimentos dos animais. É por ai, que se desenrola a história do filme.

Quando o último camelo nasce, é quando nos vem a lição maior. O camelinho nasce albino, o que o faz se rejeitado pela mãe. Então todos se empenham em não apenas fazer com que ela aceite a cria, mas também em que ele aceite uma mamadeira. Se eles seguissem a tradição do outro filme, teriam se livrado do filhotinho. Até porque ele demorou a nascer. Em vez disso, trataram de ajudá-lo a viver.

Mas mesmo com todo o empenho, do carinho dos humanos, o filhotinho sofre sozinho. Chora por ter sido rejeitado pelos seus e principalmente pela mãe. Ficando afastado do grupo. E essa mãe tem em seu favor, ser essa a sua primeira gestação.

A última tentativa viria de um ritual que os mais velhos conheciam. Mas precisariam de um tipo de violino. Cabendo aos dois irmãos, irem atrás de um músico com esse instrumento. Então Ugna e seu irmão mais velho atravessam o Deserto até um local mais povoado. Onde Ugna fica encantado com a televisão, jogos eletrônicos e sorvete.

O final… bem, creio que muitos também irão chorar.

A paisagem é deslumbrante! De um colorido que parece até estranho já que se trata de pleno Deserto, mas é indescritível! Gostei! Filme para ver e rever com brilhos nos olhos!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Camelos Também Choram (Die Geschichte Vom Weinenden Kamel). 2003. Mongólia. Direção e Roteiro: Byambasuren Davaa, Luigi Falorni. Gênero: Drama, Documentário. Duração: 87 minutos.