Um Olhar do Paraíso (2009). Vida, após a vida…

Tão bom seria em poder dizer que isso não acontece mais, atualmente. Que é coisa do passado. Mas não tem como. Ainda acontece, e muito. E não apenas pela “facilidade” que a internet deu a esses monstros humanos. Pois eles estão em todas as classes, em todas as culturas.

Dai, me perguntei se o filme teria também um olhar pedagógico. Em que pais o assistissem juntos aos seus filhos menores de idade, e conversassem com eles sobre acompanhar estranhos, ou não tão estranhos assim, a um ambiente particular. Longe de um aglomerado de gente. Mas logo em seguida eu me perguntei: E para aquela criança que não tem noção do que é a morte? Será que focaria mais no “paraíso” mostrado? Como encararia esse outro lado? Teria noção de que é algo que não tem mais volta? Enfim, caberá a vocês pais, decidirem. Pois ‘Um Olhar do Paraíso‘ é um filme que devem assistir. Convido também aos Professores do Ensino Fundamental. Que debatam com os alunos os fatos mostrados nesse filme.

Não é um filme por demais pesado, pois há momentos líricos. A nós adultos, a ojeriza surge por saber das atrocidades que ele fez. Tem momentos leves. Como a avó que tenta ser útil, mas não deixando seus vícios de lado, nem querendo envelhecer. Seria por temer a morte? Um outro momento, é com a mudança nos livros pela mãe da jovem. Pelo menos, mudaram os temas, mas o hábito de ler não. Também mostra os hobbies. O do pai. Mas o assassino também tinha um…

A estória do filme é ambientada em 1973, na Filadélfia. Num local tranquilo. Como também, bem amplo. A jovem em questão, por estar atrasada na volta da escola, resolve cortar caminho por um terreno onde existira um milharal. À primeira vista, um campo aberto daqueles não teria nenhum perigo. Mas tem! Friso como presente, mesmo no filme dizendo que naquela época ninguém tinha essa preocupação. Não pensavam que existiria essas bestas feras. Pulando novamente, para o mundo real e atual… Discernimento, aos pais no cumprimento de um horário. Se o caminho para se chegar em casa a tempo, é de fato seguro para seus filhos. Refiro-me aos atalhos que encurtam o caminho. Pois podem encurtar a vida deles.

“Os restos adorados” do título original representam um elo dos que tiveram as suas vidas ceifadas pelo mesmo psicopata. Pois apesar da estória ser contada por uma delas, a redenção final será com todas reunidas. Por outro lado, aqueles que ficam, de certa maneira com a adoração aos que partiram, também podem retê-los por mais tempo. Mas também por ele ter esquartejado a jovem e guardá-los num cofre. Um tesouro que ele sentava numa poltrona para admirar. Até sentir novamente o desejo de possuir uma outra jovem, uma outra criança…

É preciso ter uma mente mais aberta à Doutrina Espírita para entender melhor o filme. Os muito céticos poderão ver como pura ficção, mas poderão também achar fantasioso demais. A esses deixaria uma pergunta: “_Em nenhum momento pensou que pode ser mais que um ‘morreu, acabou!’?” Pensar na morte como finitude… Tendemos a aceitar com mais facilidade quando a pessoa está com uma doença incurável, por exemplo. Mas quando uma vida é interrompida por um prazer de um sádico, por exemplo, tendemos a demorar a aceitar. Por vezes até brotando o sentimento de vingança.

Mas… Se há uma outra vida, há de se ter alguém que sirva de ponte. Alguém cujo dom ajude ao anseio dessa alma que ainda se mantém presa a vida terrena. A jovem em questão é Ruth (Carolyn Dando), que é qualificada por “estranha” pelos os que não entendem o seu dom.

O filme nos mostra o que o amor e o ódio pode fazer. Por um desejo de vingança, novos e não desejados rumos podem acontecer. E quem tiver mais tino, irá perceber a tempo. O ódio então sai de cena, e o amor mais puro reverterar a situação. Com ele, a libertação de outras almas. O que me fez lembrar de uma avó. Quando via alguém praticando uma boa ação, dizia: ‘Salvou-se mais uma alma do purgatório!‘. É o dilema maior ante uma tragédia: a de que voz interior ouvir: a do bem ou a do mal? Sem que esqueçamos de que é sempre bom nos desfazermos de cargas inúteis, ou as que pesarão na consciência.

Susie (Saoirse Ronan) teve a sua vida interrompida aos 14 anos de idade. Se deixou levar pela lábia de um psicopata. Estava enamorada de um jovem, o Ray (Reece Ritchie). Nem tivera tempo em experimentar o primeiro beijo. Tímida, a esse primeiro amor. Amorosa. Alegre. Tinha como ídolo o cantor do Seriado de TV, A Família Do-Ré-Mi: Keith Partridge. Se encantou com uma máquina fotográfica. Gostava de ler Romances…

É ela quem nos conta a sua estória. E é pelo seu olhar que conhecemos o lado mau de alguém; o lado daquele que tenta fugir da dor da perda; o lado de quem quer trucidar o assassino; o lado de quem desiste; o lado de quem vai atrás de provas; o lado de quem quer que todos enterrem seus mortos de vez… Nesse emaranhado temos: a Polícia, a mãe (Rachel Weisz), o pai (Mark Wahlberg), a avó (Susan Sarandon), a irmã (Rose McIver)…

E o pivor de todo esse tormento, não só na vida da Família Salmon, como das demais vítimas: George (Stanley Tucci). Tucci está irreconhecível, mas mais por conta da caracterização. Sua atuação poderia ter sido melhor. Em fazer desse personagem um vilão memorável. Fica uma repugnância pelo o que sabemos dos seus crimes. Pessoas que fazem o que ele faz, eu não acredito em cura. Ele é um psicopata em potencial. À esses, eu até sou favorável à pena de morte. Pois numa prisão perpétua, seriam gastos dinheiro publico para mantê-los. No filme fica aquela esperança, de que quando a justiça dos homens falha, a divina se faz presente… Adorei!

Eu gostei do filme! Como também entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Até para prestar mais atenção no paraíso da Susie. A Trilha Sonora acompanhou toda a trajetória dela, e bem! Sem destacar apenas uma única canção. É um bom filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones). 2009. Nova Zelândia. Direção: Peter Jackson. +Cast. Gênero: Drama, Fantasia, Thriller. Duração: 135 minutos. Baseado em livro de Alice Sebold: Uma Vida Interrompida (O romance se baseou na experiência da própria autora, que foi estuprada em seu primeiro ano de faculdade e quando foi dar queixa soube que várias mulheres haviam sido mortas no beco onde foi violentada.).

Narrar Contra o Dilúvio (3 Filmes: Ararat; Narradores de Javé; A Encantadora de Baleias)

Por: Affonso Romano de Sant’Anna.
Não tem muita gente vendo esse filme de Atom Egoyam. É pena, porque é um bom filme e, em certas cenas, além de mostrar a insanável estupidez humana, nos dá lições não só da história recente, mas de afetos e ternura humana. Estou falando de “Ararat”, dirigido por um armênio, com personagens armênios, sobre episódios da história armênia. Tem  até um armênio ultraconhecido – Charles Aznavour, que não canta, mas conta também a história.

-Quantos  filme armênios já vimos?

-Menos que iranianos, sulcoreanos e búlgaros.

Esse começa até com uma coisa que aos brasileiros soa familiar, pois os personagens começaram a contar uma estória que é exatamente a estória de “O coração materno” do nosso Vicente Celestino: o namorado que arranca o coração da mãe para doá-lo à sua amada e assim provar sua paixão. A narrativa é tão semelhante, inclusive com aquela cena de o coração da mãe saltando de suas mãos e falando-lhe de seu amor eterno. Mas não é isto o que fundamental no filme.

O filme tem várias histórias dentro dele e uma delas é a história de um  filme sobre o genocídio ocorrido em  1915 quando os turcos mataram naquele conturbado país, cerca de um milhão de homens, mulheres e crianças. Isto foi ontem, e nos faz entender o Afeganistão, o Iraque, as guerras em Israel e Palestina, o terror nazista, stalinista, maoista, o genocídio no Camboja e confirmar que o século XX foi o mais violento e dizimador de quantos existiram, desde a extinção dos dinossauros por misteriosos asteróides.

No meio do filme, um dos personagens diz que, para incentivar a dizimação dos judeus, Hitler afirmava que ninguém ligaria muito para aquilo, iam acabar esquecendo, porque a humanidade tem memória fraca. Com isto, ironizava: -Quem se lembra do massacre dos armênios? Já no final do filme aparece um texto dizendo que os turcos continuam afirmando que esse genocídio jamais existiu. Daí a necessidade de os armênios contarem e recontarem sua história para que ela não se apague neles e nos outros.

Os humanos têm necessidade de guardar, criar, recriar e até mesmo de inventar sua própria história. É isto, entre outras coisas que  me sensibiliza nesse filme. Nesse ou no esplêndido “Narradores de Javé” dessa competente Eliane Caffé ou em “A encantadora de baleias” daquela diretora neozelandeza. Em “Narradores de Javé”, toda uma comunidade recorre à memória e à narração para salvar-se do naufrágio no tempo, quando a represa expandisse suas águas sobre suas casas. Cada um se sente protagonista e dá a sua versão pessoal e subjetiva dos acontecimentos. Em “A encantadora de baleias”, é a magia de uma lenda beira-mar, como num conto de fadas, mobilizando a uma comunidade através da menina que, à revelia do machismo imperante, assume seus poderes de líder dialogando magicamente com a baleia, enquanto tótem da tribo, recuperando surpreedentemente o passado e modernizando a tradição.

Os três filmes são muito diferentes, e, no entanto, têm esse traço comum: a narrativa reagrupando a comunidade e dando sentido às vidas diante do dilúvio do esquecimento. O ser humano carece de embarcar na narratividade e ancorar sua memória num possível Ararat. E já que Noé atracou sua barca naquele monte, os armênios se consideram o berço da nova cultura humana depois do dilúvio. Ararat significa Grande Mãe e foi ali que, segundo a Bíblia, Deus estabeleceu a nova aliança com suas criaturas, ali foi onde Noé ergueu um altar e onde tudo recomeçou.

Já se falou que o homem é um animal simbólico, outros dizem que é um ser lúdico, outros o definem como “homo faber” ou “ homo economicus”, enquanto outros afirmam que é um ser que pensa. Mas pode-se dizer também que o que nos caracteriza universalmente é que somos seres que narram sua própria história. Assim como na natureza há os roedores e os herbívoros os humanos pertencem à espécie dos narradores. Narram oralmente, narram por escrito, narram pelo teatro, narram pelo cinema, narram por cores e volumes, narram pela dança, narram conversando na esquina, narram pelos jornais, narram fofocando por telefone e até por email não  fazem senão narrar.

Pois nesse filme uma das personagens é uma professora/ pesquisadora de arte que se dedica a fazer conferências sobre a vida e obra de Aschille Gorki-pintor armênio, que ainda menino teria assistido ao massacre dos seus, antes de conseguir com uns poucos sobreviventes chegar aos Estados Unidos.

Gorki viria a fazer parte de um famoso grupo de pintores da Escola de Nova York, da qual participavam Pollock, Rothko, Motherwell, De Kooning, Reinhardt e outros. Herói trágico, como Pollock e Rothko, ele também se mataria. Não pôde carregar sua própria narrativa. Olhava a velha fotografia em que estava ao lado de sua mãe antes da fuga e do massacre mas não conseguia libertar-se dela. Tentava pintá-la, reelaborá-la através de seus quadros, mas não superava o trauma. Havia algo inacabado nele e nas mãos da mãe que não conseguia terminar de pintar. É que há certas vidas de tal forma envenenadas em sua origem que só na inevitável e ansiada morte encontram o alívio para sua narrativa.

Nem sempre se pode suportar a própria história.

Mas, nesse filme “Ararat”- que remete simbolicamente para o monte onde a mítica barca de Noé teria ancorado, outros personagens procuram escapar ao dilúvio da história e da desmemória. O filho da professora de história da arte, por exemplo, volta à Armênia para filmar sozinho cenas e lugares que poderiam eventualmetne ser utilizadas no filme que está sendo rodado. É a geração mais jovem querendo reachar suas origens e refazer o périplo de seus antepassados.

Narrar é preciso.

Narrar é sobreviver.

Narrar é ancorar-se.

Narrando o mundo se recria. A gente diz “ era uma vez” e abre-se uma possibilidade infinita.

Por: Affonso Romano de Sant’Anna. Em 3.04.2004-O Globo. http://www.affonsoromano.com.br/

Nota do Autor (Jan/2010): Esse texto estará no próximo livro: LER O MUNDO.

Distrito 9

Uma coisa que sempre apreciei no cinema é a originalidade e apostas em novas propostas para fazer um filme. Quando acontece uma surpresa assim, o filme sempre ganha seu destaque e quase sempre é bem aceito. Se todos fizessem isso, certamente gêneros como o terror ou as comédias estariam em melhor estado.

Um gênero que certamente luta sempre para renovar a si mesmo, e por que não renovar ao cinema também, são as ficções científicas. Por mais que tenham acontecido “coisas” como Independence Day e seus derivados, o gênero sempre apostou em coisa nova e em 2009 estamos presenciando mais um desses. Com seus humildes U$30 milhões e muita criatividade e idéias novas, Distrito 9 é um deliciosa e mais que bem vinda surpresa.

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Há 20 anos atrás, uma nave extraterrestre parou literalmente no ar, e com a exploração seguida por contato humano, descobriu-se uma raça alienígena fraca e cheia de problemas. Sensibilizados com a situação dos irmãos de universo, foi delimitada uma área militarizada na periferia de Joanesburgo, capital da África do Sul, bem abaixo da nave. Lá os ETs habitaram e se virando como podiam tentaram viver.

Só que os problemas apenas começaram… A superpopulação de alienígenas, a chegada de bandidos comandando tráfico de “ração de gato” (luxo para os ETs) e de armas, transformou o Distrito 9 em uma grande e violenta favela. Um lugar projetado para abrigar apenas aliens, onde o submundo comanda e toca o maior terror, onde seu líder mata os aliens e os come acreditando receber a inteligência e força deles.

Foi criada a MNU (Multi-National United), uma espécie de ONU para os ETs, que recebeu a missão de dar um novo abrigo aos aliens, mas organizado, mais confortável e desculpem o trocadilho, mais humano (há uma crítica deliciosa ao intrometimento dos direitos humanos no filme). Só que a MNU não está apenas interessada em fazer o bem. Eles são também uma das maiores indústrias de armamentos do mundo e querem entender o funcionamento das armas alienígenas.

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Mandam para lá o abobalhado e “não levado a sério” Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), que sofre um acidente. Ao invadirem um dos barracos para fazer a revista, ele acaba tendo contato direto com um líquido que o faz passar por uma mutação, fazendo com que ele aos poucos tome a forma de um ET. Agora, com seu DNA humano fundido perfeitamente com o dos aliens, Wikus torna-se a pessoa mais valiosa do mundo e os grandões da MNU começam a caçá-lo para fazer experiências e descobrir os segredos da raça alienígena.

Wikus vira um fugitivo e vai para o Distrito 9, onde se esconde e procura por ajuda.

Distrito 9 surge com uma proposta diferente, e isso me chamou muito a atenção. A começar que eles não pousam nos EUA e tampouco vieram causar destruição por motivos já batidos, como falta de recursos naturais e outros motivos óbvios, aliás, isso nem é tratado no filme. Outra coisa interessante é a narrativa da fita, contando a história de uma maneira documental, utilizando entrevistas e depoimentos de pessoas ligadas diretamente aos acontecimentos do acidente de Wikus e os problemas do Distrito 9.

O bacana é que essas mesmas entrevistas e o tom documental, dão uma impressão de que o roteiro quer tratar de temas sérios como favelas e violência, dentro de uma filme fantasioso. A sacada pode ser até óbvia, mas achei cabível comentar uma vez que esses temas são tratados com certa discrição e quase sempre sem atingir o espectador da maneira esperada. Distrito 9 falou de problemas sociais usando ETs como protagonistas.

Produzido por Peter Jackson e sua sempre eficiente Wingnut Films, e dirigido pelo novato Neill Blomkamp, o filme é bem ritmado e bem feito. Une o útil ao agradável e conquista do mais exigente paladar ao mais simples. Muito daquele efeito “câmera na mão” pode até ser indigesto no começo, mas é só a pancada começar e esse defeito vira um ponto a favor. Mesclado uma edição mais documental e depois cinema puro, o filme vira uma mistura curiosa de estilos. As referencias a gênios como Paul Verhoeven (em trabalhos como Robocop e Tropas Estelares) e outros filmes do gênero, como A Mosca, são notáveis e usadas para criar clima e não gratuitamente para roubar idéias alheias.

O filme é baseado num curta do próprio Neill Blomkamp, de 2005 chamado Alive in Jorburg, e assim como em Capitão Sky e o Mundo de Amanhã (onde o diretor havia feito um curta com a história antes do filme), todas as propostas e saídas criativas e o resultado foi esse ótimo filme.

Um clima tenso é mantido durante toda a projeção e nem nos créditos finais ela termina. O filme acabou e continuei atônito. Acreditem, o fim não é esperado e a surpresa causada é só um dos vários bons efeitos que o filme causa. As cenas de ação bem filmadas e a técnica envolvida bem caprichada transformam o tal Distrito num campo de batalha cheio de surpresas e correria, o pior lugar do mundo.

O elenco é outro destaque interessante. Sharlto Copley segura o filme todo. Sua atuação é convincente e incrivelmente realista. Incrível como ele soube passar todos os perrengues do personagem com uma dose de humor negro fantástica e uma dramaticidade fabulosa. Ele é quase como uma tragédia de Shakespeare. E óbvio, rouba a cena o filme todo, deixando os coadjuvantes apenas como peça pra completar a coisa toda.

Os efeitos especiais magníficos e muito realistas dão uma dimensão da inventividade do roteiro. ETs, naves, armamentos, tudo criado com um realismo impressionante, passando aquela visão mais crua de tudo. É realmente um show a parte.

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O defeito maior ficaria talvez por conta do roteiro. Em certos momentos é pouco desenvolvido e deixa algumas coisas soando forçado. Ou quando fazem os acontecimentos passarem voando literalmente, sem dar tempo de o espectador absorver as informações que o filme passa. Mas contando com diálogos interessantes e crus, crítica social implícita e a criatividade em montar bons momentos fazem esses detalhes passarem despercebidos. O ruim é que o filme vem com uma proposta e acaba terminando como mera diversão.

Pra quem curte uma boa diversão, para quem curte algo mais maduro, para quem curte cinema, Distrito 9 pode não ser genial nem nada, pode não ser revolucionário nem nada, pode não ser essa coca-cola toda, mas só por ser diferente, já vale a assistida.

Recomendadíssimo!

Nota: 8,5

District 9, 2009
Direção: Neill Blomkamp.
Atores: Sharlto Copley , Jason Cope , Nathalie Boltt , Sylvaine Strike , Elizabeth Mkandawie.
Duração: 01 hs 52 min

Desafiando os Limites (The Word’s Fasted Indian. 2005)

Anthony Hopkins já é um convite para vê-lo atuando. Nesse deixo o aval. Para um grande ator não há limite de idade. Em “Desafiando os Limites” ele deixa a impressão que viveu esse personagem. Nem se sente a longa duração do filme.

Burt (Anthony Hopkins) investe tempo e sua aposentadoria na realização de um sonho. Sua moto para muitos não passava de uma peça de museu. Para ele não! Era a melhor moto do mundo. Daí põe paixão no que faz. Tentando provar que nunca é tarde demais para correr atrás de um sonho. Não importando se chegará ou não ao final. Como ele mesmo cita: “Não é a crítica que conta; o homem que aponta como o outro tropeça ou onde aquele que faz podia ter feito melhor. O mérito é daquele que está na arena.” (T. Roosevelt). E complementando: vivenciando o percurso.

Nessa longa jornada o filme nos fala em superação. Em até onde o prazer pode superar a dor. Em cada obstáculo que passa até chegar em Bonneville: o seu desejo maior. Vamos junto com ele numa torcida silenciosa, mas com brilhos nos olhos.

O filme também aborda até onde as regras, as normas tão rígidas, são de fato para serem seguidas literalmente. Se elas são humanas. Se podem existir uma exceção. Se podem ser quebradas. Ou ainda, qual o momento, o fato onde elas podem ser quebradas.

Ao ser abordado por um policial por ter parado à beira de uma rodovia no meio do nada – após uma taquicardia -, o policial diz que ali era proibido estacionar para não atrapalhar o trânsito. Que trânsito? Ali? E ele estava passando mal. Por isso parou.

Outro tema muito bem abordado é o respeito a uma pessoa. O seu valor na sociedade, no meio em que vive, quer seja em sua labuta, quer seja em seus hobbies. Mesmo que o seu hobby seja sua verdadeira paixão, há que merecer um respeito. Muito embora há quem faça do hobby apenas um troféu de exibição. Há quem esteja sempre atrás dos últimos lançamentos. Para Burt não. Sua velha Indian Scout ainda era uma baita “máquina”. Ou como diria um amigo, não era um jegue.

Ainda citando o respeito, a admiração por alguém, registro a atuação do menininho Aaron Murphy, o Tommy. O amiguinho do Burt. Que carisma tem o jovem! Ele e Hopkins fizeram uma dobradinha emocionante. Sendo vizinhos, amizade e respeito foi se adubando, crescendo com o tempo. Mesmo num curto tempo. Provando até que a diferença de idade não pesa numa verdadeira amizade.

Bonneville. Que lugar! Para quem curte velocidade, um santuário!

Enfim um filme que não apenas os amantes do motociclismo irão gostar. É um lindo filme! Eu amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Desafiando os Limites (The Word’s Fasted Indian). Nova Zelândia. 2005. Direção e Roteiro: Roger Donaldson. Com: Anthony Hopkins, Aaron Murphy. Gênero: Drama. Duração: 127 minutos. Classificação: 10 anos.