Panorama do Festival do Rio 2014 – parte V – Documentário: Peter de Rome: Vovô do Pornô Gay (2014)

peter-de-romePeter de Rome: Vovô do Pornô Gay” é mais um documentário fraco da mostra. Dirigido por Ethan Reid, a verborreia convida o espectador ao sono mais profundo para acordar somente nas poucas e válidas cenas de sexo explícito.

Na década de 60/70, o cineasta inglês Peter de Rome corajosamente realizou dezenas de filmes pornográficos gays quando a homossexualidade ainda era crime. Os filmes, sem grande qualidade técnica, possuíam notável valor criativo a ponto de chamarem a atenção do artista Andy Warhol e serem restaurados e catalogados pelo British Film Institute.

As sequências com homens negros, a visita ao estúdio do célebre realizador de filmes gay Kristen (Carnaval in Rio) Bjorn e os detalhes inacreditáveis das filmagens de sexo real (underground) dentro de um vagão de metrô lotado merecem destaque.

Infelizmente, o clima hedonista que reina nas cenas de sexo e nas locações em Fire Island é prejudicado com longas entrevistas de pouco conteúdo, o que não leva a recomendar o filme.

Por: Carlos Henry.

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A Imagem que Falta (L’Image Manquante. 2013)

a-imagem-que-falta-2013_posterL’image Manquante” é um pungente relato de uma época avassaladora para o Camboja sob o olhar simplificado e lúdico de uma criança, testemunha de um genocídio histórico nos anos setenta.

Rithy Panh era apenas um menino quando o regime do Khmer Vermelho aproveita a esteira da guerra do Vietnã para criar uma cruel reestruturação de engenharia social, sob a liderança do cínico revolucionário Pol Pot. O partido secreto denominado “Angkar” acaba por escravizar, torturar e dizimar a população disfarçada numa suposta política igualitária de justiça plena.

É um documentário realizado de forma diferente, pois lança mão de um cuidadoso e singelo artesanato em argila para tentar suprir as imagens que faltam no quebra-cabeça de um acontecimento aterrorizante. O diretor Rithy Panh após sobreviver àquele massacre assistindo a morte lenta de sua família e amigos, resolve contar a triste estória do seu povo mesclando bonequinhos de barro e imagens reais da época.

O resultado é assombroso, por conta de uma memória vívida e dolorida que pode ser ainda mais impactante do que qualquer registro visual que porventura tenha se perdido.

Carlos Henry

O Verão do Skylab (Le Skylab. 2011)

o-verao-do-skylab_2011Julie Delpy atua e dirige esse delicioso filme – O Verão do Skylab – sobre a família que não tem exatamente uma estória, mas sim um conjunto de situações que acontecem numa movimentada reunião na Bretanha sob o pretexto de comemorar o aniversário da matriarca.

o-verao-do-skylab_01Nessa alegre festa de verão, desfilam tipos curiosos como o tio estranho que aparenta ter um problema mental, mas que na verdade é carente e depressivo, outro que não mede o que fala nem mesmo em frente às crianças ou aos idosos e o adolescente metido que inferniza a vida dos menores, mas que é capaz de diverti-los ao contar estórias assombrosas à noite. Há uma infinidade de discussões políticas e feministas, algumas bem agressivas e de cunho sexual como a do sujeito seminu que ataca a cunhada em pleno leito do casal após uma briga. No entanto, todas as rusgas são resolvidas com carinho e amor e as mudanças das crianças, como a menina que quer se apaixonar e menstrua prematuramente, o menino com a sexualidade aflorada ou o garoto que não larga a boneca e quer ter seios enormes como a tia, são encaradas com uma sábia e dosada naturalidade.

o-verao-do-skylab_02Aliás, os menores têm um brilho particular no filme. Vale destacar a festa singela em que se encontram as crianças e adolescentes da região para celebrar uma fase de descobertas sob o hit inesquecível de Patrick Hernandez: “Born to be Alive” que inunda a sala de cinema de felicidade com seu som contagiante.

No verão ensolarado dessa família simples no final da década de 1970, surge uma pequena ameaça: O satélite Skylab está prestes a cair na Terra e colidir justamente com aquela região. Seria o único elemento de suspense da obra que acaba completamente diluído no meio de diálogos saborosos e acontecimentos cheios de humor sutil num roteiro simplista que aposta no valor da ternura em família.

Por Carlos Henry.

O Verão do Skylab (Le Skylab. 2011). França. Direção e Roteiro: Julie Delpy. Elenco: Emmanuelle Riva (Mme Prévost dite Mémé – la mère d’Anna), Eric Elmosnino (Jean dit Jacquot – le père d’Albertine), Julie Delpy (Anna – la mère d’Albertine), Aure Atika (Tante Linette), (+cast). Gênero: Comédia. Duração: minutos.

Sombras da Noite (Dark Shadows. 2012)

Desde que eu vi um dos primeiros teasers já fiquei na maior expectativa. Querendo muito ver toda a história contada pelo genial Tim Burton. Como também a performance de Johnny Depp, prometia. Enfim o filme chegou por essas praias. E… Peguem a pipoca no tamanho grande, pois não desgrudarão os olhos da tela. É diversão garantida!

Vi numa entrevista na tv que o filme foi baseado numa antiga Série de tv. Como eu não a conheço, vou me ater ao filme em si. Tim Burton contou, e muito bem, a história da Família Collins. Só pecou num único detalhe, que eu contarei qual é mais adiante. O filme “Sombras da Noite” foi muito bem construído. Fazendo certas homenagens a outros filmes numa ponte entre os de Terror com as Paródias a esses. O que não deixa de ser um show à parte: um quiz para identificar que cena lembra a tal filme. Não querendo estragar a brincadeira, mas deixo um: “O Exorcista” (1973), por exemplo. Se é com alta dose de humor, será fácil matar essa charada. Além da cena clássica desse, uma outra me fez lembrar, mas de um outro filme mais recente, o “A Morte lhe Cai Bem” (1992), pela performance da Meryl Streep, que me fez pensar se uma outra atriz mais tarimbada teria também dado um show em “Sombras da Noite“. Pois nesse aqui, foram outros dois personagens que brilharam.

São pequenas homenagens que abrilhanta a trama, pois afinal, essa Família não tem nada de comum.

Há cenas que me fizeram lembrar do Vovô da “Família Monstro” quando ele tentava dormir em alguns lugares inapropriados. E segue por ai as referências a outras obras. Mas ainda no campo dessas homenagens, Tim Burton não esqueceu de, em vez de lembrar, trazer um ator dos Clássicos do Gênero. Tim deu um personagem para Christopher Lee, que já participou de outros filmes dele. Mesmo num pequenino papel, um grande ator quer é mais continuar atuando. Valeu, Tim!

O filme “Sombras da Noite” vem em dois atos. Ou seria em três? Por conta do final que deixa um gancho para uma continuação.

Há um prólogo, contando o início de uma família inglesa em solo americano, no ano de 1752. Tendo gostado, e prosperado, por lá resolveram morar, construindo uma imponente mansão. O lugar, por ter se tornado um importante porto de pesca graças a essa família, ganha o nome de Collinsport. E a mansão, de Collinswood.

Numa virada de tempo, com os filhos já crescidos, um deles passa a ser cobiçado por corações femininos. É o então personagem de Johnny Depp: Barnabas Collins. Mas que só tinha olhos para uma jovem. Acontece que uma das preteridas, uma das criadas da mansão, não deixará barato. Tendo ai o início de uma briga secular. Ela é Angelique, personagem de Eva Green. Onde para mim Tim Burton errou na escolha dessa atriz. Pois ela deixou escapar um importante papel: o de vilã dessa história. Mesmo na cena de uma transa ao som de “You’re the First, the Last, My Everything”, de Barry White, cena essa que ficará na História do Cinema, mas o brilhou ficou mesmo com o “partner” e os efeitos especiais. Teve momentos que ela me fazia lembrar da Anne Hathaway. E quando isso acontece, já são pontos a menos para a atuação. Além do que, não esteve à altura da performance de Depp. Esse foi fenomenal!

Após uns rounds, Angelique põe o belo príncipe para dormir, mas diferente do Conto da Bela Adormecida, ele vira um vampiro e Collinsport continua viva, não “adormece” com ele.

Passando então para o segundo ato, que na verdade é quase o filme por inteiro. Nessa passagem de tempo, Collinsport se encontra no ano de 1972. A cidade prosperou. Em contrapartida, a mansão entrou em decadência.

Junto com ela, os membros da Família Collins: a então nova matriarca Elizabeth (Michelle Pfeiffer); sua adolescente e rebelde filha, Carolyn (Chloë Moretz); um irmão que tenta manter uma pose de lorde, Roger (Jonny Lee Miller), com seu filho David (Gulliver McGrath), que todos acham que pirou após a morte da mãe.

Morando também na mansão: – Há dois empregados: o faz tudo Willie (Jackie Earle Haley), que depois será um mordomo para o Barnabas; muito boa a cena onde ele escuta e canta “The Lion Sleeps Tonight”, de The Tokens. E uma senhorinha cujas cenas são hilárias depois com o Barnabas de volta à mansão, nas que ele tenta dormir; merecendo também o registro do nome da atriz: Ray Shirley. Ainda na residência dessa estranha Família, uma convidada que fora contratada para tratar do pequeno David, mas que acabou por lá ficando: a Dra. Julia Hoffman, personagem da Helena Bonham Carter. Uma Psiquiatra, diria que “aditivada”. Uma outra jovem chega à mansão, e que será a governanta do David. É Victoria Winters (Bella Heathcote), que ao longo do filme vamos conhecendo a sua história, e porque foi parar ali. Só a Dra. Julia que não morreu de amores por Victoria.

Além de Depp, outras das excelentes performances foram com as atrizes Michelle Pfeiffer e Helena Bonham Carter. Excetuando Eva Green que eu daria uma nota 6, aos demais, estiveram ótimos.

Cenário, Maquiagem, Figurino, Fotografia, Efeitos Especiais, além claro desse trio primoroso – Direção, Roteiro e Trilha Sonora -, dariam ao filme uma nota máxima. Mas… Pelo o que já contei acima, darei nota 8. E o personagem do Depp deixou uma vontade de vê-lo num Number Two.

Então, é isso! Peguem a pipoca, pois terão diversão garantida!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sombras da Noite (Dark Shadows. 2012). EUA. Direção: Tim Burton. +Elenco. Gênero: Comédia, Fantasia. Duração: 113 minutos. Baseado em Série de Tv.

Quinteto Irreverente (Amici Miei Atto II. 1982)

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Apenas uma coisa separa essa grande amizade. Saiba qual…

Segundo filme de uma pretendida trilogia pelo Diretor Mario Monicelli que começa com “Meus Caros Amigos” (1975). Creiam! Não há perdas se vistos fora da seqüência. Politicamente incorretos, machistas e sem escrúpulos, eles, os caros amigos, não poupam ninguém. Nem Religião, nem Família e nem ética nenhuma…

O filme traz passado e presente na vida desses caros amigos. No presente, um deles já se foi. E no encontro dos quatro no túmulo desse somos então apresentados a essa turma para lá de irreverente. São eles: um Conde falido – Lello Mascetti (Ugo Tognazzi); um arquiteto – Rambaldo Melandri (Gastone Moschin); um dono de um restaurante – Necchi (Renzo Montagnani); um cirurgião – Doutor Sassaroli (Adolfo Celi); e o amigo morto que fora um editor de jornal – Giorgio Perozzi (Philippe Noiret). E na fala do Conde temos o elo que os unes:

Apesar de toda as diferenças entre nós… reunidos por regras inconfessáveis… há o direito de nos pregar peças reciprocamente pela vontade de rir e de se divertir… e por um apurado gosto de não levar nada a sério.

O que eles aprontam!! É hilário!! Uma dica: não bebam e não comam nada durante as brincadeiras. Correm o risco ou de engasgarem, ou de quase cometerem um strike como eu bebendo um café logo no começo. Tive até que voltar a fita por não acreditar no que estava vendo. E claro! Para rir de novo.

As brincadeiras continuam sem que eles percam o pique. Há aquelas que fazem sempre, mas há também as que parecem vir de bandeja para eles. Que em vez do “Ai, ai, ai, ai!“, que é como um aviso do médico aos demais, nos vem como um: “ô, ô! Mais um pato para eles.” E eles não nos decepcionam! Melhor explicado pelas palavras do arquiteto ao ver um dos amigos em ação. Mais um que não deixou que a bola fosse embora… Eis: “Que coisa de gênio! A fantasia, a intuição, golpe de vista e velocidade de execução.”

Além da farra que fazem juntos, um dos pontos positivos nessa amizade é a liberdade que dão aos demais de sacanearem-se entre si. Como na cena onde um guarda de trânsito os param por terem entrado na contramão. Daí o dono do restaurante descobre que não é dele a carteira que traz no bolso. A turma não perdoou! Também numa de levantar a moral de um armam um banzé na Torre de Pisa.

Agora sem sombra de dúvida eles mostram que são amigos até num infortúnio. Em ter prazer na companhia um do outro sempre. Que sempre darão um jeito de se divertirem juntos!

Adorei! Nota: 10

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quinteto Irreverente (Amici Miei Atto II). 1982. Itália. Direção: Mario Monicelli. Com: Philippe Noiret, Ugo Tognazzi, Adolfo Celi, Gastone Moschin, Renzo Montagnani, Milena Vukotic, Franca Tamantini, Angela Goodwin. Gênero: Comédia. Duração: 130 minutos.