Uma Longa Viagem (2013). Para Encarar de Frente Seu Pior Pesadelo!

uma-longa-viagem_2013Por: Valéria Miguez (LELLA).
uma-longa-viagem_2013_02Em uma trama que retrata prisioneiros britânicos em plena Segunda Guerra Mundial, tendo entre eles engenheiros e ainda mais a construção de uma ferrovia… o que vem de imediato à lembrança é o “A Ponte do Rio Kwai” (1957), do Diretor David Lean e que eternizou o personagem de Alec Guinness até por odiá-lo em um certo momento. Longos anos se passaram e eis que um outro filme surge trazendo também esse pano de fundo, é o “Uma Longa Viagem“, do Diretor Jonathan Teplitzky. Se com o personagem do primeiro filme eu fiquei na torcida para que detonasse a tal ponte, com o desse a minha torcida foi para que não fizesse algo. É! Por vezes a vida nos leva a detonar pontes, mas o destino não diz qual, nem porque, nem muito menos aquela que ao atravessar levará ao encontro de algo que até pode vir a ser um outro divisor de água em nossas vidas…

uma-longa-viagem_2013_03Uma Longa Viagem” é um filme baseado numa história real: nas memórias de Eric Lomax de quando fora um dos prisioneiros dos japoneses em plena Segunda Grande Guerra. É por ele que o conhecemos partindo de um ponto presente – que no decorrer saberemos o porque -, até o seu passado mais tenebroso. Será um mergulho sem dó nem piedade. Nesse seu tempo presente é alguém que tem como um hobby trens: dos vagões às ferrovias, passando pelos horários… A bem da verdade é um entusiasta no assunto. Do passado, quando em campo de batalha em plena guerra ficara responsável pelo rádio: as escutas da época. Até que seu superior diz a todos que irão se render e ordenando que antes destruíssem tudo que pudesse comprometer a tropa. Lomax então resolve guardar uns componentes de um rádio. Um ato que sairá bem caro mais adiante.

uma-longa-viagem_2013_01Com a rendição parte de seu grupo por serem engenheiros são levados aos empecilhos da construção de uma ferrovia: a que ligaria a Tailândia à Birmânia. Quanto aos demais prisioneiros seguiram pela construção propriamente dita: desmatando, assoreando, fazendo barreiras de contenção, na colocação dos trilhos… O trabalho braçal, pesado, cheio de perigos até pela selva e abaixo de chicotes. Enquanto esse trabalho avançava – e com ele muitas baixas iam somando àquela que ficaria conhecida como a Ferrovia da Morte -, o pequeno grupo resolve fazer um rústico rádio de onde passaram a ouvir notícias de fora. Desejosos de com elas tentar levantar a moral dos demais prisioneiros, acabam sendo descobertos e…

uma-longa-viagem_2013_05Uma Longa Viagem” ora se encontra num tempo presente, 1980, no norte da Inglaterra, com Eric Lomax já um homem adulto. Ora nos leva a viajar juntos com ele ao passado dele então um jovem prisioneiro de guerra. Nesse seu presente encontra-se recém casado com Patti (Nicole Kidman). Apaixonados, mas… Ela passa então a ver que ele é um ser atormentado e tenta um jeito de ajudá-lo. A presença dela traz mudança em sua rotina até por ele ser um cara bem metódico. O que talvez possa ter contribuído para que seus traumas de guerra viessem à tona. Na tentativa de ajudá-lo, Patti vai em busca de um grupo que vivenciaram o mesmo pesadelo, e dai se reúnem justamente para tentarem superar. Por lá Patti encontra-se com Finlay (Stellan Skarsgård) pedindo que lhe conte o que houve. Ele então conta a parte que ele cabe, não sem antes tentar demovê-la, pelo conteúdo muito cruel como também que lhe é muito penoso relembrar desse período.

uma-longa-viagem_2013_04Traga de volta o passado somente se for construir algo a partir dele.”

Mas é por Eric Lomax que conheceremos uma parte dessa história que nem eles sabiam: as das torturas. Até que Finlay mostra algo a ele: fizeram um memorial numa das estações da tal ferrovia. Justamente onde foram torturados. Ele então resolve visitar literalmente seu passado viajando até lá. Onde então fica novamente frente a frente com o seu pior pesadelo: o carrasco mor, o oficial Takeshi Nagase (Hiroyuki Sanada). Não ficará pedra sobre pedra nesse reencontro.

uma-longa-viagem_2013_06E nesse passado temos o jovem Lomax interpretado por Jeremy Irvine (de “Cavalo de Guerra”). Numa excelente atuação. Mas sem sombra de dúvida a magistral performance é a de Colin Firth. Seu Lomax nos leva a voos de doer na alma até ao mostrar o que todas as guerras deixam como “saldos” em quem dela participa. Vilões para um lado, Heróis para o outro, mas nos campos de batalha são homens, jovens à mercê de uma guerra cujos “donos” nem dela participam… É nessa sua volta onde fora torturado que terá um novo dilema a ser superado… Onde a minha torcida fora para que não o fizesse… Bem, posso adiantar apenas que chorei junto com o Eric Lomax de Colin Firth.

The-Railway-Man_posterO Diretor Jonathan Teplitzky ainda não está no mesmo patamar de David Lean, até pela pouquíssima bagagem, mas com certeza está no caminho certo! Pois temos em “Uma Longa Viagem” um novo ângulo da Segunda Guerra Mundial: contada por um que a vivenciou e que conseguiu sair vivo dela. De nos deixar em suspense até o final. Num timing perfeito entre passado e presente. Efeitos de cores em Fotografia. Trilha Sonora ótima! Atuações catárticas: um soco no emocional de quem assiste. Que embora a personagem de Nicole Kidman não tenha tido altos voos, todos sem exceção tiveram grandes performances no conjunto dessa obra que veio para ficar. Agora, é no reencontro entre Lomax e Nagase o ponto alto do filme. Até por conter nessas cenas o peso de anos do emocional até então guardados tanto de um como do outro. Aplausos entusiásticos para Colin Firth e Hiroyuki Sanada! Bravo! Num filme Nota 10!

Uma Longa Viagem (The Railway Man. 2013)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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O Tambor (1979). Revisitando os Tempos Coléricos

o-tambor_1979_capaPor: Morvan Biliasby, de Blogue do Morvan.
Gunter-GrassNestes tempos de cólera, como diria Garcia Marques, nada melhor do que um filme para pensar, para refletir sobre o ambiente soturno que assola a todos. A recidiva das ‘soluções mágicas’ não é atributo exclusivo dos trópicos. Antes fora! Este filme, O Tambor, (Volker Schlöendorff, 1979 Die Blechtrommel, Tin Tambor, Tambor de Lata, literalmente), baseado na obra de Günter Grass (★ 16 October 1927 — ✝ 13 April 2015), parte da Trilogia de Danzig (hoje Gdańsk), cidade de nascimento do escritor, cidade esta que, não só por ser onde nasceu e viveu grande parte de sua vida, mas por vir esta a assumir importante papel no desenrolar das duas grandes guerras (a propósito, não esqueça o fato de o Solidariedade ter nascido ali).

O filme, a exemplo da obra magnífica de Grass, percorre toda a epopeia da família de Oskar, começando pela perseguição a seu avô, ainda nos estertores do século anterior, sendo este abrigado (literalmente) embaixo da saia daquela que viria a se tornar sua avó, Anna Bronski, centrando-se na primeira década do século XX, até a década de 30; mostra a ascensão do nazismo em toda a Europa e seus desdobramentos na vida de Oskar Matzerath (se você, por um momento, se lembrou de Amarcord, não estranhe. Há momentos em que as duas obras se parecem entrelaçar, mesmo que o prisma de ambas difira. Felinni fazia uma retrospectiva bem mais intimista e menos engajada, mesmo quando expõe o fascismo dos ´30), um menino aparentemente normal, mas que, em represália aos costumes (ou ao nazi-fascismo) se nega a crescer.

o-tambor_1979_02O filme mostra um Oskar perturbado pela infidelidade de sua mãe, com seu [dela] primo, mas, nas entrelinhas, fica claro o ambiente plúmbeo que grassa sobre toda a cidade de Danzig. A mãe de Oskar, Agnes, engravida, possivelmente de seu primo, Jan. Ela jura que não terá aquele bebê, pois lamenta a gravidez incestuosa (novamente, o expectador fica em dúvida se a razão da rejeição de Agnes não é pela condição política, extremamente desfavorável, pois não há provisões nem segurança para ninguém). Agnes morre. Sua morte se dá de forma nebulosa, confusa. Mesmo no sepultamento, veem-se os movimentos políticos, pró e contra os descendentes de judeus. Neste intercurso, mostram-se aos poucos os primeiros movimentos com vistas a uma resistência. Neste ínterim, Alfred, a quem Oskar odeia, claramente, contrata uma jovem para ser “dona de casa”. Oskar logo se interessa por Maria. Problema é que Alfred também e é ele quem se sucede no relacionamento, chagando a casar com a “housekeeper”, para desespero do pequeno Oskar. A tensão aumenta, é claro. Prestem atenção na cena em que Oskar tenta matar o futuro filho de Maria, com uma tesoura.

Ciúme, remissão ao “Ovo da Serpente“, ambos? O que me dizem? Igualmente remarcável é a cena em que a Armada russa invade a mercearia de Alfred e este tenta esconder seu “pin” nazista, na boca. Engasga-se, claro. O soldado russo interpreta como agressão e o mata, para felicidade de Oskar. No funeral de Alfred, um evento faz Oskar crescer. Nada diremos, pois é uma análise diacrônica, e não um “spoiler”!

Veja e reveja O Tambor. Vale demais. pela beleza da obra, bem como para entender aqueles conturbados tempos (e os d´ora, pois). Günter Grass é tido, na Alemanha, não só por ter sido laureado com Nobel e com várias outras comendas, como o mais importante escritor, depois de Göethe; nada mal para um alemão que nunca se furtou em colocar o dedo na ferida aberta do nazi-fascismo.

O Tambor (Die Blechtrommel. 1979)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Diplomacia (2014). Uma Aula Compacta de História Geral.

diplomacia_2014_cartazDiplomacia não é simplesmente um filme, é uma aula compacta de história geral que nos leva a conhecer um pouco mais de fatos que chocaram a humanidade, de detalhes que aconteceram nos bastidores da segunda guerra mundial que os livros didáticos não contaram e que o mundo não faz mesmo questão de lembrar. E para narrar a história aqui apresentada o autor foi generoso e ‘diplomático’, preferiu o formato mais suave da linguagem, escolhendo a ferramenta poética, talvez para abrandar o tema guerra, destruição e morte, assuntos bem difíceis de se digerir. E a gente não precisa de muito esforço para entender a história, tudo está fácil, a começar pelo o título “Diplomacia” que significa arte e prática de conduzir as relações exteriores ou os negócios estrangeiros de um determinado Estado ou organização internacional e que envolve assuntos de guerra e paz numa forma de abrandar a dor de quem testemunhou aquele período de intolerância.

ParisEntre tantas coisas absurdas que aconteceram na segunda guerra mundial, desde a perseguição aos judeus, os campos de concentração, a mais estranha foi a de Hitler ter ordenado seu exército alemão a destruir Paris. Seu objetivo era ver a cidade em ruínas. E essa tentativa de destruição aconteceu mais de uma vez. A capital da França ficou bastante tempo convivendo com a ocupação do exército alemão, e todas as tentativas de varrer a cidade do mapa foram em vão. Todos os seus súditos, por alguma razão, não o obedeceram, até que apareceu um diplomata que nem francês nato era e que acabou mudando para melhor o rumo dessa história. Graças a ele, o mundo hoje pode conhecer o Museu do Louvre e a Torre Eiffel, entre outros pontos turísticos.

Este filme é baseado na obra adaptada para o teatro pelo francês Cyril Gelly, que por sua vez se baseou em fatos reais, por isso, talvez, o diretor Volker Schlöndorff ao contar este fato histórico, ele inicia usando filmes em P&B originais, documentos esses como forma de reconhecimento de área para se entrar no clima e o público poder se situar no enredo que começa a ganhar forma, e assim valorizar mais a História que o parisiense para sempre se lembrará. E a outra parte o diretor alterna contando em Technicolor numa Paris com tanques de guerra por toda cidade, civis convivendo com o exército de Hitler e sua bandeira, o medo que impera ao toque de recolher sendo minimizada apenas pelo sossego do rio Sena e nessa parte agora que é a paz reinando pelo próprio cenário, entre atores, maquiagem e pela direção que é dez.

diplomacia_2014_01E como toda obra teatral, o detalhe que separa atores do público é o palco, e por último o abrir e fechar de cortinas, o grande teatro desta comédia humana aconteceu no famoso Hotel Maurice e seus protagonistas foram Dietrich von Cholitz (Niels Arestrup), o general alemão que comandou em Paris na época da ocupação durante a Segunda Guerra, e o cônsul-geral Raoul Nordling (André Dussollier), eles se duelando em palavras num discurso racional parecendo não ter fim na qual o diplomata tenta convencer o general a não destruir Paris, plano este arquitetado pelo seu líder nazista o Senhor Hitler.

E todo o desenrolar da história é isso o que acontece; são uns cem minutos nesse estresse entre esses dois personagens lutando com palavras, e arma usada era a retórica de olhares, socos na consciência, caras e bocas e tentativas de convencimento de que quando um não quer, dois não brigam. E o representante do governo alemão acabou se convencendo disso. E sua missão de apertar o botão que destruiria a Cidade-Luz não se concretizou, graças ao Raoul Nordling que deu o melhor de si nessa missão.

E o mundo hoje até concordaria que o general poderia sim apertar não um, mas todos os botões e interruptores de Paris para deixá-la mais, muito mais linda e iluminada do que Ela já é.
E.B.

Diplomacia (Diplomatie. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

A Balada do Soldado (Ballada o Soldate. 1959)

A Balada do Soldado_posterO termo balada durante a Idade Média era usado para descrever um tipo de poema lírico de origem coreográfica, inicialmente cantado e mais tarde destinado apenas à declamação. A partir do século XIV, poema de forma fixa, composto por três estrofes seguida de uma meia estrofe de encerramento. Desde o final do século XVIII, pequeno poema narrativo, composto por estrofe que relatam, quase sempre de uma maneira fantástica uma tradição histórica ou uma lenda. Na Alemanha Bürger, Goethe, Schiller e Uhiand foram os mestres do gênero, enquanto na Itália, L. Carer, G. Prati, Carducci a empregaram para abordar temas patrióticos. Explicação básica para que se possa entender a narrativa do filme A Balada do Soldado, e uma vaga lembrança de uma obra musical em movimento. São dois pra lá, dois pra cá.

A Balada do Soldado é um filme soviético dirigido pelo diretor ucraniano Grigori Chukhraj, com qualidades narrativas líricas e dramáticas, suavemente remetendo ao poema denominado balada, contando feitos patrióticos. Alyosha um jovem soldado que é recrutado para combater no front durante a Segunda Guerra Mundial. Seu parceiro morre, e sendo caçado por quatro tanques nazistas, consegue destruir dois na mais pura sorte. Ele recebe uma condecoração, mas a troca por uma semana de licença para visitar sua mãe e consertar seu telhado. Só que o caminho de volta é longo e, sem um meio de transporte definido, ele vai de comboio em comboio, vendo as diversas facetas da sociedade e as mazelas da guerra.

Alyosha é um herói de nosso tempo. Capaz de representar simbolicamente toda e qualquer sociedade mundial, através de seus atos de bravura, patriotismo e todos os seus outros feitos são notáveis representando através de coragem, generosidade e solidariedade.

O filme começa e termina com o retrato da “mãe coragem” despedindo-se, com lágrimas, do destemido filho que tanto ama e se orgulha.

Quem gosta de despedida? Ela certamente que não, já que lhe lembra algo familiar, ou melhor, que o seu esposo também fora à guerra e não retornou.

A valentia de Alyosha é infinita. Sozinho no campo de batalha enfrenta tanques, armas, inimigos; contudo, tem seu reconhecimento merecido pelo seu Superior que o condecora pelo seu feito heróico. E o jovem soldado o enfrenta com palavras destemidas pedindo-lhe que trocasse o prêmio por uns dias para ir visitar a sua mãe e poder consertar o telhado de sua casa. Era o seu dia de sorte! Claro que conseguiu uns sete dias: quatro para ir e voltar e três para ficar na companhia dela. E a balada do jovem soldado pacifista apenas se inicia.

Pacifista sim, pelo seu gesto de bondade em primeiro lugar. Perdeu o trem porque ficou tomando conta da bagagem de alguém que foi telefonar. Consolar a pessoa dispensada da guerra porque se tornou um inútil e já não tem mais serventia; talvez achasse que perdeu a dignidade e temia a  rejeição da própria família. Encorajá-lo não foi tarefa difícil para o generoso soldado. Atitudes nobres e sinceras encerram cada ponto de virada da narrativa.

Há males que vêm para o bem. Perdeu-se tempo precioso durante toda a viagem de ida por justas causas.

Perdas e ganhos. O bravo soldado encontrou o Amor. Durante a sua viagem encontrou Shura, uma linda jovem que, por receio do ainda desconhecido, lhe mentiu que estava viajando para se encontrar com o noivo. A viagem parecia não ter fim. Tantos acontecimentos inesperados vão somando na aventura agora do casal que aos poucos começa a se entender.

O soldado Alyosha prometeu visitar a esposa de um amigo e levar um presente. Em uma das paradas do comboio, não deixa de cumprir a tal missão. Conhece a mulher do colega numa hora, digamos, imprópria, pegando-a em um momento que não esperava receber visitas, principalmente vindo da parte do marido que estava na guerra, ela, pois, estava em outra visita íntima. Mesa feita, cama desfeita…

Interessante a atitude do bravo, destemido e solidário herói nessa situação que se vê pego numa saia justa. O que deve ser pior em tempos de guerra? Talvez o crime maior ainda seja a traição. Trair a confiança de alguém ainda é a pior forma de matar. Armas em punho para se defender ou se morrer é justo. Pior que a dor física deve ser mesmo a espiritual. O soldado já sabia disso.

O adultério e a infidelidade são atos (in)questionáveis e / ou  (im)perdoáveis?

Pela atitude do jovem soldado conclui-se que é um crime que ele não perdoaria. Ele chega a entregar o presente do colega à esposa. Mas já na rua, decide voltar para a casa dela e pegar de volta. A mulher entende esse ato e pede-lhe que não comente o fato com o marido. Alyosha acaba dando esse presente para outra pessoa parente de alguém que está na guerra. Às vezes é necessário mentir.

Shura e Alyosha se despedem. Cada um segue o seu caminho.

E quando ele chega na aldeia para encontrar a sua querida mãe, já é hora de voltar. Ela tem intuição e certeza que seria a última vez que veria seu amado filho. O dever o chama. Ele tem consciência de sua responsabilidade de que no momento é consertar muitos outros telhados em piores estados para salvar a pátria do desabamento.

Um filme  que cumpriu muito bem o seu papel.
Karenina Rostov

Direção: Grigori Chukhraj

Roteiro: Grigori Chukhrai, Valentin Ezhov
Gênero: Drama/Guerra/Romance
Origem: União Soviética
Duração: 89 minutos
Tipo: Longa-metragem
Tipo: Longa-metragem / P&B

Elenco:
Vladimir Ivashov
V. Markova
Yevgeni Teterin
Aleksandr Kuznetsov
Elza Lezhdey
Yevgeni Urbansky
Nikolai Kryuchkov
Nikolai Kryuchkov
Antonina Maksimova
Zhanna Prokhorenko
Vladimir Pokrovsky

Sinopse: Em plena Segunda Guerra, um soldado, depois de ter destruído heroicamente dois tanques inimigos, consegue uma licença para retornar à sua terra para reencontrar a mãe. Mas a viagem, basicamente de trem, passando por várias aventuras, inclui o encontro com uma jovem por quem se apaixona.

Contratadas Para Matar (Les Femmes De L’ombre. 2008)

contratadas-para-matar_posterO filme é muito bom! Válido até como uma aula de História em mostrar a Resistência Francesa frente aos alemães. Mas sem sombra de dúvida ‘Contratadas para Matar‘ dá a nós um belo presente: o de que também as mulheres contribuíram e muito com o término da 2ª Grande Guerra.

Além disso o filme foca a tortura. Até onde vai o limite de cada um. Como também na decisão do que fará ao se vê que não resistiu, em pensar que fracassou. Até com os seus próprios princípios. Como também em até onde sua vida militar interpõe em sua vida particular. Qual é o sentimento na hora decisiva? No dia ‘D’ de cada um deles. E aqui o filme mostra para os dois lados dessa guerra. Pois nas mãos deles todo um futuro estava em jogo.

Como em todas as guerras para que haja sucesso numa operação o mais indicado é que poucos saibam de todos os detalhes. Com essa história não foi diferente. Precisavam de um caminho em segredo até um dos grandes pilares dos inimigos. E seria para um gigantesco Cavalo de Tróia

De início apenas os dois irmãos, Pierre (Julien Boisselier) e Louise (Sophie Marceau), tinham todos os detalhes da operação. Ela sabendo menos que ele. À ela ficou a chefia de um grupo, a sua escolha, para resgatar um importante colaborador. Ele ao ser pego por um militar da SS consegue matá-lo, e trocar de roupas com ele mesmo estando gravemente ferido. Com isso é internado num hospital sitiado pelos alemães. Acontece que o militar que morreu estava justamente numa missão em descobrir sua presença. Até porque era um geólogo.

O militar morto estava sob o comando do jovem e ambicioso Coronel Heindrich (Moritz Bleibtreu). Esse, estava desconfiado que os Aliados tinham um outro plano de invasão. Mas precisava de provas para então chegar até o Marechal-de-Campo Rommel. E a outra parte da missão, o grupo de Louise, era matá-lo antes desse encontro. Seu irmão e o geólogo tinham conhecimento da invasão dos aliados pela Normandia. Ela e seu grupo só viriam a tomar conhecimento mais tarde.

Para a formação de seu grupo, Louise escolhe quatro mulheres. Que estariam dispostas a matar, como até a morrer se fosse preciso. Uma delas, Suzy (Marie Gillain), fora namorada de Heindrich. Cabendo a ela se encontrar com ele. Mal sabia ela que ele contratara alguém para encontrá-la. As demais eram:
– Gaëlle, especialista em explosivos. Com o seu disfarce caberia a ela, num tempo curto, deixar os explosivos nos carros no hospital. Para não serem seguidos.
– Jeanne (Julie Depardieu), uma prostituta. Precisavam de alguém destemida o bastante para um show como forma de entreter pacientes e soldados no tal hospital.
– E Maria (Maya Sansa). Essa era conhecida pelos da Resistência Francesa. Faria todos os contatos.
Com o grupo pronto, e com um único dia de treinamento, saltariam de paraquedas quase que também metaforicamente em plena guerra.

E o filme vai mostrando toda essa operação bem às vésperas do Dia D. Até o anúncio da rendição final dos alemães. A essas heroínas, meus aplausos!

É excelente! Filme para ver e rever! Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um resumo do que foi o Dia D: “No seis de junho de 1944, o Dia-D, deu-se a maior operação militar aeronaval da história. Naquela data, 155 mil homens dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lançaram-se nas praias da Normandia, região da França atlântica, dando início à libertação européia do domínio nazista.

Transportados por uma frota de 14.200 barcos, protegida por 600 navios e milhares de aviões, asseguraram uma sólida cabeça-de-praia no litoral francês e dali partiram para expulsar os nazistas de Paris e, em seguida, marchar em direção à fronteira da Alemanha. Era o primórdio do colapso final do III Reich, o império que, segundo a propaganda nazista, deveria durar mil anos.” (Fonte.)

Contratadas Para Matar (Les Femmes De L’ombre). 2008. França. Direção e Roteiro: Jean-Paul Salomé. Elenco. Gênero: Ação, Aventura, Drama, Guerra, História. Duração: 120 minutos.

A Vida é Bela (La Vitta è Bella. 1997)

la-vita-e-bella-1997Filme de Roberto Benigni, vencedor de três Oscars (melhor filme estrangeiro, melhor ator e melhor canção), que perpassa a temática da perseguição aos judeus, na Itália, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa produção italiana de 1998 teve grande repercussão mundial, devido ao enorme investimento em sua divulgação e por ter tocado em algumas questões polêmicas (Holocausto) de uma forma irreverente: com humor sem banalizar e/ou ridicularizar o acontecimento. É difícil tratar de um assunto tão odioso deixando de lado toda a piedade que pode ser explorada, usando o humor e a graça como pano de fundo. Assim, qualquer vida torna-se bela.

Na época em que concorria ao Oscar de melhor filme estrangeiro, disputava o prêmio com um filme brasileiro “Central do Brasil” de Walter Salles. Penso que o filme de Salles não levou a famosa estatueta justo porque apelou para o sentimentalismo da piedade em contrapartida à mensagem: “Tudo está uma merda, mas ainda assim há vida para ser vivida”.

Indiscutivelmente, a vida é mais bela quando é assim.

a-vida-e-bela_1997Contando a história particular do judeu Guido e sua família, a esposa Dora e o filho Josué, a sujeira do fascismo italiano fica em segundo plano sem perder a apreciação dos fatos históricos.

Um dos poucos pontos negativos que foi percebido por mim nessa obra é a sua escancarada “mercadologia!”. Evidente que não foi à toa que Benigni colocou os Estados Unidos (no fim do filme) como os libertadores e salvados dos subjulgados ao nazi-fascismo…

No entanto, a vida continua sendo bela, independente disso…

Por: Deusa Circe.

A Vida é Bela – La Vitta é Bella

Direção: Roberto Benigni

Gênero: Drama, Guerra

Itália – 1997