O Maravilhoso Agora (The Spectacular Now. 2013).

the-spectacular-now_2013_filmePor Francisco Bandeira. (O texto contém spoiler.)
Um Estudo das Imprevisibilidades que Nos Cerca.

Já deixo avisado a todos que não se trata de um simples filmes sobre os adolescentes de hoje! Encare ‘The Spectacular Now‘ como um estudo de personagem cada dia mais presente em nossa sociedade: um jovem adolescente, com muitas perguntas jogadas ao vento, sem a mínima noção de como respondê-las, sofrendo pressão de amigos (as), namorada, da família, e na escola, com seus professores que, ao contrário do que a imaturidade nos faz pensar, querem realmente extrair o nosso melhor e nos preparar para as imprevisibilidades do inevitável futuro que nos cerca.

Dito isso, somos apresentados à Sutter Keely (Miles Teller), um jovem popular da escola que, após terminar o namoro com Cassidy (Brie Larson), sai para a noitada em busca de aventura, regada com muita bebida. Ao amanhecer, deitado no gramado, o jovem conhece a encantadora Aimee Finecky (Shailene Woodley), uma jovem estudiosa e apaixonada por ficção científica. A partir daí, os dois começam um inusitado relacionamento, passando a refletirem duramente sobre seus papéis na vida dos outros e na deles mesmos.

miles-teller_the-spectacular-now-2013Já no começo do longa-metragem, nos são jogadas uma enxurrada de questões sobre vida, amadurecimento e futuro. E o protagonista tenta de início, tenta responder tudo de uma só vez, nos mostrando sua vida até o momento. Numa sequência extremamente bem montada, somos jogados à rotina do adolescente, até o surgimento de forma fantástica do título: The Spectacular NOW. Apenas com isso, o diretor já nos mostra muito do personagem principal: um jovem que só pensa no agora, sem ligar para as consequências do amanhã, tratando o futuro como algo ameaçador à sua “plena felicidade”.

O grande mérito do filme é nunca subestimar nossa inteligência, revelando de maneira sutil alguns fatos sobre o personagem principal. Por exemplo, em determinada conversa com sua mãe, logo descobrimos que seus pais são separados e, ao ser comparado com o pai, Sutter tem uma reação negativa. Mas, logo à frente, descobriremos que o protagonista não ver seu pai a um longo tempo e não entende o motivo de sua mãe evitar esse encontro, sempre dando um tom de vilão ao homem no qual o jovem tem boas lembranças de sua infância. Ou seu alcoolismo, tratado de maneira irreverente por Ponsoldt (virando especialista no assunto) como uma brincadeira adolescente, sem sequer notarmos tal vício, passando quase despercebido, assim como seus problemas pessoais.

O elenco, extremamente promissor, conta com ótimas participações de Brie Larson (talvez uma das melhores atrizes dessa nova geração) como Cassidy, a ex-namorada confusa, em busca de garantir seu futuro e Mary Elizabeth Winstead, como a irmã bem resolvida do jovem, que mesmo com pouco tempo em cena, concebe um desempenho impressionante, digna de aplausos por seu alcance dramático. Já os veteranos Kyle Chandler e Jennifer Jason Leigh pontuam com correção seus trabalhos como os pais do protagonista. Mas é inegável que o longa-metragem encontra na dupla principal seu maior trunfo.

Milles Teller entrega uma das melhores atuações do ano, na pele de um jovem cheio de problemas, seja em casa (ausência do pai em sua formação), na escola (um aluno totalmente desinteressado em terminar os estudos) ou na vida amorosa (foi chutado por uma menina que ele gostou de verdade e ainda tenta manter laços com ela). O ator oferece um leque de nuances, que vai do garoto extrovertido ao debochado, passando pelo melancólico até o apaixonado, soando sempre convincente. Beneficiado por diálogos brilhantes, Sutter se transforma no perfeito representante de sua geração: egoísta, desinteressado, que procura ajudar os outros para preencher seu vazio existencial, sempre buscando, de forma inconsciente, uma retribuição involuntária, sendo o possível motivo para seguir em frente.

spectacular-now_filmeA grata surpresa fica por conta de Shailene Woodley, que vive Aimee Finecky com imensa simpatia e ternura, encarando tudo com um honesto sorriso em seu lindo rosto, totalmente desprovido de vaidade, mostrando a jovem como figura devota a mãe (entrega jornal, faz as compras, cuida do irmão menor, estuda) e que pensa até em abdicar de seus sonhos (ir para uma boa faculdade, morar em uma grande cidade), pois não pode deixá-la sozinha! Aqui, a jovem simboliza a esperança nessa nova geração, onde acreditamos na pureza de seu amor por Sutter e em sua doce inocência, e quando nos damos conta, já estamos encantados com sua personagem, torcendo sempre pelo seu melhor.

No terceiro ato, o roteiro nos brinda com cenas memoráveis, destacando-se a conversas altamente reveladoras entre o jovem e seu professor e posteriormente com seu chefe, onde sem sutilezas, o adolescente se abre sem medo, rendendo momentos de verdadeiro impacto! A película ainda dá espaço para um belo simbolismo: quando tudo parece estar indo ladeira abaixo, onde Sutter se afunda de vez na bebida, o diretor foca no carro do protagonista, voltando para casa, mostrando o pneu caminhando sobre a linha, mostrando de forma absolutamente perfeita a situação que vive o rapaz. Um verdadeiro achado no cenário adolescente atual. Assim como seu desfecho, simplesmente corajoso, mostrando o total comprometimento de Ponsoldt em retratar de forma honesta esse período nada fácil, mas muito prazeroso em nossas vidas.

Melancólico, trágico e até poético, “The Spectacular Now” pode não ser um grande exercício cinematográfico, mas é, sem sombra de dúvidas, um filme essencial para sua geração, pois mostra algo que poucos jovens compreendem atualmente: o agora é realmente espetacular, mas nunca podemos descartar a hipótese de nos surpreendermos com as incertezas da vida, afinal, quem sabe o que pode acontecer? Final feliz ou não, nunca saberemos responder determinadas perguntas se deixarmos as oportunidades passarem diante de nossos olhos sem fazermos parte delas, pois VIVER O MOMENTO pode se transformar numa experiência interminável e devastadora, ao percebermos que já é tarde demais para se construir o futuro.

Avaliação: 8,5.

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A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift. 2012)

A simples menção da “Saga A Era do Gelo” o primeiro sentido que evoca é a audição. É pela força da Dublagem Brasileira, principal com a voz de Diogo Vilela para o mamute Manny, como também a do Thadeu Mello para a simpática preguiça Sid. Assim como foi com a voz do Bussunda para o “Shrek”. Eles personificam de uma tal maneira que só em olhar a foto num cartaz vem falas deles à mente. Ainda bem que eles continuaram dublando. Mas senti a falta da voz da Cláudia Jimeniz para Ellie, a esposa de Manny em “A Era do Gelo 4“. Foi uma pena!

Nessa continuação, o esquilo Scrat mais uma vez se encontra na hora errada, e no lugar errado, com a sua inseparável noz. É que a apoia num certo pedestral justo na hora em que há uma grande acomodação do subsolo, alterando a geografia local. E nessa, numa de “entrei de gaiato no navio”, o trio de amigos – Manny, Sid e Diego -, são levados por um iceberg. Enquanto se afastam do continente, em terra Ellie toma a frente em guiar os animais para um local seguro.

São quase duas aventuras em paralelo, mas com o trio ela é mais intensa. Até descobrem um clandestino à bordo. Sid, como sempre tenta levantar o astral dos amigos. Mas Manny está super preocupado por não estar na cola da filha adolescente, a Amora. Numa de “toda donzela tem um pai que é uma fera”, Manny fica mais ranzinza. Já com Diego, ainda o receio do mar. Já que eles se encontram à deriva em uma grande pedra de gelo, no meio do caminho terão que escapar de piratas e sereias. Além de um jeito de voltarem para terra firme.

Dando prosseguimento ao constituir uma família do anterior, nesse quarto filme temos os conflitos que podem surgir nos núcleos familiares, e nesse: velhice e adolescência. Como já citei, na Família de Manny, é o saber lidar com uma filha adolescente. Já para Sid, seus pais largam a avó para que ele tome conte dela, enquanto eles saem de férias. Só Diego se encontra imune a tudo isso. Ou não! Quem sabe dessa vez o cupido flecha o coração dele a pirata Shira.

Aventuras não faltarão para todos eles, assim como diversão garantida para quem assiste. Peguem a pipoca que o filme é muito bom! E que deixa um querer por mais aventuras. Quem sabe com uma “crise dos quarenta” para os três amigos. Ah sim! Há também versões legendadas, mas essa saga eu prefiro mesmo assistir as dubladas.

Nota: 9,0.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift. 2012). EUA. Direção: Steve Martino, Mike Thurmeier. Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Duração: 94 Minutos.

Elenco de Dublagem:
Ray Romano -> Manny <- Diogo Vilela.
Denis Leary -> Diego <- Márcio Garcia.
John Leguizamo -> Sid <- Thadeu Mello.
Queen Latifah -> Ellie <- Carla Pompilio.
Wanda Sykes -> Vovó <- Nádia Carvalho.
Keke Palmer -> Amora <- Bruna Laynes.
Peter Dinklage -> Capitão Entranha <- Jorge Vasconcellos.
Jennifer Lopez -> Shira <- Andrea Suhett.
Nick Frost -> Flynn <- Mauro Ramos.

Confiar (Trust. 2010)

Uau! Um filme que retrata uma realidade tão atual, e sem mascarar, com tanta verdade que me fez querer aplaudir a todos empenhados nessa produção. Também me leva a desejar que seja exibido e debatido em Sala de Aula. Mas não apenas com o Professor e os Alunos. Que estejam presentes profissionais da área psico, como também os da área de crime pela internet que envolva pedofilia e bullying.

Confiar” mostra um dos lados negativo da Internet, em primeiro plano. E no aprofundar nesse tema, abre-se um leque. Onde veremos que educar, criar filhos não há uma fórmula única a ser seguida. Mesmo se cercando de amor, respeito… é a  confiança mútua que deve prevalecer sempre. No filme “Pecados Íntimos” um pedófilo foi mostrado como alguém com distúrbio psíquico. Claro que foi válido traçar esse perfil. Acontece que também é uma Tara que pode vir de um cidadão acima de qualquer suspeita. Alguém que se cerca de todos os cuidados para não ser pego. Porque assim ele poderá continuar estuprando outras jovens.

Em “Confiar” também há o em confiar demais no des-conhecido que está do outro lado. Astuto, sabe como ir quebrando a desconfiança. Num jogo de palavras, faz o que quer da vítima. Contando ainda em fazê-la acreditar que são duas almas gêmeas que se encontraram. Foi o que fez, o de nick Charlie (Chris Henry Coffey) com a jovem de 14 anos, Annie (Liana Liberato). Ao longo de alguns meses, com bate-papos diários, Charlie foi se fazendo enamorar. Da parte dele, em segredar mentiras, como também em mentir a idade. Primeiro, diz ter 16, depois 20, 25… E Annie só foi ver sua idade real, no primeiro e único encontro com ele. Encontro esse que irá marcá-la para sempre.

Nem com o sumiço dele, nem com o agente do FBI a lhe mostrar que isso é muito comum, Annie deixa de acreditar que ele não a amou. Que só queria sexo. Ser o primeiro a transar com ela e outras mais. Então, se vira contra a amiga que notificou à direção da escola que Annie fora vítima de um pedófilo. Como também com seu próprio pai, Will (Clive Owen), que ficou transtornado.

Outro ponto a se destacar no filme vem do trabalho de Will. Trabalhando com Publicidade, e com uma Marca para um público bem jovem, ele, e todos nós que assistimos, nos deparamos com o tanto de apelo sexual na venda de um produto. Em até que ponto é abusivo. Até que idade se quer alcançar. É a erotização atingindo aos muito jovens ainda. Annie virou mercadoria, e pior, um produto descartável logo depois de se doar na internet.

Eu preferi não me alongar muito até por ser um Thriller, mas motivá-los para que vejam esse retrato 3×4 do que pode sim ocorrer onde a jovens com acesso livre a Internet. Um alerta que não nos deixa indiferentes. Nos mais, elogiar as performances de Clive Ower e Liana Liberato, estão perfeitos. Ela, em um momento me fez querer exclamar um “Acorda, Menina! Cai na real!“. Ele, me levou às lágrimas no final. Os demais atores também estão muito bem. E um aplauso em especial ao Ross, de “Friends”…rsrs Sério, agora! É que a Direção de “Confiar” é de David Schwimmer.

Um filme nota 10. Até pelo final, cruelmente real!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Confiar (Trust. 2010). EUA. Direção: David Schwimmer. +Elenco. Gênero: Drama, Thriller. Duração: 106 minutos. Censura: 14 anos.

Faça o Que Eu Digo, Não Faça o Que Eu Faço (Role Models. 2008)

faca-o-que-eu-digo-nao-faca-o-que-faco_posterComutação de Penas, educa? És favorável a penas alternativas? Um tempinho atrás cheguei a abrir um fórum no Orkut com esse tema. E foi o que me levou a assistir ‘Faça o Que Eu Digo, Não Faça o Que Eu Faço‘ (Role Models). Eu sou favorável a Penas alternativas. Ainda mais com o que sai na mídia de como é o regime carcerário. Não só no Brasil, mas em outros países também. Que dentro dessas cercanias o que há é punição, uma reeducação, não. Agora, o juiz tem que ter bom senso. Algo do tipo – doar cestas de alimentação para alguém que espancou outra pessoa -, não é uma punição adequada.

role-models_0LNo filme Danny (Paul Rudd) e Wheeler (Seann William Scott) têm suas sentenças alteradas. Em vez de irem para a cadeia, cumprir uma certa carga horária numa Instituição para crianças e adolescentes com problemas de disciplinar nas Escolas. Ou por não serem muitos sociáveis. Danny, o que provocou o acidente, é quase forçado a aceitar pela insistência de Wheeler. Esse acabou sentenciado porque estava junto no carro. Companheiros de trabalho – venda de um energético -, que para Danny era uma droga. Já para Wheeler, ajudava os jovens a não se drogarem. Possuem temperamentos opostos. Danny é um anti sociável. Nem sua namorada (Elizabeth Banks) o aguenta mais. O único que realmente o atura, é Wheeler. Talvez, por ser extrovertido.

role-models_02Quem dirige a Instituição é alguém que sentiu falta na infância de uma mão amiga. Como ex-drogada, conhece bem todas as manhãs. Assim, ficará atenta aos dois. Selecionando para ambos, dois, que outros não tiveram sucessos. São eles:
– Augie (Christopher Mintz-Plasse), um adolescente que vive mais dentro de mundo de fantasia;
– Ronnie (Bobb’e J. Thompson), um menininho preconceituoso, e muito desbocado.

A Instituição, por opção de Gayle (Jane Linch), dá chances as pessoas sem formação especializada. Os menores já passaram por especialistas, ou um que exercia tal função no colégio. Danny e Wheeler terão que aprender a lidar com eles. Mas querendo mais é concluir logo a carga horária da sentença. Os quatro irão viver situações que os colocarão em confronto também consigo próprios.

Bem, eu não sei se há um resultado favorável nessa comutação de penas. Refiro-me no mundo real. Mas de qualquer forma é sempre bom dar uma nova oportunidade para alguém que cometeu um delito. E o filme nos leva a ter mais uma ideia em como os órgãos competentes podem agir. Dai, vale a pena ver. Até porque o filme é bom. E a trilha sonora é ótima.

Uma curiosidade: o filme seria lançado nos cinemas brasileiros com o título ‘Modelos nada Corretos‘. Após ter a estreia cancelada, mudou de título para chegar direto em DVD.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Faça o Que Eu Digo, Não Faça o Que Eu Faço (Role Models). 2008. EUA. Direção: David Wain. Gênero: Comédia. Duração: 99 minutos.

MALENA (MALÈNA. 2000)

Antes de assistir a esse filme, já tinha boas referências de seu diretor, o cineasta italiano Giuseppe Tornatore, que dirigiu o belo ‘Cinema Paradiso‘, um diretor que gosta de tocar as mais remotas emoções do público. Foi aí que cheguei à Malena.

Ambientado num vilarejo na Itália dos anos 40, um menino, em plena juventude, descobre os encantos e a beleza da jovem Malena, uma nova moradora da região, interpretada pela lindíssima atriz Monica Belucci. Tornatore nos remete aos desejos e devaneios de Renato, o garoto que vê em Malena uma mulher única e deslumbrante, que desperta os olhares dos homens do vilarejo e a inveja das mulheres casadas.

Muito interessante a questão da sexualidade proposta pelo diretor. Vemos um menino que busca sua auto-afirmação como homem, e suas fantasias e suas emoções de um garoto, que o fazem seguir sua “amada” por todos os lugares que ela vá.

Outro tema abordado é a questão da prostituição. Malena, após a suposta morte do marido no front de batalha na 2º Guerra Mundial, ela se vê sozinha e sem recursos para se manter, e se vê a aceitar comida em troca de favores sexuais aos oficiais nazistas (fazendo uma contundente alusão ao governo italiano que se alia aos alemães).

A sua “punição” e seu auge são os pontos máximos do filme, onde Tornatore nos inunda com todo o drama de sua personagem, e depois nos revela a imponência de uma mulher que dá o ar da graça de sua redenção.

Enfim, vale a pena conferir. Um filme com uma belíssima trilha sonora e belas imagens da Itália. Um filme que nos mostra até que ponto chega a questão do preconceito, da inveja, e dos pudores sexuais da época, além de uma bela e envolvente paixão platônica…

Por: Junior Silva. Do Blog: Caixa do Junior.

MALENA (MALÈNA). 2000. Itália. Direção e Roteiro: Giuseppe Tornatore. Elenco: Monica Bellucci, Giuseppe Sulfaro, Luciano Federico, Matilde Piana, Pietro Notarianni, Gaetano Aronica. Gênero: Comédia, Drama, Romance, Guerra. Duração: 92 minutos.