O Amor é Estranho (Love is Strange. 2014)

o-amor-e-estranho_2014É! O amor é estranho por levar a uma decisão que deixará ambos felizes, mesmo tendo consciência que isso terá consequências desagradáveis. Mas pelo momento em si, vai lá e faz assim mesmo! Arrojo, maturidade…? Pode ser… O amor é estranho por levar alguém a ficar de longe admirando a pessoa amada, e que depois descobre que ela fazia o mesmo, e que mesmo assim travou o desejo da aproximação. Timidez, inexperiência…? Poder ser… O amor é estranho por fazer alguém a ser quase coadjuvante na vida do outro até que decide protagonizar a própria vida quando então o outro descobre o quanto esse amor era importante. Seguir em frente? Dar outra chance?… São certezas, dúvidas que permeiam a todos, principalmente em relacionamentos… No fundo é quase um momento de olhar no espelho e dizer amigavelmente: “Olá, estranho!

Muito bom quando se vê uma Hollywood colocando como protagonistas um casal homo e que por décadas levam uma vida plena de amor! Não que isso seja o pano de fundo em “O Amor é Estranho“, mas sim porque isso é que se deveria ver em toda a sociedade moderna. O que o filme traz são as incongruências das e nas atitudes que as pessoas são levadas a fazer em nome do amor. Até pela atitudes destemperadas por falta de um diálogo mais franco. Que às vezes nem se trata de ser por falta de amor, mas sim por acumular coisas mal resolvidas. Até pelo imediato de não pesar prós e contras… Indo por uma boa intenção… Levando então as explosões que poderão deixar feridas… E aí é cada um assumindo de um jeito próprio por mais estranho que isso possa parecer.

o-amor-e-estranho_2014_01Em “O Amor é Estranho” o casal Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) após décadas de uma relação cheia de amor resolvem oficializar a união. Família e amigos comparecem até para abençoarem o gesto. Acontece que sai das intimidades desses lares… incomodando a Igreja. Tudo porque George dar aulas de Música num Colégio Católico. Todos – pais, alunos, corpo docente – até sabiam da relação dos dois, mas ao colocar num papel… O Diretor da instituição se vê obrigado a seguir a um outro papel: onde o casamento de George e Ben peca contra os preceitos da religião.

Com isso, só a renda da aposentadoria de Ben e somada as aulas particulares de piano dadas por George não dariam para cobrir todos os gastos de onde moravam. Decidem vender o imóvel e comprar um mais acessível aos bolsos dos dois. Mas até lá precisariam ficar de favor na casa de alguém. Ben então vai para a casa do sobrinho Elliot (Darren E. Burrows) e George vai para a casa do filho Roberto (Manny Perez). E é quando se convive sob o mesmo teto com esses familiares que a coisa começa a desandar.

o-amor-e-estranho_2014_02Elliot é casado com Kate (Marisa Tomei) e têm um único filho, o “adolescente” Joey (Charlie Tahan). Kate trabalha em casa: é escritora. Ben dorme numa beliche no quarto de Joey que não gostou nada dessa intromissão. Ben fica sem saber onde passar as horas do dia, sem querer também incomodar Kate que está escrevendo um novo romance… Para piorar essa nova vida dos quatro… Algo vem à tona: um temor de Elliot em relação ao próprio filho. É! Na intimidade de um lar é que se conhece de perto alguém… Mas mais do que uma panela de pressão prestes a explodir… É de Ben que Joey recebe uma real atenção, e mesmo tendo sido tão rude com o tio. Se na outra casa é por demais silenciosa… Na casa de Roberto que vive maritalmente com Ted (Cheyenne Jackson) mais parece uma boate onde todas as noites acabam em festas. Levando George a poucas horas de sono, e acabam deixando-o sem paciência durante as aulas… À primeira vista pode-se achar que Ben e George deveriam ter trocado de casas: um poderia dormir à noite e o outro durante o dia. Enfim, mesmo parecendo terem errado nessa “estadia provisória”… Foi devido a uma dessas baladas noturnas da casa do filho que George conheceu Ian (Christian Coulson) e…

Fora um jeito do destino tentar reorganizar a vida de todos? Mesmo já tendo abalado alguns dos relacionamentos? Essa nova virada ainda estaria em tempo para aproveitá-la? As feridas se cicatrizaram? Pode até ser… Pois tendo amor no coração ele tambem deixa um convite a fechar um capítulo, tendo novas páginas para seguir em frente até como se nada tivesse acontecido… Afinal, o amor é estranho mesmo!

o-amor-e-estranho_2014_diretor-e-proagonistasO Diretor Ira Sachs merece aplausos pelo conjunto da obra: atuações, trama, trilha sonora…! Um filme que pelo o que consta gerou polêmica nos Estados Unidos até pela “liga da moralidade e dos bons costumes” a MPAA – órgão censor daquele país -, que classificou-o como inapropriado para menores de 17 anos. Caramba! Só por beijos na boca entre homens? Mas enfim, querendo saber mais sobre essa tal MPAA, sugiro o Documentário “Este Filme Ainda Não Foi Classificado“, do Diretor Kirk Dick. Há um porém nesse filme e numa fala que o liga ao Brasil, a um certo estigma, e que eu fiquei sem entender até porque quem também assina o Roteiro é o brasileiro Mauricio Zacharias (de “O Céu de Sueli”). Ele bem que poderia não ter colocado tal estigma. Seria ele um “coxinha”?

No mais, “O Amor é Estranho” é muito bom! Merece ser visto! Quanto a rever, quem sabe algum dia… Nota 08!

O Amor é Estranho (Love is Strange. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Depois da Vida (After Life. 2009)

A cada dia de vida é também um de despedida. E.B.

After Life

Viver nada mais é que morrer a cada dia. Viver é para poucos. A única certeza da vida é a morte. Ninguém sabe o dia de amanhã. Para morrer, basta estar vivo. Está achando o assunto macabro? Quem aqui nunca ouviu ou pronunciou alguma dessas frases? Lembrei-me desse assunto após assistir ao filme After Life (Depois da Vida), que considero o mais instigante dos recém-lançados. Este ‘garimpei’ numa locadora. Há tempos uma história assim não mexia com o meu emocional, o último foi Império dos Sonhos de David Lynch. After Life é um thriller de terror psicológico. Um jeito despojado de contar uma história banal num formato poético e com pitadas de humor negro. O tema nada mais é que um assunto que está super na moda ultimamente no mundo da sétima arte: o que acontece depois que se morre? Existe vida após a morte? Vide Nosso Lar, Chico Xavier, Além da Vida (com Matt Damon) etc, entre outros em cartaz. É o primeiro longa da diretora e roteirista polonesa Agnieszka Wojtowicz-Vosloo que chegou ‘grande’, não deixando nenhuma dúvida para o que veio. O elenco foi cuidadosamente escolhido, contando com a talentosa Christina Ricci que me surpreendeu desde cedo em A Família Adams; o carisma de Liam Neeson no magistral filme A Lista de Schindler e os outros gabaritados, como Alfred Molina, Justin Long, Josh Charles e ainda Chandler Canterbury.

Depois da Vida é um filme inteligente e original. O mais intrigante do ano de 2010. O expectador sai da sessão sem saber o final. E vai discutir em rodas de amigos e cada um argumentará e defenderá seu ponto de vista e não se chegará a conclusão alguma. A dúvida persistirá. Vai se pensar neste filme por um longo período. Talvez chegue a um denominador comum guiado pelas pistas e sinais deixados no decorrer da história. Talvez predomine o bom senso. Mas será o final que de fato o diretor formulou para prevalecer? É uma obra aberta, não escancarada e depois de pronta não tem mais dono, pertencendo a quem se apossar dela, então posso resumir a história que em nada influenciará a quem ainda não assistiu, ou a parte que me pertence.

É a história da jovem Anna (Christina Ricci) que depois de sofrer um acidente de carro é levada para uma funerária local a fim de que seu corpo seja preparado para o velório. A partir daí coisas estranhas começam a acontecer. Ela parece estar viva. Morreu ou não morreu? Eis a questão. O agente funerário Eliot Deacon (Liam Neeson) pode ser um maníaco e a jovem estaria correndo risco de vida (?) e prestes a ser enterrada viva. É tudo verdade ou imaginação?

Confusa, e sentindo-se mais viva do que nunca, começa o drama e a agonia de Anna que enfrenta o diretor da funerária. Anna é (era) professora de ensino fundamental, e nesse dia, coisas estranhas acontecem com ela. O namorado, logo cedo na cama, percebe que ela não estava bem. Ambos vão para o trabalho e combinam de sair para jantar nessa noite. Nesse mesmo dia, após o trabalho, Anna vai à funerária para o velório de um amigo. Lá ela percebe que o defunto se mexe. Seria imaginação dela? Depois Anna resolve passar num salão de cabeleireiro para mudar radicalmente o visual, substituindo o tom escuro dos cabelos para um vermelho vivo. No meio do jantar, o seu noivo decide fazer duas surpresas: entregando-lhe um anel como pedido de casamento e informando que fora promovido e que seria transferido para outra cidade e ela deveria acompanhá-lo nessa mudança. No meio da conversa nesse jantar, Anna entende tudo errado, o casal discute no restaurante, e ela nervosa, sai desesperada, dirige em alta velocidade e acaba sofrendo um acidente. Somente a família é avisada e Paul, o noivo, por enquanto nada sabe.

Paul estranha que nessa noite sua noiva não voltou para casa, nem fazia idéia que nesse momento ela já se encontrava numa funerária. A mãe de Anna vai à funerária e decide enterrar sua filha dois dias depois do ocorrido. Lá começa algo sobrenatural entre a morta (?) e o diretor da mesma. Eliot prepara a moça para o funeral e a partir daí é com o expectador, e começa a viagem entre o estar ou não vivo/morto. Anna não acredita estar morta, apesar de o diretor da casa funerária lhe garantir que ela se encontra numa fase de transição para o “pós-vida”. Anna pergunta como ela pode estar morta se está conversando com ele. E ele lhe responde que tem a capacidade de conversar com os mortos. Afinal, quem está enganando quem? Anna tem certeza que não morreu. O agente funerário lhe aplica uma injeção e inventa uma história dizendo que é para o cadáver estar apresentável no velório. O expectador poderá transitar nessa história entre a verdade e a mentira; morte e vida, natural e sobrenatural algumas vezes. Há situações dando a atender que ela está viva: em um momento, Anna fica sozinha e Eliot esquece a chave da sala lá, e ela tenta sair, mas a chave quebra, e ele, o diretor da funerária, quando descobre que a esqueceu, volta desesperado para lá e sente-se aliviado por saber que ela não conseguiu sair. É uma aventura e tanto desvendar esse mistério, não acha?

A diretora magistralmente desconstrói o gênero terror, e sob uma nova ótica, num exercício elegante e excitante brinca, criativamente, com a metalinguagem. Brinca também com o expectador e inova com as convenções cinematográficas. Reorganiza os signos lingüísticos e seus significantes e significados de Morte, Pós-Morte e Vida. Caríssimo, conhece aquela outra frase “Tem muita gente que já morreu andando por aí e não sabe.”? Pois então, o expectador sai meio angustiado da sessão, também pelas dúvidas que inconscientemente são plantadas na mente. Além de tentar descobrir o que aconteceu com a personagem terá que descobrir o que acontece consigo mesmo. Talvez você se pergunte será que estou vivo? É bom estar vivo? Eu quero estar vivo? Ainda bem que estou vivo? Eu morri? Eu morri e não sei? Isso tudo não passa de brincadeira de mau gosto? Só se pensa na própria morte quando alguém próximo morre. Vai querer resolver isso num divã. Diria que é novo formato de narrar o sobrenatural, em poético-dramática sacudindo o “da poltrona” a fim de despertá-lo para a vida e para todas as reflexões possíveis, sobre a grande arte de se viver.

Há várias pistas para o expectador tentar desvendar o mistério que paira sobre After Life, entre estar vivo ou não, a protagonista morreu ou não? Decifre, se for capaz! Quando Anna está finalmente preparada para que velem o seu corpo, Eliot, pergunta-lhe se ela deseja sair para a vida ou continuar lá. Agora é com você, leitor, se quiser descobrir o final da história, não deixe de assistir.

Excepcional. Realmente cinema é a maior diversão. Psiu! Ei, você aí que está vivo, não deixe de testemunhar esta história!
Karenina Rostov

Agradecimento: Tiago Soares – Criador do desenho acima
*

Sinopse: Após sofrer um terrível acidente de trânsito, Anna (Christina Ricci) desperta sobre a mesa de trabalho de uma funerária. Eliot Deacon (Liam Neeson), o diretor do local fala que ela não está viva, mas que se encontra na transição entre a vida e a morte e que ele pode falar com ela porque tem a capacidade de se comunicar com os mortos. Assim, ele é o único que pode lhe oferecer ajuda. Paul (Justin Long), o noivo de Anna, sente que algo não vai bem e tem a percepção de que alguma coisa estranha acontece na funerária onde o corpo de sua noiva está sendo preparado para o funeral.

Título Original: Além da Vida

Gênero: Suspense / Thriller / Drama

Direção: Agnieszka Wojtowicz-Vosloo

Elenco: Liam Neeson, Christina Ricci, Celia Weston, Justin Long, Chandler Canterbury, Luz Alexandra Ramos

Ano de Produção: 2009

Lançamento Dezembro: 2010

Origem: EUA

Duração: 104 minutos

O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprentice. 2010)

O maravilhoso nesta história é a lição sobre pegar atalhos, fazer as coisas do jeito mais fácil, tentar realizar o desejo que todos temos de crescer um pouco rápido demais”, Jon Turteltaub.

Um antes…
Uma ideia, que leva a outra, e mais outra
Onde tudo começou a ganhar forma…
Ano: 1797. Johann Wolfgang von Goethe escreve o ‘Der Zauberlehrling’: “Narrado pelo próprio aprendiz, que, após ser deixado sozinho pelo feiticeiro, decide experimentar sua própria magia. Ele ordena a uma velha vassoura que prepare um banho para ele. A vassoura viva enche não só a banheira, mas tudo mais. Ele esquece a palavra mágica para fazê-la parar. O aprendiz ataca a pobre vassoura com um machado, partindo-a ao meio, mas que resulta em mais vassouras vivas. Por fim, ele é salvo, literalmente, com o retorno do velho feiticeiro, que rapidamente manda a vassoura de volta para o armário de onde ela saiu.” (Uma tradução para  ‘Der Zauberlehrling‘).

Décadas depois, o poema foi adaptado em uma obra sinfônica de 10 minutos intitulada “L’apprenti sorcier”, pelo compositor Paul Dukas. Sucesso imediato. Uma composição alegre, e memorável. Em 1940, Walt Disney une as duas obras num dos segmentos do seu grandioso longa de Animação: ‘Fantasia“. Com Mickey Mouse fazendo o papel de Aprendiz. Quem teve a oportunidade de ver na Telona, e num Cinema com som e acústica de primeira não esquece, principalmente a marcha das vassouras. Eu mesma fui assistir várias vezes.

O agora… Ou seria: ‘Era uma vez…’ Porque o filme é como um livro de estória que ganhou vida.
Da ideia inicial, chegamos nessa nova versão de Jon Turteltaub, para ‘O Aprendiz de Feiticeiro‘. O próprio Turteltaub nos dá a ideia da qual ele partiu, na frase que inicia o texto. Ele não apenas cresceu o Aprendiz, como preferiu que tivesse chance de chegar a ser um Mestre. Assim, há uma passagem de 10 anos na vida desse Aprendiz. Nessa jornada temos como pano de fundo a luta do bem contra o mal. Mas também temos o amor, como as suas consequências por aqueles que não aceitaram terem sido preteridos. Tudo isso, num ritmo muito mais de Ação.

O personagem de Nicolas Cage, Balthazar Blake, é um homem triste e solitário. No passado, seu grande amor, Veronica (Monica Bellucci), sacrifica-se para salvar a vida de Merlin. Veronica engole, literalmente, Morgana (Alice Krige). Porque essa queria para si, o poder supremo. Tem como ajudante mor, Maxim Horvath (Alfred Molina). Mas Merlin não resiste, e antes de morrer, entrega a Balthazar o anel que terá como identificar o seu sucessor. E antes que Morgana pudesse matar Veronica, são aprisionadas numa urna.

Com o passar do tempo Balthazar vai aprisionando os discípulos de Morgana em Bonequinhas Garimbold: a mais recente engole literalmente a anterior. Ele após percorrer vários continentes se estabelece em Nova Iorque com uma Loja de Antiguidades. Até então, ainda sem achar o sucessor de Merlin. E esse surge como um menino ainda: Dave (Jake Cherry). Dave, curioso, derruba a bonequinha russa deixando escapar Horvath.

Sabem aquele filme esquecívil? Pois é, esse é mais um. Eu confesso que não lembro mais como Balthazar e Horvath ficaram presos até Dave crescer. E nem como saíram depois. Foi algo providencial para a estória esse sumiço dos dois. Um dia quem sabe ao passar na tv eu o reveja e tentarei ficar menos dispersa.

Dave ainda menino se mostra alegre. Bom desenhista. Com um olhar já voltado para a matemática. Como poderão ver num desenho que faz na janela do ônibus. Um momento muito rápido no tempo, que além dele, só uma outra pessoa que capta. Ela é Becky. É amor à primeira vista. Mas seu destino já estava traçado. E as circunstâncias não apenas o leva a afastar-se do seu primeiro amor, como também leva a alegria de Dave embora. Para fugir da pressão com as zombarias, ele se devota aos estudos: da matemática para a Física. Talvez numa de provar que aquilo que vivenciou na loja de Balthazar tenha uma explicação científica.

Quando Balthazar volta na vida de Dave, ele a princípio declina do poder que lhe é oferecido. Mas como também Becky volta ao cenário, Dave decide experimentar um pouco dos tais poderes. É quando entra em cena a vassoura ajudante. Sim, tal qual como Mickey em “Fantasia”, Dave usa de magia para arrumar seu laboratório para receber Becky. Tal como o outro é salvo pela chegada do Mestre. Balthazar quer urgência em fazer de Dave um Mestre. Até para cumprir de vez a sua missão. Mas também porque só o sucessor de Merlin é que conseguirá destruir em definitivo Morgana.

Acreditando que Dave sabe onde está a bonequinha russa onde Morgana está, Horvath persegue Dave. O que o leva a duelar com Balthazar. Bem, duelo entre Magos para mim um memorável foi entre o Merlin e a Madame Min em “A Espada era a Lei”. Com isso, mesmo nas cenas de ambos pelas ruas de Nova Iorque me peguei a rir lembrando do outro duelo. O que me levou novamente perder a atenção do filme.

E para salvar o mundo de um mal maior Dave irá usar da magia que ainda desconhece aliada com seus conhecimentos em Física. Mas não mais estará preocupado em provar a todos que não estava louco. Querendo sim recuperar o tempo perdido ao lado da mulher amada. Onde me levou a lembrar de outro filme, sendo que esse mais recente, o “Como treinar o seu dragão“.

Esse é daqueles filmes que já poderiam ir direto para uma sessão da tarde na tv. Para mim, o que valeu foi o fato de me transportar para dois Clássicos da Disney: “Fantasia” e “A Espada era a Lei”. Além claro da música de Paul Dukas. Como também da pesquisa que me levou ao poema de Goethe. Algo que pode motivar aos Professores em introduzir esse autor no currículo escolar. Contar aos seus alunos o real motivo da inundação: um teor político. E é só por ai que eu recomendaria esse filme. Já que mesmo partindo de uma bela ideia, nesse filme ela se perdeu.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprentice). 2010. EUA. Direção: Jon Turteltaub. Roteiro: Doug Miro, Carlo Bernard e Matt Lopez. Baseado em história de Matt Lopez, Lawrence Konner e Mark Rosenthal e em poema de Johann Wolfgang Goethe. Elenco: Nicolas Cage (Balthazar Blake); Jay Baruchel (Dave Stutler); Alfred Molina (Maxim Horvarth); Monica Bellucci (Veronica); Toby Kebbell (Drake Stone); Jake Cherry (Dave Stutler – jovem); Peyton List (Becky – jovem); Robert Capron (Oscar); Nicole Ehinger (Abigail); Jen Kucsak (Broom); Gregory Woo (Sun Lok). Gênero: Ação, Aventura, Comédia, Drama, Fantasia. Duração: 101 minutos.

Danificado pela Educação (An Education. 2009)

Estreando agora, no Brazil, “Educação” é um daqueles filmes que nos dá impressão que a gente já assistiu, mas que não deixa de ser interessante. Segundo a crítica, a grande “atração” do filme é Carey Mulligan, que antes desse filme, eu apenas a tinha visto em Orgulho e Preconceito (2005), e recentemente esteve no remake Brothers (2009). Sim, ela é uma graciosa atriz e tem uma bela atuação como a estudante de 16 anos seduzida por um homem mais velho.

Recentemente, li o livro “An Education” (originalmente lançado como um artigo pessoal de Lynn Barber, na revista “Granta” e depois foi expandido e se tornou em seu livro de memórias). Na verdade, o roteiro de Nick Hornby tem como fonte o pequeno artigo da revista (Aqui se tem uma noção.), e não no livro de memórias.

Como se sabe, a narrativa literária nos dá uma plenitude profundamente detalhada, descrevendo os eventos, a repetição de diálogos e assim por diante. O leitor varia em sua capacidade de interpretar um texto, usando a sua “imagem mental de palavras“ (Chatman 40). Por tal, sou consciente dos problemas que a termo fidelidade evoca. Optando ver um trabalho de adaptação como tradução, e o que ele sugere “[como] um esforço de princípios de transposição inter-semiótica, com inevitáveis perdas e ganhos típicos de qualquer tradução” (Stam 62). Assim, vejo que o roteiro de Nick Hornby traduz a proposta de Barder, nos fazendo refletir sobre nossos valores pessoais, atitudes e escolhas.

Na primeira cena do filme, Jenny (Carey Mulligan) está na chuva em uma parada de ônibus com o seu cello. A cena serve de pretexto para o judeu charmoso e sofisticado David (Peter Sarsgaard) lhe oferecer uma carona. Da primeira vista, achei que a chuva acabou deixando o “óbvio” que Mulligan tem traços faciais, os quais me deixaram claro que ela não convenceria como uma estudante de 16 anos, mas isso logo foi abafado com uma boa maquiagem, e uma dose de talento da atriz nas cenas seguintes.

Tenho que admitir que o filme me envolveu. Me fez refletir sobre a vida assim como Lynn Barber relata sobre sua apredizagem com Simon (no filme, o personagem se chama David): “aprendi a não confiar em pessoas, eu aprendi a não acreditar no que elas dizem, mas ve o que elas fazem. Aprendi a suspeitar de que toda e qualquer pessoa é capaz de “viver uma mentira”. Cheguei a acreditar que outras pessoas – até mesmo quando você pensa que conhece bem – são, em última instância irreconhecíveis.” Por tal motivo, achei que o fio condutor para essa história de liberação feminina (nos anos 60), é o personagem interpretado por Peter Sarsgaard. David é uma espécie de Ripley (personagem criado por Patricia Highsmith), no meu ponto de vista. Ele é charmoso, mentiroso e mesmo assim verdadeiro. Quando ele começa a se complicar é facil notar a insegurança também. É um papel muito difícil e Sarsgaard faz com que pareça fácil.

Não apenas os pais de Jenny parecem seduzidos com o charme e as mentiras de David, mas, creio que quem assistir ao filme também vai ficar. Aqui nos Estados Unidos se tentou criar uma polêmica em torno do fato que David (trintão!) seduz uma estudante de 16 anos, simplesmente porque o filme nos fazer acreditar que não pode haver nada de errado em um cara mais velho querer mostrar as coisas boas da vida (música de bom gosto, jantares em restaurantes finos, viagens para lugares encantadores como Paris e Roma, e outras coisinhas) para uma jovem sem recursos financeiros. Quando Jenny complete 17 anos, ela tem que pagar a sua dívida de jantares e viagens, e isso só poderia ser pago com a sua virgindade. A sugestão de praticar o ato com uma banana me pareceu até engraçado!.

“Educação” é um filme tímido e não ousado. Lone Scherfig (parte do Dogma 95), não fez um filme para causar polêmica. Por exemplo, quando os pais de Jenny descobrem a verdadeira identidade de David, eles parecem cegos e que tudo para eles, foi como um erro do destino.

Tal como na fonte original, sabemos da vida de David através dos olhos de Jenny. A câmera mostra-nos o que acontece e nos diz a verdade assim como vivido por Jenny. Scherfig mantém a simplicidade da prosa Barber, cobrindo todos os eventos do texto, sem diminuir o centro da história. O filme oferece uma reflexão sobre como a gente pode ver o mundo, revelando um foco entre o que é certo contra o errado. O poder da independência e o conceito de trabalho honesto contra o caminho mais fácil.

“Educação” também se enriquece com o trabalho de Paul Englishby, que escreveu cinco faixas lindas para a trilha sonora. Além disse, as canções escolhidas para embelezar a narrativa são incríveis: vai das faixas marcantes como “Sweet Nothin’s”, o tema de “A Summer Place” e “A Sunday Kind of Love”, até as duas faixas originais (a balada “You’ve Got Me Little Wrapped Around Your Finger” – que aparece com destaque no trailer, cantada e escrita por Beth Rowley, e a balada mais dramática “Smoke Without Fire,” na linda voz de Duffy.

Como bonus, Educação é um filme raro que demonstra tantos aspectos diferentes da vida de uma mulher. A mulher fácil interpretada pela linda Rosamund Pike; a diretora antipática vivida por Emma Thompson, que não quer aceitar a razão que Jenny prefere casar com David, do que continuar seus estudos em Oxford; a professora que tanto se preocupa com a jovem estudante, interpretada por Olivia Williams; a mãe vivida pela talentosa Cara Seymour e Sally Hawkins, a esposa mal amada (adoraria que esse papel tivesse sido mais desenvolvido!).

Apenas lamento que nas premiações desse ano, Sarsgaard e Alfred Molina (maravilhoso como o pai de Jenny) não receberam a mesma atenção que tem sido dado a Mulligan.

Minha Vida Sem Mim (Mi Vida Sin Mi. 2003)

mi-vida-sin-miO que você faria tendo apenas menos de dois meses de vida? Se não estivesse só, com filhos ainda crianças. Tendo uma relação estável. Contaria a eles? Fica difícil pensar sem estar vivenciando. Até em pensar que é uma jovem com 23 anos que chegou a isso.

O filme ‘Minha Vida Sem Mim‘ não faz um drama do drama da jovem Ann (Sarah Polley). Que após uns exames recebe do médico Dr. Thompson (Julian Richings) a sua sentença de morte. O câncer já se alastrou, e se tivesse mais idade onde as células se reproduziriam mais devagar ainda poderia ter uma chance. Paradoxo, não? Se para certos casos um corpo jovem conta a favor, no dela não. Acelerava mais.

Ann então decide não contar a ninguém. Diz que está com uma anemia profunda. Por querer poupá-los das idas aos hospitais, pois poderiam querer que tentasse todos os recursos. Ann prefere viver esses seus últimos dias com eles. Uma das cenas mais comoventes é com seu marido, Don (Scott Speedman). O que ele diz a ela. Além de ser uma bela declaração de amor, me fez ficar em lágrimas por ela. Tão jovem, e já partindo dessa vida. Pedia tão pouco da vida. Mesmo assim se vê obrigada a sair dela tão jovem.

Ela então ao pensar no que irá fazer em tão pouco tempo que lhe resta, decide fazer uma lista. Para não perder tempo era melhor priorizar o que faria. Entre os itens faria algo que nunca havia se permitido fazer, como também em num que antes nem teria feito. Um seria um banho de chuva sem pressa, sem fugir dela. É o início do filme, dai não ser nenhum spoiler. (E isso é eu algo que sempre gostei de fazer, desde criança.) O que faz o filme fluir tão leve. Em uma dessas escolhas nem dá para julgá-la. Pois nenhum dogma, nenhuma regra teria subsídio para condená-la. Ela tinha pleno direito.

Ao longo do filme vamos vendo-a se despedir da vida, da sua família… Sem que pressentissem. Pois queria partir em paz com eles. Com sua mãe, uma mulher amargurada. Com seu pai, que não via a 10 anos. Das suas duas filhinhas. A todos eles, ela deixou uma lição maior: que aproveitassem mais a vida. E que lembrassem dela pelos momentos alegres.

isabel-coixet_mi-vida-sin-miConfesso que antes de vê-lo achava que iria chorar muito. Me enganei. O filme é muito bem conduzido. De uma simplicidade no contar a história que o faz belíssimo. Não há retoques a fazer. Meus Parabéns a Isabel Coixet. Um filme que vale a pena ver e rever. Destaco também a trilha sonora!

Uma última reflexão. Pegando como gancho a compulsão de uma das personagens, da fome que sentia. Onde há tantas pessoas fazendo cavalos de batalhas por tão pouco. Onde de uma hora para outra o destino prega uma grande peça. Fica a pergunta: Tens fome de que? Lembre-se que a vida é bela, mas pode ser também muito curta!

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Minha Vida Sem Mim (Mi Vida Sin Mi). 2003. Espanha. Direção e Roteiro: Isabel Coixet. Elenco: Sarah Polley, Amanda Plummer, Scott Speedman, Maria de Medeiros, Mark Ruffalo, Alfred Molina, +Elenco. Gênero: Drama, Romance. Duração: 106 minutos. Baseado em livro de Nancy Kincaid.

FRIDA (2002)

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Começo a falar desse filme, Frida, lembrando de uma fala de Platão em Timeu: “Nas mulheres, o que chamamos matriz ou útero é um animal dentro delas que tem o apetite de gerar filhos, e, quando fica muito tempo sem frutos, esse animal se impacienta e suporta esse estado com dificuldade; erra pelo corpo inteiro, obstrui as passagens do fôlego, impede a respiração, lança em angústias extremas e provoca outras enfermidades de toda sorte”.

Frida Kahlo, fazendo um trocadilho com o sobrenome, ‘Kahlo”, calo, não no sentido do verbo, pois Frida não se cala, mas sim do substantivo “calo”, um calo no pé, que incomoda, mas que faz produzir, que ainda faz caminhar.

Nasceu no México, em 6 de julho de 1907, e desde então sua vida fora marcada por dores, sofrimentos e doenças. Filha de um fotógrafo que trabalhava pro Governo, Guilhermo Kahlo, e de uma mãe que considerava fria e cruel, Madilde Calderón.

Aos seis anos de idade, Frida contraiu Poliomielite, e, em consequência, teve uma convulsão e ficou capengando de uma perna. Sofreu um acidente ao sair da adolescência, em uma “tranvía” (mistura de bonde com ônibus), onde além das fraturas generalizadas, fôra perfurada por uma barra de ferro que entrou pela bacia e saiu pela vagina. Sofrera dezenas de cirurgia (ao todo foram 35) devido a isso e a sua saúde sempre foi considerada frágil.

Depois desse acidente, Frida recebera de sua mãe material de pintura. Como não podia levantar-se, olhava pra si mesma, na cama, através de um espelho pendurado no teto. Assim começou a pintar. Pintava a realidade de sua vida.

Casou-se com Diego Riviera, um artista mexicano, que lhe despendeu imenso amor e devoção. Por um tempo moraram juntos, por outro tempo se separaram, mas nunca se afastaram de fato.

O encontro com Riviera, de acordo com Frida, “foi o segundo acidente mais trágico de sua vida”.

O marido tinha amantes, Frida também, dos dois sexos. Riviera permitia seus casos homossexuais, mas não os heterossexuais. Frida adoecia mais sempre que o marido a traia. Brigavam muito por isso repetidas vezes e Frida pagava com uma traição homossexual sempre que acontecia uma infidelidade por parte de seu marido. Algo como pra provar que ela era melhor amante que ele, até mesmo com as mulheres.

A arte dela, pra mim, retrata a sua dor, seu sofrimento e frustração de não poder gerar filhos. Conseguia engravidar por diversas vezes, mas o aborto chegava irremediavelmente.

O filme retrata tudo isso acima de uma maneira sublime e com uma música marcada por Lila Downs que é maravilhosa.

Recomendo!

Por: Deusa Circe.

Frida

Direção: Julie Taymor

Gênero: Drama, Romance

EUA – 2002