Enquanto Somos Jovens (While We’re Young. 2014)

enquanto-somos-jovens_cartazmad-about-you_serie_e_enquanto-somos-jovens_filmeNa natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” (Lavoisier)

Uma ideia levando a outra para um tipo de homenagem? Ou apenas servindo de inspiração para uma outra história? Se foi o que aconteceu ou não… Foi o que me ocorreu logo no início como também ao longo de “Enquanto Somos Jovens“: me levou a pensar na série “Mad About You“, com Paul Reiser e Helen Hunt. Não sei o quanto ou se o Diretor Noah Baumbach gostava dessa série, mas a mim pareceu sim ter-se inspirado nela para escrever o roteiro desse seu filme. Nada contra, até porque eu curto ver a reprise dessa série. Mas ao término do filme vi que nem ficou como homenagem… De qualquer forma, além da temática principal, “Enquanto Somos Jovens” traz como pano de fundo as gravações de Documentários: o processo de criação. Mais! O quanto ao fazer uma Biografia dá o direito de não o ser tão literal: é o diretor dando asas a sua imaginação.

enquanto-somos-jovens-2014_ben-stiller_e_charles-grodinEnquanto Somos Jovens” traz um momento na vida de um casal. Unidos há anos, de repente se veem colocando a prova tal relação: como casal, como também individualmente. Onde um dos pesos seria a importância que cada um ainda tem na vida do outro. Onde quase sempre o que se ressente é o que mais se anulou. Até porque há um lado meio egoísta no outro. Nessa relação, o peso de não ter conquistado a fama que tanto queria. São eles Cornelia e Josh Srebnick, interpretados por Naomi Watts e Ben Stiller. Atuação mediana onde até poderiam ter tido grandes solos. Talvez porque eu tenha esperado um carisma igual ao casal da tal série. Talvez porque um outro personagem ter roubado a cena, o filme… Onde até um outro coadjuvante também marca presença. Falo de Charles Grodin, que faz o Leslie, o sogro de Josh. Cineasta famoso, colhendo os frutos da glória, até tenta ajudar o genro, mas esse por orgulho não aceita nem críticas construtivas.

enquanto-somos-jovens-2014_adam-driver_e_amanda-seyfriedO outro tal personagem é Jamie (Adam Driver), casado com Darby (Amanda Seyfried). Ele meio que de repente caiu de paraquedas na vida do casal; ou porque assim deixou acreditar… Como um Diretor de um Documentário “interferindo” na vida de outra pessoa e deixando ali desde o início sua marca pessoal. Algo que Josh nunca alcançou ao longo de sua carreira: em ser ousado. Enquanto tudo tinha que ser certinho, para esse outro deixava correr livremente, mas a partir de algo previamente calculado. Embora possa ser paradoxal, é que estaria em aproveitar até os imprevistos no correr do dia, do trabalho. A relação de ambos será um duelo de ego que só irá pesar para o lado de Josh. Até porque para o outro, não apenas por ser mais jovem e por ainda estar em início de carreira, mas porque era como pegar o caminho já quase sem as pedras tiradas por Josh e sem a menor preocupação. Como também aproveitar do que Josh desdenhou, ignorou. Até em ter mais visão do todo favorecia Jamie. Só que nem era pelo fato de Josh não ser mais tão jovem, mas sim por inaptidão frente as mudanças. Faltava a Josh o que Jamie tinha de sobra: de jogo de cintura. Bem, Jamie até pode ter roubado a cena, mas…

Mas é a vida de Josh e Cornelia que está sendo passada a limpo. De pronto, ambos se encantam com o estilo de vida do casal mais jovem. Onde até por não terem tido filhos já estavam se sentido deslocados na vida dos antigos amigos: o casal Marina (Maria Dizzia) e Fletcher (Adam Horovitz). Mas ao se afastarem acabam, mesmo que involuntariamente, dando a eles um certo alerta… Pois é! Marina e Fletcher entendem mais rapidamente a nova realidade em suas vidas: um filho adentrou nela sim, mas não precisam excluir, e sim se adequar a essa nova fase. E que pelo jeito não incorporaram Josh e Cornelia nela…

enquanto-somos-jovens-2014_ben-stiller_e_naomi-wattsAssim, enquanto Josh se sente “o cara” como um mestre para Jamie, Cornelia tenta acompanhar o estilo de Darby. Usados ou não, até pelos propósitos de Jamie, esse nem pode ser considerado um vilão já que deu um “acorda” na vida do casal. Na rotina em que caíram após anos de casamento. Onde mais por parte de Josh quase sem perceberem que no mundo atual há espaço para tudo: passado e presente se integrando. Que deveriam se adequar a esses novos rumos que por vezes batem à porta. Sem esquecer também de ir se desfazendo “bagagens” sem mais necessidade numa de depurar a nossa essência. É nessas quebras de ciclo que de fato ocorre uma mudança significativa na vida de uma pessoa. Do contrário irá continuar fazendo tudo igual Que no caso de Josh continuará sendo o panaca de sempre…

Enquanto Somos Jovens” é um bom filme! Pelos diálogos. Pela Trilha Sonora, do Clássico “Concerto for Lute“, de Vivaldi, ao Pop “Eye Of The Tiger“, de Survivor. Pela escolha do ator Adam Driver. Cujo Roteiro até deixa uma vontade de rever muito mais pela construção de um Documentário do que pela crise de meia idade do casal de protagonistas. Pois mesmo que tenha passado essas impressão, o filme focou mais em algo cultural naquele país: o se sentir um derrotado. Onde até poderia ter sido um ótimo filme, mas para mim Ben Stiller não soube aproveitar. Uma pena! Nota 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Enquanto Somos Jovens. While We’re Young. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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O Preço do Amanhã (In Time, 2011)

Por Eduardo Maurício.

Esse definitivamente não foi o ano da ficção, apesar de algumas ressalvas como o ótimo “Sem Limites” e o bonzinho “Contra o Tempo”, o gênero passou batido em 2011, e “O Preço do Amanhã” não é aquele que vai mudar esse fato.

Apesar de incoerente, a história é interessante de fato, o erro está na execução, realizada de forma decadente, clichê e cheia de furos.

Em um futuro distante, as pessoas não envelhecem a partir dos 25 anos. O que determina sua mortalidade é um relógio biológico refletido no pulso. O dinheiro não existe mais, com isso, as pessoas são pagas com tempo. O lado ruim disso é que os pobres estão com a corda no pescoço, cada vez mais presos ao trabalho e sem tempo a perder, enquanto os ricos gozam da imortalidade em uma região nobre separada da classe baixa.

Will (Timberlake) é um jovem de 28 anos que mora no gueto, trabalhador de classe baixa, segue sua corrida e sofrida vida naturalmente, até que no mesmo dia em que sua mãe morre, recebe de um homem mais de 100 anos de vida com a condição de não desperdiçar este tempo. Will então resolve iniciar um plano de infiltração que consiste em derrubar o sistema que favorece os ricos e que pouco se importa com os muitos pobres que morrem todo o dia.

PONTOS NEGATIVOS

O filme (que à princípio me lembrou o ótimo “Gattaca”, de 1997) começou bem, embora já ignorando uma explicação valiosa: “Como diabos uma criança nasce com uma contagem regressiva no pulso?”…

No desenrolar da trama, outras dúvidas começam a pipocar:

Como os vivos conseguem viver eternamente contando unicamente com um relógio biológico? Até onde sabemos, não é mencionado nenhuma substituição de órgãos internos que impedissem o desgaste dos naturais”… Tudo bem, seguimos em frente…

Surgem então os ladrões, obviamente os caras que vagariam pelas ruas roubando tempo de vida dos cidadãos mais indefesos. Dado o caótico ambiente em que vivem, nada mais natural, se não fosse por um pequeno detalhe: para se roubar ou transferir um tempo de vida basta um aperto braçal.

Aí eu me pergunto… Não deveria existir algum tipo de senha que impedisse a transferência indevida de uma pessoa para a outra? Afinal não estamos falando só de dinheiro, mas de uma vida humana! Como algo tão tecnológico consegue ser tão desprotegido?…

Tudo bem, mais uma vez seguimos em frente.

Ai surge a personagem de Amanda Seyfriend, Sylvia, uma garota rica que acaba se envolvendo com Will. Pronto, é a gata d’água. Dois jovens bonitos, solteiros, sendo obrigados a andar juntos 24 horas por dia. Independente do que estiver acontecendo, independente do mundo estiver acabando, sempre vai haver sexo, beijos e amaços entre eles, e nos momentos mais inconvenientes possíveis – como na lamentável cena em que Will, mesmo cercado por seguranças durante uma festa de gente poderosa, bota seu “importantíssimo plano” à perder convidando Sylvia, a filha do grande chefão para tomar um banho de praia… O rapaz é muito, mas muito ousado sem noção.

Ignora-se totalmente o bom senso de tornar o roteiro crível para se aprofundar numa trama cheia de clichês, incoerência e imaturidade.

“O Preço do Amanhã” é o tipo de filme que começa ganhando sua atenção, só para depois te obrigar observar sua decadência ao longo dos minutos. São poucos os momentos inspirados e o final então nem se fala, mais fraco impossível.

O triste é imaginar que em boas mãos, com uma base dessas, o resultado poderia ter sido épico! Em fim…

Cartas para Julieta (Letters to Juliet. 2010)

Doce contentamento já passado,
em que todo o meu bem já consistia,
quem vos levou de minha companhia
e me deixou de vós tão apartado?
” (Camões)

Ter Vanessa Redgrave atuando já é um belo convite para que eu assista a um filme. Franco Nero, também. Se bem que com ele nos Westerns de outrora a memória já não ajuda mais. Com ele o que ainda está na memória é seu personagem em ‘Querelle‘. Somado a eles em saber que veria a Itália. Suas paisagens sempre me agradaram. Completaria se tivesse uma Trilha Sonora apaixonante já que Romances na Itália me faz pensar em músicas lindíssimas. Mas isso viria com o desenrolar do filme. Assim, lá fui eu assistir ‘Cartas Para Julieta‘.

Com o início do filme também me peguei a pensar em porque o casal escolheria para uma pré lua de mel Verona. Mas precisamente cenário de ‘Romeu e Julieta’ – de Shakespeare. Seria um teste para ver se o amor deles não morreria?

O porque da escolha de Verona. Para Sophie (Amanda Seyfried) não restara outra opção. Ela queria sim um tempo maior com seu noivo, Victor (Gael García Bernal), porque ele logo inauguraria o seu próprio restaurante. Então ela queria uns dias juntos, só ela e ele. A questão é que o local fora escolhido por Victor. Porque iria ver os fornecedores – vinhos, queijos, frios, azeites… -, para o restaurante. Assim, o cenário shakespeariano para ele era de fato uma viagem de negócios. Nada a ver com a viagem romântica que Sophie planejara.

Embora Sophie trabalhasse numa grande Editora seu trabalho era de apurar dados de um fato. E talvez por ter estado envolvida com a sua mais recente pesquisa – encontrar quem seria o marinheiro sorridente na famosa foto ‘O Beijo na Times Square‘… -, a levou a fantasiar que encontraria a inspiração sob o balcão da Julieta. Além de uns dias in love com Victor. Bem, eu me considero uma pessoa muito romântica, mas também não posso negar o meu lado prático. Dai, se o meu propósito seria escrever uma longa história romântica eu estaria sim fazendo pequenas anotações. Sophie só passou a anotar, a escrever, a partir de uma história que já contarei. Quase uma história pronta como se só lhe faltasse transcrever; colocar no papel uma história alheia. Posso até aceitar como o iniciar de uma carreira literária, mas a personagem parecia um tanto quanto superficial.

Pois se Sophie queria ser mesmo uma escritora… Por que não ia colhendo dados ao acompanhar Victor nas fazendas? Pelo menos já teria um belo background para uma história, e até uma romântica. Acontece que ela não se sentia integrada naquele contexto do seu noivo. Isso já fica evidente quando sente que a sua mão ficou suja com a farinha (trigo) da massa que Victor fizera. E ele estava entusiasmado, como se tivesse inventado o macarrão.

Como podem ver a tal lua de mel estaria relegada aos intervalos que possivelmente ambos teriam com essa viagem. Enquanto isso, Victor era um entusiasmo só, saboreando, como também aprendendo: receitas e a História de cada produto. A única coisa que estava lhe escapando do olhar, era a sua noiva. Que sentiu suja a mão de farinha, mas não fez o mesmo com um sorvete na cara de um outro cara…

Sem a companhia do noivo Sophia vai visitar os pontos turísticos de Verona. Sentada sob o balcão de Julieta fica observando e quem sabe clamando por uma inspiração. Aqui, um outro detalhe a faz uma personagem sem consistência. Pois se queria tanto aproveitar a viagem para escrever um livro e sendo a trama do filme no tempo atual, logo há a internet. Ela já deveria ter lido antes sobre o que fizeram do tal cenário de Shakespeare nas últimas décadas lá em Verona. Até me causou espanto do dela ao ver uma jovem indo embora chorando muito. Não lhe passou pela cabeça que a jovem estava sofrendo por amor?

Saindo um pouco da ficção e falando de Turismo e Marqueting… É que quando governos pensam de fato em investir no Turismo local, conseguem mesmo. Porque turistas geram Receitas. Claro que tem que ter um planejamento, um certo controle para não causar danos ambientais ao local. E foi por ai que fizeram em Verona. Aproveitaram da história do livro para também atrair um outro tipo de Turistas. E a Casa da Julieta alugam até para casamento. Um pouco de Verona:
Verona sabe muito bem o que a faz famosa: a história que data dos tempos romanos, uma localização que a fez ser disputada pela Itália e por outros países europeus, além de algumas das mais bonitas arquiteturas romana, românica, gótica e renascentista de toda a península. Mas tirando os veroneses, pergunte a qualquer outra pessoa o que mais ela conhece sobre a cidade? Romeo e Julieta. Isso mesmo. Em Verona também temos uma casa com balcão.
A família Capuleto, de Romeo e Giulieta, realmente existiu, embora nunca tivessem morado na casa que hoje se chama Casa Giulietta (Via Cappello 23, 045 803 4303). Mesmo assim, os turistas ainda se espremem no pequeno pátio para olhar a varanda, que na verdade foi construída nos anos 1920 para que tivessem algo palpável para olhar. A casa pode ser visitada, mesmo que seja para pisar na varanda e voltar.
” Tem mais aqui: http://www.guiatimeout.estadao.com.br/italia_verona_contexto .

Voltando ao filme… Numa tarde, já quase hora do fechamento, ela vê uma jovem recolher as cartas deixadas por turistas num muro da casa da Julieta. Curiosa, Sophie a segue. A mulher encontra-se com outras num restaurante que tem como nome: Cartas para Julieta. Elas vão para o interior da casa. Sophie as segue e pergunta do porque de recolherem as tais cartas. A jovem em questão é Isabella (Luisa Ranieri). Que explica que ela e as outras – Francesca, Donatella e Maria -, respondem as cartas. Patrocinadas pela Prefeitura. À cada uma um tema específico nessas respostas: conflitos matrimoniais, doenças, perdas

Interessada em algo de fato desde que chegou a Verona Shophie então investe seu tempo em acompanhar o que elas fazem. Indo ajudar Isabella com as cartas, ao retirar uma cai uma pedra do muro. Ela retira uma carta que estava lá dentro. Ao ler vê que fora escrita a 50 anos atrás. E que contava de um grande amor entre dois jovens: ela, uma inglesa, e ele, um italiano. Se conheceram durante uma passagem dela pela Itália. Na carta dizia que estava dividida entre ficar, fugir com ele, ou seguir de volta a Londres com os pais. Já que esses proibiram o namoro. Todas começam a divagar sobre o que teria acontecido depois: se Claire ficara na Itália com o Lorenzo, ou não. Sophie pede para responder a Claire.

Continuando sem ter o noivo ao seu lado… Eis que um jovem inglês bravo se faz presente. Era Charlie (Christopher Egan), o neto de Claire. Ele acompanhara a avó à Itália. Claire aceitara a sugestão de Sophie na carta. Embora décadas se passaram ela queria estar com o seu grande amor Lorenzo. Charlie achava aquilo uma loucura, mas amava a avó para deixá-la sozinha nessa aventura. Claire conta que o conhecera em Siena; viera fazer um Curso de Arte em Toscana. Se valendo do seu talento em apurar dados, Sophie traça num mapa os vários Lorenzo Bartolini daquela região. Então os três seguem juntos nessa busca. Desde aquele que se diz ser o seu jovem Lorenzo, passando até por aquele que a própria esposa pede que o leve, será um longo caminho a ser percorrido…

Cartas Para Julieta‘ trata-se de uma Comédia Romântica com um pouco de Drama. Assim, com todos os ingredientes desse gênero. Logo, não há surpresas no que irá acontecer. O Roteiro também não ajuda muito: é bem mediano. A Trilha Sonora que poderia ser um grande coadjuvante ficou perdida. Com uma ou outra música que combinaram de fato com a cena.

Então, o que fez valer a pena ter assistido? Além de um belo Tour por essa região da Itália.

Gael Garcia parecia uma criança brincando feliz num parque de diversão. Tão esfuziante que acabou passando do tom num solo onde a trama do filme não pedia. Por suas outras passagens em outros filmes fiquei pensando que a Direção falhou muito. Em relação a Amanda Seyfried me peguei a pensar se já fui com um certo olhar crítico já que não gostara também da atuação dela em ‘Querido John‘. Enfim, quem fez de fato valer a pena ter assistido ‘Cartas Para Julieta‘ foi ela: Vanessa Redgrave. Uma das Grandes Divas do Cinema. Vê-la atuando é uma grande aula. Além do que é muito bom em ver em cena um par romântico com atores mais maduros. Franco Nero, casado com ela na vida real, deu química no romance da tela. Como um cavalheiro à moda antiga não catalizou para si os olhares mesmo tendo tão belos olhos. Foi também para a Vanessa a emoção sentida no reencontro.

Então é isso! ‘Cartas Para Julieta‘ é um bom filme, mas que não entrou para a minha lista de querer rever. Quem sabe passado um longo tempo e numa exibição pela televisão.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Cartas para Julieta (Letters to Juliet). 2010. EUA. Direção: Gary Winick. +Cast. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 105 minutos.

(1*) A foto do Balcão da Julieta, foi cortesia desse site: http://www.freefoto.com/

Querido John (Dear John. 2010)

Ainda vendo o filme – Querido John -, fiquei pensando se teria que me posicionar como uma estadunidense para entender melhor o que ia pela cabeça do casal de protagonistas. Para pelo menos não ser tão crítica com eles vendo-os como superficiais demais. Até o engajamento de ambos não pareceu vir de dentro. Talvez por uma fuga, ou mesmo por não ter uma perspectiva maior para si mesmos. Claro que nem todos precisam nadar contra a correnteza. Nem todos precisam ter ambições profissionais. Até entenderia que a personagem aqui tivesse “saído” da Escola do filme ‘O Sorriso da Monalisa‘. Que a estória deles até possa ter dado certo no Livro. Mas no filme a estória de ambos se perdeu. Eu não sabia se abandonava a sessão ou se ansiava que chegasse logo ao final. Por fim, terminei de assistir. E… Tudo por conta de John (Channing Tatum) e Savannah (Amanda Seyfried).

Começando por John e por algo positivo do personagem. Algo que costumo ressaltar em meus textos. O de canalizar um aspecto próprio que poderia até destruir a vida de uma pessoa. Pois já que é nato o melhor a fazer é encontrar um outro caminho, num fim benéfico, ou menos destruidor. John era extremamente forte. Mais! Reagia muito rápido, e com violência, a até a uma agressão verbal. Muito embora fosse uma pessoa pacata. Por conta de uma briga… se alistou. Para mim foi para ter como descarregar essa força e sob um comando. Criado pelo pai (Richard Jenkins – Sempre ótimo!) desde a infância. A mãe abandonara os dois. Seu pai colecionava moedas. Um hobby passado pelo filho após esse ter-se encantado com uma visita na Casa da Moeda quando criança. Ambos, de pouca fala. Seu pai era uma pessoa extremamente metódica. E tendo boa índole também.

John estava de férias – duas semanas -, do serviço militar. Em seu primeiro dia uma jovem chama a sua atenção. Ela nem o notara. Chegara com um grupo no pier onde John olhava o horizonte após surfar. O rapaz que acompanhava a jovem, ao brincar com a bolsa dela, acaba deixando cair no mar. Enquanto ele corre para sair do pier e então ir pela praia buscar a bolsa, John pula lá de cima mesmo. Um gesto imprudente que poderia até ser fatal. Era um macho chamando a atenção da fêmea. E conseguiu. Ela é Savannah. Que se sente na obrigação em retribuir o favor. Já que ele lhe trouxera sua bolsa.  Aos poucos o gelo foi se quebrando e eles começaram a namorar. Cientes que ele voltaria para o Quartel,e ela iria para a Faculdade.

Às vésperas dele embarcar, eles se desentendem. Tudo porque Savannah comenta do problema do pai do John. Ele fica indignado. Na cabeça dele, era como se ela chamasse seu pai de maluco. Savannah tinha percebido que o pai dele era autista. Ela tinha um pouco de experiência nisso por conta do filho, o Alan (Braeden Reed), de um grande amigo, o Tim (Henry Thomas), de seus pais.

Refeito e já mais calmo John vai procurá-la até para se desculpar. Não a encontrando deixa um bilhete com um vizinho. O tal pai do menino e que já sentira fisicamente uma das explosões de John. Mais tarde Savannah vai ao seu encontro e com uma carta. Selando de vez o compromisso de sempre escreverem cartas contando tudo o que faziam, enquanto estivessem longe.

A princípio, John daria baixa dali a alguns meses. Mas um grande incidente o fez mudar de ideia, e seguir carreira militar. Fora o 11 de Setembro. E é por conta disso, um dos motivos que citei no início do texto. Logo de início, até dá para entender a causa que o Bush levantou: combater os terroristas. Mas com o passar do tempo caberia uma reflexão maior. Mas é o que falei: eu não sou uma cidadã americana. Como já deixei meu ponto de vista sobre o que veio com o 11 de Setembro em alguns textos de filmes como em ‘Soldado Anônimo‘ e ‘No Vale da Sombras‘, para citar dois exemplos.

Com isso o tempo longe um do outro foi aumentando.

Savannah até pelo carinho com o pequeno autista investe seu tempo e dinheiro num Haras para uma ajuda terapêutica, ou até reabilitação de Crianças com algum tipo de sequela. Mas sem nenhum planejamento não soube levar o espaço adiante. Era algo caro demais para se manter. A bem da verdade ela estaria melhor como uma dona de casa que ocupasse seu tempo vago como voluntária em causas humanitárias. Os bastidores, era muito trabalhoso para ela. E sem John por perto a sua realidade como pessoa a levava a tomar uma decisão, e logo. Para ela a receita da felicidade era ter sonhos realizáveis.

A distância consegue matar um grande amor?

Quando se está de fora é até fácil dizer: ‘Isso eu não faria!‘. Até aqui, eu aceito. Mesmo assim o que esses dois fizeram fora um desperdício de vida. Eles se “engajaram” em causa alheia esquecendo deles mesmos. No que ela fez pode até ter um que de humanitário, mas fora precipitado.

Enfim, se enxugassem um pouco o filme ficaria como um bom sessão da tarde. Mas do jeito que está ficou um tédio. Não recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Querido John (Dear John). 2010. EUA. Direção: Lasse Hallström. +Cast. Gênero: Drama, Romance, Guerra. Duração: 105 minutos. Baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks.

MAMMA MIA!

Há muito motivos para ver o filme musical de Phyllida Lloyd: “Mamma Mia“. Para ouvir todos os hits de Abba, grupo POP-brega e maravilhoso que atravessou duas décadas de pleno sucesso, para ver Meryl Streep, linda, madura e encantadora ou simplesmente para se sentir feliz numa paradisíaca ilha grega cheia de gente simples e alegre.

O enredo é um fio de estória alinhavado para conter, em certos momentos à força, as músicas do famoso grupo sueco. A afinação também não é, com exceção de Meryl, definitivamente o forte do elenco. Mas quem se importa com esses detalhes? Acho até que confere um charme descontraído que contribui para o clima festivo e naturalista ao filme.

O musical estreou em Londres em 1999 e é um grande sucesso até hoje em vários lugares do mundo. Madonna aproveitou para pegar carona nesse revival, quando escolheu o sample de “Gimme, gimme, gimme” para seu show/CD “Confessions”. É mesmo difícil se conter na poltrona ao ouvir “Dancing Queen” e dá vontade de cantar junto com mãe e filha a emocionante: “Slipping Through my Fingers”, separadas por um casamento que está para acontecer. Mas o grande momento é a música: “The Winner Takes it All”, uma canção linda e chorosa sobre separação que parece ter sido o ponto de partida para o projeto do musical.

Donna (Meryl) é a mãe e Sophie (Amanda Seyfried) a filha que não sabe quem é o pai e a partir de um diário perdido, decide convidar os três prováveis genitores para sua festa de casamento e assim tentar descobrir sua origem. Nada para ser levado muito a sério, se bem que as soluções do roteiro são até muito boas, e como os tempos mudaram, há espaço para sutilezas gay. Relaxe e aproveite esta grande diversão até o fim dos créditos. Não há contra-indicações.

Por: Carlos Henry.

MAMMA MIA!. 2008. Reino Unido. Direção: Phyllida Lloyd. Elenco: Meryl Streep, Pierce Brosnan, Amanda Seyfried, Colin Firth, Stellan Skarsgård, Julie Walters, Christine Baranski, Dominic Cooper. Gênero: Comédia, Musical, Romance. Duração: 108 minutos. Censura: 10 anos.