OLHO NU (2014). O Ney Matogrosso dos Palcos e da Vida.

ney_matogrossoO documentário de Joel Pizzini sobre a trajetória do prolífico artista Ney Matogrosso, foge aos padrões comuns. Para começar, não há depoimentos de outras pessoas sobre o cantor, salvo um ou outro pequeno comentário sempre sem legendas ou marcações de tempo, que parece não ter importância alguma na narrativa habilmente fragmentada. É o próprio Ney quem fala de si mesmo o tempo todo. Ele critica e analisa suas imagens de arquivo e falas do passado com a autoridade de seus mais de setenta anos.

ney-matogrossoControversamente à sua aparente sisudez, Ney aparece despudorado, com roupas e maquiagem extravagantes que o tornaram famoso, ou completamente nu, integrado a uma natureza selvagem de lagos, matas e bichos que diz fazer parte, como sintetiza a bela imagem do imenso caracol que lhe acaricia o rosto. É curioso assisti-lo falando afirmações conhecidas como quando diz que não acha o próprio corpo bonito, mas usa como se fosse. E até acreditam. Complementa.

A narrativa recheada de trechos de letras que ele já cantou e comentários quase sempre muito sérios e fortes ilustra uma vasta produção musical de qualidade, incluindo as músicas do lendário grupo Secos & Molhados com cenas inéditas do antológico show no Maracanãzinho nos anos 70.

Nem mesmo as suas eventuais e desastrosas declarações políticas, sob a justificativa de uma suposta subversão congênita, conseguem arranhar uma carreira íntegra, rica e bela que o filme consegue registrar em cada fotograma. Ney é vencedor e sua força não teme as rugas ou a morte, como na cena que mostra Paulete e Cazuza numa reunião e se pergunta por que não foi embora na leva de uma doença que matou tantos amigos nos anos 80. Às vezes, mais de um funeral por dia, lembra entristecido na condição de sobrevivente.

Como já cantou tantas vezes com seu sangue latino: O que me importa é não estar vencido.

Carlos Henry.

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O Maravilhoso Agora (The Spectacular Now. 2013).

the-spectacular-now_2013_filmePor Francisco Bandeira. (O texto contém spoiler.)
Um Estudo das Imprevisibilidades que Nos Cerca.

Já deixo avisado a todos que não se trata de um simples filmes sobre os adolescentes de hoje! Encare ‘The Spectacular Now‘ como um estudo de personagem cada dia mais presente em nossa sociedade: um jovem adolescente, com muitas perguntas jogadas ao vento, sem a mínima noção de como respondê-las, sofrendo pressão de amigos (as), namorada, da família, e na escola, com seus professores que, ao contrário do que a imaturidade nos faz pensar, querem realmente extrair o nosso melhor e nos preparar para as imprevisibilidades do inevitável futuro que nos cerca.

Dito isso, somos apresentados à Sutter Keely (Miles Teller), um jovem popular da escola que, após terminar o namoro com Cassidy (Brie Larson), sai para a noitada em busca de aventura, regada com muita bebida. Ao amanhecer, deitado no gramado, o jovem conhece a encantadora Aimee Finecky (Shailene Woodley), uma jovem estudiosa e apaixonada por ficção científica. A partir daí, os dois começam um inusitado relacionamento, passando a refletirem duramente sobre seus papéis na vida dos outros e na deles mesmos.

miles-teller_the-spectacular-now-2013Já no começo do longa-metragem, nos são jogadas uma enxurrada de questões sobre vida, amadurecimento e futuro. E o protagonista tenta de início, tenta responder tudo de uma só vez, nos mostrando sua vida até o momento. Numa sequência extremamente bem montada, somos jogados à rotina do adolescente, até o surgimento de forma fantástica do título: The Spectacular NOW. Apenas com isso, o diretor já nos mostra muito do personagem principal: um jovem que só pensa no agora, sem ligar para as consequências do amanhã, tratando o futuro como algo ameaçador à sua “plena felicidade”.

O grande mérito do filme é nunca subestimar nossa inteligência, revelando de maneira sutil alguns fatos sobre o personagem principal. Por exemplo, em determinada conversa com sua mãe, logo descobrimos que seus pais são separados e, ao ser comparado com o pai, Sutter tem uma reação negativa. Mas, logo à frente, descobriremos que o protagonista não ver seu pai a um longo tempo e não entende o motivo de sua mãe evitar esse encontro, sempre dando um tom de vilão ao homem no qual o jovem tem boas lembranças de sua infância. Ou seu alcoolismo, tratado de maneira irreverente por Ponsoldt (virando especialista no assunto) como uma brincadeira adolescente, sem sequer notarmos tal vício, passando quase despercebido, assim como seus problemas pessoais.

O elenco, extremamente promissor, conta com ótimas participações de Brie Larson (talvez uma das melhores atrizes dessa nova geração) como Cassidy, a ex-namorada confusa, em busca de garantir seu futuro e Mary Elizabeth Winstead, como a irmã bem resolvida do jovem, que mesmo com pouco tempo em cena, concebe um desempenho impressionante, digna de aplausos por seu alcance dramático. Já os veteranos Kyle Chandler e Jennifer Jason Leigh pontuam com correção seus trabalhos como os pais do protagonista. Mas é inegável que o longa-metragem encontra na dupla principal seu maior trunfo.

Milles Teller entrega uma das melhores atuações do ano, na pele de um jovem cheio de problemas, seja em casa (ausência do pai em sua formação), na escola (um aluno totalmente desinteressado em terminar os estudos) ou na vida amorosa (foi chutado por uma menina que ele gostou de verdade e ainda tenta manter laços com ela). O ator oferece um leque de nuances, que vai do garoto extrovertido ao debochado, passando pelo melancólico até o apaixonado, soando sempre convincente. Beneficiado por diálogos brilhantes, Sutter se transforma no perfeito representante de sua geração: egoísta, desinteressado, que procura ajudar os outros para preencher seu vazio existencial, sempre buscando, de forma inconsciente, uma retribuição involuntária, sendo o possível motivo para seguir em frente.

spectacular-now_filmeA grata surpresa fica por conta de Shailene Woodley, que vive Aimee Finecky com imensa simpatia e ternura, encarando tudo com um honesto sorriso em seu lindo rosto, totalmente desprovido de vaidade, mostrando a jovem como figura devota a mãe (entrega jornal, faz as compras, cuida do irmão menor, estuda) e que pensa até em abdicar de seus sonhos (ir para uma boa faculdade, morar em uma grande cidade), pois não pode deixá-la sozinha! Aqui, a jovem simboliza a esperança nessa nova geração, onde acreditamos na pureza de seu amor por Sutter e em sua doce inocência, e quando nos damos conta, já estamos encantados com sua personagem, torcendo sempre pelo seu melhor.

No terceiro ato, o roteiro nos brinda com cenas memoráveis, destacando-se a conversas altamente reveladoras entre o jovem e seu professor e posteriormente com seu chefe, onde sem sutilezas, o adolescente se abre sem medo, rendendo momentos de verdadeiro impacto! A película ainda dá espaço para um belo simbolismo: quando tudo parece estar indo ladeira abaixo, onde Sutter se afunda de vez na bebida, o diretor foca no carro do protagonista, voltando para casa, mostrando o pneu caminhando sobre a linha, mostrando de forma absolutamente perfeita a situação que vive o rapaz. Um verdadeiro achado no cenário adolescente atual. Assim como seu desfecho, simplesmente corajoso, mostrando o total comprometimento de Ponsoldt em retratar de forma honesta esse período nada fácil, mas muito prazeroso em nossas vidas.

Melancólico, trágico e até poético, “The Spectacular Now” pode não ser um grande exercício cinematográfico, mas é, sem sombra de dúvidas, um filme essencial para sua geração, pois mostra algo que poucos jovens compreendem atualmente: o agora é realmente espetacular, mas nunca podemos descartar a hipótese de nos surpreendermos com as incertezas da vida, afinal, quem sabe o que pode acontecer? Final feliz ou não, nunca saberemos responder determinadas perguntas se deixarmos as oportunidades passarem diante de nossos olhos sem fazermos parte delas, pois VIVER O MOMENTO pode se transformar numa experiência interminável e devastadora, ao percebermos que já é tarde demais para se construir o futuro.

Avaliação: 8,5.

Meu Melhor Inimigo (The Odd Couple II. 1998)

A inimizade desses dois personagens começou de fato muito tempo atrás. Quando um deles deu guarida por uns dias ao outro amigo. Pois é! No fundo se gostam, mas por serem o oposto um do outro, quando juntos soltam faíscas. Por vezes explodem mesmo. Mas após uma separação de 17 anos eis que o destino conspira para novamente juntar esses dois amigos. Ops! Essa estranha dupla. “Meu Melhor Inimigo” é uma continuação hilária!

Que bom também que o destino conspirou para mais uma vez reunir esses dois grandes atores: Walter Matthau (1920–2000) e Jack Lemmon (1925–2001). Dando a nós um presente em ver esses dois personagens com lugar de honra em nossa memória cinéfila: Oscar Madison (Walter Matthau) e Felix Unger (Jack Lemmon). Quem viu o primeiro filme, “Um Estranho Casal” (1968), por certo amou os dois e que pela química entre eles foi na mesma intensidade. Um é o contraponto do outro.

Oscar, agora aposentado, mora na Flórida. Ou seja, a quilômetros de distância do outro que mora em Nova Iorque. Continua o mesmo: desorganizado, meio desleixado, sem se importar com a comida. E continua adorando jogar. Sendo que agora tem como companheiros de carteado, um grupo de aposentados, e mais velhos que ele. Se têm dinheiro para apostar, é o que importa. Mas continua um bom camarada!

Felix continua com suas manias um tanto quanto esquisitas até por um desconhecimento do quadro clínico dele: nosso e dele próprio. Já que para ele sua compulsão por limpeza é algo normal. Um hipocondríaco na busca de uma cura de algo que não tem. Leiga que sou me arrisco a dizer que tem TOC (Transtorno obsessivo-compulsivo). A sua ingenuidade nesse seu modo de ser, ter aparentando uma carência que acaba comovendo o Oscar.

Brucey (Jonathan Silverman) liga para seu pai, Oscar, avisando que irá se casar em poucos dias. Pedindo que vá ao casamento. A primeira bomba vem com quem será a noiva. Justamente com Hannah (Lisa Waltz), filha de Felix. Passado o primeiro impacto, vem a segunda bomba. Oscar e Felix se encontrarão num aeroporto na Califórnia e de lá seguiriam num mesmo carro alugado até o local da cerimônia.

O que seria algo fácil até para duas crianças, para Oscar e Felix uma pequena viagem de duas horas se prolonga por dois dias. Com muitas discussões. Confusões que hora patrocinada por um, hora pelo outro. De levarem um delegado (Richard Riehle) a testar seus próprios limites de paciência, por não querer queimar o próprio filme: está tentando uma reeleição. Uma interminável e divertidíssima viagem!

Desliguem-se de tudo a volta. Mas principalmente do politicamente correto, já que a história tira proveito cômico dos males do personagem Felix. É diversão garantida! Eu, mesmo revendo, caio em deliciosas gargalhadas sempre. Amo de paixão!
Nota Máxima!

Como brinde: O tema musical do primeiro que também está nesse:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Meu Melhor Inimigo (The Odd Couple II. 1998). EUA. Direção: Howard Deutch. Roteiro: Neil Simon. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 97 minutos.

Até a Eternidade (Les Petits Mouchoirs. 2010)

Confesso que na primeira lida sobre esse filme eu pensei num outro, o “Para o Resto de Nossas Vidas“. É que se é com reencontro de amigos esse de 1992 será sempre por mim lembrado. Aí me peguei a pensar se “Até a Eternidade” também ficaria nessa minha memória afetiva. E ainda uma outra dúvida ao saber da longa duração dele: se me levaria ficar atenta até o final. Mesmo ciente de que o Cinema Francês não tem pressa ao contar uma história, se nesse teria o conteúdo para tanto. Então era esperar e conferir. Conferido, e…

Amei! Das lágrimas rolarem livres ao final, já que no decorrer do filme elas brotaram em algumas cenas. Não estou querendo com isso afugentar ninguém, nem dizer que o filme apela para nos levar a essa comoção. A emoção vem que tem certas situações que machucam, que entristecem, que vem com uma sensação de alma lavada, ou mesmo em partilhar uma alegria, compartilhar um problema, uma dor… Por ai. Como também há momentos no filme onde o riso ilumina a face. E assim o filme foi me levando. Embora eu confesse que em dado momento me vi pensando como seria já a cena final, e então pensei se ele fosse mais curto se eu não teria me focado já no final. Mas logo depois percebi que não foi pela longa duração, mas sim pela importância do fato em si na vida daqueles amigos. Tanto é verdade, que já com duas horas de filme me peguei querendo que ele não terminasse logo.

Embora ciente que o filme é para um público restrito, me vi na dúvida se traria spoiler ou não. É que para traçar um pequeno perfil desses amigos, talvez escape algum lance do filme. Tentarei não contar os mais relevantes, mas já fiquem de sobreaviso. E antes, reforço a sugestão para que não deixem de ver esse filme.

A história se passa em alguns dias da vida de um grupo de amigos. Não sei se seria certo dizer que irá marcar como um divisor de água para eles como um todo, pois para uns em separado, sim. Mas é certo afirmar que todos lembrarão para sempre. E que de certa maneira sairão renovados onde foi desencadeado por um acidente do destino.

Um grupo de amigos aproveita o aniversário do filho de um deles para curtirem um tempo junto. Amigos de longa data, onde cada um trilhou seu caminho, o que mantém alguns deles afastados nos outros meses dos anos, veem nesse período uma confraternização. Sendo um grupo bem heterogêneo, algo já rareando fora da ficção já que o usual atualmente é terem todos os interesses em comum, o fator que irá diferenciar essa reunião das anteriores estará em se conhecerem de fato mais a fundo. E a partir daí, aceitar o outro como ele é. Isso irá gerar cenas doloridas. Onde o que omitiram antes fora devido a não aceitação de alguns. Até pelo preconceito alimentado por algo cultural. Mas também por vergonha em expor aos demais algo tão íntimo.

O que os expõe desse jeito tão frágil foi que um deles – o mais querido por todos – sofre um grave acidente às vésperas dessa reunião. Ficando internado numa UTI. Então os demais decidem seguir com essa pequena férias à beira-mar. Levando também na bagagem o sentimento de querer o tal amigo de volta a eles.

E quem são esses amigos? Cujos sentimentos se encontram à flor da pele, levando-os a também testar se essa amizade resistirá a falta de confiança. Um pouquinho de Ludo, Max, Marie, Éric, Vicente, Antoine e Jean-Louis:

– Ludo (Jean Dujardin) é o amigo acidentado. Seguiu a carreira de ator. De todos, é o mais desencanado. Daqueles que seguem como lema: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.”
– Max (François Cluzet) é o dono da casa de praia para onde todos vão. De todos é o que mais teve sucesso profissionamente no que se refere a dinheiro. Meio carcamano, Max não mede as palavras. Talvez por só saber lidar com o lado racional. Casado com Véro (Valérie Bonneton), é ela que tenta impor um freio ao descontrole dele nesses dias, mesmo sem entender o porque.
– Marie (Marion Cotillard) se encontra fragilizada também por um outro motivo. Um outro segredo seu vem à tona de um jeito brincalhão para quem disse, que deveria ser aceito com naturalidade por todos, mas que pelo silêncio que se formou, mostrou que ainda não estavam preparados.
– Éric (Gilles Lellouche) esconde dos amigos algo muito importante. Tenta passar a ideia de desencanado, mas é mais para esconder a sua dor. Precisa aprender que um homem também chora.
– Vincente (Benoît Magimel) encontra-se num grande dilema, o que pode até resultar numa separação com Isabelle (Pascale Arbillot). Ela sofre, meio já prevendo o fim do casamento. Vincente ao se abrir apenas com Max não contava com o descontrole desse.
– Antoine (Laurent Lafitte) é o que mais se expõe. Chegando a perturbar os demais com a sua insegurança. A ele faltaria saber lidar com o seu lado racional, mesmo em se tratando de uma dor de amor.
– Jean-Louis (Joël Dupuch), parece ser o mais centrado. Assim como os demais, sentem pelo amigo que se encontra hospitalizado. Jean-Louis mora à beira-mar. Tem um pequeno comércio de ostras. Por se encontrar num período de defeso*, o problema de dinheiro vem a complicar esse momento frágil.

Paisagens lindas. Uma Trilha Sonora incrível, cuja a cena com Nina Simone cantando “My Way” não apenas emociona como ficará eternizada. Química perfeita entre todos os atores. Diálogos e Silêncios que emocionam. E que apesar das minhas lágrimas no final, o filme deixa uma leveza. Aplausos também para a direção de Guillaume Canet. Um filme que deixou vontade de rever. Ah sim! Consegui não contar nenhum spoiler.

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Até a Eternidade (Les Petits Mouchoirs. 2010). França. Direção e Roteiro: Guillaume Canet. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 154 minutos.

Curiosidades:
– O título francês tira seu nome de uma expressão “le mettre dans sa poche avec son mouchoir par dessus” (colocar no bolso com seu lenço por cima), que significa botar um ponto final em alguma coisa, esquecê-la, não pensar mais nela. No caso do filme, tratam-se de pequenas mentiras (que as pessoas pensavam estar esquecidas no fundo do bolso, etc). [Traduzido por uma de nossas Autoras daqui do blog, a Fátima Daia Bosch, de um Fórum em francês.]
– O defeso é um período de paralisação obrigatória da pesca de um determinado recurso pesqueiro, para proteger a espécie na fase da desova e do recrutamento da espécie.

A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift. 2012)

A simples menção da “Saga A Era do Gelo” o primeiro sentido que evoca é a audição. É pela força da Dublagem Brasileira, principal com a voz de Diogo Vilela para o mamute Manny, como também a do Thadeu Mello para a simpática preguiça Sid. Assim como foi com a voz do Bussunda para o “Shrek”. Eles personificam de uma tal maneira que só em olhar a foto num cartaz vem falas deles à mente. Ainda bem que eles continuaram dublando. Mas senti a falta da voz da Cláudia Jimeniz para Ellie, a esposa de Manny em “A Era do Gelo 4“. Foi uma pena!

Nessa continuação, o esquilo Scrat mais uma vez se encontra na hora errada, e no lugar errado, com a sua inseparável noz. É que a apoia num certo pedestral justo na hora em que há uma grande acomodação do subsolo, alterando a geografia local. E nessa, numa de “entrei de gaiato no navio”, o trio de amigos – Manny, Sid e Diego -, são levados por um iceberg. Enquanto se afastam do continente, em terra Ellie toma a frente em guiar os animais para um local seguro.

São quase duas aventuras em paralelo, mas com o trio ela é mais intensa. Até descobrem um clandestino à bordo. Sid, como sempre tenta levantar o astral dos amigos. Mas Manny está super preocupado por não estar na cola da filha adolescente, a Amora. Numa de “toda donzela tem um pai que é uma fera”, Manny fica mais ranzinza. Já com Diego, ainda o receio do mar. Já que eles se encontram à deriva em uma grande pedra de gelo, no meio do caminho terão que escapar de piratas e sereias. Além de um jeito de voltarem para terra firme.

Dando prosseguimento ao constituir uma família do anterior, nesse quarto filme temos os conflitos que podem surgir nos núcleos familiares, e nesse: velhice e adolescência. Como já citei, na Família de Manny, é o saber lidar com uma filha adolescente. Já para Sid, seus pais largam a avó para que ele tome conte dela, enquanto eles saem de férias. Só Diego se encontra imune a tudo isso. Ou não! Quem sabe dessa vez o cupido flecha o coração dele a pirata Shira.

Aventuras não faltarão para todos eles, assim como diversão garantida para quem assiste. Peguem a pipoca que o filme é muito bom! E que deixa um querer por mais aventuras. Quem sabe com uma “crise dos quarenta” para os três amigos. Ah sim! Há também versões legendadas, mas essa saga eu prefiro mesmo assistir as dubladas.

Nota: 9,0.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift. 2012). EUA. Direção: Steve Martino, Mike Thurmeier. Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Duração: 94 Minutos.

Elenco de Dublagem:
Ray Romano -> Manny <- Diogo Vilela.
Denis Leary -> Diego <- Márcio Garcia.
John Leguizamo -> Sid <- Thadeu Mello.
Queen Latifah -> Ellie <- Carla Pompilio.
Wanda Sykes -> Vovó <- Nádia Carvalho.
Keke Palmer -> Amora <- Bruna Laynes.
Peter Dinklage -> Capitão Entranha <- Jorge Vasconcellos.
Jennifer Lopez -> Shira <- Andrea Suhett.
Nick Frost -> Flynn <- Mauro Ramos.

Pronta para Amar (A Little Bit of Heaven. 2011)

Amei! Chorei baldes, mas com brilho nos olhos o tempo todo porque a estória é cativante. Também porque me identifiquei em alguns pontos com a protagonista. Principalmente pelo jeito irreverente dela. Espirituosa. Que ri da própria sombra. Tão alegre que escolhe para ser seu Deus, a atriz e comediante: Whoopi Goldberg. Só por essa escolha já seria motivo para ter amado “Pronta para Amar” (A Little Bit of Heaven. 2011), a ponto de querer rever outras vezes. Mas tem mais!

Começo então pela protagonista: Kate Hudson. Ela fez cada solo magistral. Antes do filme, me peguei a pensar se ela seria uma versão masculina de “Tudo por Amor” (Dying Young. 1991), mas nesse aqui, o “Acorda!” veio da sua personagem, Marley, alguém já em fase terminal. Claro que é uma estocada no peito alguém com tanta vontade de viver, ter de sair da vida ainda jovem. Mas a sua personagem nessa sua redenção final, leva aos que lhes são mais próximos repensarem em suas próprias vidas. Como estão levando. Como também em como ficar ao lado de alguém querido, mas com pouco tempo de vida. Como lidar com inevitável: sozinha ou com pessoas a volta? E outros questionamentos mais. Sem esquecer é claro que um filme também é para entreter. Nesse quesito, esse filme também é excelente!

Marley estava galgando postos mais altos em sua carreira de publicitária. Além de talentosa, tinha um olhar clínico para perceber dos demais. Seu lado pessoal era meio solitário, mas até então feliz com a companhia de seu cachorro, o Stanley. Se fechara ao amor, aos relacionamentos mais longo; ao longo do filme ficamos sabendo o porque. Parece que isso também vem agregado ao destino como num: aproveite a vida, irá sair dela cedo. Acontece que, se isso não estava bem resolvido, teria que passar a limpo. O que nos remete às suas conversas com o seu próprio Deus. Divertidíssimos esses papos: Kate e Whoopy estão ótimas! Que no fundo, não deixa de ser um tête-à-tête consigo mesma: se ela é uma pessoa divertida, seu “eu” mais íntimo também seria.

Como também nos leva aos títulos: o original – A Little Bit of Heaven -, e o dado aqui no Brasil: “Pronta para Amar“. Quando se chega na cena onde o título original aparece, é bem engraçada. Mas se ela estaria indo morar de vez no paraíso, porque não viver, sentir um pouquinho dele nesses seus últimos dias de vida. É quando Marley recebe outra ajuda, sendo de que essa, de alguém real. Ou seria um anjo da guarda no mesmo estilo do Deus escolhido!? Sendo ele agora alguém sacana, mas pela irreverência, e um cara do bem. Ele, o Vinnie (Peter Dinklage. Um Emmy em 2011), lhe mostra que ela está pronta para amar. Que deve buscar pelas circunstâncias. Mas também o título daqui sugere que ela está pronta para reconhecer que no fundo sempre amou a mãe, e que quer amar seu pai. O que demonstra ser aceitável o título nacional. Mas o original é de fato sensacional!

Quem se toca de que Marley está murchando literalmente para a vida, é sua amiga Sarah (Lucy Punch, de “Professora Sem Classe“). Intrigada, vai fazer exames. É onde conhece o tímido Doutor Julien (Gael García Bernal). Mais do que uma empatia entre os personagens em cena – deu química entre Gael e Kate -, seu ótimo desempenho me fez querer rever um outro com ele, o “Jogo de Sedução” (Dot the I. 2003). Julien tem também como fator a superar, o fato de não poder se envolver com uma paciente. Mexicano, vê como presente do céu, ter sido escolhido para a equipe de um renomado oncologista do Estados Unidos: Dr. Sanders (Alan Dale). E esse faz marcação cerrada. Assim como Marley, Julien também está em ascenção na profissão amada: e no caso dele, tem um futuro pela frente. E para deleite nosso, Marley e Julian irão se revezar entre “criador e criatura”.

Marley também teria que zerar as rusgas com seus pais: Beverly (Kathy Bates) e Jack (Treat Williams). Uma mãe presente demais, com um pai ausente demais. Para os três, uma tomada de decisão visceral. Até porque pela ordem natural da vida, não é com pais enterrando filhos. São cenas que me levaram do riso às lágrimas. Comoventes, mas na medida certa. Não deixa de cair dos céus um tempo para pendências como essa! Sou fã da Kathy Bates, para mim ela está sempre brilhante. E nesse, ela e a Kate deram um show! Treat Williams também não fez feio, como também vale muito a pena vê-lo em “O Primeiro da Classe” (Front of the Class. 2008).

Não era só com o Stanley, que Marley dividia suas horas de folgas até então: tinha os amigos e uma menininha filha de uma das amigas, a Renee (Rosemarie DeWitt), que está grávida. Mais que atestar que é o ciclo da vida seguindo em frente – um morre, outro nasce -, Renee viverá o empasse de não estar pronta para vivenciar isso ao mesmo tempo. Se dói nela, que dirá em Marley. Quanto à Sarah, estará em segurar a onda de que sem querer, levou Marley saber da doença. Mas que deu a Marley um tempinho para também aproveitar bem esse pouco tempo. E com o amigo Peter (Romany Malco), a dor pela perda será compensada por mesmo sem querer, levar Marley a conhecer um “pedacinho do paraíso”.

Pronta para Amar” tem como cenário a bela cidade de Nova Orleans. O que nos remete a uma Trilha Sonora maravilhosa. Ambos, Fotografia e Músicas, como coadjuvantes de gala nesse filme até o final. Final esse que me fez pensar: “Quero o meu assim!” E meus aplausos calorosos também para a Direção de Nicole Kassell! Um filme nota 10! Que me levou a desejar que não terminasse logo.

Minhas lágrimas desceram sim em profusão, mas de um jeito lívido. Por ser Marley também como eu, alguém super de bem com a vida, mesmo quando a vida nos atropela de um jeito irreversível. E o filme também é mais um a mostrar aqueles que levam a vida tão a-ferro-e-fogo, que ninguém sairá vivo dela. Sorria para a vida!

Ah! O filme também traz uma simulação de orgasmo que entrou para meu Top Ten. Não deixem de assistir esse filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Pronta para Amar (A Little Bit of Heaven. 2011). Direção: Nicole Kassell. Roteiro: Gren Wells. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 106 minutos.