O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985)

o-primeiro-ano-do-resto-de-nossas-vidas_1985Por Francisco Bandeira.
Não há nada melhor que um filme sobre a adolescência, com personagens encantadores, uma boa premissa, com debates ainda presentes na juventude atual, com questionamentos sobre a vida adulta, o poder da amizade, quanto o amor platônico nos consome… E o pior (ou melhor): o quão difícil é assumir responsabilidades.

Esse é o tema abordado por Joel Schumacher neste filme pra lá de simpático, simples, com rostos marcantes no elenco, onde todos estão exalando carisma, esbanjando talento e, por mais que a mão pesada do diretor e o roteiro cheio de furos deixem o filme bem longe de aproveitar seu potencial máximo, não compromete o resultado final do longa que poderia ter alcançado o mesmo “status” de clássico adolescente como os dirigidos por John Hughes na mesma década.

A fita tem alguns momentos marcantes, como quando Billy explica a metáfora do Fogo de Santelmo que dá nome ao filme para consolar sua amiga, ou os personagens se questionando sobre as amizades durarem para sempre, romances impossíveis e o peso que os mesmos têm que carregar na vida adulta. ‘O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas‘ é sim um pequeno filme meio esquecido, mas isso não o torna menos profundo, tocante e divertido, como todo bom filme dessa safra cada vez mais extinta nos dias atuais.

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

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Porque eu Não Gostei de “Amor a Toda Prova” (Crazy, Stupid, Love. 2011)

Talvez por eu ter ido com muita expectativa até devida as críticas elogiando o filme. O certo é que esperei mais e acabei me decepcionando com “Amor a Toda Prova“. Teve momentos de fazer força para não cochilar. Alongaram por demais a estória. Se enxugassem bem, ele até que daria um bom sessão da tarde. E talvez assim, eu teria vontade de rever.

Mas o motivo principal de eu não ter gostado foi por conta do protagonista: de terem escolhido o Steve Carrel. Não é porque eu não goste dele, eu até gosto. O lance foi que “Amor a Toda Prova” ficou como um: os days after do “O Virgem de 40 Anos” se ele tivesse tido a chance de transar mais jovem. Até me peguei a pensar se com outro ator eu teria gostado do filme por um todo. E quando isso ainda acontece durante o filme, já depõe contra. Foi no meio do filme que a estória desse aqui se perdeu em querer aproveitar esse seu outro personagem. Ficou como contar a mesma piada seguidamente.

Sei que seu personagem em “O Virgem de 40 Anos” ficou como marca registrada. Fará parte da memória cinéfila de quem viu. De ser até o primeiro filme que vem à mente ao ouvir seu nome: Steve Carrel. Nem a sua performance em “Agente 86” não terá a mesma intensidade nesse tipo de associação, já que para os fãs da Série de Tv será o rosto de Don Adams que será (e)ternamente lembrado como o Maxwell Smart.

O que é uma pena! Carrel é um ótimo ator. Só para citar um exemplo de um perfil parecido ao de “Amor a Toda Prova“, onde ele faz um cara romântico, ligado a um único amor, um pai preocupado com quem a filha namora…, mas sem cair no caricatural, nem em cópia, temos ele em “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”. Onde está ótimo, e num filme gostoso de rever!

Para mim, em “Amor a Toda Prova” apelaram atrás de faturamento nas bilheterias, já que na quase totalidade das cenas, seu personagem, o Cal, parecia ter pulado do “O Virgem de 40 Anos”. E nem era preciso! Pois seu personagem já mostrava o seu perfil logo no início com a cena melodramátrica quando salta do carro em movimento por não querer ouvir as explicações da esposa ao querer o divórcio. Mais do que orgulho ferido, ficou como “meu mundo caiu”. Por ser justamente um cara muito romântico. E o filme deveria ter seguido por ai, com um roteiro original. De acordo com o título original do filme: em que também se faz coisas estúpidas em nome do amor.

Mas o roteiro quis trazer as gracinhas do outro filme, não apenas se perdeu como desperdiçou boas estórias na trama, e que na verdade nem eram situações paralelas já que todas se interligavam; e de acordo com o título. A principal era com seu casamento sendo desfeito já no início do filme. Uma relação de décadas, cuja chama se apagou. Até que durou bastante para um casal tão sem sal: não houve química entre Steve Carrel e Julianne Moore. Até por isso foi desperdício em plagiar esteriótipo de outro filme.

Mesmo que fosse um “discutir a relação” com muito atraso, ainda assim era válido. Poderia sair lances engraçados, sem forçar barras. Ficou desconexos as atitudes patéticas dele e fora de realidade as estória da Emily. Uma dona de casa que não percebe que tem alguém cuidando do jardim, por exemplo. Que mesmo tendo tido uma relação extra-conjugal com um colega de trabalho, não a fez mudar internamente. Só lhe deu um sentimento de culpa pela traição, dai pediu abruptamente o divórcio. Na verdade, essa traição veio mesmo como gancho para as cenas seguintes. Ou, para aproveitaram-se de “O Virgem de 40 Anos”.

O filme deslancha com a entrada do personagem de Ryan Gosling, o Jacob. Esse, já não aguentando mais os repetitivos e em bom volume desabafos do Cal, resolve ajudá-lo a encontrar sua auto estima. Foi quando pensei: Legal! Teremos um Pigmaleão atual. Jacob até consegue mudar, melhorar a aparência do Cal. Esse por sua vez, tenta seguir os passos do mestre, mas a sua essência o atrapalha. É onde fica uma cópia do outro filme.

Outro ponto alto, mas que depois também desperdiçaram, foi com a personagem de Marisa Tomei. Se os opostos costumam atrair, os iguais tendem também. Sendo que nesses casos, periga um ver o outro como uma tábua de salvação. E com isso não ter o clima só de “ficar”, pelo menos para o que estiver se sentindo mais no fundo do poço. Foi o que aconteceu com Kate (Marisa Tomei) após passar uma noite com Cal. Mas o roteiro quis mais um gancho para o Cal agir como o do outro filme. E depois, a gracinha virou algo grotesco, para não dizer estúpido, de Cal para Kate. Algo cafajeste, e nada a ver com a personalidade dele. A cena seria aceitável entre adolescente. Enfim, me deu pena de ver.

Assim, após as aulas de Jacob, onde Cal tenta colocá-las em prática, o filme cai num tédio. E nem deveria, já que plagiavam “o Virgem de 40 Anos”, a pretexto de fazer, trazer a graça desse outro para o atual. Voltando a esquentar quando Jacob volta com uma novidade: estava realmente apaixonado por alguém.

As outras duas paixões mostradas no filme, até que ficou bonitinho. A do filho (Jonah Bobo) de Cal pela babá (Analeigh Tipton). E da babá pelo Cal. Já o do colega de Emily para com ela só veio mesmo para o Cal repetir exaustivamente o nome do rival: David Lindhagen. Tanto a estória se perdeu, como o próprio personagem. Desperdiçando o ator Kevin Bacon. Emma Stone cujo personagem vira a cabeça de Jacob, também foi desperdiçada, ela e a estória.

Então, em vez de loucuras por um grande amor, TUDO foi para mostrar as tentativas do Cal em paquerar, mas como cópia de um outro importante personagem de Steve Carrel. Minha nota é 07.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love. 2011). EUA. Direção: Glenn Ficarra, John Requa. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 118 minutos. Classificação etária: 12 anos.

O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de sus ojos. 2009)

Da Filmografia de Juan José Campanella, já tinha visto: ‘O Filho da Noiva‘ (2001) e ‘Clube da Lua‘ (2004). Dois filmes que recomendo. Esse, ‘O Segredo dos Seus Olhos‘, quis muito ver antes da entrega do Oscar 2010, mas mesmo não sendo possível, me emocionei com a premiação de Melhor Filme Estrangeiro. Campanella merece!

Em ‘O Segredo dos Seus Olhos‘ temos a vida de um homem passado a limpo. São 25 anos que serão revistos, minuciosamente, através de um livro. O qual ele se dispôs a escrever após aposentado. Numa tentativa de entender porque não viveu na plenitude. Porque apenas exerceu seu ofício. Teria sido por timidez? Faltou-lhe arrojo? Ousadia? Tesão? Porque paixão existia. Desde que olhou pela primeira vez para uma certa mulher. Ou melhor, ambos se olharam, e nesse primeiro olhar muito disseram, mas nada sonorizado… Teria sido a diferença social que impedira essa união?

Ele é Benjamin Esposito (Ricardo Darín). Escolhe como trama principal desse seu livro: o estupro e assassinato de uma jovem. Um crime que ele e seu companheiro de perícia, Sandoval (Guillermo Francella), mas a recém empossada juíza, Irene (Soledad Villamil), chefe dos dois, elucidaram.

Criminoso julgado, sentenciado por prisão perpétua. Mas que o rumo político que se instalou na Casa Rosada… o criminoso serviu a outros propósitos… Para aqueles que se esforçaram, que foram até proibidos, oficialmente, de continuarem com as investigações… pela jovem morta… para o seu marido… isso manchava a verdadeira Justiça para qual aquele Tribunal fora erguido.

Mais que tentar entender essa injustiça… Benjamin queria entender o vazio que ficou em todos aqueles anos. Era como ter perdido parte da sua própria estória. Temor político, até se justificava. Melhor se acovardar, e continuar vivo, do que ser morto por um gesto heróico por um governo violento.

Falando em injustiça… havia mais uma morte a pesar nos ombros de Benjamin. Se a da jovem, pesava uma posterior impunidade… essa outra em questão, pela pessoa ter sido assassinada em seu lugar.

A estória corre em paralelo com duas épocas distintas. Uma, onde tudo se iniciou; em 1974. E a atual, ele já aposentado, escrevendo o livro. Por conta de usar uma velha máquina de escrever, onde falta a letra “a”, seu subconsciente também começou a responder assim…

Embora sendo tensa uma grande parte do filme, até por nos levar a querer conhecer toda a estória… há momentos de ternura, entre Benjamin e seu grande amor. Como também há um lado divertido em grande parte das cenas entre Benjamin e Sandoval. Principalmente, quando Sandoval atende os telefonemas na seção. Ele, é das pessoas que encara com humor as vicissitudes da vida. Um investigador por vias tortas… que enxergou a peça fundamental para pegarem o assassino…

As pessoas podem mudar tudo, mas há uma coisa que não podem mudar, nem ele, ou eu, ou você… ninguém. Não se pode trocar de paixão.

E qual seria o segredo daqueles olhos? Veja o filme. Resista a ver esse spoiler:

Você deveria ver seus olhos. Estão sempre em um estado de “puro amor”. Consegue imaginar que exista um amor assim? Sem o desgaste do cotidiano, das obrigações…

Um ótimo filme! Atuações brilhantes! Mas não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de sus ojos. 2009). Argentina. Direção e Roteiro: Juan José Campanella. +Cast. Gênero: Crime, Drama, Policial, Romance, Suspense. Duração: 127 minutos. Baseado no livro ‘La Pregunta de sus Ojos’, de Eduardo Sacheri.