O Clube dos Cinco (The Breakfast Club. 1985)

clube-dos-cinco_1985Por Francisco Bandeira.
Um clássico absoluto sobre o tema, escrito e dirigido pelo mestre John Hughes, O Clube dos Cinco vai muito além de um típico filme sobre adolescentes em crise, explorando os estereótipos que nos são dados por toda vida, mostrando que somos muito mais que aquilo. Somos apresentados a cinco personagens: o rebelde, sem futuro (Judd Nelson); o nerd, filhinho da mamãe (Anthony Michael Hall); a patricinha mimada e puritana (Molly Ringwald); a louca sem salvação (Ally Sheedy); o atleta burro ou brutamontes (Emilio Estevez). Ainda há um professor (Paul Gleason) linha dura que parece querer infernizar a vida dos cinco alunos que ficaram de castigo. Porém, nesta fita, o cineasta faz uma bela desconstrução de todos esses rótulos, encorajando os personagens a mostrarem quem realmente eles são.

clube-dos-cinco_01Talvez o aprendizado de uma longa conversa, onde o objetivo não é só conhecer ao próximo, mas sim olhar para dentro de si mesmo e ver o que existe de verdade lá. Esse sim é VOCÊ, e nunca, jamais deixem que te façam pensar o contrário! Você pode ser o que quiser, não o que os outros querem que seja. E nada demonstra melhor isso do que o soco no ar de John Bender ao som de Don’t You (Forget About Me), do Simples Minds, enquanto sobem os créditos finais, simbolizando a liberdade enfim encontrada por todos eles.

Clube dos Cinco (The Breakfast Club. 1985). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

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O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods, 2012)

Quanto mais ansiamos pelo fim de filmes clichês com um grupo de adolescentes curtindo as férias, surgem mais exemplares do gênero. Porém, dessa vez, a proposta é diferente, O Segredo da Cabana possui uma idéia interessante: fazer uma sátira das produções hollywoodianas de assassinos seriais, criticando a falta de originalidade e preferência pela previsibilidade. Contendo uma série de reviravoltas e segredos, a trama não se contenta em apenas mostrar os jovens morrendo, pois também representa de forma bem humorada a platéia mais convencional, criando um filme de humor negro cujo resultado não é tão bem sucedido quanto outros títulos (Zumbilândia, Pânico 4), mas acerta em não deixar o telespectador descansar por gerar uma enorme curiosidade sobre o desfecho e cumprir a promessa de pôr todos os monstros, de forma coerente, numa mesma trama.

A história é simples, um grupo de estudantes da faculdade planeja passar um fim de semana divertido numa horrível cabana isolada no interior e inexistente, até mesmo, nos satélites. Ao tentarem cumprir os famosos clichês de adolescentes de filmes de terror, libertam uma maldição e começam a ser atacados em situações típicas, até se darem conta de que estão sendo monitorados e, ainda por cima, possuem suas atitudes manipuladas numa suspeita versão sangrenta e cômica de um Big Brother onde as regras derivam de clássicos como Sexta-Feira 13 ou A Hora do Pesadelo.

Personagens centrais: o estudioso, o atleta, a virgem, o tolo e a vadia.

Com o passar dos anos, os jovens começaram a ser mais exigentes quanto a roteiros. O Segredo da Cabana parece ter sido criado justamente para esse público. Os clichês, atualmente, são tão conhecidos que já não são bem recebidos pela platéia. Pensando nisso o filme aposta numa abordagem totalmente crítica das grandes indústrias cinematográficas. Os adolescentes do filme estão em situações previsíveis, porém não se conformam com isso. A empresa do “Reality Show” aponta para antigas patrocinadoras assíduas de slasher movies. Várias metáforas bem óbvias são apontadas e, apesar de se situar na atualidade, a história é obviamente baseada nas décadas anteriores, com jovens sendo massacrados à moda antiga para seguir as regras impostas pelos clichês. Talvez por isso não consiga nos surpreender tanto, afinal a metalinguagem é algo bastante usado nos longas de terror recentes. O erro foi ser lançado tardiamente, se houvesse sido feito pelo menos há uns 10 anos poderia ser mais notável, todavia esse tipo de crítica aos antigos já não surte um efeito tão grande de surpresa.

Quando os personagens revoltam-se contra seus destinos clichês. “Somos marionetes” diz o tolo.

Mesmo tendo como base elementos da metalinguagem já simpatizantes com o público (A Hora do Pesadelo 7, Série Pânico, Todo Mundo Em Pânico, Deu A Louca Nos Monstros), o filme ainda aposta no terror e não deixa de ser interessante. Já citei acima, é impossível não ficarmos curiosos. O erro mais evidente só vem na cena final, onde quem já viu “Paul: O Fugitivo” terá uma impressão de plágio. Apesar de homenagear bastante o gênero, no fundo é inegável nosso cansaço ao assistir aos adolescentes de nossa geração e, se não fossem as hilariantes piadas, a sessão não seria tão divertida. No término, só permanecemos com um filme inteligente de comédia na mente, mas isso já vale o ingresso.

 

Por Alexandre Cavalcante (Alecs)