Alice Através do Espelho (2016). O Tempo Salva a Continuação…

alice-atraves-do-espelho_2016_posterPor: Beathriz.
Alice Através do Espelho” é um filme fantasia inspirado na obra de Lewis Carroll, claro. Que não foi dirigido por Tim Burton, mas por James Bobin. Como sequencia do primeiro filme de Alice no Pais das Maravilhas.

alice-atraves-do-espelho_2016_04O filme se passa anos depois do desfecho do primeiro, com Alice (Mia Wasikowska) na carreira náutica. Sendo capitã do navio de seu pai. Ela é ótima no que faz, porém em meio a desavenças com sua mãe entre o que quer fazer e o que uma mulher tem de fazer. Ela está a beira de perder o Wonder, o navio. E é ai que ela vai para o Pais das Maravilhas, porque o Chapeleiro, interpretado por Johnny Depp, está com problemas.

Então é ai que está o problema. Eu sou uma fã de Alice, gostei do primeiro filme. Mas esse filme não consegui engolir. A historia é toda cheia de remendos, você não vê uma motivação real, algo realmente especial. São pequenas coisas que juntaram para tentar fazer um enredo de um filme grande. Não deu certo. Todos os pontos no enredo foram mal utilizadas, com exceção na volta ao tempo, que fez sentido e foi bem explicada. Colocaram um pouco de empoderamento feminino, relação de família, questões de manicômio, romance e independência na história fora dos pais das maravilhas. Mas tudo isso foi muito jogado, como forma de fazer uma média para o publico.

Ah, vocês gostam de Alice doidona? Toma uma cena dela no manicômio pra ficarem felizes!

alice-atraves-do-espelho_2016_02Faltou historia! As obras de Alice tem várias referencias, é tanta loucura e pequena referencia nos livros que você tem liberdade para seguir para qualquer lugar. Então eu não fico chateada quando não seguem a risca. Mas simplesmente eu vi uma tentativa de fazer dinheiro bem bonita, não vi um filme com história.

Existem algumas referencias aos livros: o espelho, o Humpy Dumpy, o tabuleiro de xadrez, o Tempo amalçoando a hora do chá. Mas poderiam ter colocado todos os personagens originais que ainda não ia conseguir salvar o enredo pobre que foi utilizado.

Alice cresceu, gostei mais da atuação de Mia nesse filme. No anterior ela parece bem perdida em como proceder. Aqui ela está mais familiarizada, porem continua sem muito tempero. A Rainha Vermelha, interpretada pela Helena Bonham Carter, está engraçada e eu gostei dela. Gostei da relação dela com a Mirana, Anne Hathaway, apesar de achar um pouco forçado demais. Mas enquanto Iracebeth está com média, Mirana está com notas vermelhas. Sua atuação assim como do Chapeleiro está extremamente forçada. Quase que caricata.

alice-atraves-do-espelho_2016_03Então temos o Chapeleiro e sua motivação mais sem pé nem cabeça. Ele está triste porque acha que sua família ta viva, e fica tão triste que quase morre. Sério mesmo? A atuação de Johnny Depp está muito robótica, chega a ser bem ridículo. A maquiagem que colocaram na cara dele foi tanta que você perde uns bons 5 segundo tentando encontrar uma pessoa por trás de tanta base. E quando vemos sua família, surpresa, parece que adotaram o pobre Tarrant (Que descobrimos ser o nome dele) de tão diferentes. São pessoas normais e comuns, o que foi muito decepcionante.

E é ai que poderiam ter buscado inspiração nas obras originais, nos livros, o chapeleiro só é louco em referencia aos chapeleiros da época de Lewis que usavam uma substancia que os deixavam doidos. Eu queria uma família toda de chapeleiros doidos.

alice-atraves-do-espelho_2016_05O destaque maior, foi o Tempo. Que sempre foi citado, porém nunca mostrado. Todos sabemos que Tempo sempre foi tratado quase que como uma pessoa nas obras. E aqui ele ganha forma e é interpretado por Sacha Baron Cohen. Ele tem personalidade, motivação e camadas de profundidade. Tem horas no filme que você gosta mais dele do que de Alice, que você torce para ele. Ele é misterioso, e você não sabe logo de cara se é do bem ou do mal. Mas sabe que ele é muito importante para o universo das maravilhas. Quase que um Deus.

alice-atraves-do-espelho_2016_01O filme esteticamente é lindo, você fica estasiado com cada cenário e animação. Com destaque para o castelo do Tempo, que é realmente deslumbrante e a casa da Rainha Vermelha. O 3D é realmente de fazer os olhos brilharem. Eu até vi referencia do jogo que tanto amo, Alice Madness Return.

Mas como forma de desfecho de tudo isso que poderia ser bom mas não foi, o final é tão clichê que você sabia. Se pausassem o filme no cinema e perguntassem, “Então Beatriz o que você acha que acontece?” Eu narraria o fim do filme sem saber.

Então entramos na questão, filmes infantis não precisam ser retardados para atraírem sue público! Eu pensei que nesse século a gente já tinha combinado que é muito ruim subestimar a capacidade de nossas crianças. E de nós mesmos, pois todo mundo sabe que não é só criança que assiste Alice. (Inclusive, não vi uma criança na sessão que eu fui.)

criancasVivemos num mundo de Divertida Mente, ToyStory e Shrek. Eu sinto ódio quando para explicar um filme fantasia rum dizem “é para crianças”. Gente, mas isso não pode, eu sou uma eterna criança e estou aqui pra dizer que isso não é desculpa. As crianças gostam de coisinhas meio bestas sim, mas isso não segura nenhum filme. A gente precisa de história, e existem sim ótimos roteiristas prontos para dar uma historia fantástica para adultos e crianças com leveza e carga critica.

No fim eu aconselho você a assistir depois, sem gastar muito. No final de tudo senti que aconteceu um amaldiçoamento dos roteiristas para o filme. O que é um pecado, poderiam ter feito isso com qualquer filme mais superficial, que não tem o que explorar. Mas não com Alice.

Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass. 2016)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Série: Jornadas nas Estrelas (1966/1969). E o Futuro Imperfeito

jornadas-nas-estrelas_seriePor Morvan Bliasby.
jornadas-nas-estrelas_Kirk-e-UhuraJornadas nas Estrelas, o seriado que encantou, desde a década de 1960, até os dias atuais, toda uma geração de fãs (não, não se refere aos Trekkers; eu disse fãs, sem o ‘nático’.) inovou em tudo, ou quase. Foi a primeira série a apresentar, principalmente para a sociedade estadunidense, reconhecidamente refratária, a possibilidade de coexistência de pessoas, humanas ou não, e até de haver interação e romance entre estas. Foi a primeira vez, por exemplo, que um homem australoide beijou uma mulher afrodescendente, clara e ostensivamente (a tevê estadunidense já havia ensaiado esta ousada cena, com a desculpa de esbarros, para não irritar os sulistas, reconhecidamente etnicistas) no episódio Plato´s Stepchildren (Enteados de Platão, literalmente) entre o Capitão James T. Kirk (William Shatner) e a Tenente Nyota Uhura (Nichelle Nichols).

jornadas-nas-estrelas_alimentacao-e-lixoJornadas nas Estrelas inovou em quase tudo, reitere-se. Para início de conversa, deixou Malthus falando sozinho, ao resolver o problema alimentar, pelo menos na Enterprise e onde a Federação aparecesse. Nada que as pesquisas em agrobiologia não já o fizessem, mas os sintetizadores de alimentos da Enterprise resolviam também o problema da limpeza e da reciclagem dos utensílios. O melhor de dois ou mais mundos, não?

Inovou na medicina, na tecnologia em rádio-transmissão (os comunicadores, mesmo os trambolhos da série original, são o protótipo do sistema de codificação do celular de Hedy Lamarr e dos nossos, claro).

jornadas-nas-estrelas_federacao

Uma das maiores abordagens utópicas de Jornadas nas Estrelas talvez venha a ser a possibilidade de haver paz e colaboração entre raças, não restringindo mais o problema da intolerância à espécie humana. Vulcanos, klingons, cardassianos, romulanos, vidianos, ferengui, talaxianos, todos, um a um, acabariam por se filiar à Federação dos Planetas Unidos (uma versão bem abrangente, ecumênica, sincrética, até, da Organização das Nações Unidas — se só há uma raça, aqui, a humana, então, a Federação haveria de comportar as outras espécies inteligentes dos Universos. Um bom recado aos intolerantes humanos contemporâneos). No caso dos vulcanos, malgrado seu passado violento, a aliança com a Federação pareceu mais natural, apesar disto, mas, no caso dos klingons, eles só se aliaram à Federação após ter, em um dos filmes da franquia, seu mundo iminentemente destruído, caso não recorressem à aliança; de qualquer modo, é pouco crível que uma raça beligerante e de hierarquia vertical, os klingons, consiga construir naves espaciais. É uma licença poética da franquia, sem dúvida.

Registre-se o fato de ser a Capitã[o] Janeway a primeira mulher a comandar uma nave. Há mulheres em altos postos na Federação, humanas ou não. Mas só em Jornadas nas Estrelas – Voyager, há uma capitã.

A série e os filmes da franquia pouco a pouco foram deixando ‘recados’ para as suas diversas gerações. Estes falam em tolerância, paz, avidez por descobertas, divulgação, tendo sempre como foco a Primeira Diretriz, que parece ser o mais próximo do conceito da autodeterminação das raças.

jornadas-nas-estrelas_simbolosMas há um aspecto na franquia que causa questionamentos: existe um irrecorrível apelo marcial, apesar das mensagens subliminares de paz e de congraçamento entre raças de todos os universos. Há muito símbolos náuticos na série, bem mais do que aquela saudação fúnebre, sempre que um corpo é ejetado da nave, e em toda a franquia, até aqui, mas não se discuta isso. Mais e além.

Para uma franquia que sobrepujou o preconceito étnico, pregou a paz universal, erradicou a cobiça, o dinheiro, o comércio como simplesmente fonte de lucros (a Federação comercia, mas, nota-se, claramente, numa abordagem de intercâmbio cultural, exceto, por eles claro, com os Ferengui), faz alianças com raças extremamente belicosas, como os hyrogens, ou os romulanos, etc., a inexpugnável tutela militar parece incoerente e muito mal explicada. Seria esta a verdadeira distopia conceitual de Jornadas nas Estrelas, nosso futuro imperfeito? A Federação não encontrou meios de organização civis, só há a saída pela via militar? Todas as raças elencadas, durante toda a marca Jornadas, parecem ter a tutela militar como forma irrecorrível de organização.

Seria intencional, esta “marciogonia”, seria fruto da inspiração de seus roteiristas, medo de propor temas espinhosos, como a verdadeira democracia, sem protetores e sem salvadores, de propor um “indo além”, no caso, uma sociedade anárquica, autorregulada, por estarem inseridos numa sociedade, como a estadunidense, refratária a qualquer ideia que possa redundar em comunismo, em superação de Governos e de tutores?

jornadas-nas-estrelas_personagensSão muitas perguntas. Nenhuma resposta, por ora. E o leitor, o que pensa? Param aí, as inovações de Jornadas nas Estrelas? Ou Mad Max, Ellysium e outros distópicos têm razão, o futuro é sombrio, ou seja, só nos resta sermos tutelados ou rebelados? Gostaria de ouvir o que você pensa, sobre isso.

Livro: Capitães da Areia (1937), de Jorge Amado

capitaes-da-areia_jorge-amado_capa-do-livroPor: Karla Kélvia, do Blog Livro Arbítrio.

Uma visão social e não apenas policial… Numa obra atemporal.

Eu sou do tipo que tem uma relação bem estreita com os livros, desde criança. Quanto mais um livro me marca, mais eu sinto que as lembranças que eu tenho da história dele fazem parte da minha própria história. Capitães da Areia, de Jorge Amado, está na minha galeria de livros mais que especiais, mais que queridos, daqueles que estão gravados em mim para sempre.

Creio que o lirismo do meu querido escritor baiano está em um dos seus ápices neste livro, que, além disso, possui uma trama extremamente atual. Capitães da Areia foi escrito em 1935, em uma fase engajadíssima de Jorge Amado com o Partido Comunista, fato que transparecia muito em suas obras das décadas que vão de 1930 à 1950, chamadas, por esta razão, de “panfletárias”. O Brasil daquela época estava prestes a entrar na Ditadura Vargas, o Estado Novo; o mundo nazifascista caçava comunistas e judeus, e estava para eclodir a Segunda Guerra Mundial. Apesar de o contexto em que surgiu ser tão diferente dos dias de hoje, ninguém pode negar que a história deste livro seja atemporal.

capitaes-da-areia_personagens-01Os Capitães da Areia são meninos de rua; um bando que vive de pequenos furtos e que conhece toda a Salvador. Eles moram num trapiche, um tipo de armazém abandonado no cais do porto, e formam um número variável. O líder deles é Pedro Bala, e os outros mais conhecidos são Sem Pernas, Volta Seca, Professor, Boa Vida, Gato, Pirulito. O livro é dividido em três partes. Na primeira, “Sob a lua, num velho trapiche abandonado”, vemos histórias de aventuras quase independentes dos garotos pelas ruas da cidade, explorando também suas personalidades e os seus medos. Um dos momentos mais bonitos e agridoces desta parte é “O Carrossel”, quando os garotos, que mesmo tão novos levam uma vida tão dura, deixam seu lado mais infantil vir à tona.

capitaes-da-areia_personagens-02A segunda parte é “Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos”, em que Dora e seu irmão pequeno ficam órfãos quando seus pais morrem infectados com bexiga e eles ficam sem ter como e onde viverem. Ela é a única menina dos capitães, a “mãezinha” dos garotos, o amor platônico de Professor e a namorada de Pedro Bala. Depois de voltarem do reformatório, um amor tão lindo e breve tem um desfecho de abalar qualquer coração.

A terceira e última parte é “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”, na qual os garotos já não são tão “garotos” assim e cada um vai seguindo seu rumo. O grupo passa a ter participação em greves e a consciência política de Pedro Bala é despertada, seguindo os passos do seu pai. Adoro o final, em que se diz que ele se torna um líder revolucionário.

Capitães da Areia é um livro incrível, pungente, que nos faz pensar em desigualdade social, desamparo das crianças e falta de estrutura familiar, que, infelizmente, ainda vemos tanto no presente.
capitaes-da-areia_jorge-amado_depoimento

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015)

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_cartazmad-max_tina-turner_e_mel-gibsonDa Saga Mad Max iniciada 1979 (Um outro em 1981 e mais um em 1985) as lembranças se foram quase por completo. Ficando mais de dois personagens, ou melhor, da caracterização deles: de um Mel Gibson com uma jaqueta de couro preta e uma Tina Turner com um visual meio que de uma amazonas futurista… O forte mesmo na lembrança vem de um dos temas musicais de um dos filmes com a poderosa voz de Tina Turner cantando “We don’t Need Another Hero“. Aliás a simples menção do nome “Mad Max” é essa música que de imediato vem da memória. Sendo assim era pegar a pipoca para assistir “Mad Max: Estrada da Fúria” com sabor de uma primeira vez. E o que o tempo dirá do que ficará dessa nova versão também com a assinatura de George Miller.

vietnam-napalm_criancas_foto-de-nick-utMas antes um pouco da história real da década de 70 já que foi quase no final dela que a história do filme foi escrita. Uma década recém saída de Woodstock: o mundo não era nada “paz e amor“. Da corrida armamentista. Da revolução iraniana. Da União Soviética ganhando status de potência mundial. Das Ditaduras Militares na América Latina. Do genocídio em Timor Leste. Dos Estados Unidos perdendo na Guerra do Vietnã. Onde a imagem de uma menina correndo fica como símbolo dos inocentes das guerras estúpidas. Onde se manterem no poder institucionalizam a censura, a tortura, a repressão e um clima de terror do tipo “alerta laranja” em nome de uma segurança nacional. Década da grande crise do petróleo com os países árabes dando às cartas. Com isso afetando a Economia de vários países… Com jovens saídos da era de aquário e mulheres tentando se integrar no mercado de trabalho, mas sem muita formação especializada. Com as migrações até em busca de uma vida melhor, mas deixando-os marginalizados nas novas pátrias… Agora, para não dizer que não falei das flores… A preocupação pela devastação dos recursos naturais do planeta assumiu um caráter mais coletivo, saindo do campo visionário e colocando o timbre em documentos: os primeiros passos na proteção do meio ambiente! Pelo menos algo positivo numa década que no mínimo bem explosiva e com um futuro pouco animador: meio apocalíptico. E esse era o mundo que inspirou George Miller: um mundo onde a realidade supera a ficção…

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_Tom-HardyAgora sim entrando na história do filme o qual tentarei não trazer spoiler. Mesmo não sendo um Thriller, deixar um pouco de suspense é sempre bom num filme de muita Ação.

Nessa nova versão, além dos avanços tecnológicos, a história coloca o herói já na estrada tentando fugir dos seus próprios fantasmas ao mesmo tempo que tentando sobreviver num mundo pós apocalíptico: Max Rockatansky já se tornara um selvagem solitário e ele é o mestre de cerimônia em “Mad Max: Estrada da Fúria“. Uma pausa para falar do ator Tom Hardy que nas primeiras cenas me fizeram lembrar de Russell Crowe do que de Mel Gibson. Sinal de que para mim o filme continuava com ares de primeira vez, mas em pensar em outro ator para o personagem daria a Tom Hardy um peso maior na performance até o final… E posso dizer que ele conseguiu! Conquistou de vez papel: atuou muito bem!

Max é logo capturado por um grupo e feito prisioneiro para algo um tanto quanto estranho. Mais ainda quando o levam em uma missão com “garotos da guerra“: jovens preparados para morrer com a promessa do paraíso. Algo familiar ao mundo real, não? Como também pelo contexto da trama me fez lembrar da do livro “Os Meninos do Brasil“, de Ira Levin.

Não só esses jovens, mas um grande exército, aliás são três porque mais dois se juntam a esse primeiro numa perseguição a algo maior que fora roubado desse primeiro. E quem o levara fora alguém dessa elite. Logo a Imperatriz que se rebela e foge com esse pequeno grande tesouro; e à ela irão se juntar Max e mais um dos tais jovens, (Nicholas Hoult). Bem nem se trata de um spoiler pois faz parte do contexto de um herói: os mosqueteiros ajudando a mocinha do filme. Muito embora, e com o nome de Furiosa, ela é uma destemida guerreira. Parte dessa trama com ela entre essas perseguições e outras coisas mais, me fizeram lembrar do filme “Tank Girl“, de 1995. Que em nada descaraterizou a heroína desse aqui: a uma lembrança me levou a sorrir. Sei lá, mas talvez o Diretor George Miller tenha deixado um lado também para o humor, ou mesmo mais leve para essa personagem. Até porque ela ainda tem história para contar num próximo filme. Agora, em uma da cena onde ela se prostra ao chão… ficaria muito melhor tendo ao fundo a música “We don’t Need Another Hero“, muito embora eu também pensei nesse trecho de uma das nossas: “Um homem pra chamar de seu, mesmo que ele seja eu“… Contudo mesmo com todo o elenco estando ótimos… a performance de Charlize Theron em “Mad Max: Estrada da Fúria” foi magistral.

mad-max-estrada-da-furia-2015_01Em “Mad Max: Estrada da Fúria” parece que o mundo fora dividido entre três governos tiranos. Com cada um controlando algo muito importante: um é a água, o outro combustível e o terceiro os alimentos. O do combustível parece que queria mais ser um astro de rock (Richard Carter)… Mas é o que detém o controle da água, o tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) o grande vilão dessa história. E é a sua Cidadela que iremos conhecer um pouco mais de perto. Digo isso porque até como o título do filme mostra ele se passa quase todo por estradas num deserto com direito a corridas também em desfiladeiros. Possesso, Immortan Joe, vai pessoalmente, e com todos os outros, atrás dos fugitivos numa perseguição alucinante.

Então é isso! A nova roupagem para a “Saga Mad Max” está aprovada! Já ansiosa para a continuação! Peguem bastante pipoca para não perder nenhum segundo em quase duas horas de filmes! Parabéns a George Miller pelo conjunto da obra! Um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015).
Ficha Técnica: na página do IMDb.

Interestelar (Interstellar. 2014)

Interestellar_2014_cartazPor: Monica T. Maia.

Interestellar_2014_01 Qual é o Nosso Lugar Entre as Estrelas?

Bom entretenimento que expande os horizontes. Literalmente. “Interestelar” é o filme mais sensacional dos últimos tempos exatamente porque não tem limites comuns. Baseado na Física mais moderna, sacode preconceitos e conceitos atávicos que são repetidos como se fossem verdades imutáveis.

Antes olhávamos para o céu e perguntávamos qual era o nosso lugar nas estrelas. Agora olhamos para baixo e preocupamo-nos com o nosso lugar na poeira”.

Interestellar_2014_02O comentário de Cooper (protagonista interpretado por Mathew McConaughey) no diálogo com o sogro Donald (John Lithgow) trata do Ser e de seus ‘por ques’. Ser piloto de naves espaciais ou ser fazendeiro numa Terra que está sendo carcomida por poeira ácida criada pelo próprio homem? Cooper ‘olha para cima’ como fez William Herschel, astrônomo alemão naturalizado inglês que preferiu descobrir os anéis de Saturno e a radiação infravermelha ainda nos séculos XVIII e XIX, em vez lutar em guerras sangrentas. Ou como fez o grego Erastóstenes de Cirene (276 a.C.-195 a.C.) que mostrou que a Terra era redonda quando todos acreditavam piamente que era plana. Ou o astrônomo persa Abd al-Rahman al-Sufi que descobriu as primeiras estrelas fora da Via Láctea. Enfim, há dezenas desses sábios incríveis…

Interestellar_2014_04Assusta-nos a perspectiva de sermos cósmicos – cidadãos de um Cosmo infinito – e não simplesmente cidadãos de uma cidade entre milhares de um pequeno planeta entre trilhões e septilhões que nem sabemos quanto são ao todo. O filósofo, escritor e educador Mario Sergio Cortella tem palestras maravilhosas sobre isso disponíveis no youtube: somente na nossa galáxia há pelo menos 200 bilhões de sóis como o nosso. Não há matemática humana que consiga contabilizar o Universo.

Além de inspirado em Ciência real – o consultor científico é o físico teórico Kip Thorne – “Interstellar” foi possível porque o diretor Christopher Nolan se despiu de qualquer fronteira que pudesse embaçar a busca pelo futuro. Se enxergar a Lua já é uma ilusão – esse astro está sempre 1 segundo no passado porque está a 300 mil quilômetros de distância – então, o que dizer sobre o que sabemos realmente? Afinal, a ‘Terra redonda’ era a ficção científica dos antigos…

Há muito o que conversar sobre “Interstellar”…

Interestelar (Interstellar. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Série: The Walking Dead (2010 / )

the-walking-dead_serie-de-tvThe-Walking-Dead_Rick-GrimesPor Rafael Munhoz.
Os fãs mais fissurados por The Walking Dead, como eu, já podem começar a fazer contagem regressiva para o retorno da série. Faltam menos de dois meses para a estreia da quinta temporada de uma das séries mais comentadas do gênero. Tudo bem que ainda falta tempo para dia 12 de outubro, mas a expectativa em torno das histórias de Rick Grimes (Andrew Lincoln) e sua turma nos levam a várias imaginações sobre o que está por vir.

A produtora Gale Anne Hurd divulgou novidades sobre o quinto ano da série. Se você ainda não leu, veja as curiosidades:

the-walking-dead_quinta-temporada

– A quinta temporada se inicia de onde o quarto ano parou, ou seja, sem salto temporal.
– O novo ano vai sair da floresta rumo a cenários mais urbanos.
– Nem todos estão de acordo com a jornada rumo a Washington — afinal, temos os otimistas, os pessimistas e aqueles que acreditam que voltar ao cenário urbano é perigoso demais.
– Segundo Hurd, não devemos nos preocupar com Carol, apesar de a personagem não ter aparecido tanto no trailer promocional.
– Não teremos muito romance para Daryl. Segundo a produtora, “existem pessoas que querem que ele fique com a Carol, outros que ele se envolva com Beth. Não importa o que façamos, acredito que não faremos todos felizes”.
– Teremos dois arcos novamente. “Existem finais distintos naturais para narrativas em particular que serão revelados durante o episódio final antes da pausa e recomeçam na estreia do ano que vem”.
– Mais uma vez, teremos personagens separados uns dos outros. Dessa forma, ainda veremos episódios em que grupos diferentes são revelados e outros em que haverá foco apenas em poucas pessoas.
– Sobre as mortes: “Não seria The Walking Dead sem algumas lágrimas”.

Vamos aguardar!!!

CuriosidadesThe Walking Dead, série de televisão norte-americana. Aventura, Drama e Terror num mundo pós-apocalíptico. Desenvolvida por Frank Darabont. Baseada na série de quadrinhos de mesmo nome por Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.

SinopseA série é protagonizada por Andrew Lincoln, que interpreta Rick Grimes, um vice-xerife que acorda de um coma e descobre-se em um mundo pós-apocalíptico dominado por zumbis. Ele sai em busca de sua família e encontra muitos outros sobreviventes, ao longo do caminho. O título da série refere-se aos sobreviventes, e não os zumbis.