Amelia. Aquilo sim, é que era mulher?!

Em outubro de 2009, o filme “AMELIA,” estreou por aqui, recebendo críticas negativas. Mesmo assim, fui vê-lo por dois motivos: aprender sobre a vida de Amelia Earhart e apreciar mais um trabalho de Hillary Swank. Creio que num filme de 111 minutos é impossível descrever em detalhes sobre essa marcante figura norte americana. Na verdade, mesmo se fosse um filme de 3 horas, acho que muitos americanos de hoje não encontrariam motivação para ver um filme sobre esta aviadora que morreu aos 39 em 1937. Além disso, é importante lembrar que Earhart foi no seu tempo uma dos dez figuras americanas mais famosa do mundo.

Muitas coisas negativas podem ser ditas sobre “AMELIA,” mas vou começar pelos pontos relevantes, e que mais gostei: o filme restaura um equilíbrio à saga de Earhart, fielmente traçando seus triunfos antes de habitação, até ao seu vôo fatídico final. Outro ponto positivo no filme é a trilha sonora de Gabriel Yared. Achei-a belissima e bastante emotiva. Um erro a academia não ter reconhecido esse trabalho dele! Também, a fotografia de Stuart Dryburgh é perfeita!. As cenas de vôo são muito bem feitas, ganhando mais brilho com as belas faixas escritas por Yared.

Infelizmente, o roteiro de Ron Bass e Anna Hamilton Phelan se preocupa mais com a construção de um triângulo amoroso entre Amelia, Putnam (o coroa, a quem ela se casa em 1931) e seu jovem rival, Gene Vidal (Ewan McGregor, a pior interpretação da carreira dele, que já vi). O Vidal de McGregor é de uma suavidade, que não pude acreditar o que uma mulher tão forte como Amélia vê nele, ou vice-versa. Também, não há muita coisa acontecendo entre Amélia e Putnam (Gere, desde vez, não consegue nem fazer o típico romântico e mesmo desesperado pelo amor de Amélia, ela explica o que ela está procurando. Além disso, “o sussurro” parece tomar o centro do palco com o desempenho de Gere). Achei que o roteiro não explora os motivos que Amelia queria tanto voar. Ela quer apenas voar e voar. Bem, creio que às vezes, o ser humano gosta tanto de algo, que nem sempre encontra as razões para justificar. Contudo, como leigo sobre quem era realmente era essa figura da aviação, esperava compreender os motivos que esse mulher queria tanto voar. No filme, a Amelia de Swank vive na base de muito otimismo. Num sol ensolarado, os vôos surgem apenas para ela “se divertir” e não deixar ninguém “invadir o seu caminho.”

Swank parece como Amelia. Ela também sorrir como Amelia, e evoca Amelia, mas não é consistente na criação da personagem. Já no início do filme, nota-se que Swank, de certa forma, fala com os dentes e não com a boca. Depois, o sotaque fica um pouco melhor, mas o desempenho não. Não nego que sou fã de Hillary Swank. Mas, ela faz parte de um tipo de atriz que não convence em todo tipo de papel. Contudo, quando ela evoca algo, Hillary brilha como poucas atrizes. Seu desempenho neste filme, em muitas cenas carece de inspiração, todavia, é ainda uma atuação mais interessante do que vê uma Sandra Bullock recebendo uma indicação ao Oscar este ano. Gosto muito da cena quando Amelia está ao ‘telefone’ com o marido (Gere) e tenta esconder sua fraqueza. Nota-se uma mulher mais humana, e menos “fora” do limite que vai além de uma obsessão para voar. Essa cena foi tão boa e emocionante, que me fez querer rever o filme, agora que foi lançado em DVD.

Mesmo que perdi um pouco de esperança de me envolver emocionalmente ou visceralmente com a vida Amelia Earheart, Mira Nair pega velocidade nos minutos finais do filme. Ao mostrar o vôo ao redor do globo e segurar uma tensão genuína ao mostrar Amelia atingindo a sua última etapa. Finalmente, temos um senso palpável dos riscos selvagem tomadas pelos pioneiros da aviação. Amélia, uma heroína da vida real, que me faz chegar a conclusão de que ela estava certa! Bendita boca que cantou verdades dizendo: “Aquilo sim, é que era mulher!” Emancipou-se, foi à luta!. Ai Meu Deus, mas terá mais gente que sentirá saudades dessa Amélia?

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