Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso (The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman. 2012)

Festival do Rio 2012 e um dos filmes assistidos: Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso

As chamadas para comemorar mais um Festival de Cinema do Rio 2012, soa bonito e charmoso: “Rio de Janeiro é a capital do cinema… Acorde o cinéfilo que há em você!”. Uma invasão cinematográfica, pacífica, celebrando a parceria entre a Cidade Maravilhosa e Londres, iniciada com a passagem da tocha olímpica de lá para cá. A operação ganhou o nome de Foco Reino Unido e o palco das ações é o Festival do Rio 2012. Os homenageados são Alfred Hitchcock, James Bond…Homenageando também Alberto Cavalcanti, o primeiro cineasta brasileiro a fazer carreira internacional. Bravo!Na minha programação não poderia faltar Monty Python, claro! O filme Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso levou muitos de seus fãs à sala escura. Sessão esgotada. Enredo formidável!

A história alterna gravações feitas pelo falecido Graham Chapman, com trechos de filmes antigos do grupo, mesclando muitos símbolos e metáforas visuais com irreverência e bons momentos de risadas nos episódios destacados e bem escolhidos para compor sua “biografia” representando as memórias deste ícone do humor inglês.

Uma ótima ideia, por sinal, mas não feita para agradar a todos pelo tipo de humor em estado bruto, nonsense, que às vezes peca pelo excesso. Muito bem produzido, passando pela escolha do formato em esquetes, uma total identificação com o biografado, investindo em vários estilos de animação, do mais pueril ao mais rebuscado, mesclados por transições para dar continuidade aos episódios escolhidos da “Vida de Brian”. Algumas partes, concordo, poderiam ter sido suprimidas ou compactadas e, assim, atrairia novos olhares, outros admiradores, quem sabe…

Alguém no cinema argumentou que faltou algo. E lhe responderam num tom de brincadeira que o falecido não compareceria àquela sessão porque no momento estava muitíssimo ocupado. E surgiram outros comentários até de que poderiam reeditar certas passagens, enxugar e fazer novos arremates entre uma composição final e início de outra história. Mas para quê tanta perfeição, exigir tanto do grupo humorístico excêntrico por excelência? Um ajuste mínimo na edição entre o final de uma animação e o começo de outra? Poderia mutilar a obra, perderia sua essência.

Recheado de ótimos diálogos, piadas refinadas, requintadas e também insossas!?! E o obvio! Como assim? Só mesmo Monty Python, pra variar – faz parte – desta vez e sempre. Inegavelmente uma grande produção, que apesar da composição tratar de trechos isolados, perdeu-se num determinado momento o fio da meada, perdendo, assim, a grande chance de ser um dos aclamados deste festival.

Com três diretores e envolvendo quinze diferentes estúdios que produziram dezessete estilos de animação para representar as memórias e mentiras de Graham, mas que, lamentavelmente, alguns fãs torceram o nariz comentando, ao término da sessão que Chapman não merecia essa “homenagem”. Perfeito! Seria estranho se agradasse a todos, não acha?

Uma das brincadeiras feitas por um dos diretores presentes no lançamento do longa foi o ponto alto da noite, muito válido e criativo ao apresentar para o público a sepultura do Graham com os seguintes dizeres numa placa: “Desculpem, não poderei estar à noite com vocês”. Final emocionante e ousado. Aplausos!

E os anfitriões encerraram citando Alberto Cavalcanti como cidadão inglês. Detalhe: este genial diretor é muito mais que isso: Ele é brasileiro e cineasta do mundo. Seria trágico se não fosse cômico. Fãs do diretor brasileiro não ficaram bravos. Bravo!
Karenina Rostov

Nota 9,0.*

Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso (A Liar’s Autobiography – The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman, Reino Unido, 2012). Dirigido por Bill Jones, Jeff Simpson, Ben Timlett. Com as vozes de Graham Chapman, John Cleese, Terry Jones, Terry Gilliam, Michael Palin, Carol Cleveland e Cameron Diaz.

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Professora Sem Classe. E a Bad Teacher descobre onde ela é Good!

Confesso que teria passado batido por esse filme. Até porque não sou muito fã da Cameron Diaz. Não sei se pelos biquinhos, ou mesmo o biotipo dela, mas ela parece carregar sempre uma mesma personagem. Mesmo quando atua bem num drama, como no “Uma Prova de Amor“, se para mim fica a ideia de que com uma outra atriz deixaria o personagem memorável, ela cai num lugar comum: o papel não era para ela. Acontece que eu vi um trailer do filme. Com o qual eu pensei: “Está aí um papel adequado para ela!” Então o negócio era esperar pelo filme e conferir. Conferido! E…

Tinha uma sogra no meio do caminho…

Professora Sem Classe” veio mesmo sob medida para Cameron Diaz. Ela é Elizabeth, uma Professora em busca de um marido rico. O que me fez pensar se ela seria uma quinta “Sex and The City“, mas sem classe. Uma bad girl. Estando feliz da vida, por estar noiva de um ricaço, se despede “com um sinal” ao o que seria o seu último ano lecionando. Mas a mãe do rapaz abre os olhos dele.

Noivado desfeito, de volta à Classe, ou a um novo marido rico

Sem outra opção, Elizabeth volta a lecionar. Ops! Volta a marcar presença em sala de aula. Até que, por conhecer marcas, descobre que o novo professor de matemática, Scoth (Justin Timberlake), é um rico herdeiro. Então começa a jogar seu charme, mas caindo na asneira de achar que Scoth gosta de mulheres peitudas. Na busca de grana para os peitos de silicones, seus meios usados deixam mais irritada uma outra professora também afim de Scoth. Ela é Amy (Lucy Punch), que jogará feio, também.

Enquanto Scoth está alheio a essa disputa entre Elizabeth e Amy, um outro professor também entra nesse jogo de sedução, mas de um jeito bem irreverente. Já que não tem dinheiro, nem é típico galã de filmes. Ele é Russel (Jason Segel), que mesmmo sem os tais predicativos, tenta chamar a atenção da Elizabeth.

Beleza! “Professora Sem Classe” não é uma Comédia Romântica!

Pois é! Apesar de todos os ingredientes para isso, o filme fica mesmo na Comédia. Onde o final eleva-o ao patamar de um bom sessão pipoca. Até por fazer a personagem feminina em questão fugir do esteriótipo tão comum como nos “Sex And The City” do mundo do cinema. Good!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Professora Sem Classe (Bad Teacher. 2011). EUA. Direção: Jake Kasdan. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 92 minutos.

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper. 2009)

uma-prova-de-amor_2009Não se trata de crise existencial de adolescente. Do tipo: ‘Quem sou eu?’, ‘Qual é a minha missão nesse mundo?‘… É muito mais! É de ter o direito de ser dona do próprio corpo. Da própria vida. Mesmo que para isso se busque pelos caminhos legais. Por uma lei que faça a família simplesmente deixar a natureza agir. E nessa família quem fechava todas as portas para a morte era uma mãe. Lutou com todas as armas para manter viva uma filha.

Uma Prova de Amor‘ é um filme que leva a várias leituras. Pelo peso de uma doença tão brutal no seio de uma família.

Pela mãe que esquece até dos outros filhos por conta desse que está com leucemia. Uma mãe, jovem ainda, mas que parece sentir-se responsável pela doença que acometeu na filha ainda em criança. Levando a todos a gravitarem em torno da Kate (Sofia Vassilieva).

Por um pai (Jason Patric) que cai em si a tempo de ver que seus filhos cresceram logo que buscam por seus próprios caminhos. Não que tivesse sido omisso demais. Mas sim por concordar com o mundo de Sara. Alguém desconhece o que é viver num matriarcado? Ou mesmo num patriarcado. Mas do tipo: que todos rezem da mesma cartilha.

Pelos filhos. Já que quem ‘rouba’ as atenções para si também se sente mal, não apenas os que se sentem relegados.

Aqui, separam-se também os familiares. De um lado, uma tia que realmente colocou a família da irmã na sua rotina de vida. De outro, os que vão apenas visitar Kate com mensagens de otimismo. Onde Kate em meio as dores sorri para eles. A fé num milagre, era uma utopia. E limpar os vômitos das quimios, são poucos os que aceitam fazer.

My SisterÕs KeeperSara Fitzgerald (Cameron Diaz) é a mãe que largou a própria vida para viver em razão da Kate. Nem viu o pequeno Jesse (Evan Ellingson) crescer, nem que ia mal nos estudos por ser disléxico. Quando o médico sugeriu que um filho de proveta poderia trazer uma cura, ela nem hesitou. E assim veio ao mundo a pequena Anna (Abigail Breslin). Para que doasse partes físicas de si, a Kate. Começou com o cordão umbilical, mais tarde veio o líquido da sua medula, depois vieram várias transfusões. Até que queriam um dos seus rins. Mas e ai?

Doar um órgão ainda em vida, ainda tendo uma longa vida pela frente, por ainda ser adolescente, é um caso a pensar. Até porque quem receberia o rim só ganharia mais um curto espaço de tempo. Uma sobrevida a mais entre quimios, ambientes hospitalares, e quase sem chances de um tempo em casa. É um gesto mais que humanitário, mas também egoísta. Porque fariam de Anna uma pessoa com cuidados de saúde pelo resto de sua vida.

Anna então procura um advogado, Alexander (Alec Baldwin), e conta a sua história. Pedindo a ele que quer emancipação do seu corpo para fins médicos. Ele aceita. Anna fica sabendo depois o porque dele abraçar a sua causa. Essa sua decisão evidencia o racha que havia naquela família. Sara fica sozinha nessa sua missão de tentar salvar Kate. Decide ser ela mesma a advogada contra Anna. E para julgar a questão, uma juíza (Joan Cusack) que voltava de licença: tinha perdido uma filha adolescente.

É Anna quem nos conta a história. Em flashback, até voltar ao desfecho da sua tomada de decisão.

Conheço mães como Sara. Logo, não vi nada incomum no contar esse drama. O único porém, que não o fez ficar um ótimo filme, foi a escolha de Cameron Diaz. Uma outra atriz teria feito de Sara uma mãe memorável. Poderia ter batido um bolão com a pequena grande atriz Abigail Breslin. Essa tem um grande talento. Os outros atuaram bem. Foi a primeira vez que vi Sofia Vassilieva atuando. Gostei muito! Não deu para segurar as lágrimas com a maturidade de Kate no finalzinho.

Eu gostei! É um bom filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper). 2009. EUA. Direção: Nick Cassavetes. +Cast. Gênero: Drama. Duração: 109 minutos. Baseado num Romance de Jodi Picoult.

O Amor não tira Férias (The Holiday. 2006)

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O título nacional ficaria bem melhor num outro contexto. Mostrando que nossos sentimentos nos acompanharão sempre; e para onde formos. Como também seguindo em paralelo às nossas carreiras profissionais. Estarão presente quer seja para nos deixar alegres ou tristes, surpresos ou não, desejando ou não… O fato é que toda forma de amar nos motiva a seguir em frente. O amor existe, querendo ou não. Agora, parece que quem “traduz” os títulos por aqui prefiram “contar” o filme; ou pelo menos fazem força para isso.

Em relação ao filme. Se não fixarmos na idéia que as mulheres só serão felizes casadas (Com alguém ao seu lado e numa de: felizes para sempre!), está aqui um bom divertimento.

O porque disso? É que o roteiro mostra que mesmo querendo ir para longe daqueles que as enganaram, essas duas personagens bem sucedidas profissionalmente encontram um novo alguém. Não que veja algo errado nisso. Mas deixa a impressão que o lado profissional não basta. Nem tampouco que a liberdade conquistada traria satisfação. Há quem não queira uma relação duradoura. E isso também é válido para nós mulheres. Não é só com os homens que há essa fuga de um altar. E se por vezes queremos “férias” de algo próximo, não tem que ser necessariamente de algo que nos deixou mal. Pode ser apenas uma saída da rotina. Evitar um estresse.

Continuando com a história. Com um forte sentimento de rejeição as duas personagens, pela internet, combinam a troca de casa por uns dias. E às vésperas do Natal. Me perguntei se seria para realçar uma vontade ainda maior de constituir uma família.

Esse tipo de transação – trocar as residências por um período – a princípio assusta a personagem da Cameron Diaz. Talvez pelo padrão elevado de vida; ou mesmo pela violência que vê, que ressalta nos filmes na sua Agência (Fazem trailers de divulgação dos longa-metragem.); ou mesmo do que vê pela tv. Mas acaba cedendo por querer tanto “sair”, afastar-se da desilusão. Mas terá um impacto ao ver onde se meteu. Para a personagem da Kate Winslet, uma jornalista que assina uma importante coluna de um jornal, que mora num local pequeno na Inglaterra, essas férias ainda mais em Los Angeles, veio em ótima hora. Mas só irá se dar conta da diferença de padrões de vida entre elas, também quando chegar na casa da outra. O deslumbramento de uma, com a surpresa da outra, proporcionam gostosas risadas!

o-amor-nao-tira-ferias-2006_02Em alguns textos eu costumo ressaltar certas químicas entre dois atores resultando numa dobradinha gostosa de se ver. Não sendo necessário ser o par romântico. Nesse filme essa química se deu com a Kate Winslet e Eli Wallach. O personagem dele é um Roteirista dos velhos tempo de Hollywood. Famoso em sua época. Os dois fazem o melhor desse filme. São cenas cativantes! Como na que ele diz para ela:

Eu vejo que você é uma mulher protagonista, mas por algum motivo está agindo como a melhor amiga. Você deve ser a protagonista da sua própria vida!

Como também onde aborda o que tem de mais valor nos filmes atuais. Um tema bem interessante que poderia ter sido melhor explorado. Enfim, Eli Wallach, foi um coadjuvante que roubou a cena! Ou, o filme.

Ah sim! Não poderia deixar de citar outro coadjuvante que fez bonito: Jude Law. Nem tampouco o seu irresistível queixinho!! Uau!!

Para quem curtiu “Alguém tem que ceder”, também assina Direção e Roteiro desse a Nancy Meyers. E que mesmo com todos os clichês, eu recomendo “O Amor não Tira Férias“. Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELA).

O Amor não tira Férias (The Holiday). 2006. EUA. Direção e Roteiro: Nancy Meyers. Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach, Edward Burns, Rufus Sewell, Miffy Englefield, Emma Pritchard, Sarah Parish, Shannyn Sossamon, Dustin Hoffman, Lindsay Lohan, James Franco. Gênero: Romance, Comédia. Duração: 138 minutos.