Livre (Wild. 2014). A Jornada de uma Rebelde Sem Causa

livre_2014_filmeEm “Livre” temos a jornada de uma rebelde sem causa em que só vai tomando consciência disso milha após milha, vendo passar diante de si – em flash back para nós – a vida que levava e que reclamava tanto. Queria tanto sofisticação e dinheiro, mas se entregara às drogas pesadas numa vida promíscua… Reclamava do pai, mas nem enxergava o real valor da mãe que pode não ter dado a vida de luxo que tanto queria, mas dera amor e ótimas lições de vida… E após o destino ter levado sua mãe ainda na flor da idade… essa jovem resolve carregar também todas as suas “assombrações” (Sombra – Jung) percorrendo a pé uma longa trilha e fazendo dela o seu próprio purgatório…

Completaria toda a trilha da Costa do Pacífico? Quantas e quais bagagens iria deixando pelo caminho? Entenderia o quanto desperdiçou de tempo de vida? Por que escolhera essa longa caminhada e em contato com uma natureza ainda selvagem? Percorrendo em grande parte sozinha o que nunca fora ligada a uma vida assim em contato direto com a natureza. Se até odiava… Enfim, vejam o filme! Que daqui por diante terá spoiler!

Nos últimos anos agi como ela se fosse nada. Mas ela era tudo mesmo.”

livre-2014_laura-dernEnquanto essa jovem se auto destruía – sexo com qualquer um e muita droga pesada -, a mãe continuava levando sua vida por eles. Fora esposa e depois mãe em tempo integral. E só às vésperas da morte se deu conta de que não vivera por si mesmo. Nem fora um lance de egoísmo, apenas sentira um certo vazio dentro de si… Quem sabe por conta de nem ter recebido dessa filha um gesto de carinho. Uma filha que em vez de sentir vergonha de si própria, sentia do jeito caipira de ser da própria mãe.

Nós somos ricas em amor.”

Um câncer leva a doce e gentil Barbara “Bobbi” Grey. Numa ótima performance de Laura Dern. Uma mãe que ensinou que ela deveria encontrar o melhor de si e se valer dele pois dias piores poderiam vir. Que também ante a fazer uso de uma grosseria que buscasse ser gentil. Pois é! Gentileza gera gentileza… Uma mãe que ensinou a ela que há um nascer do sol todos os dias e que a vida dava a ela a opção de estar lá para ver.

Se sua coragem sumir, vá além.

livre_2014_01A jovem até tentou fazer uma terapia, mas como ainda não estava pronta… escolhe quase um auto flagelo percorrendo uma trilha muito longa. Para alguém que até então levara uma vida desregrada, e que nunca tivera um espírito desportivo, como também meio que odiava uma vida na roça, a trilha viria como uma punição… Como uma dívida com sua mãe… Onde o cansaço, a dor física, o suor, o frio, o medo… fizesse transpirar tudo fizera até então… Ela era a Cheryl, vivida por Reese Witherspoon que mostrou e bem toda a superficialidade da personagem: da rebelde sem causa que iniciou a jornada.

Cheryl precisava mesmo resgatar a si própria nessa natureza selvagem que também impõem limites e superações. Muito mais do que uma comunhão com a natureza, ela caminhava em direção a sua própria redenção. Assim como em se render de fato ao amor que recebera de sua mãe. Um pouco tarde, mas teria no irmão o sentimento família que antes não dava valor. Assim, Cheryl consegue expurgar o passado, com páginas em branco a vivenciar o presente, com muitas bagagens a menos para a vida que teria pela frente.

livre-2014_reese-witherspoonÀs vezes colocam maquiagem demais, mas nesse aqui faltou. Até para dar mais realidade a atriz Reese Witherspoon pelo o que vivenciou a personagem. A não ser que tenha usado um protetor solar de última geração, já que a pele do rosto continuou como bumbum de neném ao final da jornada de uns quatro meses. Teria vindo a calhar uma maquiagem que mostrasse por todas as intempéries que enfrentou. Mas enfim, sua performance foi excelente!

O filme “Livre” muito bom! Parabéns ao Diretor Jean-Marc Vallée que soube contar e bem essa biografia de Cheryl Straved. O cenário da trilha da Costa do Pacífico é belíssimo. A Trilha Sonora também atua como um ótimo coadjuvante! Vale muito a pena ver! Mas não me deixou vontade de rever. Nota 08!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Livre (Wild. 2014). Uma Jornada de uma Rebelde Sem Causa
Ficha Técnica: na página no IMDb.
Baseado no livro “Livre – A Jornada de Uma Mulher Em Busca do Recomeço”, de Cheryl Strayed
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127 Horas (127 Hours. 2010)

Por: Alex Ginatto.

Assisti ontem (02/08/11) a “127 Horas” por ter visto que estava bem cotado entre as novidades da locadora.

Confesso que me incomodam um pouco filmes com roteiros sucintos, sem muitas reviravoltas e principalmente os que se passam em sua maioria no mesmo cenário. Sofri um pouco com “Enterrado Vivo” (Buried), mas ainda assim consegui aproveitá-lo e imaginei que o mesmo aconteceria com 127 Horas.

Engano puro…o filme tem uma dinâmica bem maior e consegue lhe manter preso ao drama vivido por Aron.

Diante de um descuido, uma queda, um braço preso e pronto: ele se coloca no que seria o foco do filme até os minutos finais.

O desespero inicial para tentar retirar a pedra, o gerenciamento de alimento e água imaginando que demorariam vários dias até que alguém desse por sua falta, os devaneios de sua mente, oscilando momentos de descontração, tristeza e lembranças.

Muito boa atuação do ator James Franco, conseguiu encarnar bem o papel de Aron. Excelente escolha da trilha sonora, dinamismo dos corte das cenas e um cenário de tirar o fôlego.

Recomendo muito! Nota 7.

127 Horas (2010). Os louros vão para Danny Boyle

E no meio do caminho tinha uma pedra…

Às vezes gosto de saber dos filmes que entrarão em cartaz no Brasil. Por curiosidade mesmo. Como a lista é grande, vou olhando aos poucos as sinopses. Desse filme em especial, o título me chamou a atenção, dai fui ler uma sinopse:

127 Horas é a história real do alpinista Aron Ralston. Ele cai numa fenda num cânion isolado no Parque Nacional de Utah. Uma rocha prendeu seu braço. Nos dias seguintes, Ralston tenta ganhar coragem para sobreviver com os meios disponíveis, ao mesmo tempo em que é visitado pelas lembranças de amigos e familiares.”

Confesso que não me empolguei de pronto. Só mesmo quando meus olhos bateram no nome Diretor, e também Roteirista: Danny Boyle. É! Esse cara tira-leite-de-pedra. O que para mim a estória mal daria um Média Metragem, com ele já antevia um jeito de contá-a nos deixando atentos. E ele foi além, pois o filme é ótimo. O ator até se sai muito bem, mas com toda a certeza “127 Horas” é de Danny Boyle. Os louros são para ele.

Porque o drama que se abate com o jovem Aron, interpretado por James Franco, ocorre nos primeiros quinze minutos de filme, talvez um pouco mais. E ai é o Aron, dentro de uma fenda profunda numa grande rocha, preso, no que para ele foram essas 127 horas – onde só tinha água e suprimentos para apenas umas horas de caminhada pelo cânion -, mas que para nós um pouco mais de uma hora de filme. Boyle nos deixa ligado na estória. Tem que ver para tirar a dúvida. Boyle não nos deixa tirar os olhos da tela.

O início do filme com uns clipes já me encantaram. Numa tradução literal minha seria que há quem queira se aventurar longe das pessoas. Até por se sentirem sozinhos em meio a multidão. Ou em buscarem nesses momentos solitários em meio a natureza um tipo de recarregar as baterias. Até ai, tudo bem!

Agora, há de se preparar para os im-previstos. Como eu escrevi para o filme “Na Natureza Selvagem“, que a natureza mesmo selvagem também tem suas regras. Certos tipos de esportes, e em determinadas regiões, deveria ser feito com companhia. Acidentes podem ocorrer. Tendo alguém para pedir por um socorro, denota de bom senso. Mas Aron mesmo ciente disso tudo, ignora até os pequenos sinais. Só dará atenção a eles, já bem combalido. E se foi miragem, ou visão trazida do seu subconsciente como se dissesse para ele não desistir da vida, o certo foi mesmo é que fora sua injeção para continuar vivo, e pelo jeito, atrás de mais desafios a até contra sua própria natureza: sempre sozinho. Já que o Aron não se emenda…

Meus aplausos seguem quase na totalidade para o Diretor Danny Boyle! E ele fez mais! Me levando às lágrimas nos minutos finais. Não deixem de ver. Ah sim! A paisagem é deslumbrante.

Antes de encerrar, deixo mais uma impressão. É que me bateu uma curiosidade. Saber o que diriam os da Área Psi sobre o menino que aparece para Aron. Se diriam que foi mesmo uma previsão? Ou a sua criança interior pedindo para não desistir?

Por: Valéria Miguez (LELLA).

127 Horas (127 Hours. 2010). EUA / Reino Unido. Direção e Roteiro: Danny Boyle. Gênero: Aventura, Drama. Duração: 94 minutos.