As Montanhas se Separam (2015). Numa Promessa de uma Vida Melhor

as-montanhas-se-separam_2015_cartazPor Christine Marote.
Assisti o filme “As Montanhas se Separam”, do diretor chinês Jia Zhang-ke, e resolvi dividir com vocês, por alguns motivos. O filme é em mandarim, legendado em português. E sempre se fala que uma boa maneira de se aprender uma outra língua é assistindo filmes… Isso é fato. Mas nunca me atrevi a assistir um filme em mandarim desde que comecei a aprender essa língua. Achava que nunca iria entender nada, que ficaria perdida. Ok, também morando na China nunca havia encontrado um filme com legenda em português. Mas o fato é que fiquei super empolgada em reconhecer as palavras e expressões da fala cotidiana. Como usam expressões que eu achava que só servia para uma situação, e percebi que não. E faz todo sentido. Muito legal.

as-montanhas-se-separam_2015_02“As Montanhas se Separam” retrata a China do começo do século 21. Ele começa na virada do século, e algumas cenas que vi, me lembrou muito algumas situações que presenciamos em Chang Chun, quando chegamos na China em 2004. Até porque ele é rodado no interior do país, o que mostra uma outra realidade, bem diferente de Shanghai, mesmo naquela época.

A abertura econômica e as possibilidades que se abriram para o enriquecimento da população, ou não. As consequências que esse dinheiro, que chegou muito rápido, trouxe para as pessoas e a sociedade chinesa. Bem interessante.

Ele está em todos os cinemas do Brasil! Essa é a melhor parte, né? Estou falando de um filme que todos terão acesso. Não esperem uma produção hollywoodiana, mas um filme cativante e bem interessante sobre uma sociedade, que apesar de estar na mídia mundial, poucos conhecem de perto.

as-montanhas-se-separam_2015_01Um resumo de “As Montanhas se Separam”: Uma história narrada em três períodos: 1999, 2014 e 2025. Começando pela China em 1999. A professora Tao (Zhao Tao) é cobiçada pelos seus dois amigos de infância, Zang (Zhang Yi) e Lianzi. Zang (Jing Dong Liang) é proprietário de um posto de gasolina e tem um futuro promissor, enquanto Liang trabalha em uma mina de carvão. No coração dos dois homens, Tao terá de fazer uma escolha que determinará o seu destino e o futuro de seu filho, Dollar. Zhang, com espírito empreendedor capitalista, vai se tornar dono da mina em que Liangzi trabalha e, assim, o confronto amoroso se espelha e se reflete no confronto da China moderna, entre trabalho e capital, que põe em xeque a própria identidade do país.

Tempo depois, entre uma China em profunda mutação e uma Austrália com a promessa de uma vida melhor, esperanças, amores e desilusões, esses personagens irão encontrar os seus caminhos.

As Montanhas se Separam (Shan he gu ren. 2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Anúncios

O Ano Mais Violento (A Most Violent Year. 2014)

o-ano-mais-violento_2014_cartazPor Humberto Favaro.
O ano de 1981 é considerado um dos mais violentos da história de Nova York. Fora a miséria e as incertezas do plano econômico adotado pelo então presidente, Ronald Reagan, a cidade sofreu um corte brusco de investimento, que deixou vários norte-americanos jogados aos criminosos. Para se ter ideia, os índices de roubos, assaltos, estupros e assassinatos colocaram o país inteiro em estado de alerta durante este período.

o-ano-mais-violento_2014_01O filme O Ano Mais Violento, estrelado por Oscar Isaac e Jessica Chastain, faz um retrato fiel desse assombroso contexto e aborda com inteligência a tensão e o desespero de seus personagens principais. Ao mesmo tempo em que fala da violência pura, com pessoas assaltando as outras e agressões físicas, o diretor J. C. Chandor mostra que realmente conhece o contexto da época a apresenta a atmosfera necessária para enredos desse gênero, que são bem sombrios e nebulosos.

Com uma direção segura, o tempo inteiro o público participa de alguma forma da trama, pois é instigado a entrar no ambiente de uma trama densa, que traz a sensação de que o pior ainda está por vir. Com pouca trilha sonora, Chandor é confiante ao transmitir o cenário nebuloso do protagonista Abel Morales (Isaac), dono de uma empresa de combustível que quer prosperar ainda mais nos negócios.

o-ano-mais-violento_2014_02Com um estilo de vida de alto padrão, o executivo fecha um negócio promissor e se compromete a fazer o pagamento em 30 dias no máximo. Nesse meio tempo, seus funcionários começam a ser ameaçados e agredidos, o que os levam a carregar armas ilegais para se protegerem. Para piorar, os negócios da companhia passam a ficar sob investigação da promotoria pública, que é comandada por Lawrence, personagem de David Oyelowo (Selma). Anna Morales (Chastain), esposa de Abel, passa a fazer a contabilidade da empresa e a partir daí as notícias pioram cada vez mais para o executivo, que é obrigado a achar uma saída para cumprir todos os seus compromissos financeiros e descobrir quem está por trás dos ataques aos seus funcionários.

Escalado para fazer “Star Wars: O Despertar Da Força” e “X-men: Apocalipse“, Oscar Isaac chama atenção por mergulhar em seu personagem. Seus olhar tenso é o verdadeiro reflexo de um homem preocupado, que começa a ver seu império ir por água abaixo, e também o retrato da crise de uma época em que as pessoas precisavam se reinventar na marra para não ruir de vez na sociedade. A sempre ótima Jessica Chastain também merece destaque ao transmitir o sofrimento e a melancolia de Anna, que sempre se mostra preocupada com a segurança de suas filhas e de seu patrimônio.

É verdade que algumas traduções de filmes não fazem tanto sentido, mas O Ano Mais Violento cai como luva neste caso, principalmente por seguir ao pé da letra o original, “A Most Violent Year“, e por fazer um ótimo contexto da tensão e do quanto a violência urbana prejudicou várias esferas da sociedade em 1981. Além disso, o longa conquista por também criticar o individualismo das pessoas e a necessidade excessiva de cada um querer ficar rico a qualquer custo.

Avaliação: 9.0

O Ano Mais Violento (A Most Violent Year. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Curta: O Emprego (El Empleo. 2008)

el-empleo_curta_2008Por Mariana Rosell.

Como eu nunca tinha visto esse curta antes?! É incrível! Em sua simplicidade, em seu didatismo e em sua capacidade de comunicação.

O curta, El Emprego, retrata um dia de trabalho de um homem elucidando a coisificação e mostrando como no sistema capitalista, entre pessoas e objetos, nada há de diferente; tudo vai bem desde que todos cumpram com suas funções calados e passivos.

Nem tem muito o que dizer sobre ele, mas recomendo a assistência, sobretudo nesse primeiro de maio, dia DO TRABALHADOR E DA TRABALHADORA, e não do trabalho, como já discuti nesse texto do ano passado. É a reificação desenhada… Será que agora a galera entende?

El Empleo.2008.
Diretor: Santiago “Bou” Grasso
País: Argentina

Para assistir ao premiado curta:

O Capital (Le Capital. 2012)

o capital_2012Costa-Gavras consegue magistralmente fazer uma releitura light das ideologias amareladas pelo tempo de “O Capital” de Karl Marx, numa forma brilhante e bem humorada, impossível de não se aplaudir. Essa mesma história tão sonhada por Seguei Eisenstein e idealizada numa megaprodução pelo alemão Alexander Kluge com aproximadamente nove horas e meia, uau, certamente já é um clássico e confesso, tenho muita curiosidade de em algum momento, quem sabe, deleitar-me dessa preciosidade acompanhada do descompromisso diário da labuta e talvez pausa apenas para um café.

Pelos ideais filosóficos do capitalismo, desde que o mundo é mundo, o dinheiro é a própria religião, fala mais alto, é porta-voz da humanidade, manda quem TEM. Tudo é possível com ele comprar, tudo pode desde o luxo, beleza, prazer e o próprio status.

Capital e Poder quase sempre caminham juntos. Para quem tem, portas são abertas com mais facilidade. Compra-se até a liberdade e amigos.

E “O Capital” do século XXI, mesmo Costa-Gravas pegando leve, mostrando um lado humano menos materialista, mas não tão diferente: o cidadão continua escravo do capital; sabe-se que ele nasce bom, até que lhe é dado um pouquinho de poder capaz de transformá-lo em Robin Hood que tira dos POBRES para dar aos RICOS, numa odisseia ilusória que parece não ter fim. E paralelamente a essa história, entra em cena a profissão rotulada como a mais antiga do mundo sob a fantasia de uma bela modelo tentando a qualquer custo “comprar” ou quem sabe, “vender” momentos felizes na sonhada companhia do poderoso chefe de um importante banco também num jogo de sedução perguntando ao espectador quem afinal é a prostituta? Ele? Ela? E quem afinal acaba pagando para devorar quem? Em um mundo consumista leva vantagem o voyeur.

O filme tem ótimas sacadas nas entrelinhas. Convidativo como só Konstantinos mesmo fazer seu público merecer essa joia rara de presente. O Capital é uma ilusão. Bravo!
E.B.

O Ditador (The Dictator. 2012)

Sacha Baron Cohen! Esse nome trouxe algo um tanto inédito nos últimos tempos: o de “Ame-o ou deixe-o!”. Por causa dos seus filmes. Para um público internacional o peso disso surgiu com o seu “Borat“. Continuando em “Bruno“. Personagens e tramas marcantes e controversos. Agora, não sei se para conquistar um novo público, e quiça uma nova legião de fãs, que temos em “O Ditador” um filme mais comerciável. Diria mais: mais mastigado. O que pode não agradar seus fãs mais puristas. O que seria uma pena! Até por mostrar que mesmo gostando muito de seus personagens não precisa ser tão radical. Os personagens de Sacha mesclam entre um ar patético dos de Jerry Lewis com o humor displicentemente ferino dos do grupo Monty Python. Só que exagerando na dose.

Se Chaplin nos emociona até hoje com seu discurso de o seu “O Grande Ditador” (1940), creiam, “O Ditador” de Sacha, o General Aladeen, nos leva a chorar com o seu discurso na ONU, mas chorar de rir. Só essa cena – texto + performance -, já vale ter visto o filme. E mais! Deixando até uma vontade de rever. Sem tirar a surpresa de todo: o General Aladeen mostra a “diferença” entre uma Ditadura do Oriente Médio e uma Democracia como a dos Estados Unidos. A cara que ele faz dá um peso maior ao que discursa. Diria que é cruelmente hilário!

Sem as cenas escatológicas dos seus dois filmes anteriores citados, e que também foram dirigidos por Larry Charles, “O Ditador” mete o dedão na ferida do jogo político que há entre países ricos: a disputa não pelo poder maior, mas sim em se manter nele. Porque é um poço sem fim de lucros advindos das comissões em grandes transações. Muitas tendo até como fachada: fins humanitários.

Para o público “virgem” se ao assistir o filme focar nesse tipo de mensagem já terá percorrido meio caminho para se tornar fã desse ator. Do tipo de humor do Sacha. Como também para curtir esse filme por um todo. Se divertir com o seu General Aladeen. E quem seria ele? Aladeen não passa de um meninão riquíssimo, mimado, que leva uma vida nabanesca, se achando o maioral em ser um ditador sanguinário da República de Wadiya. Mas que acima de tudo: tem muita sorte em sair ileso dos inúmeros atentados. Tem como braço-direito Tamir; personagem do também sempre ótimo, Ben Kingsley.

Tudo seguia seu rumo em Wadiya, quando Aladeen é persuadido a comparecer na ONU para dizer que não está fazendo armas nucleares com fins militares. É quando descobre que morto será o tesouro dos “Quarenta Ladrões”. Assim, escapando de mais um atentado, numa engraçada cena com a participação do também ótimo John C. Reilly, Aladeen se vê perdido numa terra inóspita. Para ele, é claro! Já que se encontra em plena Nova Iorque.

“O Rei está nu!” Despido até do seu poder, Aladeen chama a atenção de uma jovem com jeitinho moleque. Ela é a dona de um Empório de produtos naturais, sem agrotóxicos. Vegan convicta. Uma Pacifista meia ferrenha. Mas uma empresária que não sabe bem gerenciar os empregados da loja. Pois até à frente de uma loja há de se ter um respeito a hierarquia. Ela é Zoey, personagem de Anna Faris. Aladeen que até então pagava, e muito bem, para prazeres carnais momentâneos, desconhece a atração que começa a sentir por essa mulher com aparência de um menino. Como também fará novas descobertas, até em saber que a arte em comandar não precisa passar por distribuir tesouros.

O filme traz a grosso modo uma radiografia do capitalismo versus o socialismo, mas mais pelo radicalismo dos e nos posicionamentos. Agora, sem esquecer de que essa reflexão mais séria vem com a cara/marca do Sacha. O que me leva a continuar fã desse ator, sem ser xiita.

Então é isso! Um filme para os já fãs e os que ainda não são. Pois terão também em “O Ditador” um humor escrachado. Com quase liberdade total. Onde o “quase” vem pelo fato de que em vez de ter a religião que estaria mais de acordo com a região, Sacha, até para continuar livre e vivo para novos filmes, prefere cutucar os judeus. Safo, não!? No mais, há participações especiais que complementam a trama de um ótimo filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Ditador (The Dictator. 2012). EUA. Diretor: Larry Charles. Roteiro: Sacha Baron Cohen, Alec Berg, David Mandel, Jeff Schaffer. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 94 minutos. Classificação: 14 anos.

Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011). Ou Como Aplicar um Mega 171 Impunemente!

Claro que tendo esses três atores – Kevin Spacey, Stanley Tucci e Jeremy Irons – no elenco já me motiva a ver o filme. Agora, sendo um baseado numa história real, e pelo fato em si, ai já carimbava de vez em conferir “Margin Call – O Dia Antes do Fim“.

Mais do que ver como pode ter acontecido o que impacta mais hoje é que assim como muito outros fatos marcantes depois vão se apagando quer dos noticiários quer da memória de muitos. Mesmo esse tendo ocorrido bem recentemente: em 2008. O que antes eram manchetes terminam virando itens de bancos de dados. Por outro lado por conta da crise atual dos países tidos como primeiro mundista assistindo agora “Margin Call” é de aplaudir com entusiasmo. Não apenas para um refresco à memória em mostrar de quando veio a recessão atual, como também pela solução escolhida na época.

O filme foca num apenas importante Banco de Investimento da época e que embora também no cenário mundial era do poder que detinha no local: Estados Unidos. O maior símbolo do Capitalismo. Onde o “investir em” é algo cultural. Não importa em que, mas mais no que poderá lucrar com isso. Ou mesmo no que provavelmente poderia lucrar. E foi por ai que os lobos deitaram e rolaram. Pois porque teriam escrúpulos em aplicarem o mais monumental conto do vigário da História do Capitalismo se o sistema não fora inventado por eles? Se escamoteado por uma “margem de risco” havia um querer por muitos dividendos, e num “sem suar a camisa“, deram a eles uma permissão para serem ludibriados. Como citei antes faz parte da cultura deles, dai nem se pode falar que foi pura ganância, e para ambos os lados. De um dos lados, faz parte vender até algo podre. Do outro, se tampou as narinas na hora da compra, fora porque quis. Mas mesmo se tratando de algo trágico para muitos, também me levou a pensar numa Comédia que fizeram com esse lance de “investir em”. Um filme com a Barbra Streisand, “For Pete’s Sake” (de 1974), porque nesse a queda nas Ações resultou cenas hilárias.

O filme também me fez lembrar de um Documentário que vi pela televisão, o “Zero: An Investigation Into 9/11” (de 2008). Pois teoria da conspiração ou não, a queda do World Trade Center não deixou de limpar muita sujeira de empresas como essa sediadas nos prédios desabados. A do filme já estava na busca de tentar “reciclar” a própria sujeira. Mas não tiveram um novo desabamento de prédio – um atentado salvador-da-pátria -, e nem mais tempo hábil. E só sentiram a fedentina toda por conta de um funcionário, aliás um recém ex-funcionário, de ainda se sentir ético com a empresa que mais que uma demissão, o levaram até a porta da rua.

É com um tipo de limpeza que começa o filme “Margin Call“: mostrando que se sonhos começam na Wall Street, muitos também terminam nela. Nem importando também por quanto tempo o funcionário trabalha na empresa. E nesse caso em especial, o corte de funcionários começou logo com um que deveriam é tê-lo mantido. Principalmente pelo cargo que ocupava: Analista de Risco. Logo ele: foi o primeiro a ser demitido. É o personagem de Stanley Tucci, Eric Dale; falo mais dele mais abaixo. Eric consegue passar um pendrive para um de seus pupilos, dizendo: “_Tenha cuidado!” É! O conteúdo ali era TNT pura.

Agora, por falar em limpeza, mesmo em qualquer significado, quero registrar a passagem da senhorinha do setor de faxina da empresa. Ela marcou presença. Ficou irresistível em não tirar os olhos dela. Ela eclipsou Demi Moore e Simon Baker na cena do elevador. Fui procurar na página do elenco no IMDb, mas até a presente data não há o nome da Cleaning Lady. Tomara que coloquem. Ela merece os créditos!

Ainda falando em limpeza, mas dessa vez com uma orgânica… O ator Penn Badgley será lembrado por interpretar alguém “do andar debaixo” que tendo umas horas “no andar de cima“, sentiu-se feliz por realizar um grande sonho dentro do banheiro dos Chefões. Caramba! Que vontade de escrever o português claro, sem eufemismo. E nem seria por não querer trazer um spoiler. Mas porque a cena em si é memorável! Vale a pena curtir a cena! Pobreza de espírito do jovem? Não! Sujeira muito maior seus outros colegas de firma seriam levados a fazer, mas sim nos sonhos de outras pessoas de fora dali. Pois, ou compactuavam com a sujeirada dos patrões, ou perderiam o emprego. Aliás, já ciente de uma outra ordem: a de que quanto mais trouxas enganassem, menos chance teriam de serem demitidos.

O subtítulo dado no Brasil foi um eufemismo para toda a sujeira mostrada na trama do filme: “- O Dia Antes do Fim“. Fim de quem cara-pálida!? Dos incautos, sim. Dos que em sua grande maioria fazem parte da base da pirâmide social. Também dos que estão na parte central, mas em menor número. Desses, poucos chegarão ao topo e que por lá permanecerão. Porque ainda dessa outra parte, uma maior parte terá que contar por uma virada do destino, mas onde na realidade dará é suporte para um a mais tempo no topo permanecer por lá por muito mais tempo ainda. Pois quase sempre esses da segunda base uma grande parcela ficarão nesse é andar intermediário.

Quem bem exemplifica isso é o personagem de Paul Bettany, Will Emerson. Muito bom em vê-lo se despir de um outro personagem que tão bem interpretou, o Silas em “O Código Da Vinci” (de 2006). Em “Margin Call” ele está brilhante também. Mas pelo contexto de agora a cena dele que destaco é a dele com Eric Dale (Stanley Tucci), em frente à casa desse outro. Onde mais do que ele falou, foi o que não disse. Talvez algo como: “E o que eu faria se fosse você?” de posse com aquilo que Eric descobrira, mas que fora concluído por Peter (Zachary Quinto). E Eric põe uma pá de cal nesse pesar, mas só assentindo o que Will já concluíra. É de arrepiar!

Seja o primeiro. O mais esperto. Ou trapaceie!

Agora, o que se subentende, e sem o menor floreio, do título original – Margin Call -, é que tiveram um jeito legal (=Lei) de aplicarem o maior 171 da História do Capitalismo. Dai prefiro o meu subtítulo…rsrs Bem, no jargão economês, margin call significa um pedido de cobertura. Então foi o que os corretores fizeram, em pouquíssimas horas, antes que toda a sujeirada vazasse alem daquelas cercanias: uma colossal venda de títulos podres. A história do filme centra-se nesse curto período do tal Banco se safar do que seria um desastre para ele. Tendo início no fim de noite, indo até antes do meio do dia seguinte.

Pontos medianos, mas acima da média:
Demi Moore não fez feio. Mas me levou a pensar que se ela tivesse se espelhado, por exemplo, na personagem da Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada” ai sim teria deixado a sua passagem memorável. Enfatizando com algo dito por uma outra grande Diva, e nossa, a Fernanda Montenegro, algo: “_Que não importa se é um papel curtinho, se marcar sua passagem mostrará a sua grandeza.”
Simon Baker também não fez feio. Muito embora me fez pensar mais em seu personagem na Série de Tv “The Mentalist“. No filme ele não se intimidou ante os atores mais ilustres. Fez cara de Chefe bonzinho. Mas seu personagem era até um desconhecido para os funcionários dos andares de baixo. Até por isso, poderia ter marcado mais presença. Também pelo o que estava em jogo para o seu personagem. Creio que será lembrado mesmo, ou mais, como o executivo no banheiro. Na cena onde o tal corretor realizara um sonho. Pela cara que ele fez, numa de: “Não entendi nada!

Pontos altos do filme:
J.C. Chandor, o Diretor e também Roteirista. Provou com “Margin Call” que tem um belo futuro. Porque tem que ser muito bom para nos manter atentos até o final. Mais! Conseguiu algo raro, o de eu querer que não terminasse logo. E tem cada fala, como a: “_Jogue um grande osso…” É de dar um frio na espinha. Bravo! Longa carreira para ele!
Kevin Spacey rouba todas as cenas em qualquer filme. Nesse também. Destaco uma em especial, que não deixa de ser uma marca dele. É logo no comecinho. O ar quase blasé que faz com o corte dos funcionários, mas mostrando qual seria a sua preocupação daquele momento. Que seria trágico, senão fosse cômico. Essa cena é memorável!
– Memorável também a cena onde o personagem de Jeremy Irons tenta entender a crise que se abateu em seu império. Ele faz de um jeito que parece nos levar ao iniciar da sua trajetória de poder. Daqueles que conseguem vender carros ocultando o motor fundido. Que chegou onde chegou, por ser um lobo bem voraz. Claro que ele também rouba todas as cenas, assim como bate um bolão com Kevin Spacey.
– As participações do Stanley Tucci também são excelentes! Destacando uma. Onde seu personagem se vê obrigado a voltar ao Banco, no dia seguinte da sua demissão. Tranquilo, fica retido ali, numa de: “O tiro saiu pela culatra. Pois o pé-na-bunda que me deram, me fez foi ficar imune a toda essa sujeira!
Paul Bettany também faz uma outra cena forte. A que simboliza a solução encontrada por alguns quando muitos endividados. Chocante!
– A participação de Zachary Quinto também rendeu algumas tensões. O que por si só já denota uma ótima performance. Ele soube conduzir muito bem seu personagem é a personificação de que não foi mesmo o fim. Como exemplifica bem uma cena entre os personagens de Jeremy Irons e Kevin Spacey. É, o Sistema continua!

No mais, todos, tudo, merecem aplausos. Uma Nova Iorque noturna de tirar o fôlego. Um clarear de um dia que ficou na História. Uma Trilha Sonora que atua como um grande coadjuvante; créditos para: Nathan Larson. Roteiro soberbo. Onde tudo é revelado num timming perfeito! Inclusive para a escolha da que termina “Margin Call“. Aquele som na subida dos créditos finais deve ter doído na alma dos que caíram no colossal golpe, mas do real Banco de Investimento, o Lehman Brothers.

Então é isso! Um filme imperdível! Que nem precisa ser especialista em finanças para entender os jargões usados. “Margin Call” é de querer rever. Como também de ter o Dvd, mas isso irei esperar por uma mega promoção.
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011). EUA. Direção e Roteiro: J.C. Chandor. Elenco: Kevin Spacey (Sam Rogers), Stanley Tucci (Eric Dale), Paul Bettany (Will Emerson), Jeremy Irons (John Tuld), Simon Baker (Jared Cohen), Demi Moore (Sarah Robertson), Zachary Quinto (Peter Sullivan), Penn Badgley (Seth Bregman). Gênero: Suspense. Duração: 109 minutos.

Curiosidades: No canal FoxLife passa um programa, o “Property Virgins“, que dá um pouco a dimensão das Hipotecas Imobiliárias. Onde basta estar empregado por 30 dias para conseguir um financiamento na compra de uma casa própria. Mas também que já compram o imóvel pensando em investimento: com uma revenda num futuro.

No noticiário dessa semana foram descobertos, e apreendidos, Títulos falsos em nome do Tesouro dos Estados Unidos. Fabricados em 2007, estavam desde então guardados em Banco Suiço. Talvez esperavam a poeira baixar de todo com a Crise de 2008. Num valor de US$ 6 trilhões, ficaria a pergunta: “Que Banco de Investimento passariam esses títulos?“, mas sobretudo fica a certeza de que novos incautos escaparam de cair nesse golpe.