O Cinema Mergulha no Universo Feminino E Sai Revigorado!

because-i-said-soQuem diz que nós mulheres somos o sexo frágil por certo não aguentaria a tripla jornada de trabalho que não apenas executamos bem como também ainda com um sorriso face a face. Pois é! Nosso giro cinematográfico será com personagens femininas. De dondocas às que pegam no pesado. Doidivanas ou centradas. Amadas ou não. As que romperam seus próprios limites. Mas acima de tudo com orgulho em ser mulher. Enfim, um pouco de cada uma delas. Vem comigo!

Entre tantos filmes para iniciar acabei optando por um que apesar da crítica ter crucificado, eu gostei! É o “Minha Mãe quer que eu case“. E por que? Não apenas por eu ser fã da Diane Keaton. Mas até por uma passagem do filme (Durante a cena da foto.) onde ela confidencia algo para a sua filha. Algo que era raro de acontecer entre as mulheres de gerações passadas. Não apenas de confidenciar a própria filha sobre relações sexuais, como também o fato de nunca ter sentido orgasmo. Cena belíssima que não deu para segurar as lágrimas. Mas o filme também foca em uma preocupação nas gerações atuais: o casamento. Ou a preocupação por uma filha que focou mais na carreira profissional esquecendo o lado pessoal. Agora, traçando um paralelo com um outo filme, o “Sex and the City – O Filme” – o qual eu resumiria nisso: ‘as-patricinhas-de-beverly-hills-agora-são-quarentonas‘ -, onde o em comum seria procurar por um marido, eu prefiro muito mais o com a Diana Keaton por já escrachar de vez a situação. Ah sim! O ‘quarentona’ não tem um sentido pejorativo. Ok? É apenas um registro da mudança de idade.

Eu vejo que você é uma mulher protagonista, mas por algum motivo está agindo como a melhor amiga. Você deve ser a protagonista da sua própria vida!

Ainda em cima de casamentos, no “Vestida para Casar” tem algo como o que disseram (Frase acima.) no “O Amor não tira Férias“. Onde a personagem em questão (Do primeiro filme.) estava vivendo o ser uma ‘dama-de-honra-oficial’ nos casamentos de outras mulheres esquecendo até de si própria. Aceitando apenas o fantasiar em sua vida. Até curtia um amor platônico pelo chefe. Enfim, como as duas personagens do segundo filme, ela também não estava protagonizando a própria vida. E as três mesmo indo bem profissionalmente, não iam bem no lado pessoal. Quem assina a Direção e Roteiro do segundo filme é Nancy Meyers que mete o dedo na ferida nesse tipo de questão: amar e não ser correspondida.

intolerable-crueltyA protagonista de “O Amor Custa Caro” faz do enlace um meio de vida. Ela e um tal ‘clubinho’ por lá, vivem da pensão advinda do divórcio. Se nome de Diretor pesa em não torcer a cara para alguns tipos de filmes, saibam que quem dirige esse é Joel Cohen. O que poderá motivar alguns. Só que eu confesso que o que me motivou mesmo a assistir esse filme foi o ‘colírio’ George Clooney. Gente! As mulheres desse filme chega a assustar, mesmo tendo muitas delas também no mundo fora da ficção.

Agora, também tem aquelas que após anos de casada de repente se veem sozinhas, tendo que arcar não apenas com as despesas, mas também com dívidas que ficaram. Entre tantas sugestões escolho um filme até por ser de um gênero que eu amo: Comédia. Pois a personagem desse filme encontrou um jeito bem peculiar de quitar a dívida deixada pelo marido, e que a levaria a perder a própria casa. E foi ajudada pelo ex-jardineiro. Precisam ver o “O Barato de Grace” um filme de ver e rever. A Grace é ótima! Até porque precisou pegar um atalho para então voltar ao caminho certo.

Acreditariam que um cara abandonou a esposa por ela ser uma pessoa boa demais? Onde até o Padre a induz que cometa um pecado. Mas para alguém que nunca pecou fica difícil sentir que está pecando. Afinal, o que é pecar? Teria apenas um peso para a Religião? Mais! Sexo é algo tão pecaminoso assim? Mesmo sendo “Sexo por Compaixão“? Pois é! O título do filme é mesmo esse, e que vale muito a pena vê-lo. E o grande barato é que essa personagem só fez o que fez para recuperar o marido. E por tabela, acabou salvando muitos casamentos já com longa quilometragem. Onde também só uma esposa muito mais jovem mostrou-se ser a mais radical.

irina-palm-3Agora, entre ficar rezando por um milagre, uma senhorinha resolveu agir. Para conseguir custear o que seria a última chance de salvar seu netinho internado num hospital, essa personagem arregaçou as mangas e pôs a mão na massa, literalmente. Dona de casa até então, sem nenhum preparo profissional, ela teve que superar o que a sociedade prega como viver dentro da moral e dos bons costumes. Mas seria algo tão imoral assim? Seria o fim justificando os meios? Para ela o que pesava na balança era ter a grana para o tratamento do neto. Ela é “Irina Palm“. E que encarou o único emprego que lhe daria um retorno rápido em dinheiro. Como também lhe deu alma nova. O tal empregou a revigorou. O filme é ótimo!

Como se encara uma traição? Dar um tempo indo para longe e vendo se assim esqueceria mais rápido? Ou tentar pagar na mesma moeda?

Foi meio por ai que a personagem de “Um Beijo Roubado” fez ao por o pé na estrada: tentar diminuir a dor pela traição sofrida. Onde nesse percurso conheceu outras desilusões amorosas. Outras formas de tentar reter um amor que já se foi. Num aprisionamento dolorido para ambos. Ou mesmo os que sufocam a queixa de um amor que não era o que esperavam. Um filme lindo! E do mesmo Diretor de “Amor à Flor da Pele” que também fala dessa dor. Sendo que nesse outro há o encontro dos cônjuges traídos, mas pensando em dar um troco. Uma gravata masculina que fez a ponte. Outro filme belíssimo!

Mas quando se descobre que a traição está dentro da própria família? O que faria se soubesse que o marido a está traindo com sua irmã caçula? O que pesa também o se sentir trocada por alguém mais jovem. Você iria mesmo querer saber? Seguindo a máxima: “O que os olhos não veem, o coração não sente.”. Ou você iria preferir fingir que não está sabendo? Numa de: “Ruim com ele, pior sem ele.”. Essa opção é meio complicada em aceitar nos dias de hoje. Mas para gerações passadas era até bem comum. Numa de dizer: “Prefiro as mentiras de meu marido, a ouvir as verdades dos outros.” Quem disse isso, já na velhice, passou seus últimos dez anos inerte numa cama, e teve do marido, tantas vezes infiel, o mais carinhoso, o mais paciente companheiro. Que não demorou muito a falecer depois dela. É algo a se pensar!

hannah-and-her-sisters1Voltando na história onde o marido a trai com a irmã caçula, é no filme “Hannah e suas Irmãs“. Essa personagem, de toda a família, ela é a mais centrada. O que irrita um pouco alguns. Que não esperam dela chiliques, nem muito menos o “rodar a baiana“. Onde mesmo que inconscientemente todos a têm como um porto seguro, e deles próprio. Ela é uma atriz de sucesso. E que nos deixa em suspense se a sua melhor atuação fora em fingir que de nada sabia. Vale muito a pena ver esse filme de Woody Allen.

Mas na busca por prazeres sexuais tem também aquela que trai o marido. Por querer vivenciar o que não sentia em seu casamento. Um Clássico com esse tipo de história é “A Bela da Tarde“. Onde a bela Catherine Deneuve consegue envolver não apenas a platéia masculina, mas a feminina também. Um lado prostituta de ser por gostar muito de fazer sexo, e sexo selvagem. Mas que queria que esse lado ficasse na clandestinidade. Ou seria na sombra? Até porque gostava de todas as mordomias que a vida de casada lhe dava. E um acidente do destino ouviu suas preces, deixando-a livre para levar as duas vidas: dona de casa e  prostituta.

Falando em Clássicos um filme que nos deixou uma outra personagem feminina marcante, e às vésperas dos 80 anos de idade, é “Ensina-me a Viver“. Onde ela mostra que se pode escolher sair de cena com dignidade. Ela, a Maude é eletrizante até seus últimos dias de vida. Levando a um jovem a ver que ele estava desperdiçando a própria vida. E que nos leva a refletir também em cima desse lance: a eutanásia. Belíssimo filme!

awayfromher1Mas como bem diz a canção “mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá…“, há também um tentar sair de cena, não da vida ainda, mas do relacionamento, com dignidade quando ainda terá um pouco de noção de seus próprios atos. Até em libertar o marido do peso que a doença (Alzheimer) trará na vida do casal. Essa personagem além disso também preferiu não dizer que sabia das escapulidas (traição) do marido ao longo do casamento. Levando-o a amá-la mais por isso, mas até por isso se vê obrigado a respeitar essa decisão dela. Em aprender a viver “Longe Dela“. Ela é especial até por isso.

Com certeza voltarei a esse tema. Até porque em minhas críticas costumo salientar que há muito mais filmes que mostram com muita sensibilidade o universo masculino. Onde também há muitos que costumam esteriotipar o universo feminino. Sendo assim, farei questão de trazer mais e mais personagens femininas. Por hora, fico por aqui. E parodiando a canção: “Não as provoque, essas rosas choque!“.

A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.” Anaïs Nin.
See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Um texto de uma coluna em um outro site… Publicado lá em: 11/07/08)

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“J. Edgar” ( 2011)

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J. Edgar Hoover era gay? Será que o seu amigo, Clyde Tolson era gay? Será que eles tiveram uma estreita amizade ou era algo mais? Talvez estas perguntas são a chave para entender o novo filme de Clint Eastwood. Se eu podesse definir o que exatamente o filme “J. Edgar” é, eu deria que é a história da relação do diretor da FBI, com o seu amigo Clyde Tolson e o desprezo de ser desaprovado por sua mãe. É uma história de um homem em todas as frentes com as barreiras que ele deveria superar para fazer qualquer coisa, mas a parede que ele nunca foi capaz de romper foi o que lhe permitiria finalmente aceitar Tolson como um amante e não apenas como um bom amigo. Pena que tudo isso é apresentado de  uma forma sem sentido, e, finalmente, coloca menos ênfase sobre o que poderia ser considerado aspectos mais interessantes da vida Hoover.

J.Edgar” tem algo de “ Brokeback Mountain” (2005), e “ O Discurso do Rei ( 2010), mas a única diferença é que a amizade entre o rei George VI e seu terapeuta parecia uma amizade de verdade, assim como o amor dos cowboys em Brokeback Mountain. Esses filmes tinham uma história para contar, e não uma dica e, assim se esconder como Eastwood e o roteirista Dustin Lance Black faz. Não há uma evidência histórica concreta sobre a homosexualidade Hoover, mas o filme sugere demais sem ser sutil, pois muito poderia ser dito em um olhar, mas revela demais, e não soa verdadeiro, quando tenta “dizer” que Hoover era um homossexual enrustido e até um cross- dresser !.

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Eastwood conta a história de Hoover em uma narrativa fraturada, traçando mais de 5 decadas. O filme desnecessariamente vai e volta entre diferentes eras com Hoover recitando as suas memórias, contando as vitórias do passado e construindo a história para se adequar a sua imagem. Por que Eastwood não apenas narrou o filme de forma linear? E por que, ele não contratou atores para viver Hoover e Tolson nas suas versões mais velhas, em vez de transformar as personagens em caricaturas de espuma de borracha?

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Leornardo DiCaprio realmente se entrega ao personagem- mesmo com a maquiagem exagerada, ele se sobressai com dignidade, mas o mesmo não diria do competente Armie Hammer, que alem da borracha na cara, exagera na tremedeira!. Ja Naomi Watts tem o desempenho mais convincente do filme, e oferece uma personagem com mais perguntas a serem feitas. Quem foi essa mulher que dedicou sua vida inteira a carreira profissional, nunca se casou e ficou com Hoover até a sua morte? O filme não se preocupa em responder a estas perguntas, mas talvez o desempenho Watts nunca foi feito para ofuscar todos os outros. E, detalhe, a sua maquiagem suada em Watts é a unica que parece natural!

Eastwood e o diretor de fotografia Tom Stern, mais uma vez usam os tons de cinza de aço, limitando a quantidade de cores no filme-  escuro demais!. O diretor também continua escrevendo a trilha sonora para os seus filmes, aqui usa tons suaves de piano, assim como temos ouvido em praticamente todos os filmes que ele compôs sozinho, e acrescenta mais um aspecto negativo em “J. Edgar”, dando ao seu filme uma alma cansada e preguiçosa. A edição também é uma outra bagunça. Mas sera que se os editores Joel Cox e Gary D. Roach tivessem cortado 40 minutos do filme, o mesmo ficaria menos chato? Não sei não…

No final, “J. Edgar” é um filme que apresenta uma falta de confiança enorme, mas mesmo assim pode dar o Oscar de melhor ator a DiCaprio!. Ele merece mesmo que vença por um filme ruim!

Nota 5