Conversando com Mamãe (Conversaciones con Mamá. 2004)

Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.” (Hermann Hesse)

Esse filme é de ver com brilhos nos olhos! Daqueles que mostram que não precisa de grandes efeitos especiais, nem cenários paradisíacos para nos encantar. O Cinema Argentino tem nos dado belos presentes. A Todos nós, sensíveis e sem receio em finalizar um capítulo da vida.

Como diz o título, o filme foca um diálogo com a mãe e nesse, dela com um filho homem e já adulto. A princípio parecem falar “línguas diferentes”. E creiam não há nada de entediante nessa conversa. É de acompanhar com emoção e por vezes dando gostosa gargalhada.

Jaime (Eduardo Blanco), pressionado pela esposa que não quer perder o estilo de vida em função dele estar desempregado, procura a mãe para dizer que terá que vender a casa onde ela mora. Surpreende-se até em saber que ela tem um namorado. Pois nos últimos tempos, seus contatos com sua mãe foram por telefonemas. Algo não tão comum de se ver, onde filhos visitam os pais somente em datas especiais. Se realmente há amor, há de se encontrar um tempo para um visita fora do convencional.

Jaime e sua Mamá mais que lavar a roupa suja, fazem um mergulho na alma. Sem rancores, vão se desnudando. Travam diálogos, por vezes intensos, por vezes engraçados até por conta do problema de saúde dela. Mas acima de tudo, a conversa se dá com muito carinho e respeito por ambos.

O diálogo traz trechos como esse quando ela pergunta o que ele se tornou:
_ Sou uma aparência.
_E o que há por detrás dessa aparência?
_ Medo.
Ele quis mudar…

Ah, no finalzinho do filme, uma lágrima teimou em correr pela face. Como na frase que está na capa do dvd: “Que a ternura te toque o coração” nesse bate-papo com a mãe. Nota máxima!

Por: Valéria Miguez.

Conversando com Mamãe (Conversaciones con Mamá). 2004. Argentina. Direção e Roteiro: Santiago Carlos Oves. Elenco: China Zorrilla, Eduardo Blanco, Ulises Dumont, Silvina Bosco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 90 minutos.

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Elsa e Fred – Um Amor de Paixão (Elsa y Fred. 2005)

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Fiquei com vontade de reunir aqui um outro filme, o “Ensina-me a Viver“. Pela lição de vida com que as duas personagens nos brindam. Acontece que merecem um texto único até porque ambas, as atrizes, deram um show de interpretação! Sendo assim, a Maude seguirá em outra análise. Aqui, é a hora e vez de Elsa.

E o que temos em “Elsa e Fred – Um Amor de Paixão“? Dizer que é um namoro entre duas pessoas com quase 80 anos de idade seria resumir muito a história. Dizer que um deles tenta motivar o outro que ficou viúvo recentemente, já se aproxima. Mas tem muito mais! Um, inventa doenças. O outro, tenta conciliar a existência de uma com a sede de ainda querer viver até o último momento. Mas ambos nos levam a sorrir, a emocionarmos, a torcer por eles.

Numa atualidade onde o novo é logo descartado por outro mais novo, o filme primazia por mostrar aqueles que discriminam os idosos que eles ainda têm muito a dizer. Que eles ainda têm muito o que fazer.

Elsa (China Zorrilla) é uma explosão de alegria. Alguém que ainda quer aproveitar a vida sem medo de ser feliz. Que num jeito meio inconseqüente nos cativa, até pelo jeito em que prioriza os seus atos. Não apenas com os estranhos, mas também com seus filhos. Fred (Manuel Alexandre) é um cavalheiro e um sujeito encantador! Que descobrirá a vida novamente graças a ela.

O filme me levou às lágrimas numa cena com a Elsa. Quando ela diante do espelho diz: “Olá! Estranha!“. Quando o que o espelho mostra não condiz com o interior, o jeito é aceitar para uma convivência pacífica com si próprio. Novos tempos. Novos rumos.

Amei! Nota: 10. Em tudo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Elsa e Fred – Um Amor de Paixão (Elsa y Fred). Espanha. 2005. Direção e Roteiro: Marcos Carnevale. Com: China Zorrilla, Manuel Alexandre. Gênero: Drama, Romance. Duração: 108 minutos. Classificação: 12 anos.