Se Eu Ficar (If I Stay. 2014)

Se-Eu-Ficar_2014Se-Eu-Ficar_2014_01Às vezes você faz escolhas na vida e às vezes as escolhas fazem você.”

Ao término do filme, “Se Eu Ficar“, as faces ainda continuavam umedecidas pelas lágrimas que rolaram bem mais num momento de decisão para um avô que de uma só vez perdera entes tão queridos… Para esse avô era como se avaliasse a si próprio… como também tentar aceitar tal fato… onde até ficaria uma vontade imensa de dar um murro na cara do destino se isso fosse mudar alguma coisa… pois era uma mudança irreversível… O personagem desse avô – numa uma ótima interpretação de Stacy Keach (A Outra História Americana) -, com certeza irá tocar mais profundamente em que já vivenciou passagens parecidas. Mais ainda em que teve um ser amado em coma…

A vida é uma grande, gigantesca confusão. Mas essa é também a beleza dela.”

Se-Eu-Ficar_2014_02Agora, em “Se Eu Ficar” esse avô é mais um a tentar dizer a uma jovem que sim, que ficasse! Que não ficaria sozinha. Ela é a peça central dessa história, a jovem Mia. Numa comovente e brilhante atuação de Chloë Grace Moretz (A Invenção de Hugo Cabret). Mia tinha sonhos, tinha planos para um futuro que a levaria para longe dali para se aprimorar nos estudos de violoncelo. Mas de repente se encontra em coma e… de uma tragédia que talvez pudesse ter sido evitada… Mas aí não haveria essa breve e dolorosa história…

_E se nada der certo? Vai me ajudar a catar os caquinhos?
_Cada um deles.”

Se-Eu-Ficar_2014_03Num dia onde por conta de uma nevasca, e que o recomendado a todos seria ficar em casa… Mas como a escola onde o pai de Mia, Denny (Joshua Leonard – “A Bruxa de Blair“), lecionava e ela e o irmão, Teddy (Jakob Davies – “Uma Viagem Extraordinária”), estudavam não iria funcionar… Motivando também a mãe, Kat (Mireille Enos – “Sem Evidências”), a faltar ao trabalho… Essa família feliz com esse “feriado” resolvem pegar a estrada para uma visita aos avós… E no meio do caminho, numa curva, um carro derrapa atingindo o deles com violência.

Me apaixonar pelo Adam foi como aprender a voar. Era empolgante e assustador ao mesmo tempo.”

Se-Eu-Ficar_2014_04Mia então inicia uma peregrinação extracorpórea… Uma alma ainda tentando descobrir o que tinha acontecido com ela e sua família. E enquanto seu corpo permanecia em coma no hospital… Com cada um que ali se encontrava a esperar e pedir que ela ficasse com eles… Mia rever sua vida… Em especial com tudo o que vivenciou com Adam (Jamie Blackley – “Branca de Neve e o Caçador”)… Adam tinha uma banda de rock, logo também um apaixonado por música. De boa índole, mas um pouco descompromissado com a vida aos olhos da amadurecida Mia. Aliás, filha de ex-hippies Mia se sentia como um peixe fora d’água perto de todos eles. Algo que pesava muito em se deixar partir…

Quero que me toque como faz com o violoncelo.”

Se-Eu-Ficar_2014_05Em “Se Eu Ficar” temos os medos, anseios… de uma adolescente num momento de decisão: viver ou se deixar morrer. Parabéns ao Diretor R.J. Cutler pela construção da trama e performance dos atores. Uma Trilha Sonora primorosa! Do Clássico ao Pop Music! De Beethoven a Christina Aguilera! Além do que Cello e Cellist passam muita sensualidade! E pareceu que o roteiro de Shauna Cross também contou bem a história do livro homônimo de Gayle Forman. Um Filme para ver e rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Se Eu Ficar (If I Stay. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Anúncios

Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria. 2014)

Acima-das-Nuvens_2014_01Acima das Nuvens_01Por Eduardo Carvalho.
Toda obra metalinguística reflete seu próprio objeto. Não raro, acaba por provocar reflexão também por outros assuntos aos quais faz referência. Não é diferente o caso de “Acima das Nuvens”, filme de Olivier Assayas, estrelado por Juliette Binoche e Kristen Stewart. Juliette faz Maria Enders, famosa atriz de teatro e cinema, que se vê às voltas com um dilema. Aos 18 anos, fez um papel no palco que foi decisivo para sua carreira. Agora, na maturidade, deverá aceitar o papel de mulher mais velha, vítima da trama?

Acima-das-Nuvens_2014_04A passagem do tempo é atirada na sua face, agravada pela morte de um velho amigo, autor da peça que a projetou. A presença de Valentine (Stewart), sua assistente, que funciona como pára-raios dos problemas do dia-a-dia, é reconfortante. Sozinha, recém divorciada e abalada pela morte do amigo, Maria torna-se dependente cada vez mais da presença e do apoio de Val. Assim como sua antiga personagem no teatro, Val é jovem, cheia de vida, com ideias próprias, querendo ser aceita por suas ideias. Apresenta uma nova visão de mundo contemporâneo a Maria, que não aceita tais mudanças.

Acima-das-Nuvens_2014_05Um jogo de espelhos vai sendo estabelecido na relação entre Maria e Valentine / Helena e Sigi. O vínculo entre a atriz e a assistente é esticado como uma corda tensionada, mas a quebra de expectativa habilmente criado pelo roteiro conduz o espectador a outras camadas e a outros questionamentos. É tal a simbologia das nuvens do título; o passado deve permanecer apenas como lembrança.

Assim como “Birdman”, “Acima das Nuvens” critica e até brinca com a indústria de celebridades em que Hollywood vem se transformando mais e mais, com a entrada em cena das mídias sociais. O filme tem o mérito de fazer um grande recorte do mundo contemporâneo em que muitos estamos imersos, e ainda tocar em questões profundas que sempre acompanharão o ser humano em sua caminhada. Qual meu lugar nesse mundo? Como lidar com o envelhecimento? Aqui, o envelhecer não é visto tanto como sinal de proximidade da morte, mas mostra o quanto a vaidade pode ser algo inútil a manter.

Acima-das-Nuvens_2014_03Embora menos marcante do que em outros papéis, Juliette Binoche dá conta do recado. Sua Maria é feita com algum cinismo, e com um tom menos dramático do que poderia ter saído nas mãos de uma atriz menos tarimbada. Um equilíbrio alcançado apenas pela experiência da idade, e pelo trabalho com tantos diretores diferentes em seus estilos e propostas. De tudo isso, se beneficiam não só o público, mas sua parceira Kristen Stewart. Marcada pela saga juvenil de vampiros, a atriz vem se distanciando desse universo em papéis posteriores, e chegou a este desafio. Parece ter funcionado: Valentine rendeu-lhe o Cesar de coadjuvante, fato inédito com uma atriz americana.

Direção segura, roteiro envolvente e grandes atuações fazem de “Acima das Nuvens” um filme para ficar na memória.

Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Hugo (2011) + Scorsese + Uso Inteligente do 3D = Obra-Prima!

Mesmo já tão decantado em versos e prosa – e com todo mérito -, mesmo com um certo atraso, eu não poderia deixar de registrar a minha impressão desse filme. Até por conta das referências de eu ir assistir numa Sala em 3D. Então fui conferir, e…

Depois do sucesso de bilheteria de “Avatar“, de James Cameron, vulgarizaram tanto o 3D atrás de rendas grandiosas, que talvez seja esse o motivo que tal feito no filme de Martin Scorsese não tenha se repetido. Pelo menos em relação ao Oscar 2012 lhe fizeram justiça. Mas faltou o de Melhor Diretor. Pela grandiosidade do uso da tecnologia do 3D. Como também por nos manter atentos por duas horas de filme. É uma pena que o grande público não pode absorver a belíssima história contada por Martin Scorsese. E quem assistiu “A Invenção de Hugo Cabret” numa Sala em 3D, com certeza ficou com vontade de aplaudir ao final do filme.

Já ciente de que o filme seria longo, mas também de que era muito bom, arrisquei e levei, junto comigo para assistir, três “termômetros”: um adulto que gosta muito mais do Gênero Comédia, um adolescente o qual desconheço o gosto, e uma criança que iria ver seu primeiro 3D. Minha dúvida recaiu-se nesse, até pela duração do filme. De início ele ficou encantado com essa tecnologia; naquela de até querer tocar na imagem. Mas lá pela metade do filme resolveu explorar a Sala de Cinema. Como fez isso em silêncio, como também não tinham nem umas vinte pessoas, relaxei e voltei de todo minha atenção ao filme, mas ainda a tempo de ver três mulheres saindo da Sala. Cheguei a pensar se teria sido por algo que comeram antes da sessão. Mas enfim, voltei ao filme.

O talento para algo pode ser genético. Faltando a um adulto mais próximo mostrar a chave para que o jovem a descubra, por vezes ainda na infância. Mas a vida traçou uma linha torta para Hugo Cabret (Asa Butterfield). Lhe tirando seu bem mais precioso: seu pai. Uma pequena grande participação de Jude Law. Viviam felizes os dois entre responsabilidades, estudos de forma prazeirosa, e muita diversão. Fora o seu pai que despertou nele a paixão por Cinema. Mas um incêndio leva o seu pai. Então seu tio Claude (Ray Winstone) se torna o responsável levando-o para morar com ele. E Hugo leva algo que ele e o pai vinham consertando nas horas vagas: um autômato encontrado num museu. Assim, era como ter o pai junto a si. Aplausos para Asa Butterfield!

Sem o coração, não pode haver entendimento entre a mão e o cérebro”.

Claude morava numa Estação de Trem, em Paris. Era ele quem fazia a manutenção dos relógios. Ensinando o seu ofício ao menino. Beberrão, a vinda do menino lhe daria mais folga não apenas para beber, mas também para sair daquelas cercanias. Para Hugo, todo aquele mundo que via através dos grandes relógios ajudou a amenizar a dor pela perda do pai. E aprendendo a consertar relógio, lhe deu um caminho para a tal engenhoca. Mantendo os relógios pontuais, ambos se tornavam invisíveis aos olhos de todos.

O vai e vem diário dos passageiros, assim como dos trabalhadores e frequentadores das lojas na Estação de Trem, era para Hugo como a tela de um filme. Dos seus pontos de observação, ele já conhecia os hábitos de todos. Por caminhos internos, de desconhecimento geral, Hugo ia de um ponto a outro. Sempre a observar. Sonhando em voltar a sentir o calor e carinho de uma família. Até esse dia chegar, ia vivendo uma aventura solitária. Mas com o relapso tio, para não passar fome, se via obrigado a roubar pães, frutas, leite… Sendo que para isso teria que se fazer de fato invisível aos olhos do Inspetor da Estação. Personagem de Sacha Baron Cohen. Que está formidável!

Se você já se perguntou de onde vem os seus sonhos, olhe ao seu redor. É aqui que eles são feitos.”

Hugo também tentava se tornar invisível para o dono da loja de brinquedo. É que Hugo precisava de pecinhas dos brinquedos de corda, para a tal engenhoca. Mas um dia, o dono da loja, Georges Méliès (Ben Kingsley), lhe dá um flagrante. Dando início a uma nova aventura. Sendo que dessa vez Hugo não mais estará observando, ele fará parte desse roteiro de vida. Tudo porque George lhe toma o livro de anotações do seu pai. O que leva Hugo a conhecer e ficar amigo da sobrinha de George, a jovem Isabelle (Chloë Grace Moretz). Essa, sedenta por vivenciar uma aventura real, como dos livros que lia. Ela levará Hugo para conhecer o seu mundo dentro da Estação de Trens: a loja de livros do Monsieur Labisse. Outra grande participação nesse filme, pois quem interpreta é Christopher Lee. Aplausos também para Ben Kingsley e Chloë Grace Moretz!

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.” (Chaplin)

A história de “A Invenção de Hugo Cabret” é fascinante: em colocar paixão naquilo que fizer. Mesmo o filme estando bem redondinho, fiquei com vontade de ler o livro homônimo de Brian Selznick, no qual o filme foi inspirado. O Roteiro de John Logan conseguiu contar e bem toda a aventura e desventura de Hugo. E Martin Scorsese conseguiu sim fazer um excelente uso do 3D. O que até me leva a ser repetitiva, mas é por uma torcida de que os demais Diretores só usem esse recurso de modo inteligente. Como também que as crianças que assistirem esse filme, além de ser tornar um cinéfilo, que também passem a gostar de lerem livros. O filme também tem isso de bom: incentivo à leitura. Great!

Um vídeo muito bom para quem não viu, ou viu e queira rever, de um Making Of dos Efeitos Visuais em “A Invenção de Hugo Cabret“: Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Então é isso! Uma Obra-Prima que vale o ingresso para assistir em 3D. Um filme onde não se resiste em aplaudir no final.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

É o filme mais-que-perfeito que vi nos últimos cem anos. Parece que todos os deuses da sétima arte resolveram colaborar com o mestre Scorsese a superar seu próprio recorde de genialidade. Uau! Nessas horas até podemos nos dar ao luxo de esquecer por alguns minutos da eterna pergunta “Quem surgiu primeiro: o ovo ou a galinha?” Ou quem foi que inventou o cinema: Thomas Edison ou irmãos Lumière? Em Hugo, os dois eis que contracenam.

O importante é lembrar que também somos feitos da mesma matéria do cinema e a história resume-se na re-união de todos os elementos desde sua criação.

“A chegada do trem na estação” pode-se dizer que esse veículo sai dos trilhos pegando de surpresa os passageiros na poltrona: um 3D para ninguém reclamar de susto. E um presente com um pouco dos 80 filmes de Georges Méliès foi “A viagem à Lua”,… e as mais acertadas escolhas para nos brindar são as presenças de Christopher Lee, Ben Kingsley, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, grande elenco, grandes nomes, filme fantástico.

Bravo, bravíssimo!
*

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

Imagem

Scorsese faz um ode de amor ao cinema clássico no seu novo filme “Hugo”- um conto de fantasia com uma pequena dose de comédia. Filmado notavelmente em 3-D, e expandido por imagens computadorizadas, “Hugo” é baseado na novela grafica de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret”, com roteiro de John Logan, que roteirizou o chatissimo “The Aviator” (2004).

Imagem

O filme se passa nos anos 30, em uma estação de trem em Paris, onde um jovem órfão chamado Hugo Cabret (o extraordinario Asa Butterfield), vive secretamente dentro da máquina que mantém os relógios da estação em execução. Nenhum outro filme envocou em tal complexidade as rodas, manivelas, alavancas, catracas e engrenagens, tudo acoplado a um conto de perda, saudade, mistérios revelados e felicidade reconquistada.

Imagem

O cineasta abraça as imagens de efeito digital, e Paris nunca pareceu tão bela, e tão falsa em movimentos de câmera 3D. Falo assim pois ainda não cai de amores a esse tipo de linguagem em 3D, mas tudo bem, o filme tem muito mais qualidades do que defeitos. Scorsese teve uma irresistível oportunidade, não só para fazer um filme para crianças e adultos, mas para compartilhar sua paixão pela história do cinema. Isto porque a história de “Hugo” leva ao pioneiro do cinema Georges Méliès ( Ben Kingsley)-  que é também o proprietário da loja de brinquedo, o qual coloca Hugo em apuros. Também, Hugo tem que enfrentar o inspetor da estação interpretado por Sacha Baron Cohen, que quase rouba todas as cenas que aparece. Mas a aventura acontece mesmo quando Hugo se torna amigo de Isabelle (Chloe Moretz). Ambos desfrutem a paixão pelo cinema, e pelos descobrimentos que os levam até Georges Méliès.

A potência temática e o virtuosismo cinematográfico da produção de arte de Dante Ferretti e da bela fotografia de Robert Richardson, são um show a parte, embora Paris tenha aquela aparência brilhantemente falsa. E, Howard Shore escreveu uma trilha muito agradavel!.

Imagem

“Hugo” é um filme que depois de vê-lo uma vez eu não preciso vê-lo novamente. Eu aprecio a paixão de Scorsese, sou fã dele, e creio que se o Oscar não fosse uma premiação tão politica, ele deveria ganhar o premio de melhor diretor do ano!. Bem,  “Hugo” traça esse paixão pelo cinema, mas no final senti que a história geral deu lugar a essa paixão e um pouco da magia se perdeu. Não porque o filme não seja maravilhoso, pois é muito bom, mas seria melhor se não fosse tão longo!.

Nota 8,5