A Grande Aposta (2015). “Desenhando” a Crise/2008 Para Que Assimilem de Vez?

a-grande-aposta_2015_posterfinancial-crisis_us_comicsPor: Valéria Miguez (LELLA).
Um Professor diante de uma matéria muito complexa sabe que o caminho seria se expressar de forma lúdica. Ainda mais tendo que fazer uso de terminologias bem específicas. Explicando com humor torna a aula mais prazerosa e com isso os alunos terão mais chance de entenderem a lição de vez, ou quando não muito, o necessário. Digo isso porque foi meio por aí que “A Grande Aposta” me passou. O que em nada diminui o filme, muito pelo contrário! Mesmo tendo vindo como a didática de um Professor de Cursinho… É justamente essa aulinha para lá de bem humorada, do tipo que “mete o dedo na ferida”, que traz o diferencial do filme. Pois tendo que contar o que foi a Crise Financeira de 2007/2008, uma história tão bem decantada em 2011 por “Margin Call“, teria que ser por um outro ângulo. E meio que “desenhando” o Diretor Adam McKay conta essa história em especial para os próprios conterrâneos o ponto alto do filme! Muito embora creio que o pessoal de lá possam a vir não gostar muito, ou nada, quando de fato a ficha cair. Afinal, o “desenho” é principalmente endereçado a eles, os estadunidenses! Esse detalhamento como um PowerPoint de sala de aula fica também como um alerta para que ninguém se esqueça do que foi o maior golpe financeiro desse século. Crise essa que pode ser traduzida por “Como Aplicar um Mega 171 Impunemente!“. Algo que coloquei como subtítulo no do filme de 2011.

Agora, “A Grande Aposta” também nos traz um outro dado que não deveria ser esquecido: de que quase uma década já se passou e pelo jeito varreram tudo para debaixo do tapete… Vejam quem de fato foi o único punido. Pior! Pois as tais Agências de Classificações de Riscos (Standard & Poor’s, Moody’s…) continuam por aí “avaliando” até mercados internacionais e a serviço de um seleto grupo diretamente. Ou como temos visto atualmente no Brasil, os que usam de má fé essas avaliações para fomentarem uma crise… É! Elas seguem livres e se linchando para os que foram, são e serão ludibriados com as “projeções” dada por elas. Esses outros são os reais “patos” (Algo que também nos remete a história atual do Brasil…) Quer sejam eles pessoas físicas, jurídicas, ou mesmo países… são quem de fato pagarão as consequências desse capitalismo selvagem! Há uma cena no filme que enfatiza bem a perversidade do Sistema! Ainda restando um certo pudor no que fará, questiona uma delas por ter dado um “triplo A” para um título já em queda livre. Ainda perplexo com tudo, o personagem ouve que se ela não o fizer, perde “o cliente“. E ainda lhe põe em xeque: já que para ambos o que realmente interessa são os lucros! Que o prejuízo, os “patos” que paguem! Assim, se o Sistema do Mercado de Ações é bem cínico… Logo, Adam McKay fez muito bem em também o ser nesse filme! Bravo, McKay!

E seguindo de um jeito meio documental Adam McKay conta toda essa história em “A Grande Aposta“. Com paradas para as explicações do “economês” do Mercado de Ações usando até algumas Celebridades. Com clips bem dinâmico de acontecimentos, fatos, momentos em evidências ao longo desses trinta anos: desde a entrada dos Títulos Hipotecários no Sistema até o “desfecho” em 2008. Com uma ótima Trilha Sonora! Agora, como num desses clips eu ri muito, mas para não estragar de todo a surpresa… Direi que a inserção da foto de uma famosa dupla de um Filme já Cult, veio como: “Golpista é golpista, não importa se da plebe ou da elite!“. Perfeita a analogia! É hilário!

A-Grande-Aposta_2015_01Além disso, temos em “A Grande Aposta” um personagem como um mestre de cerimônia que ao contar como ele entrou nessa história acaba meio que contando a dos demais envolvidos diretamente na trama. Ele é o corretor Jared Vennett interpretado por Ryan Gosling. Vennett é um cara bem antenado! Ao ouvir uma certa história vai atrás de quem o ajudaria a confirmar o fato. Mas antes de falar dos demais, temos quem teve a tal grande sacada: Michael Burry. Personagem de Christian Bale. Burry é cara bem excêntrico, mas com um olhar clínico para os números, algo que o qualifica como um grande investidor, onde até então era bem quisto no meio. Foi ele quem identificou que os tais Títulos – a “menina dos olhos” de todo Sistema americano -, estava para ruir. Como ficou desacreditado decide lucrar em cima do fato. Apostando contra o mercado de então, mas com uma segurança. Ávidos não apenas com o capital de Burry, mas também com o que lucrariam dos demais, já que para eles eram favas contadas Barry perder, aceitam! Surge então os Títulos de Seguros Contra as Hipotecas. Não sei se foi proposital o Diretor colocar esse personagem com um certo problema físico… Porque sei foi, a analogia foi ótima! Por ter sido o único que vislumbrou o problema!

Com isso, foi com um dos corretores se gabando do lucro certo que teria com a derrota de Barry, que a história chegou aos ouvidos de Vennett. E por conta dele ir atrás de Barry, ou não… alertou uma Corretora. Quem está a frente dessa outra é Mark Baum, personagem de Steve Carell. Esse percebe que pode estar diante de um grande negócio, mas resolve investigar primeiro. Acontece que Baum está passando por uma grave crise pessoal… Somado ao seu jeito de ser de não ter papas na língua… O leva, ou melhor, nos leva a conhecer o quanto esse mundo não tem o menor escrúpulo em arruinar pessoas, empresas, nações. No filme ele seria um dos pesos pela moralidade e ética nessas, ou dessas negociações. Até por tudo que veio depois também com a tal grande aposta de Barry: quem de fato lucrou junto com ele, quem não arcou com o monumental prejuízo deixada por ela (Algo que mais especificamente pode ser visto em “Margin Call“…

Há ainda dois personagens ligado a tudo isso onde então entrará o do personagem de Brad Pitt! Eles são dois pequenos investidores que de posse do lucro resolvem entrar na Wall Street… Eles são Charlie (John Magaro) e Jamie (Finn Wittrock) que pareciam um pouco com Barry: de investirem em coisas que a maioria não acreditava que traria lucro certo. Assim, de posse da fortuna acumulada, vão em busca de um lastro maior para grandes investimentos… Nesse breve e frustrante caminho… ficam cientes dos planos de Barry… Tentam então contatar Ben Rickert (Brad Pitt): alguém respeitado na Wall Street, mas que se encontrava fora de toda aquela máquina: daquele que seria um circo dos horrores para muitos… Entretanto, mesmo longe de lá, para Rickert business is business, ainda! Paralelo a isso, essa dupla também tenta que alguém da imprensa noticie o que já estava acontecendo e o que estaria por vir… Para que os incautos, ou até gananciosos, do andar de baixo não caíssem no golpe dos poderosos que não iriam arcar com o prejuízo que a própria ganância os cegaram também para o que o Barry a princípio tentou mostrar… Enfim, todos nós estamos cientes quem caíram. Até porque isso já faz parte da cultura deles! Perdendo ou ganhando, a têm como a principal indústria!

O filme é muito bom! Mesmo que não queiram assistir pelo receio de um déjà vú, assistam! Pois “A Grande Aposta” não apenas traz uma radiografia bem cáustica do que foi essa crise, mas também porque o filme mostra que muitos poderão voltar a cair novamente em golpes parecidos: com uma nova roupagem. Afinal, além da impunidade, a crise mostrou aos do andar de cima as falhas do próprio sistema. Mais! Dando a eles mais know-how para o perpetuarem. Além dele não nos deixar esquecer quem afinal acaba pagando o pato! E salvo raríssimas exceções do andar de baixo que terão chances de conhecer o andar de cima e recebidos com tapete vermelho!

Vale também destacar ainda as atuações! Todos em uníssonos! Alguns bem caricatos, mas talvez para mostrar que mais do que os personagens em si é a história a grande protagonista ao mesmo tempo que pelo teor, também a grande antagonista. No qual eu darei um ‘9,5’ pelo conjunto da obra em “A Grande Aposta” porque a nota máxima ainda está com “Margin Call“! Agora, enfatizo é um Filme para ver e rever!

A Grande Aposta (The Big Short). 2015.
Direção: Adam McKay (co-Roteirista)
Baseado no livro homônimo de Michael Lewis.
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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BATMAN: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012)

Inteligente, impressionante e original são as palavras que não conseguem sair de minha mente após assistir ao novo filme de Christopher Nolan. Após anos de espera, finalmente sai a conclusão de uma das melhores trilogias dos últimos tempos e, arrisco dizer, a melhor de qualquer adaptação dos quadrinhos. Perdendo um pouco mais o lado noturno e macabro apresentado pelo Coringa em “O Cavaleiro das Trevas”, o novo Batman consegue explorar de forma assustadora o terrorismo, o qual tanto consagrou o longa-metragem anterior pelas excelentes cenas de ação. Com mais personagens saídos das revistas, com certeza cumpriu a promessa de ser excelente e vai além de qualquer tentativa de arrecadar lucro, pois não abandona a inteligência de seus anteriores e finalmente podemos dizer que um herói chegou no limite de sua capacidade.

Sinopse: Oito anos após a morte de Harvey Dent, a cidade de Gotham City está pacificada e não precisa mais do Batman. A situação faz com que Bruce Wayne (Christian Bale) se torne um homem recluso em sua mansão, convivendo apenas com o mordomo Alfred (Michael Caine). Um dia, em meio a uma festa realizada na Mansão Wayne, uma das garçonetes contratadas rouba um colar de grande valor sentimental. Ao investigar a moça, descobre que se trata de uma ladra experiente chamada Selina Kyle (Anne Hathaway). Arriscando impedir os atentados de um terrorista chamado Bane (Tom Hardy), Batman se vê sozinho e é obrigado a assistir a ruína da cidade juntamente com a fuga de todos os prisioneiros, armados por Bane. Ele vê em Selina uma aliada, porém nem seus maiores esforços talvez consigam impedir a tragédia iminente reservada ao herói.

Bane: finalmente um vilão realmente pronto para massacrar Batman

Honestamente, não sei como outras pessoas reagiram ao vilão Bane, entretanto só consegui sentir repulsa pelo mesmo. Não sei se isso é por conta de já ter sido vítima de assalto, mas meu desdém só serve para comprovar o quanto Nolan subiu em meu conceito. Após “O Cavaleiro das Trevas”, o Coringa virou um ícone pop tão conhecido quanto nos quadrinhos e sua imagem vive sendo vendida por aí. A questão é Bane ser carta nova e sua participação no terceiro longa da franquia é tão impressionante que provavelmente não cativará tão rápido a admiração da platéia pelas atitudes frias, algo extremamente raro atualmente ao haver tantas pessoas fantasiadas de vilões. Isso é algo bom, pois demonstra o alto nível do novo inimigo de Batman, fechando a trilogia com “chave de ouro”.

A Mulher-Gato mais fiel, porém não tão marcante.

De todas as vilãs, Selina Kyle sempre foi minha preferida. A responsabilidade para com a personagem era bem maior que a de Bane, afinal ela, tal qual Batman, carrega símbolos bastante evidentes na cultura pop, por exemplo independência feminina e sensualidade. Talvez uma das dificuldades do roteiro fosse inserir a personagem. Eles optaram pela mesma estratégia que a do Coringa, não contar sua origem (levando em conta a enorme quantidade de atualizações que ela já teve nas revistas) e apenas colocar a gata no jogo por ser de seu interesse e não uma coincidência. Porém surge o desafio de criar um relacionamento com Batman num tempo curto e com coerência, o diretor não decepciona e em poucos minutos não vemos dificuldade de vir os dois flertando como ocorre habitualmente nas revistas. Entretanto o casal perde a complexidade pela falta de conflito de valores. Sentimos falta disso no longa de Nolan, mas possivelmente tenha sido suavizado para acabar com o clichê ladra-policial tão bem explorado em todas as produções com a presença de Selina.

Onde foi parar a preciosa complexidade da relação entre Batman e Mulher-Gato?

Falando em revistas, nesse filme Nolan opta novamente por seguir a perspectiva de “O Longo Dia das Bruxas“ (talvez a segunda melhor história do morcego nos quadrinhos, pelo realismo e história complexa). No meu caso, não sou tão apreciador da Mulher-Gato apresentada nessa obra porque não me conformo em vê-la sendo apenas um pivô. Algumas cenas do filme denunciam que a gata está ali apenas para substituir o interesse romântico chato (Rachel Dawes nos filmes anteriores) do herói e isso é quase imperdoável, pois vai contra o propósito da própria criação da personagem, uma mulher que não aceita ser controlada ou dependente. Mas a proposta era criar uma Mulher-Gato mais realista e moderna, nisso eles acertam em cheio. Nós compreendemos a dificuldade de respeitar tudo da personagem, afinal havia muitas tramas paralelas, mas como fã aguardava mais atenção a ela, que não merecia ser uma coadjuvante, embora de luxo. O que não me leva a ignorar a grande performance de Anne Hathaway, com certeza a melhor adaptação da Mulher-Gato até hoje e finalmente o retorno da elegância, algo perdido em suas últimas aparições.

Para compensar a falta de complexidade do romance, há inúmeras cenas de ação espetaculares. A nova Mulher-Gato é bastante flexível e deixa água na boca para assistir a novos combates após presenciarmos seus maravilhosos golpes com saltos. Nesse caso, contentamo-nos com uma abordagem mais moderna da ladra, onde ela está sensual ao pilotar a moto de Batman, além da idéia dos óculos se transformarem em orelhas de gato ser genial. As lutas com Bane são capazes de deixar a platéia nervosa pela força do vilão ser superior à do oponente. Além das cenas de um Bat aéreo sendo perseguido por mísseis ao tentar destruir um tanque.

Cenas de ação incríveis

Para não soltar spoiles demais, evitarei dizer os nomes originais das novas personagens vindas dos quadrinhos com identidades secretas no longa, só me arrisco afirmar o auto nível do roteiro ao conseguir a proeza de adaptá-las ao universo realista de Nolan, realmente as idéias utilizadas foram brilhantes e você não questiona o fato dos mesmos serem derivados das revistas. A inclusão deles na trama não incomoda suas ausências nos dois primeiros capítulos da trilogia, pois com o desenrolar percebemos que estão no momento certo de serem apresentados. A única ressalva é quanto à escolha de Marion Cotillard, a atriz já havia aparecido no tão famoso “A Origem” e já bastava Joseph Gordon Levitt (numa ótima performance) também ter vindo de lá com o diretor, portanto vê-la em mais um sucesso de Nolan ficou cansativo.

Marion Cotillard e Joseph Gordon Levitt completam o elenco com personagens saídos das revistas em quadrinhos.

Batman encerra de forma bem sucedida uma das melhores adaptações de quadrinhos, suas abordagens quase sempre fazem jus à fama dos personagens e é emocionante assistir ao desfecho dessa saga, lembrando que talvez demore para surgir um exemplar superior. Com uma trilha sonora inovadora e emocionante, as cenas de ação são totalmente ligadas à trama central, evitando entretenimento acerebrado. Anne Hathaway está interpretando muito bem e não me impressionaria caso fosse indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, ela rouba a cena facilmente e o mais irritante é nossa vontade de vê-la mais vezes no filme. Tom Hardy dá vida a um Bane assustadoramente perigoso, fazendo com que sequer lembremos da diferença entre o ator e o monstro gigante das revistas. Dessa vez optando por adaptar uma parte quase esquecida do extenso universo do herói com personagens interessantes, Nolan novamente faz uma sequência totalmente superior ao primeiro longa e lança um dos melhores filmes do ano, o qual com certeza não fica inadequado ao ser chamado de épico moderno.

O Vencedor (The Fighter. 2010)

Filme sobre pugilismo sempre ganha a atenção do Oscar, e David O. Russell faz em “O Vencedor” (The Fighter. 2010),  um belo retrato. O enredo se passa nos meados dos anos 80, e conta a história real do boxeador Micky Ward (Mark Wahlberg,) que vive em Lowell, Massachusetts. Micky (com 31 anos) está em decadência, principalmente por ter um treinador sempre atrasado, o viciado em crack, Dicky Eklund (Christian Bale), que é meio-irmão de Micky, que foi um ex-pugilista; e por seu empresário, sua mãe Alice (Melissa Leo), que está tão desesperada por dinheiro que nem se importa de colocar Micky em uma luta onde o rival é fisicamente superior.

Micky é honesto, e tem objetivos na vida, mas não sabe como andar com as próprias pernas, vivendo na sombra da sua “white trash” família. Além de Alice e Dicky, Micky tem 7 irmãs cabeludas (nenhuma delas tem emprego, e o filme ilustra que elas não vão além do umbigo da matriaca). No mundo de Micky, nem ele pode escolher suas brigas, e é claro, nem a família que tem.

Quando Charlene (Amy Adams) entra na vida dele. Micky passa a ver as coisas com outros olhos, principalmente como Dicky e Alice se aproveitam dele. Ele tenta recomeçar a sua carreira. No período quando Dicky está na cadeia, Micky ganha algumas lutas, mas o filme sugere que Dicky sabe muito sobre boxe, e ele pode ser a grande ajuda para Micky continuar focado, e ser campeão .

Pontos fortes:

Russell fez um filme triste e ao mesmo tempo engraçado, mas são os personagens a força, que move o filme em si:

Mark Wahlberg lidera o elenco, mas por ser o seu Micky a lealdade em pessoa, o desempenho do ator ficou em segundo plano por estar em redor de atores tecnicamente superiores, que vivem personagens mais complexos, do que Micky.

Christian Bale está surpreendentemente magro, e desaparece no papel do malandro, trágico, e engraçado Dicky.  Com um cabelo retorcido, olhos vazios, e a boca com constantes maneirismos, Bale tem um desempenho magistral. Creio que o Oscar de melhor ator coadjuvante do ano,  seja dele!. Acho inacreditável que nunca esse ator ganhou um Oscar, principalmente tento no seu currículo filmes como: “Império do Sol (Empire of the Sun)”, “O Operário (The Machinist)”,  “Psicopata Americano (American Psycho)”, e “O Sobrevivente (Rescue Dawn)”.

Outro desempenho de lutador é o da Melissa Leo. Alice é uma mulher resistente e bruta, e ao mesmo tempo surpreendentemente terna. O melhor papel de Leo, depois de “Rio Congelado (Frozen River)”. E, a grande performance de Amy Adams, como a namorada de Micky, Charlene. A menina resiste a si mesma: não teme Alice, e nem o exército dela (as irmãs de Micky). Adams tem nesse filme, o seu melhor papel da sua carreira, na minha humilde opinião!

A cena mais tocante:

Tem muitas cenas interessantes, mas a que mais me tocou foi a de Bale com Leo, dentro do carro, cantando a canção do Bee Gees, “I started a joke”, onde quase descreve ideologicamente o que move o interior dos personagens:

I started a joke, which started the whole world crying,
but I didn’t see that the joke was on me, oh no.
I started to cry, which started the whole world laughing,
oh, if I’d only seen that the joke was on me…

E, sendo um ator incrível que é, Bale ainda tem um bela e suave voz.

Ponto fraco:

A fotografia de Hoyte van Hoytema no ringue, me pareceu como vídeo flagrante, talvez para para fundir a linha entre o cinema e os eventos reais, mas talvez Russel quis ousar, tentando fugir de quaisquer similaridades com as cenas de lutas em “Rocky, Um Lutador” e “Menina de Ouro (Million Dollar Baby).

Grande entretenimento – inspirador, divertido, fascinante e surpreendente – “O Vencedor” é um dos melhores do ano, e quando o filme terminou, eu fiquei com aquela vontade de querer ver mais.

Lançamento no Brasil em 11/02/2011.

Batman Begins (2005)

batman-begins_cartazBatman Begins é o 1º filme a mostrar como ocorreu o assassinato dos pais de Bruce Wayne como é realmente nos quadrinhos. A situação também foi mostrada em Batman (1989), mas com o personagem Coringa como autor do crime, o que não ocorre nas HQs.

BATMAN BEGINS (Batman, o início ou, literalmente, Batman começa) deixa a desejar. Tem muita ação para pouco conteúdo. Nada resta da psique atormentada que Tim Burton atribuíra ao personagem em Batman I. O Batman de Christopher Nolan é, nesse sentido, uma planície sem profundidades. Pior porque de Nolan – que dirigiu o excelente Amnésia – sempre faz o espectador esperar mais. Mas o que oferece é um pastiche.

A história tenta inovar: Bruce Wayne (Christian Bale) vê os pais serem assassinados e, cheio de fúria, resolve estudar a mente criminosa para fazer justiça e punir os criminosos. Antes de virar o homem-morcego, vai a um mosteiro oriental de uma seita de fanáticos autoproclamados justiceiros, a Liga das Sombras, de onde sai perito em técnicas de combate, em artes ninja etc., ensinado por seu orientador interpretado por Lian Neeson. O espectador medianamente conhecedor de cinema logo reconhece o tema do homem que vai a um mosteiro zen e volta de lá conhecedor de habilidades combativas e com certos poderes psíquicos: citação descarada a O Sombra (The Shadow).

batman-beginsA partir daí Bruce, sempre acompanhado pelo mordomo Alfred (Michel Caine, soberbo como sempre), transforma-se em Batman, personalidade tirada de seu medo por morcegos. Outro que o ajuda é um inventor ou sujeito a cargo de inventos militares, interpretado por Morgan Freeman, aliás em personagem que nos faz lembrar logo de Q., inventor das engenhocas de James Bond. Por fim, há o sargento O’Hara (antes de subir de patente), encarnado pelo camaleão Gary Oldman. E lá vai Batman combatendo o crime organizado. Propositadamente o clima é “sombrio”, mas eu diria que é mais “escuro” – Nolan não soube traduzir em imagens a “sombriedade” de Batman, ao contrário de Burton, que faz de Gothan City uma representação exterior da alma sinistra de Batman (um velho truque do expressionismo alemão). Não só Gothan era o espelho de Batman, também o Asilo Arkhan (nome de uma cidade amedrontada por feiticeiros num filme de Roger Corman) reproduzia a loucura sem disfarces que poderia ser a alma de Bruce Wayne, não fosse sua sublimação – em Arkhan estão aqueles que afundaram no inferno de Tanatos e a ele sucumbiram. Mas aqui Gothan é só uma cidade corrupta e futurista. Ponto pra Burton. No meio da história surge o Espantalho causando medo com uma substância criadora de pânico.

O próprio Batman é uma figura decepcionante nas mãos de Nolan. Primeiro porque Christian Bale lembra George Clooney, que encarnou o neo-vampiro sob o feérico Joel Schumacher – e afundou Batman, numa concepção bem emo. Além do mais Bale está péssimo sob a máscara do morcego. Em close mostra uma cara gorda. Batman merecia mais respeito, sobretudo porque a idéia era partir da HQ de Frank Miller “O cavaleiro das trevas”, que ressuscitou Batman.

batman-begins_01A psicanálise nem tem nada a fazer aqui. O Batman de Nolan não tem profundidade que sirva a uma análise, no máximo daria para uma “interpretose”. Burton faz o espectador entender que Batman é tão cruel quanto os psicopatas que combate, porém se redime porque sua agressividade, sua pulsão de morte, está a serviço da justiça, logo da pulsão de Eros e da vida. O Batman de Nolan age por raiva inexplicada, já que ninguém vira vingador porque viu os pais serem assassinados. Pode virar policial, advogado ou criminoso, sabe-se lá. Mas o motivo é muito fraco, isso desde que Bob Kane criou o personagem e teve problemas com a censura americana por causa da violência do morcegão. Parece que só Miller – e Burton – sacaram que Batman encontra na morte dos pais o significado (da qual o Batman é o significante) para soltar as feras.

Batman Begins termina prometendo a aparição do Joker ou Coringa. E ele aparece em Cavaleiros das Trevas…

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.

Batman Begins
Direção: Christopher Nolan

Gênero: Aventura, História em Quadrinhos, Ação, Suspense
EUA – 2005

Inimigos Públicos (Public Enemies. 2009)

inimigos-publicos_2009Indo apenas pelo título, e pensando nos tais ‘atos secretos’ do nosso Senado, ficaria a impressão de que seria um documentário sobre eles. Piadinha podre, mas foi irresistível.

Claro que um filme estrelado por Johnny Depp ganha muita divulgação, assim já ficamos ciente da trama principal. E ele merece os holofotes! Por mostrar que é mais que um rostinho bonito. Que já está no patamar dos grandes atores. Daqueles que cada papel é único. Que por mais que o personagem anterior ainda esteja vivo na memória, tão logo começamos a vê-lo atuando com o recente, o outro se dissipa.

Mas não foi apenas o Depp que me motivou a assistir esse filme – Inimigos Públicos -, teve também em saber como mostrariam o início do FBI (Federal Bureau of Investigation). E não iriam mostrar esse início com um final desfavorável para eles. Assim, não há surpresas com o destino dos homens procurados. Nosso interesse fica em como chegaram a eles.

Se em plena década de 30 já utilizavam escutas… dá para imaginar o que usam atualmente nas investigações com todo o avanço tecnológico que há. Se o que querem são resultados, então não existe limites para consegui-los. Se posicionam-se como em estado de guerra, mais do que ‘Recolham os suspeitos de sempre!‘, também entram nessa dança: familiares, amigos, colaboradores… Se estão como numa guerra, às investigações por métodos racionais cedem a vez também para as torturas.

Esses homens procurados concentram-se em Chicago. Ali, são acobertados por um sistema corrupto. O que faz querer levá-los para serem julgados em outro estado. E são até levados às celas, mas acabam fugindo. John Dillinger (Johnny Depp), pelo carisma, pelo atrevimento, ganha o status de inimigo público number one. Sempre encontra meios de fugir. Por assaltar bancos, ganhou a simpatia do povão que sofre com a recessão.

Acontece que J. Edgar Hoover (Billy Crudup) quer, e muito, que o seu Departamento exerça um poder nacional. O que o leva a importar bons policiais. Um deles é o policial Melvin Purvis (Christian Bale). Usaram mais o olhar de Bale, para dar uma frieza maior ao seu personagem. Mas na cena onde se postou de frente ao Cinema, a mim, ficou a impressão que estava esperando seu par para irem dançar na Estudantina. Voltando ao Purvis, ele quase abandonou a caçada, por conta das baixas em seu contingente. Para continuar, pede por mais policiais, e de outros lugares.

Como o FBI, estava querendo mostrar serviço, nessa história, foram mesmo em cima de Dillinger e seu bando. Quanto aos policiais corruptores, deixaram para uma outra história.

Com as baixas também do lado de Dillinger, como também com o cerco se fechando, ele bem que poderia fugir.

Fugir… Adivinhem para onde ele queria ir morar? Affe! Bem que poderiam escolher outro lugar nesse roteiro. Mas… por conta dos pizzaoilos na política… o estigma que Bigs jogou no Rio de Janeiro, pelo jeito ganhou novo combustível.

O que reteve Dillinger de fato nos Estados Unidos, foi ter se apaixonado. Por Billie Frechette (Marion Cotillard).

Foi algo meio machista, como também um tanto frio, mas tenho que concordar com uma fala: ‘_Para isso, inventaram as prostitutas‘. Numa de que, quem escolhe levar esse tipo de vida, deveria evitar uma relação a dois mais séria, porque pode mantê-lo preso ao local, como deixá-lo vulnerável.

As atuações estavam de acordo com a época. Meio caricato, mas nada que comprometesse muito.

A trilha sonora foi muito bem escolhida. Com a Diana Krall atuando cantando.

O filme usou muito mais o período noturno para o cerco. O que fez o espetáculo dos tiroteios. Agora, houve uma dessas cenas, que me fez lembrar do que escrevi sobre o filme ‘Moscou em Chamas‘. A cena em questão era: de um lado, um dos procurados, com uma metralhadora em ação. Do outro lado, o Agente Purvis, também atirando, mas com uma pistola. O da metralhadora, caído, com o corpo já crivado de balas. Então, a câmera se posiciona por trás dele, mostrando que o Agente está bem próximo, de pé, e sem nenhuma bala. Nessas horas, dá até vontade de dizer: ‘_Milagre! Aleluia!‘ Assim, foi irresistível não rir. É! Eu realmente não entendo de armas.

O filme é bom. Agora, revê-lo? Só se for para tentar descobrir o nome da música que o Dillinger canta numa das fugas, enquanto guiava. Ah! Em destaque: a cena de Dillinger dentro da sala onde se concentravam as investigações sobre ele. É ótima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Inimigos Públicos (Public Enemies). 2009. EUA. Direção: Michael Mann. +Elenco. Gênero: Crime, Drama, História, Romance, Policial, Thriller. Duração: 140 minutos. Baseado em livro-reportagem de Bryan Burrough.

Psicopata Americano (American Psycho. 2000)

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Aviso: Caso ainda não tenha assistido ao filme, o texto a seguir contém vários spoilers.

Esse filme é de 2000 e é ambientado na década de 1980. Um típico yuppie (Christian Bale) toma atitudes insanas sempre que sente-se ameaçado por amigos que, como ele, são obcecados por sucesso e glamour. O filme de Mary Harron é um retrato irônico da década de 80. Assisti quando foi lançado e achei uma droga. Assisti novamente recentemente (início de 2007) e agora o considero um clássico! Indico a todos.

Acredito que a intenção do filme não é mostrar a impunidade e nem uma crítica ao estilo de vida yuppie (por mais que dê umas cutucadas), mas mostrar a loucura do personagem. Também não acho que ele tenha a pretensão de mostrar que a vida atual transforma as pessoas em psicopatas (não que não as transforme), porque a história da humanidade mostra que psicopatas existem desde que existe o ser humano, é uma doença inerente a ele, independente de credo, cor, raça, poder aquisitivo, escolha sexual, etc…

O filme vai mostrando um crescente na doença mental de Bateman. Desde o nome do filme, Psicopata Americano. Psicopatia se refere à doença mental que Bateman tem.

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Doença mental.

O filme inicia com Bateman falando sobre isso quando narra sobre si mesmo, principalmente na parte onde ele diz que não existe um ‘eu’, apenas uma instituição humana que ele mantém através de gel, da boa alimentação, dos cartões de apresentação e de seus exercícios. Ele diz também não ter sentimentos nem apegos emocionais. A sua vida é uma farsa que ele precisa sustentar e seu mundo um teatro – o que é caracterizado no filme pela exaltação dos inúmeros pratos e suas descrições, da luta pela sustentação de Status.

A partir do momento que ele retira a máscara facial quase tudo passa a ser delírio. Claro que os almoços, as idas e vindas ao escritório, as reuniões com amigos e colegas da empresa, tudo isso aconteceu. O que era delírio era o que passava em sua mente referente ao o que ele gostaria de ter feito com aquelas pessoas: matá-los a todos!

Logo em seguida há a cena da boate, onde ele diz sorrindo para a atendente que gostaria de matá-la. Ela não escuta. Pode ser porque o som estava muito alto, mas prefiro acreditar que ela não escutou porque ele disse somente em seus pensamentos.

No escritório, outra farsa, ele era uma espécie de cabide de emprego, ‘apadrinhado’. A empresa é de sua família – tanto que ele não trabalha, não faz nada o tempo todo. Apenas escuta seu walkman.

A certa altura ele diz que ‘precisa se enquadrar’ naquela vida onde ele foi colocado. Acho muito legal essa observação. Digamos assim (estou viajando agora): ele tinha um dom para classificar, detalhar e analisar músicas. Se ele não ‘precisasse se enquadrar naquele sistema tido como ideal’, talvez ele não fosse o psicopata que era, e talvez fosse um ótimo critico musical, por exemplo. O desejo do outro, possivelmente de seu círculo familiar/social, era maior que o desejo dele, e essa raiva toda por essa impossibilidade de fazer o que queria era dada vazão em seus delírios. Tanto que todos os assassinatos eram acompanhados de análises dos cds que ele escutava durante o ritual, quando ele demonstrava um imenso prazer ao fazer essas análises – prazer esse que logo era trocado por uma raiva incrível enquanto ele matava ‘aquilo’ que representava o mundo ao qual ele estava preso.

O filme mostra o lado negro da mente de uma pessoa aparentemente normal, um lado que todos nós temos – o que difere é a intensidade… Até diria que a ‘vida em sociedade’ só é possível por conta da ‘domesticação’ desse lado negro que nos habita, porque, afinal, queiram ou não, todos já tivemos um desejo de trucidar alguém. No mundo que ele freqüentava, em no mundo em geral, oras!, uns matam os outros de forma metafórica – apesar de que naquele mundo a presença maior (tecnicamente falando) é de neuróticos obsessivos, e não psicóticos – ele, Bateman, não faz aquele mundo girar, não é exemplo de profissional, ele é, na verdade, incompetente – duas pessoas disseram isso no filme.

Cenas que comprovam ser delírios os assassinatos:

-> Ele arrasta um corpo por um saguão deixando marcas de sangue, mas, logo em seguida, essas marcas desaparecem.

-> Ele explode dois carros da polícia com tiros, olha para a arma e bate na cabeça – impossível explodir dois carros daquela forma, a não ser em filmes do Charle Bronson. Impossível em um filme que se supõe sério (como esse) que um ‘amador’ mate todos os guardas, mais experientes e capacitados, e saia ileso. Além de que ninguém escutou os tiros nem as explosões – como é o caso do porteiro e do zelador do edifício que ele entra logo em seguida.

-> Atira no porteiro e o zelador de um prédio que acredita não ser o dele – mas as pessoas o conhecem e há câmaras filmando.

-> Estava com os amigos, segundo o detetive Donald Kimbal na noite do sumiço de Paul Allen (apesar de que acho que até o detetive possa ser fruto de sua imaginação).

-> O apartamento é reformado de um dia para outro.

-> O advogado no final nem quis papo com ele (possivelmente nem o conhecia) e havia almoçado com o Paul alguns dias antes. (esse advogado é um dos que se referem ao Bateman como incompetente).

-> Todos os crimes estavam desenhados no caderno que a secretária encontra na mesa de Bateman. Não porque ele desenhava antes, mas porque, enquanto ele desenhava, os crimes criavam forma em seus pensamentos.

-> O fato de haver uma continuação que afirma que as atrocidades foram reais não quer dizer nada, porque essa continuação era apenas para Hollywood faturar mais, utilizando o sucesso do primeiro filme, tanto que o filme é um lixo, não é do mesmo escritor, nem roteiristas, e nem conta com o mesmo elenco.

Observações:

Sobre o cartão de visitas, todos olham o de todos, mas o único que fica realmente fisgado e incomodado com isso é Bateman. Os outros olham, tecem um ou dois comentários, demonstram até admiração, mas logo retornam aos encostos de suas cadeiras. Somente Bateman sua frio e realmente sofre com isso. O diretor queria mostrar como essas particularidades influenciavam Bateman.

Sobre o restaurante Dorsia, é impossível que nenhum deles nunca conseguisse reservas para o restaurante, que fizessem a reserva para dali um ano, se fosse o caso, então esse “tal dia” um dia chegaria. Mas essa dificuldade fora colocada no filme apenas como gancho para representar algo inacessível, símbolo máximo de status, e para dar motivo à raiva de Bateman contra Paul Allen. Batman, por sinal, havia por várias vezes tentado fazer uma reserva e não conseguira (em uma ocasião, o atendente inclusive riu da cara dele), e até a secretária humilde já tinha ouvido falar. Novamente o diretor quer mostrar o quanto as frivolidades atingiam Bateman, tanto que os outros ficaram com inveja, uns até o desacreditaram, mas logo retornaram às suas vidas fúteis. Apenas Batemam não conseguiu lidar nem conviver com isso.

Impressões:

A mulher do apartamento não percebe que Bateman é Bateman, ela sequer o conhece, senão o teria chamado pelo nome. Ela fica com raiva de um sujeito entrar daquela forma no apartamento, ainda mais em New York, cidade de pessoas arrogantes, além de que ele podia ser um assaltante, ou qualquer outra coisa – ela pergunta se ele viu a informação da venda na Times para pescá-lo, percebe que ele está mentindo. Se ela o conhecesse, não faria esse tipo de joguinho, ela poderia comentar: ‘você por aqui?’, ou ‘como você tem a cara de pau de vir aqui?’. Além de que seria impossível querer ‘esconder’ os assassinatos. E, se ela soubesse que ele era o assassino, pelo estilo dela, e pelo estilo dos americanos, eternos paranóicos, ela ligaria logo em seguida para a polícia.

Acho que as cenas condizem com a realidade de Bateman, e a realidade dele são os seus delírios – todos os crimes aconteceram em seus desejos, representados por seus desenhos…

Sobre a prostituta que não queria entrar no carro. Ele realmente a espancou. Até ai ele podia ir – espancamento. Matar estava além de seus atos, reservado somente aos seus pensamentos. Mas ela precisava do dinheiro e entrou novamente no carro.

Bateman não extraia prazer do sexo. Ele extraia prazer em ‘se ver’ fazendo sexo. O gozo estava em se ver no espelho ou revendo o filme que fazia – extremamente narcisista. E, por ser narcisista, a intenção era matar tudo aquilo que criasse problemas ao ‘seu mundo’ narcíseo; tanto que ele matou (fantasiosamente) o advogado somente porque ele tinha um cartão de apresentação melhor que o dele e, principalmente, porque conseguia (e se exibia por isso) reserva no Dorsia – o símbolo da inacessibilidade.

Por: Junior Oliveira.  Blog: Jr. Oliveira.

Psicopata Americano (American Psycho). 2000. EUA. Direção: Mary Harron. Elenco: Christian Bale (Patrick Bateman), Willem Dafoe (Donald Kimball), Jared Leto (Paul Owen), Reese Whisterpoon (Evelyn Williams), Samantha Mathis (Courtney Rawlinson), Chloë Sevigny (Jean), Justin Theroux (Timothy Bryce), Josh Lucas (Craig McDermott), Guinevere Turner (Elizabeth), Matt Ross (Luis Carruthers). Gênero: Crime, Terror, Thriller. Duração: 104 minutos.