Argo (2012)

94932_galArgo narra uma história emocionante, que mistura sorte, ousadia, e astúcia nas vidas de seis diplomatas americanos, que se escondem no Irão durante a Revolução Islâmica de 1979. Inspirado em fatos reais, o diretor Ben Affleck usa imagens de noticiários da época, capturando uma nação com raiva e prestes a transbordar. Depois da queda da embaixada americana em Teerã, seguimos os seis americanos escapando pela porta de trás e encontrando refúgio na casa do embaixador canadense.

Affleck– que não compromete em protagonizar o filme, mas que deveria ter escalado um ator de verdade para viver o ex-Agência Central de Inteligência, Tony Mendez, que teve a idéia de fazer um filme falso de ficção científica para resgatar os americanos no Teerã. Affleck brilha mesmo é  atrás das cameras, dirigindo e tendo o apoio de John Goodman, Alan Arkin, Bryan Cranston e um elenco sólido, embora o roteiro pareça concentrar-se menos sobre os atores e muito mais sobre o conteúdo e num humor cínico, que não curti tanto, mas que não compromete ao resultado do filme em si.

O filme é baseado no livro “The Masters of Disguise” de Antonio J. Mendez (não li, mas estou super afim de ler) e no artigo “The Great Escape”* de Joshuah Bearman (li,e, é excelente!). Como Hollywood tem uma longa história de reescrever a história, não é tão chocante assim que Affleck focalize apenas na figura Tony Mendez e no trabalho da CIA, e quase deixando de lado a figura do embaixador Ken Taylor (um Victor Garber quase sem falas) e da participação da Embaixada do Canadá para salvar as vidas desses seis americanos. 93947_galComo Tony Mendez é o herói, temos que “suavemente” tolerar um drama pessoal do personagem, que muito me fez lembrar do drama vivido pelo personagem de Brad Pitt em Moneyball (2012).

Bem, um filme deve ser julgado apenas pelos seus próprios méritos. Argo é uma película sólida!. É um filme de ficção e nada mais do que isso- não é um documentário! É um filme de grande entretenimento, não história. E, é o melhor filme da carreira de Ben Affleck, e um dos melhores do ano!

Nota 9/10

*Ilustrações do Livro.

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Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012)

Uau! Nem deu tempo de saborear a pipoca. Aliás, é melhor deixar a pipoca para depois. Pois “Protegendo o Inimigo” é acima de tudo um entretenimento muito bom. Confesso que não esperava tanto. Eu adoro quando um filme me surpreende! E nesse não veio por reviravoltas mirabolantes. Nem em descobrir quem são os inimigos. Um deles já se detecta pelo olhar de desconfiança de um dos personagens. A adrenalina ficou mesmo em cima dos dois personagens principais. Pela química entre eles. Pelo crescimento de um dos atores. Pela generosidade do outro em dividir esse palco, como um mestre sentindo orgulho de um pupilo. Por eu nem sentir o tempo passar. Por eu nem querer que terminasse.

Ter Denzel Washington nos créditos já me leva a ver um filme. Mas confesso que em “Protegendo o Inimigo” o motivo maior foi em ver como se sairia o Ryan Reynolds num personagem como esse: um aspirante a agente da CIA. Em Comédia, ele saiu-se muito bem, pelo menos nas duas mais recentes que assisti – “Eu Queria Ter a Sua Vida” (2011) e “A Proposta” (2009), posso atestar. Agora, já não gostei dele no “X-Men Origem: Wolverine (2009)”, que entre outros Gêneros também é um de Ação. Muito embora nesse outro ele foi um coadjuvante. Por conta disso estava por demais curiosa em ver a sua performance neste aqui. E não é que Ryan Reynolds se saiu muito bem em “Protegendo o Inimigo“! Aplausos para os dois pelas excelentes performances!

Faça a Coisa Certa!”  “Não sou seu único inimigo.”

Apesar de não se ter surpresas, eu recomendo que não leiam muito sobre “Protegendo o Inimigo” antes de vê-lo. Tanto que farei quase um pequeno resumo da história, evitando assim em trazer spoiler. Para mim – os dois atores + o tema + a trama -, já bastara. As perguntas, seriam respondidas conferindo o filme. Onde a primeira delas, seria o porque de um deles estar nesse tipo de safe house. Mais! E o porque desse abrigo não ser tão seguro assim. Isso veio com a lida numa simples sinopse. Nela continha que o Agente Matt Weston (Ryan Reynolds), mantendo guarda num dos abrigos da CIA, em plena zona urbana na Cidade do Cabo (África do Sul), receberia como mais um a ser protegido um dos lendários da CIA, o ex-agente Tobin Frost (Tobin Washington).

Frost conseguira sair do mapa por uma década. Acharam até que já tivesse morrido. Pelo seu lado sociopata – de um excelente matador -, quando mudou de vez de lado, ou melhor, quando ele passou a escolher os “seus patrões”, se tornou o mais perigoso dos renegados. Agora, se tornou perigoso para quem? CIA, Mossad, Interpol, MI6…? E por que pediu proteção logo aos Estados Unidos? Cacife, ele tinha. Mas era uma faca de dois gumes. Na era dos chips, pode-se transportar grandes arquivos, e muito bem escondidos. E com a internet pelo celular, saber o que estariam nesses arquivos. Muito ladino, acabou conquistando Weston.

Já Weston se encontrava entendiado em manter guarda entre quatro paredes. Querendo logo entrar em ação. E seu desejo, meio que por linhas tortas, se realiza. Nem tanto com a chegada de Frost ao abrigo, mas sim por ele ter sido invadido, obrigando Weston a fugir com ele dali, enquanto aguardava uma nova ordem. Que para ele seria um novo local até tirarem Frost daquele continente. Mas além de uns imprevistos, ele descobre que terá que se proteger também. O que leva manter Frost vivo era também importante para si mesmo. Ou Frost, ou o que tanto queriam dele.

Meus aplausos também vão para o Diretor Daniel Espinosa! Porque foi brilhante! Não é fácil levar um filme de Ação com quase duas horas do início ao fim. (Final esse que me fez pensar no Wikileaks.) Em nenhum momento o filme perde o ritmo. Como citei antes, mesmo já sabendo quem são os verdadeiros inimigos, a tônica do filme recai mesmo no duelo entre os dois personagens principais. Parte disso também se deve ao Roteiro. Quem assina, e sozinho, é David Guggenheim. Ele conseguiu ser realmente original com um tema tão recorrente: corrupção na CIA. Assim, vida longa na carreira para esses dois: o Diretor Daniel Espinosa e o Roteirista David Guggenheim!

Em “Protegendo o Inimigo” também podemos destacar as atuações dos coadjuvantes. Alguns de peso, como: Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Robert Patrick, Sam Shepard e Liam Cunningham. Também as cenas de perseguições. Além claro, da Cidade do Cabo. O que me fez pensar se seria porque o Agente Weston passaria por incríveis tormentas. Gracinhas à parte! Para mim o único porém do filme foi por não ter Hits conhecidos, e adequados a um filme de Ação. Deveria ter na Trilha Sonora um repertório com Rocks Clássicos. Não que Ramin Djawadi fez feio. Mas as músicas estavam mais para um filme mais lento.

Enfim, é isso! Esqueçam a pipoca. Porque o filme por si só já é muito bom! De querer rever!
Nota 9,5.

Por:Valéria Miguez (LELLA).

Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012). EUA / África do Sul.
Gênero: Ação, Crime, Thriller.
Duração: 115 minutos.

Jogo de Poder (Fair Game. 2010)

Sinceramente, não sou muito ligado a filmes de espionagem, mas fui assistir “Fair Game” (2010) pelo fato que ainda recordava um pouco do escândalo: “Valerie Plame”. O caso “Valerie Plame” já tinha servido de base para outro filme- o suculento e emocionante  “Nothing but the Truth” (2008) dirigido por  Rod Lurie. No filme de Lurie, uma jornalista protege a fonte de um vazamento da CIA, destacando o valor da ética e as realidades de lutar por essa ética.

“Fair Game” parte da revelação de Bush sobre “armas de destruição em massa”,  que assustou a nação americana, e que custou centenas de milhares de vidas, no Iraque (assunto também explorado no intenso filme “Green Zone” (2009) de Paul Greengrass); e, a carreira de quem desafiou a mentira oficial. Nos Estados Unidos, Joe Wilson ousou desafiar publicamente a Casa Branca, ao escrever um artigo no “The New York Times”, dizendo basicamente que o presidente estava enrolando. A Casa Branca amarrada pelo vazamento à imprensa, divulga a identidade da agente da CIA: Valerie Plame, esposa de Joe Wilson. Wow, que enredo intrigante !

Pontos Fortes:

Sempre quis ler o livro de memórias de Plame que serviu de base para esse filme- um documento devastador da história moderna-, principalmente pelo fato como tudo terminou em Pizza e nada aconteceu contra Bush ou mesmo contra Libby. O ultimo foi condenado a 30 meses numa prisão federal, a pagar uma multa de 250 mil dólares, e dois anos de liberdade supervisionada, incluindo 400 horas de serviço comunitário, mas Bush comutou a pena de prisão de Libby por causa dos seus anos de serviço público e trabalho profissional na comunidade jurídica. O ponto real aqui é  que Bush foi muito ruim (novidade?!)

Sean Penn, que é um excellente ator, faz um Joe Wilson bastante arrogante, mas nas cenas que mostra o seu poder de discurso, a crença que Sean imprime em Wilson, são como uma obra de arte; e Naomi Watts, que brilha como Plame, equilibrando ferocidade e compaixão. E, quem pensa que Watts é muito glamorosa para o papel precisa re-ver a verdadeira Valerie Plame (aqui:

Pontos Fracos:

O filme expõe claramente as batalhas entre a CIA, o Departamento do Estado, a Casa Branca, e como Bush não aceitou os relatórios da CIA questionando o pressuposto de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. No filme, Bush, Dick Cheney e Condoleezza Rice aparecem em cenas da época, em vez de serem interpretados por atores, mas Scooter Libby, responsável pelo vazamento identidade de Plame, assim como ter destruído a carreira dela, é interpretado por David Andrews, que imprime caras de vilão covarde como se estivesse fazendo um filme de James Bond.

Gostei muito do ritmo e da tensão, embora, acho que Liman deveria ter evitado o uso de held-camera, em cenas que achei desnecessárias para a narrativa. Também, existe uma sub-trama, onde há um momento tenso para um pai iraquiano e seu filho, mas o diretor resolveu deixar de lado, assim como fiquei sem saber que táticas Plame (a espião) usou para iludir suas vitimas, ficando em aberto que eles trabalharam para ela apenas pelo medo de suas ameaças, ou pela promessa de serem trazidos para os Estados Unidos.

Não sei se “Fair Game” renderia mais impacto se tivesse sido feito poucos anos depois do escândalo, mas mesmo assim, nos permite saber a verdade, e cabe a nós manter a nossa indignação ou não.

 

Lançamento no Brasil em 28/01/2011.


Jogo de Poder (Fair Game). 2010. EUA. Direção: Doug Liman. +Elenco. Gênero: Ação, Drama. Duração: 108 minutos.
Estréia no Brasil: 28/01/2011.

RED – Aposentados e Perigosos (2010)

Amei! Sorrisão estampado ao término do filme. E com gosto de quero mais! Quer saber o porque? Então continue a ler. Tentarei não deixar spoiler. Ah sim! Aos jovenzinhos preconceituosos com a turma-da-melhor-idade melhor assistirem outro filme.

O antes! Só em ter Bruce Willis no elenco já é um convite para ver o filme. Acontece que em ‘RED – Aposentados e Perigosos‘ o brinde é maior por trazer também: Morgan Freeman, Helen Mirren e John Malkovich. E uma participação para lá de especial de Ernest Borgnine. Pronto! Estava então carimbado o meu passaporte para acompanhá-los nessa bela, eletrizante e divertida viagem.

O subtítulo dado no Brasil trata-se de uma tradução da sigla RED: Retired Extremely Dangerous. Dai não está entregando o filme. Eles são de fato a fina flor dos Agentes Secretos da CIA. A idade chegou dando a eles a chance de aproveitarem uma vida normal. Virando pacatos cidadãos. Será que conseguiram se adequar a nova realidade?

Essa Tropa de Elite é composta por: Frank Moses (Bruce Willis), Joe Matheson (Morgan Freeman), Marvin Boggs (John Malkovich) e Victoria (Helen Mirren). Eles foram obrigados a retornarem pois do contrário seriam eliminados. Por conta disso os convido a não focarem apenas em quem estaria por trás dessa ordem. Até porque toda a trama nos leva a algumas reflexões.

Uma dessas reflexões seria como um mergulho numa aula de Geo-política, cujo teor seria as incursões dos Estados Unidos nos Países Latinos. Sob a égide de combater o inimigo – seja ele o narco-tráfico, os terroristas… -, há o sentimento exacerbado de donos do mundo de protetor-dos-fracos-e-oprimidos. Fachada! Porque por trás do belo gesto há o interesse real: o proveito maior é para eles e não para o país onde se instalaram. Mais! Onde o tempo de permanência nesse território equivale ao que lucrarão ou usarão dali.

Dessa reflexão pulamos para uma outra. A qual me fez lembrar do que escrevi para o ‘No Vale das Sombras‘. Já que nessas incursões levam jovens programados para matar. Onde o botãozinho ‘Stop’ que os levariam a questionamentos internos dependerá mesmo da essência de cada um. E que no Treinamento não há o de desprogramar.

Na trama temos a de Guatemala em 1961. Foram em socorro de um governo de terror, mas… Vindo para um episódio mais recente, e bem real, hão de se lembrar do que militares americanos fizeram a presos lá no Iraque. Por conta do ego inflamado eles próprios filmaram e então vieram a público. Mas o desfecho desse ato foi desaparecendo da mídia porque não há interesse por parte deles em propagandear tais abusos feito eles mesmo. Pela própria cultura de que são os melhores, pela farda, pelo treinamento… após o momento escória-da-raça-humana… haveria as consequências dos atos. O que farão depois disso? Como sairão de tudo o que passaram e fizeram? O que farão desse passado nebuloso?

Na trama o primeiro dos RED a ser procurado é Moses. Levava uma vidinha insossa, mas que não perdeu a agilidade dos velhos tempo conseguindo se livrar de um grupo de assassinos. Mesmo tendo dado um banho nesse pelotão, e até pela desconfiança de quem seriam eles, Moses queria saber o porque. É quando procura por Joe. Esse vivia num asilo, aderindo assim a essa nova missão. Também por descobrir que assim como Moses: está nessa queima de arquivo.

Paralelo a isso, Moses entende que a mocinha também corre perigo. Que pode vir a ser uma isca a quem o quer ver morto. Ela é Sarah (Mary-Louise Parker). Atendente do Serviço de Pensões do Governo. Ninguém achava que onde há Herói não haveria uma Mocinha, não é mesmo? Dai nem venham com crítica de que é clichê pois faz parte do Mito do Herói. Sonhadora, leitora contumaz desse tipo de aventura, aquilo veio como um presente dos deuses para sair da sua vidinha sem sal.

Se com Joe, Moses descobre quem são esses que estão a frente para eliminá-los, precisava saber o elo que os ligavam, e há uma lista maior já quase concluída. Vai estar com Marvin. Esse é um sobrevivente, com sequelas, de um experimento do governo: controle da mente. É onde se vê que o combate às drogas pelo TIO SAM tem duas faces. Um outro filme onde também se constata isso, é ‘Perigo Real e Imediato‘. John Malkovich faz um Marvin tão louco, tão genial, que me deixou querendo por uma continuação e tendo ele a frente. O seu Marvin é divertidíssimo!

Moses precisa entrar no QG da CIA. Para não apenas juntar as peças, mas também ter em mãos um trunfo. A lista com os nomes dos eliminados, existia. As mortes, acontecendo; e sem deixar evidências. Só para os do RED é que não se importavam com os rastros.

Se há essência no interior de cada um da velha guarda, também há um acordo de cavalheiro entre eles. Mesmo tendo estados em campos opostos. O que leva Moses procurar por Ivan (Brian Cox). E dentro da Embaixada Russa, Moses vai pedir por Credenciais para ele e Sarah entrarem na CIA. Assim como Moses, no íntimo Ivan também é um romântico. Um cavalheiro à moda antiga.

Quem cuida desse Arquivo Morto da CIA, é Henry, personagem de Ernest Borgnine. Participação elogiável para ambos: ele e quem o escalou. Não importa o tamanho do papel, se o ator é bom, o deixará memorável. Além do que é sempre bom ainda ver a velha guarda atuando.

Já cientes do tamanho da encrenca, e precisando entrarem num outro QG, eles vão procurar pela Lady da turma, Victoria. Por ser uma exímia atiradora ela será a retaguarda que os três precisam para encontrarem com Alexander Downing (Richard Dreyfuss). Uma das peças chaves desse jogo. Também caberá a ela um certo tiro… Para uma saída de cena honrosa. Que me levou a pensar na Maude de ‘Ensina-me a Viver‘.

E na cola dos REDs está o jovem agente William Cooper (Karl Urban). Um chefe de família zeloso. Que aspira por cargos mais alto. Que se verá em xeque.

Quem estaria de fato por trás de tudo? Por que? Vidas, Cargos, Prestígio Social, Política, Executivos, Cidadãos Comuns, tudo, todos serão cartas fora do baralho nas mãos de quem aspira por um poder maior. E como falei, será a essência de cada um deles que estará em xeque. Se haverá cheque que os tirem do caminho que escolheram.

Antes de finalizar, deixo mais uma das reflexões que o filme traz: que é em relação ao Sistema Político e Mundial. Ele está podre, mas não dá para implodir e começar do zero. Porque por trás dele há uma teia muito forte. Se em ‘Tropa de Elite 2‘ se tem uma visão do que está acontecendo no Brasil, em ‘RED – Aposentados e Perigosos’ a amostragem é com um país de primeiro mundo. Então, por mais que a esperança se esvai a cada Eleição ainda fica um querer de que um dia todos dessa teia trabalhem de fato pelo bem coletivo. Até porque é o povo que elege parte dela: os políticos. Caberia então a esses guiar o entrelaçamento dela.

Por fim, tirando a atuação de Rebecca Pidgeon que não marcou presença, os demais estão ótimos e em sintonia. A Fotografia é deslumbrante. A Trilha Sonora veio como um coadjuvante. O final não ficou em aberto, mas me deixou querendo por uma continuação. E é isso! Peguem a pipoca porque o filme é muito bom!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

RED Aposentados e Perigosos (RED). 2010. Canadá / EUA. Direção: Robert Schwentke. Gênero: Ação, Comédia, Crime. Duração: 111 minutos. Roteiro: Erich Hoeber & Jon Hoeber. Baseado nos quadrinhos de Warren Ellis e Cully Hamner.

Salt

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O cinema de espionagem ganha mais um herói. Dessa vez, um pouco fora do comum. Primeiro porque é mulher e segundo porque é soviética. Evelyn Salt tem uma bela carreira na CIA, com direito a troca especial na coréia quando fora capturada. Mas alguma coisa do passado da espiã é cutucada quando o misterioso desertor russo Orlov entra em cena. Segundo ele, Salt faz parte do KA 12, que preparou jovens espiões para se misturarem aos americanos e no dia X, executar o maior ataque em massa para destruir o país capitalista.

Até então tudo dentro da coerência normal. Uma agente secreta, super treinada, posta em uma situação delicada: enfrentar um super ataque de uma nação que protagonizou a Guerra Fria. Mas há defeitos ali, muitos por sinal, que comprometem a produção. E quem é Evelyn Salt? Bom, o filme tenta, mas ela não engrena e a personagem, dividida entre flashbacks fora de coerência e fugas tresloucadas, acaba sendo apenas a Angelina Jolie mais uma vez chamando atenção.

Muito diferente de Jason Bourne ou Ethan Hunt que brilharam em seus filmes, com tramas densas, tensas, maduras e com ação realmente que não se ocupasse em nos subestimar e sim fazer viajar e se divertir, Salt é uma personagem avulsa, que vive à custa de um motivo para correr e fugir. Suas ações chegam a um nível tão absurdo de autismo, que ela se desprende da perfeição que é o KA 12 para enaltecer seus princípios americanos.

Ou seja, aqueles filmes sensacionalistas que vendiam os Estados Unidos como nação superior, estão de volta, e dessa vez, até a inimiga do Estado luta a favor das ideologias americanas.

E o roteiro ainda mais coerente e “inteligente” põe o amor que ela sente pelo marido como motivo para executar seus atos. E se notarem, esse lance de amor acima de tudo é muito americano. E aqui chega a ser cômico, ver que um cara que estuda aranhas conseguiu fazer os americanos desafiarem as relações já estreitas com a Coréia do Norte para efetuar a troca de Salt. E aí entra o maior erro do filme: preencher o vazio da história com cenas de ação. O erro de justificar as ações da espiã se atenuam mais nesse quesito.

O diretor Phillip Noyce usa e abusa de tremedeiras, corridas, barulho e tiros para esconder as falhas do roteiro. Sem contar que usa e abusa de todas as picaretagens que o gênero tem utilizado para se manter vivo: os exageros. Mas não um exagero divertido como em Duro de Matar ou Maquina Mortífera, mas sim, aquele exagero óbvio que só subestima a inteligência de quem assiste. Salt escapa miraculosamente ilesa de uma chuva de tiros e uma explosão a poucos metros dela enquanto outros morrem. Salt leva um tiro nas costas, aparece sangue, e no fim das contas ela estava de colete – e se notarem, o sangue está lá sujando a camisa. Mas o diretor esqueceu da maior picaretagem que um diretor com uma sexy simbol poderia cometer: fez Angelina Jolie emagrecer demais, ficar loira e estranha, e depois, quando se assume como Femme Fatale de verdade, não há nem ao menos ela com pouca roupa para chamar atenção. Pelo menos não se usou de sexo para manter o público atento em seu filme.

Ou seja, o compromisso aqui está apenas em fazer mais um filme de ação e não fazer nascer uma heroína que se iguale a Bourne ou Hunt. Colocar uma mulher como protagonista de uma trama desse calibre é uma proposta interessante, uma vez que homens dominam esse ramo. Tom Cruise chegou a estar ligado ao filme, mas desistiu por se parecer demais com Ethan Hunt de Missão: Impossível. Angelina Jolie e toda a protuberância de seus lábios seria a escolha certa. E de fato é, tanto que dispensou dublês e participou das cenas de ação, porém, parece ter desempenhado a mesma Lara Croft que fez anos antes e que mancham a carreira da atriz que arrasou em Garota Interrompida e foi oscarizada.

Aliás, Jolie cada vez mais se distancia das personagens realmente fortes que fez. Sua imagem ganhou um apelo forte para tudo que seja mais comercial. Ela teve sucesso nisso, não há como negar, porém, tem apresentado atuações abaixo do que se espera de alguém com talento como ela. Angelina ainda é uma pedra esperando realmente ser lapidada com mais força. Apenas apresentou bons lampejos que diretores competentes podem apostar. Clint Eastwood certamente não e arrependeu-se.

A trama se desenrola com bastante precisão. Bom. Porém, o fato de o diretor remoer o passado dela, para contar uma história de amor e nos fazer crer que ela faz o que faz apenas pelo amor do cara que a salvou é muito maçante.

Chega um momento do filme que é preferível crer no que se vê e torcer pra ser isso, do que esperar pelo óbvio. E nisso, o filme começa a se tornar cada vez mais previsível.

E a previsibilidade e tudo se tornando óbvio enterra as chances de Salt – tanto a espiã como o filme – ganharem a simpatia do público. O filme termina e fica a pergunta: ”e daí?”. Um final sem pé nem cabeça para algo que começou sem pé nem cabeça, se explicou, deu brecha para ser interessante, e no fim das contas, terminou como mais do mesmo, meio que implorando por uma continuação.

Salt seria um suspiro de inteligência e cinema de espionagem, mas por incompetência, tornou-se repetitivo e involuntariamente engraçado. Se o filme não colar, espero que os produtores entendam.

Nota: 3,5
Cotação: **.

Salt, EUA (2010)

Direção: Phillip Noyce.
Atores: Angelina Jolie , Liev Schreiber , Chiwetel Ejiofor , Daniel Olbrychski , August Diehl.
Duração: 100 minutos.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading)

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Queime depois e ler, é uma piada, que fará rir quanto mais despretensiosamente for assistido. Lava a alma de quem já cansou de ver americano salvar o mundo ou apenas um homem americano acabar sozinho com a banda podre do mundo.
Ver a liberdade sexual e o divórcio virar brincadeirinhas de pessoas depressivas, fúteis e entediadas em vez de a salvação afetiva que o mundo precisaria aprender com a América.
Ver o quanto uma americana acima de 40 valoriza a amizade e sua necessidade vital de fazer cirurgias estéticas.

É isso, um agente da CIA é demitido ou levado a demitir-se, quer virar consultor e escrever suas memórias e sua mulher grava em CD esse arquivo que é levado paras as mãos erradas pela gorducha secretária que malha numa academia onde se encontram tipos hilários e improváveis…

“Queime Depois de ler”, achincalha o poder. O poder da mulher empregada em detrimento do marido que pede demissão por motivo de orgulho profissional.
O poder da Inteligência Americana e sua relação com os crimes ocorridos em função dos seus próprio erros.

O filme começa com uma tomada de imagem via satélite muito legal e com uma música que sinceramente, gostei. A imagem “invade” o prédio da CIA e mostra a demissão arbitrária de um agente nível 3. Ligeiramente deprimido ele vai pra casa e não consegue contar à mulher da demissão, pois ela está ocupada com os preparativos para receber visitas, um casal amigo que o marido detesta, aliás eles se detestam mutuamente. Tem o agente que em 20 anos de serviço nunca usou a arma e os caras da CIA que há tempo no poder nada fazem de sério, relevante ou coerente. Enfim, o filme vai brincando com tudo aquilo que os americanos levam a sério e que nós nos acostumamos a acreditar.
A noção exata de que se trata de uma comédia chega com  Brad Pitt dando uma de detetive, vigiando a casa de um suposto espião, dono do CD com uma inimaginável dancinha de braços, simplesmente impagável! A cena do armário, achei excelente! Nunca achei tão divertido ver alguém morrer, então o filme tem um humor negro funcional.
Excelentes atuações porque comédia, afinal, não é pra qualquer um.

queime-depois-de-lerUma comédia sobre falsos espertos querendo faturar uma grana e sobre todos tentando se livrar uns dos outros. Enfim, é um filme que não vai deixar lembrança, vai te dar umas breves oportunidades de riso e talvez satisfaça aquele lado todo-americano-é-ridículo.
O que aprendemos com o filme? Que não se escolhe filmes pelo trailer, nem pelos atores bonitões; que depois de pago um ingresso ele até pode pode valer a pena, se a sua alma não for pequena…

Por: Rozzi Brasil.   Blog:   Casa das Fadas.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Ethan Coen e Joel Coen. Elenco: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt. Gênero: Comédia, Crime. Duração: 95 minutos.