A Garota de Rosa-Shocking (Pretty in Pink. 1986)

A-Garota-de-Rosa-Shocking-1986Por Francisco Bandeira.
O filme foi dirigido por Howard Deutch, porém é impossível não notar a marca autoral de John Hughes, que assina apenas o roteiro do filme. Estão lá todas as características de seu cinema, alguns atores conhecidos de seus filmes anteriores, com alguns temas já debatidos em sua filmografia, porém com uma simplicidade e uma nova visão sobre os jovens daquela época.

Molly Ringwald e Jon Cryer

Molly Ringwald e Jon Cryer

Aliás, a obra debate muito sobre a divisão dos jovens por conta de seus estilos e classes. Parece que há uma guerra na escola entre punks x riquinhos, onde uns não podem se relacionar com os outros. Talvez esse filme siga bastante atual hoje, pois ainda há uma resistência para a mistura de classes e estilos em nossa sociedade (as eleições fizeram isso vir à tona de maneira preocupante).

O longa discute sobre temas simples como inveja, amor, amizade, mas também vai mais fundo, como em sua visão sobre a dificuldade da sociedade de aceitar um estilo diferente, ou a relação entre classes distintas. Para Hughes e Deutch, sentimentos se sobressaem ao status… Pena que na vida real não seja sim.

A Garota de Rosa-Shocking (Pretty in Pink. 1986). Ficha Técnica: página do IMDb.

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Curta: O Emprego (El Empleo. 2008)

el-empleo_curta_2008Por Mariana Rosell.

Como eu nunca tinha visto esse curta antes?! É incrível! Em sua simplicidade, em seu didatismo e em sua capacidade de comunicação.

O curta, El Emprego, retrata um dia de trabalho de um homem elucidando a coisificação e mostrando como no sistema capitalista, entre pessoas e objetos, nada há de diferente; tudo vai bem desde que todos cumpram com suas funções calados e passivos.

Nem tem muito o que dizer sobre ele, mas recomendo a assistência, sobretudo nesse primeiro de maio, dia DO TRABALHADOR E DA TRABALHADORA, e não do trabalho, como já discuti nesse texto do ano passado. É a reificação desenhada… Será que agora a galera entende?

El Empleo.2008.
Diretor: Santiago “Bou” Grasso
País: Argentina

Para assistir ao premiado curta:

Pelo Malo (2013)

pelo-malo_2013_cartazNossa magnífica poetisa e atriz Elisa Lucinda não gosta do termo “cabelo ruim”, porque afinal, como ela bem diz: ele, o pobre cabelo, nunca fez mal a ninguém. Mas no caso do nome traduzido desse surpreendente filme de Mariana Rondon, o título – Pelo Malo – não poderia ser mais adequado. Sob a ingênua pretensão do menino Junior (excelente escolha do ator-mirim Samuel Lange) de ter suas madeixas alisadas simplesmente para aparecer bem na foto da escolinha, a diretora desenvolve um poderoso drama familiar que transborda com habilidade para o terreno político-social.

Pelo Malo Mariana RondonAmparada por um elenco sensível o suficiente para trabalhar num roteiro cheio de nuances, Mariana orquestra com precisão os conflitos e pechas naturais de Marta (Samantha Castillo), uma mãe que luta sozinha para criar os filhos numa favela vertical em Caracas. Ignorante, protetora e instintiva, ela teme pela masculinidade do filhinho que simplesmente quer ter cabelos lisos para ficar parecido com um cantor. O menino tem como cúmplice de suas aspirações a avó que o treina e veste, bem como uma amiguinha espirituosa que almeja ganhar um concurso de beleza apesar do perfil pouco indicado. No incompreendido universo infantil, a única saída para a dolorosa miséria seria a fuga desesperada para uma utópica fama instantânea através de imagens retocadas grosseiramente pelo fotógrafo do lugar.

Tudo se passa numa Venezuela que agoniza junto com o Presidente Hugo Chávez, mas bem que “Pelo Malo” poderia perfeitamente se encaixar no Brasil, não somente por uma conhecidíssima canção eternizada por Wilson Simonal que permeia a trama, mas também pelos graves problemas de desequilíbrio social que os países têm em comum.
Por Carlos Henry.

Instinto Materno (2013). Jogos de Poder e Submissão

instinto-materno_2013O título em inglês desse longa romeno, “Child’s Pose”, em tradução literal, significa “posição infantil” ou “posição fetal”. Na ioga, trata-se de uma posição em que a pessoa, sentada sobre os tornozelos, projeta-se com os braços esticados para a frente, até tocar o chão, em uma atitude de aparente submissão.

Pois submissão parece ser o tema central do filme de Calin Peter Netzer. Após atropelar e matar um garoto que atravessava uma rodovia, Barbu (Bogdan Dumitrache) é preso em flagrante. O incidente torna-se a chance de ouro para que sua mãe, Cornelia (Luminita Gheorghiu) tente, a todo custo, uma reaproximação com o filho. Controladora e autoritária, frequentadora das altas rodas sociais de novos-ricos, Cornelia inicia uma empreitada de telefonemas e contatos com autoridades para livrar o filho da investigação policial e do devido processo. Com isso, acredita que trará o filho de volta a seu convívio.

Tomar a frente do caso é a atitude esperada dessa mãe que quer superar a “síndrome do ninho vazio”, pois dedicou a vida ao único filho. Homem na faixa de seus trinta anos, vivendo com uma mulher que não é o modelo de nora desejada por sua mãe, Barbu rejeita o modo de vida de Cornelia, e luta em manter-se fiel a princípios éticos. De início, uma estória que aponta a falta de limites do amor materno que sufoca a ponto de anular o objeto amado, Child’s Pose amplia sua visão da questão familiar para outro ponto: as relações de poder das classes dominantes sobre as dominadas. Ao interferir no andamento do inquérito junto à polícia, tentar o suborno de uma testemunha e um acordo com a família da vítima, Cornelia sintetiza o pensamento – e as ações subsequentes – de uma parcela privilegiada da sociedade romena, certamente formada após a queda da ditadura de Ceausescu em 1989, onde todos os meios são válidos para burlar a lei e manter seus pares a salvo da punição. Assim como em outras partes do mundo, o público e o privado confundem-se, realidade que aqui conhecemos muito bem.

Vencedor do Urso de Ouro e do Prêmio da Crítica em Berlim em 2013, o filme traz uma interpretação brilhante de Luminita Gheorghiu. Aos 64 anos, sua Cornelia não dá tréguas a qualquer fragilidade mostrada pelos outros personagens – Barbu, seu marido Domnul, a nora Carmen –, sem abrir mão de sua própria sensibilidade. No entanto, mesmo tal sensibilidade, que lhe permitiria compreender o luto da família do menino morto, está permeada pelo egoísmo, pois ela própria apenas sente algo semelhante ao perder o controle sobre a vida do filho. E esse amor que a todos consome, ao final, será a mola propulsora de todas as suas atitudes.

Child’s Pose é notável não só por mostrar a luta incansável dessa mãe devoradora, mas também por denunciar as relações sociais que tantos acreditam ocorrer apenas em nosso país. Mas que são mais comuns do que imaginamos.

Por Eduardo Carvalho

Instinto Materno (Pozitia Copilului. 2013). Romênia. Direção: Calin Peter Netzer. Roteiro: Razvan Radulescu e Calin Peter Netzer. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 112 minutos.

O Som ao Redor (2012)

o-som-ao-redor_2012Por Carlos Henry.
Em meio a enxurrada de filmes medíocres e grosseiros que infesta o cenário do cinema nacional em busca de bilheteria certa nos últimos tempos, “O Som ao Redor” surpreende especialmente por ter um diretor novato: O talentoso Kleber Mendonça Filho.

o-som-ao-redor_cenaÉ uma obra incomum, aclamada internacionalmente, repleta de insinuações e um suspense quase insuportável de algo terrível que nunca acontece. A trama é simples: Gira em torno de um poderoso “Senhor de Engenho” que expande seus negócios no ramo imobiliário em uma área urbana elitizada de Recife, marcando sua influência despótica naquela região onde se concentra a ação do filme. Os personagens, encarnados por atores desconhecidos, começam a desfilar suas características cercados por condomínios gigantes e uma superpopulação incômoda que inclui uma porção mais carente. Uns convivem pacificamente com seus supostos opressores, a classe mais rica; outros agem com mais agressividade. Este jogo sutil de camadas sociais conflituosas permeia todo o roteiro e norteia a trama a um confronto hierárquico representado por um violento acerto de contas num desfecho dúbio, impactante e original.

De um lado a força do dinheiro, acima de tudo, ignorando ameaças como o aviso de tubarões à beira-mar; do outro, um povo oprimido que não titubeia em reprimir por pequenos delitos mas teme um menino delinquente por conta de sua posição social. A tensão constante gerada pelas diferenças e pela densidade demográfica recheia a obra com latidos de um cão vizinho que incomoda, crianças que ajudam a mãe a relaxar, mulheres que se engalfinham sem razão específica, empregadas que se rebelam, encontros furtivos de casais na casa alheia (com direito a um susto hitchcockiano) e num cinema abandonado (Uma sequência antológica de rara beleza). Tudo realizado com uma sensibilidade cinematográfica impressionante.

Seria uma injustiça não mencionar a trilha sonora especialíssima e o som direto que dá o tom e nomeia o filme, enchendo a sala com barulhos de carro, animais, crianças, máquinas e ruídos da cidade superpovoada insinuando um perigo iminente e sem hora marcada.

É talento indiscutível, com sotaque nordestino.
Carlos Henry.

Deus da Carnificina (Carnage. 2011)

Parece que Polanski andava engasgado com alguma coisa e finalmente conseguiu vomitar literalmente suas angústias em cima de grandes obras de artes e na frente de estranhos. E não satisfeito, lavou roupa suja em público. Uma chacina moral numa ‘análise grupal’ sendo quatro divãs número suficiente para se economizar no troco, complementando com vozes em off da mamy de um do…s envolvidos. Freud explica? Um dos protagonistas seria vendedor de drogas consideradas lícitas, matando aos poucos seus pobres consumidores, o da poltrona consegue testemunhar pela conversa entre Walter e Alan via aparelho celular; o outro é vendedor de quinquilharias domésticas, e um dos seus produtos seria descarga de privadas.

E as Tulipas não foram escolhidas, como um dos adereços, por acaso. Elas têm um significado singular.

O significado principal da tulipa é o amor perfeito, as tulipas sempre dão um sentido de charme e elegância para qualquer ambiente.

As tulipas vermelhas são fortemente ligadas ao amor verdadeiro, enquanto que a tulipa roxa simboliza quietude e paz; quanto as tulipas amarelas uma vez representam o amor impossível ou a luz do sol generoso. As tulipas brancas são vistas para reivindicar os valores ou emitir uma mensagem de perdão.

Não se iluda: gente elegante também quebra barraco… e com classe! É questão de oportunidade.

E tudo começou num parque de diversões… brincadeira de criança grande…

Clap,clap clap! Roman POLANSKI sempre nos surpreendendo com suas deliciosas inovações.

Karenina Rostov