Digam o que Quiserem (Say Anything… 1989)

Por Francisco Bandeira.
Tudo o que de melhor os filmes adolescentes da década de 80 tem a oferecer: jovens ingênuos, verdadeiros, apaixonados, melancólicos e sem rumo na vida. Uma linda história de amor, que tem como plano de fundo histórias tristes inseridas num universo iluminado, porém com um ar depressivo e personagens fadados ao fracasso.

diga-o-que-quiserem_1989_01O filme ‘Diga o que Quiserem‘ é bastante honesto e inocente, onde Cameron Crowe tenta captar a essência dos jovens em seus momentos de total intimidade. Estão presentes ali alguns elementos chaves para filmes desse tipo: camaradagem masculina, um protagonista inocente e apaixonado (John Cusack, tornando-se ícone da “Geração X”), uma jovem bonita e carismática, conflitos pessoais, boa trilha sonora e momentos nostálgicos. No caso de Say Anything, ainda consegue ser atemporal, como na clássica cena da janela, onde o protagonista levanta seu rádio ao som de In Your Eyes, de Peter Gabriel. Apesar de o roteiro esbarrar um pouco em um melodrama sem graça, consegue se manter até o belo desfecho onde Cameron Crowe mostra que, juntos, podemos superar nossos maiores medos.

Digam o que Quiserem (Say Anything… 1989). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

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O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985)

o-primeiro-ano-do-resto-de-nossas-vidas_1985Por Francisco Bandeira.
Não há nada melhor que um filme sobre a adolescência, com personagens encantadores, uma boa premissa, com debates ainda presentes na juventude atual, com questionamentos sobre a vida adulta, o poder da amizade, quanto o amor platônico nos consome… E o pior (ou melhor): o quão difícil é assumir responsabilidades.

Esse é o tema abordado por Joel Schumacher neste filme pra lá de simpático, simples, com rostos marcantes no elenco, onde todos estão exalando carisma, esbanjando talento e, por mais que a mão pesada do diretor e o roteiro cheio de furos deixem o filme bem longe de aproveitar seu potencial máximo, não compromete o resultado final do longa que poderia ter alcançado o mesmo “status” de clássico adolescente como os dirigidos por John Hughes na mesma década.

A fita tem alguns momentos marcantes, como quando Billy explica a metáfora do Fogo de Santelmo que dá nome ao filme para consolar sua amiga, ou os personagens se questionando sobre as amizades durarem para sempre, romances impossíveis e o peso que os mesmos têm que carregar na vida adulta. ‘O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas‘ é sim um pequeno filme meio esquecido, mas isso não o torna menos profundo, tocante e divertido, como todo bom filme dessa safra cada vez mais extinta nos dias atuais.

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

O Bullying nos Cinemas

Por: Lidiana Batista.

Dentre as várias manifestações artísticas que possuímos, o cinema é a que mais consegue atingir um número maior de pessoas independente do nível social, religião, raça ou sexo. Por ser o mais popular, em termos de acessibilidade, o cinema pode ser visto como entretenimento, fonte de reflexão ou ambos.
Sabe-se que fatos da vida real inspiram roteiristas a criarem suas películas e no caso do Bullying não é diferente, pois foram analisados dois filmes com esta temática: Tiros em Columbine de Michael Moore, 2002 e Bang, Bang! Você morreu! de Guy Ferland 2002, pelo fato de que, no primeiro trata-se de um documentário sobre o massacre ocorrido na Columbine High School, na cidade de Littleton, Colorado, e o segundo por ser baseado em uma peça homônima que mostra de forma explícita o Bullying nas escolas americanas.
O documentário do cineasta Michael Moore, lançado em 2002, investiga o que motivou dois jovens do ensino médio, Erick Harris com 18 anos e Dylan Klebold de 17 anos, a entrarem armados no colégio e assassinarem 12 estudantes, 01 professor, deixarem mais de 20 pessoas feridas e suicidarem-se em seguida. Moore investigou tão a fundo o caso que o documentário mostra de forma explícita como é fácil conseguir uma arma nos Estados Unidos e como funciona a cultura bélica americana.
No decorrer da película ele também entrevista alunos que estudavam e que presenciaram o massacre, inclusive o roqueiro Marlyn Manson, que foi considerado bode expiatório já que os dois jovens em questão ouviam suas músicas.  Manson ficou dois anos sem poder ir ao estado do Colorado. Em entrevista presente no documentário, Michael Moore pergunta a Manson o que ele falaria para os estudantes de Columbine. O músico categoricamente responde: “Eu não diria nada. Eu apenas os ouviria. Coisa que certamente ninguém nunca fez.”
Moore também entrevista o criador do desenho South Park, Matt Stone que estudou na mesma escola onde ocorreu o massacre. Stone aborda os maus tratos que ele sofreu no colégio e os que os dois jovens também sofreram, pois segundo as investigações, Erick e Dylan eram constantemente humilhados e excluídos pelos colegas. Stone diz:
“Você acredita na escola e nos alunos, mas os professores, conselheiros e diretores não cooperam. Eles nos obrigam a ir bem na escola dizendo: ‘se fracassar agora, será um fracassado para sempre’. Todos chamavam Erick e Dylan de bichas. Eles pensavam: ‘ se sou bicha agora, serei para sempre’.
Quem dera alguém tivesse dito a eles: ‘Cara o colegial não é o fim. Falta um ano, um ano e meio. Você ainda vai morar sozinho’. Já na sexta série eles começam a martelar na sua cabeça: ‘Não erre, pois se errar, morrerá pobre e sozinho’. E você pensa: ‘ o que serei agora, serei para sempre’. É totalmente o contrário, muitos maus alunos se dão bem depois. Se tivessem falado com eles, isso não teria acontecido.”
É fato que Michael Moore é sensacionalista, pelo menos para mim. No entanto, o documentário é bastante pertinente para se trabalhar em sala de aula sobretudo com alunos do ensino médio.
Já em Bang, Bang! Você Morreu!, dirigido por Guy Ferland de 2002, é baseado na peça homônima do escritor americano William Mastrosimone lançada em 1999, e que coincidentemente ou não, foi encenada pela primeira vez em Oregon, onze dias antes do massacre de Columbine.
O filme conta a história de Trevor Adams, um jovem estudante do ensino médio, considerado bom aluno, e que após ter sido arremessado em uma lixeira, por alguns integrantes do time de futebol americano da escola, muda seu comportamento e decide fabricar uma bomba ameaçando explodir um dos prédios da escola. Apesar da bobam ser de mentira, isso causou pânico generalizado na cidade.
Trevor passa então a ser descriminado por colegas, professores, vizinhança e até mesmo pelos pais. A única pessoa que o apoiava era o professor de cinema e tetro Sr. Duncan, que propõe aos alunos encenarem a peça “Bang, Bang! Você morreu!”. No entanto, a peça não é bem vista pela comunidade, simplesmente pelo fato de o título remeter a um ato de violência e também porque o professor queria que Trevor fosse o protagonista, ou seja, o assassino.
O que a maioria dos professores não entendia, é que o objetivo do professor era fazer com que Trevor se encontrasse no personagem e descobrisse os reais motivos que o levaram a cometer a ameaça, mas principalmente, descobrisse os reais motivos que não o permitiram com que ele fosse adiante. A comunidade em geral acreditava que Trevor ao encenar a peça, poderia efetivamente se tornar um assassino, tal qual o personagem Josh da peça.
Em uma das cenas, é mostrado aos gestores da escola um vídeo feito por Trevor em que ele diz: “um empurrãozinho diante dos outros garotos, é algo muito relevante…especialmente quando você sabe que vai acontecer todos os dias. Você fica quase aliviado quando acontece…”

Vale ressaltar que em termos técnicos, ambos os filmes não apresentam mega produções e no caso de Bang, Bang! Você morreu! Nenhuma atuação é relevante. Mas fica a dica para professores interessados em discutir o tema com os alunos, pois tanto o documentário quanto o filme, trazem reflexões que podem ser debatidas em sala de aula.
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Legalmente Loiras (Legally Blondes. 2009)

legally-blondesNão me privo de também ver esse tipo de filme que traz as richas, picuinhas… dentro de um colégio. Até para ver se tendo bullying se os alunos serão punidos. Em ‘Legalmente Loiras‘ os próprios oprimidos trataram de dar uma lição aos opressores.

Antes… Se algum adulto for assistir junto aos filhos deixo-lhes uma reflexão: Se vale a pena colocar seus filhos num Colégio muito aquém da sua realidade financeira? Creio que os pais querem que seus filhos estudem em bons colégios. E as Bolsas de Estudos estão ai para dar essa chance. Mas há de saber se eles estão preparados para presenciarem, vivenciarem essa desigualdade social diariamente. Mais! Se estarão preparados aos que sentem prazer em se mostrarem superiores.

Ainda há mais um porém. Se eles irão acompanhar as notas altas dos demais. Cada criança tem um ritmo próprio. E isso não quer dizer que não esteja apto aos estudos. Mas há cobranças por parte de alguns professores. Alguns Diretores chegam a criar uma turma especial, as chamadas ‘jaulinhas’, onde só se mantém nelas os que alcançam notas altas. Como também, há as ironias de alguns aos que não conseguem tirar notas altas.

Enfim, o indicado é conversar com os filhos antes sobre frequentarem um colégio desse tipo.

O que não ocorreu nesse filme. O pai, um viúvo recente, por conta de um novo emprego – Professor numa Universidade nos Estados Unidos -, ganha duas Bolsas para as filhas estudarem num Colégio caríssimo.

Para um vislumbre maior das duas irmãs – Izzy e Annie -, eles vão morar na pequena mansão de uma prima. Em Los Angeles. Para as duas, recém chegadas da Inglaterra, tudo é quase um Conto de Fadas. Mas a realidade por lá, dentro do colégio, é a conta bancária dos pais que conta. Assim, ao descobrirem que são bolsitas, se veem diante de uma armação. A ponto de serem expulsas. As duas mais os outros oprimidos se unem. Para tentar reverter a situação.

O título do filme já parte de um preconceito: o de uma loira ser burra. O que já é mais um ponto para pais e pedagogos debaterem com os adolescentes. E é isso! Mesmo de um sessão pipoca como esse pode-se gerar um bom debate após o filme.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Legalmente Loiras (Legally Blondes). 2009. EUA. Direção: Savage Steve Holland. Elenco: Brittany Curran (Tiffany), Rebecca Rosso (Isabelle Woods), Camilla Rosso (Annabelle Woods), Bobby Campo (Chris), Chloe Bridges (Ashley), Kunal Sharma (Vivek), Chad Broskey (Justin Whitley), Teo Olivares (Rainbow), Trevor Duke (Nigel), Tanya Chisholm (Marcie), Caroline Fogarty (Ruth). Gênero: Comédia. Duração: 90 minutos.