Série: PROOF (2015 / ). O Que Acontece Após a Morte?

serie-proof_2015_cartazNa literatura médica há vários relatos sobre o período de se estar “quase-morto” e então depois voltar à vida. Experiências de pessoas a cerca desse momento. Mas que para muitos ainda é tido como se elas tivessem visto um “E.T“. Até para a ciência há explicações para as “luzes, vultos, sons…” que essas pessoas dizem ter vivenciados. Uma delas seria que parte do cérebro pode encontrar um caminho para o que estaria acontecendo realmente em torno dessa pessoa. De qualquer forma a ciência ainda não tem respostas conclusivas sobre as experiências de quase morte. Agora, para aquele que teve essa experiência, e por mais cético que tenha sido antes, há de se ficar mexido com o que vivenciou. E até sem se importar muito se as outras pessoas acreditam ou não nela. A Série “Proof irá mostrar esses relatos a cada episódio e tentar achar como o próprio nome diz uma comprovação até para as experiências extra corpórea, ou mesmo de reencarnação. E creio que deixando para nós tirarmos nossas próprias conclusões do que um duelo entre ciência e fé!

A morte é o fim de tudo ou há algo mais além?

proof_serie-2015_jennifer-bealsA personagem principal é vivida pela atriz Jennifer Beals (Flashdance). Ela é a cirurgiã cardiovascular Dra. Carolyn Tyler, que ficará dividida entre o lado emotivo e o racional ao mergulhar nesse universo com muito mais perguntas do que respostas conclusivas. Exigente demais consigo própria como também com quem trabalha com ela. Sarcástica. Em paralelo ao seu presente no hospital, passa por um drama pessoal: separada do marido, o também médico Dr. Len Barliss (David Sutcliffe), com quem divide a guarda compartilhada da única filha, a adolescente Sophie (Annie Thurman). Uma jovem em conflito ou por pura rebeldia ou por se sentir preterida no coração da mãe. É que o casal perdeu um filho, e que ela ainda o tem muito presente em suas vida. Até porque Carolyn também teve uma experiência de “quase morte” onde parece ter sido ajudada por esse filho a voltar à vida.

“Não importo se não achar prova nenhuma, se as histórias de experiências de quase-morte sejam só isso, histórias. Ou que há realmente outra coisa. Só quero saber ao certo se quando você está morto, está morto. Prova concreta.”

proof_serie-2015_matthew-modinePor conta dessa experiência, do seu ceticismo, como também da sua competência profissional, até porque num eufemismo é alguém que faz um coração bater novamente, enfim ela foi escolhida por alguém a adentrar nesse universo. Ele é Ivan Turing (Matthew Modine), um excêntrico bilionário ligado a área da internet. Ivan foi diagnosticado com um câncer que o deixa com pouco tempo de vida. Não sei se por homenagem ou não, seu personagem não deixa de lembrar de Steve Job: pelo brilhantismo e pela doença. Bem, Ivan vai além de uma rebeldia, parecendo mais capricho: em querer saber o que lhe espera após a morte, é o nada. Não tem tempo, mas dinheiro de sobra para pesquisarem sobre isso. E é por aí que tentará persuadir Carolyn. Primeiro pelo seu chefe, o Dr. Charles Russell (Joe Morton, de Scandal): oferecendo uma bela quantia ao hospital caso ela aceite. Dr. Russel então, que mesmo não controlando as peculiaridade de Carolyn, onde até fecha os olhos por admirar a dedicação e habilidades dela, tenta dissuadi-la pelo muito o que faria ao hospital a tal quantia, mas é em vão.

Venho de uma cultura onde não é uma questão de crença. É considerado um fato. Vivemos, morremos, então vivemos novamente. Mas onde também é considerado um fato que a malária é causada por espíritos e a AIDS pode ser curada por estupro. Então não, Dra. Tyler. Como homem de ciência não acredito em vida após a morte. Mas suponho que tudo é possível.”

serie-proof_01O que de fato a leva a aceitar o pedido de Turing é o que acontece durante uma cirurgia no primeiro episódio. Onde após ter feito de tudo para salvar um paciente, e então dizer a hora do óbito, o tal coração volta a bater deixando todos incrédulos. É nessa cirurgia que ela nota o Dr. Zedan ‘Zed’ Badawi (Edi Gathegi, de Justified). Primeiro dando uma bronca nele, depois pela efetiva colaboração de Zed nos procedimentos em tentar salvarem o paciente. Talvez por ter vindo do Sudão, África, ele não se intimidou como os demais em estar numa cirurgia comandada por Carolyn.

_E pelo amor de Deus, não coma essa porcaria. Te matará.
_Esse saco alimentaria uma família de 5 pessoas de onde ele vem.”

Como Carolyn também tem um lado altruísta prestando ajuda aos “Médicos Sem Fronteiras”, receber de Turing o controle de sua fortuna após a morte dele, também pesa em aceitar fazer a tal pesquisa. De início além de Zed ela terá ajuda de Janel (Caroline Rose Kaplan) assistente do Turing. E de tabela Peter Van Owen (Callum Blue) um renomado escritor sobre fenômenos psíquicos e mediúnicos. Até porque ela também irá investigar fenômenos pós-morte como poltergeists e reencarnação.

As pessoas acreditam no que querem acreditar. E acho que isso é o suficiente para a maioria delas.”

Bem, mesmo que “Proof” fique mais como um folhear as páginas de um livro com esses relatos e não se aprofundando muito, mesmo que Jennifer Beals ainda não tenha encontrado o tom certo para sua personagem – de que seria alguém com um esteriótipo mais grave, o de Beals tende mais para uma pessoa meiguinha -, a série deixa um suspense de que pode até vir com fatos ainda não tão conhecidos ao grande público. Início ainda de temporada. No mínimo me deixou com vontade de seguir acompanhando após ter visto o primeiro episódio. É esperar para ver! E “Proof” pode ser vista aos domingos no canal “TNT Séries” às 21 horas.

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Se Eu Ficar (If I Stay. 2014)

Se-Eu-Ficar_2014Se-Eu-Ficar_2014_01Às vezes você faz escolhas na vida e às vezes as escolhas fazem você.”

Ao término do filme, “Se Eu Ficar“, as faces ainda continuavam umedecidas pelas lágrimas que rolaram bem mais num momento de decisão para um avô que de uma só vez perdera entes tão queridos… Para esse avô era como se avaliasse a si próprio… como também tentar aceitar tal fato… onde até ficaria uma vontade imensa de dar um murro na cara do destino se isso fosse mudar alguma coisa… pois era uma mudança irreversível… O personagem desse avô – numa uma ótima interpretação de Stacy Keach (A Outra História Americana) -, com certeza irá tocar mais profundamente em que já vivenciou passagens parecidas. Mais ainda em que teve um ser amado em coma…

A vida é uma grande, gigantesca confusão. Mas essa é também a beleza dela.”

Se-Eu-Ficar_2014_02Agora, em “Se Eu Ficar” esse avô é mais um a tentar dizer a uma jovem que sim, que ficasse! Que não ficaria sozinha. Ela é a peça central dessa história, a jovem Mia. Numa comovente e brilhante atuação de Chloë Grace Moretz (A Invenção de Hugo Cabret). Mia tinha sonhos, tinha planos para um futuro que a levaria para longe dali para se aprimorar nos estudos de violoncelo. Mas de repente se encontra em coma e… de uma tragédia que talvez pudesse ter sido evitada… Mas aí não haveria essa breve e dolorosa história…

_E se nada der certo? Vai me ajudar a catar os caquinhos?
_Cada um deles.”

Se-Eu-Ficar_2014_03Num dia onde por conta de uma nevasca, e que o recomendado a todos seria ficar em casa… Mas como a escola onde o pai de Mia, Denny (Joshua Leonard – “A Bruxa de Blair“), lecionava e ela e o irmão, Teddy (Jakob Davies – “Uma Viagem Extraordinária”), estudavam não iria funcionar… Motivando também a mãe, Kat (Mireille Enos – “Sem Evidências”), a faltar ao trabalho… Essa família feliz com esse “feriado” resolvem pegar a estrada para uma visita aos avós… E no meio do caminho, numa curva, um carro derrapa atingindo o deles com violência.

Me apaixonar pelo Adam foi como aprender a voar. Era empolgante e assustador ao mesmo tempo.”

Se-Eu-Ficar_2014_04Mia então inicia uma peregrinação extracorpórea… Uma alma ainda tentando descobrir o que tinha acontecido com ela e sua família. E enquanto seu corpo permanecia em coma no hospital… Com cada um que ali se encontrava a esperar e pedir que ela ficasse com eles… Mia rever sua vida… Em especial com tudo o que vivenciou com Adam (Jamie Blackley – “Branca de Neve e o Caçador”)… Adam tinha uma banda de rock, logo também um apaixonado por música. De boa índole, mas um pouco descompromissado com a vida aos olhos da amadurecida Mia. Aliás, filha de ex-hippies Mia se sentia como um peixe fora d’água perto de todos eles. Algo que pesava muito em se deixar partir…

Quero que me toque como faz com o violoncelo.”

Se-Eu-Ficar_2014_05Em “Se Eu Ficar” temos os medos, anseios… de uma adolescente num momento de decisão: viver ou se deixar morrer. Parabéns ao Diretor R.J. Cutler pela construção da trama e performance dos atores. Uma Trilha Sonora primorosa! Do Clássico ao Pop Music! De Beethoven a Christina Aguilera! Além do que Cello e Cellist passam muita sensualidade! E pareceu que o roteiro de Shauna Cross também contou bem a história do livro homônimo de Gayle Forman. Um Filme para ver e rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Se Eu Ficar (If I Stay. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Os Descendentes (The Descendants, 2011)

Muito mais que os prêmios conquistados até aqui, dois nomes me fizeram ver “Os Descendentes“: o do protagonista – George Clooney -, e o do Diretor Alexander Payne. Clooney por pertencer a uma seleta lista de que estando nos créditos, tendo oportunidade, eu assisto o filme independente da trama. Payne por ter me conquistado com “Sideways – Entre Umas e Outras“. Ele sabe trazer à tona um momento relevante na vida de um homem maduro. Universos masculinos com sensibilidade. Contextos bem diferentes de ambos os filmes. Pois num, a parada para essa revisão fora por livre escolha. Já nesse aqui, foi o destino que lhe trouxe. Meus Aplausos a Alexander Payne por mais esse trabalho!

Os Estados Unidos é um país de contrastes. Que chegam a ser paradoxais em alguns casos. Em “Os Descendentes” temos um deles na trama principal. Está até no título do filme. Perfeito, aliás! Fala da criação: como educar os filhos. De um lado há pais que, mesmo abastados, mesmo ciente de que um dia seus filhos herdarão tudo, incentivam que ainda jovens trabalhem em períodos de férias. Muitos começam entregando jornais de porta em porta, ainda na pré-adolescência. Fazem isso para que comecem a dar valor ao dinheiro conquistado pelo próprio trabalho. O personagem de George Clooney, Matt King, teve um pai assim. Embora tenha herdado um Fundo por Terras deixadas por gerações passadas, e que o deixaria viver com luxo e mordomias, foi cada vez mais vivendo dos próprios rendimentos como advogado.

Dê a seus filhos dinheiro para fazerem algo, mas não o bastante para não fazerem nada.”

Grande parte dessa herança de família eram terras ainda virgens, em Kuai, Havaí. Num ponto super privilegiado entre serras e o mar. Com matas nativas. Um lugar belíssimo, que algum político cobiçou sim, ao criar a lei que tiraria a perpertuidade delas. Bem, o filme não foca essa relevância até Histórica: “Quem é o verdadeiro dono da terra?” Mas face a especulação imobiliária, e manter um latifúndio com também o intuito de preservar a natureza local, é um caso também a pensar. Muito embora, além de Matt e dois ou três primos, todos os outros queriam a venda de tudo, e o mais breve possível. Já que diferentes de Matt viveram só do dinheiro do tal Fundo. E sem o menor controle, estavam à beira da falência. Entre eles, o primo Hugh (Beau Bridges). Um grande canditado a futuro calo na jornada de Matt.

Mas essa iminente falência era problema deles, dos primos, e não de Matt. Pois esse, como já citei, um acidente do destino bateu a sua porta. Sua esposa, Elizabeth (Patricia Hastie), após um acidente no mar, entrara em coma. E pelos médicos: irreversível. Matt era um workaholic. O que o deixava ausente de casa. Mas também da vida da esposa, como das filhas Alexandra (Shailene Woodley) e Scottie (Amara Miller).

Às vezes as trombadas do destino não vem sozinha, vem com mais coisas. É que Matt descobre que a mulher o traía, e que só não o abandonou, porque o tal carinha, Brian Speer (Matthew Lillard) era casado, e nem cogitava se separar da esposa, Julie (Judy Greer).

Ah sim! Ainda é responsabilizado do acidente, pelo sogro, Scott (Robert Forster). Esse condenava Matt por não ter dado todo o luxo que poderia dar a Elizabeth. Na cabeça dele, se ela tivesse grana a rodo, viveria em shoppings, e longe dos esportes radicais.

Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” (Simone de Beauvoir)

Matt, como depositário mor, tinha poucos dias para então assinar a venda das terras. Paralelo a isso, tentar se aproximar das filhas. Deixar de ser o pai omisso. Também tentar explicar a filha caçula que iriam desligar os aparelhos que mantinham a mãe viva. Digerir a descoberta de ter sido traído, e pela desculpa por ter sido um marido ausente. Também aceitar o fato que a Alexandra já era uma moça, e que agora poderia se enamorar de um cara como o Sid (Nick Krause). Como também de se entrosar com ele. Enfim, dar um novo rumo a vida.

O filme é muito bom, dentro de tudo a que se propos mostrar. Em se tratando do Havai, dá para imaginar paisagens deslumbrantes. A Trilha Sonora segue a cultura local. Houve química entre os atores. O final traz a assinatura do Payne. Quem viu Sideways irá sacar. Bem, eu saquei e sorri. Vale o ser visto! Mas não me deixou com vontade de revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Descendentes (The Descendants, 2011). EUA. Diretor: Alexander Payne. Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, baseados na obra de Kaui Hart Hemmings. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 117 minutos. Classificação: 14 anos.

PRÊMIOS:
– Vencedor do Globo de Ouro 2012 de Melhor Filme – Drama e Melhor Ator (Drama) para George Clooney.
– Melhor filme de 2011 pela Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles.

E Se Fosse Verdade (Just Like Heaven. 2005)

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Uma idéia que leva a outra e mais outra...

Creio que alguns roteiros começam assim. Nesse, um roteiro nada original, parecendo recortes de vários filmes. Muito embora é baseado no Livro “If Only It Were True” (Se apenas isso fosse verdade…), de Marc Levy. E nem me refiro aos explicitamente lembrados no início. Como também temas como mediunidade. Em alguém vendo espíritos é bem explorado em Hollywood. A ponto até de plagiar histórias de autores brasileiros; vide “Dona Flor e seus dois Maridos”, de Jorge Amado.

Em “E se Fosse Verdade” é mostrado o espírito de alguém que ainda não morreu. Me adiantei. Melhor contar um pouco da história do filme.

A jovem Elizabeth (Reese Witherspoon) prestes a sair da condição de estagiária do Hospital onde trabalha sofre um acidente entrando num coma profundo. É! Lembra a história da “A Bela Adormecida” (Sleeping Beauty). E onde entraria o príncipe que iria acordá-la? Ele é David Abott (Mark Ruffalo), um jovem arquiteto que aluga o apartamento dela. Os dois acabam se encontrando. Mas…

Após se darem conta de que ela é um espírito meio desmoriado ele tenta ajudá-la a ir embora de vez. Até que ela recupera a memória bem próximo de desligarem de vez os aparelhos onde seu corpo está. Então eles terão que impedir. E a única pessoa que legalmente pode fazer isso é a irmã. Sendo que essa não acredita nem pouco no que David lhe conta.

Enfim, tem um início bonzinho, mas depois entedia um pouco depois. É que a cada virada de cena parece que irá aparecer a cena original de onde veio a “idéia”. Para mim ficou um mediano sessão-da-tarde. Bom mesmo foi ouvir The Cure cantando “Just like Heavem”. Nota: 06.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

E Se Fosse Verdade (Just Like Heaven). 2005. EUA. Direção: Mark Waters. Elenco: Reese Witherspoon, Mark Ruffalo, Rosalind Chao, Donal Logue, Dina Spybey, Ben Shenkman, Jon Heder, Ivana Milicevic. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 95 minutos.